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17 de setembro de 2011

O Voo de Icarus, Estevan Lutz, Novo Século

O Voo de Icarus
Estevan Lutz - Editora Novo Século
240 páginas - Lançamento: 2010

Sinopse:
"Num futuro próximo, na cidade marítima de Agartha, a vida do jovem Icarus oscila entre dois vícios: a realidade virtual e uma droga alucinógena denominada nirvana. Em busca de tratamento médico, ele acaba se tornando voluntário para a experimentação de um avançado medicamento baseado na nanotecnologia, o Sinaptek, o qual, posteriormente, lhe causa uma extraordinária reação adversa: a projeção de sua consciência, o que lhe permite viajar por diversos lugares do planeta e para outros mundos, empreendendo uma jornada do centro do universo ao centro da inconsciência humana. Estaria tudo, apenas, na mente de Icarus?"


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Minha resenha:
Em primeiro lugar: sou apaixonada por histórias de Ficção Científica. Usam a tecnologia, realidades e mundos paralelos e/ou o futurísticos para criticar ou nos fazer refletir sobre a sociedade em que vivemos. Apesar de toda a inteligencia, criatividade e aparatos científicos, gosto mesmo de observar a psicologia humana.
Adoro as possibilidades que a Ficção Científica despertam em mim quando sei que muitas coisas antes apenas imaginadas por escritores hoje em dia são reais. Quase sempre a Ficção Científica é um esboço do futuro. Mesmo com alguns erros cometidos no passado (principalmente ao espaço) e atualmente descobertos pela ciência, não me canso de elogiar essas mentes magníficas dos escritores.
Estevan Lutz, é uma dessas mente, mesmo que ainda nova na indústria literária.
Eu confesso que conheço um pouco de Ficção Científica, já li Frank Herbert, Isaac Assimov, Marion Zimmer Bradley - ficções científicas diferentes. Também sou grande fã de séries e filmes do gênero (que quase sempre não é muito aproveitado pelas mulheres). Nessa confissão devo assumir que vergonhosamente, não conheço a Ficção Científica nacional, como quase todo brasileiro. Nós mergulhamos em histórias fantásticas e não paramos para pensar: "E no Brasil? Como é?".
Agradeço ao Estevan por abrir meus olhos e me dar a oportunidade de ter a curiosidade e ânsia de querer ler agora mais autores nacionais do gênero.
E para quem está lendo essa resenha, e se pergunta a mesma coisa, recomendo a começar logo pelo O Voo de Icarus. Quem gosta desse tipo de leitura estilo Adimirável Mundo Novo ou filmes do tipo Matrix, vai gostar do enredo.
A capa: adorei o efeito na cor branca, perceptível apenas quando se vê o livro ao vivo, pelas fotos na internet, não é possível. É um plastificado quase em alto-relevo, dando mais profundidade à imagem. Ilustração bem bonita. Diagramação, qualidade gráfica... tudo ótimo.
Era inédito para mim (que me lembre agora), um autor dedicar uma história a personagens de outros livros, que foram inspiradores!
O livro é narrado em primeira pessoal, o que nos permite saber apenas o que o protagonista sabe, presenciars apenas as suas experiências, angústias, indecisões, fragilidades... dando um ar de curiosidade, e até de desespero.
O protagonista, Icarus é um jovem pertencente a uma elite social de um futuro próximo. Na cidade de Agartha ele integra uma empresa de criação e desenvolvimento da realidade virtual - um dos melhores cargos profissionais de sua geração. Ele participa da equipe gráfica.
Além de trabalhar com isso, ele é viciado nos jogos. Ele passa cada vez mais tempo conectado à tecnologia prazerosa de estar em qualquer lugar, de fazer coisas incríveis, de ser alguém que você não é. Uma diversão totalmente mutável e proveitosa, sem precisar sair de casa. A realidade virtual faz mais parte de sua vida que a realidade em si.
Ele foi se afastando aos poucos das pessoas, exceto os colegas de trabalho com quem ainda precisa conviver. Ele tem uma amiga mais íntima, Ceres, que é um pouco mais realista que ele, embora em minha opinião ela também seja uma fugitiva de sua realidade, porém de formas distintas de Icarus.
Ele tem um outro vício, que empata com os jogos (principalmente os mais violentos, seus preferidos): nirvana, a droga do futuro. Uma droga perfeita, embora ilícita. O viciado pode tranquilamente consumi-la à noite e pela manhã estará totalmente apto para trabalhar ou seguir seu cotidiano. Ela é rápida, sem efeitos colaterais graves e deixa o consumidor saciado, relaxado... porém é um vício forte.
Icarus, além de deixar de levar uma vida normal, como ter uma namorada ou sair para a boate mais psicodélica da cidade, aonde seus colegas sempre vão se divertir, começa a ter problemas com a realidade virtual. Ele passa mal fisicamente, quando necessita estar nela - o que atrapalha o seu trabalho e o deixa doente.
Ele aceita participar de um novo tratamento médico e é aí que sua vida muda totalmente, rapidamente.
Existem detalhes que o Estevan teve o cuidado de colocar na trama. Os nomes por exemplo. Pesquise os significados (apesar de alguns ele explicar): Icarus, Agartha, Ceres, Nirvana.
O início do livro é fantástico. A primeira sequência me tirou o folêgo! A primeira terça parte serve para integrar o leitor a essa realidade futurística, aos hábitos da sociedade, mostra como é o cotidiano, como é a vida do protagonista.
Gostei muito da forma como o Estevan descreve os hábitos, a tecnologia avançada presente no dia-a-dia. Cria realismo para quem curte Ficção Científica, agradando também aos leitores que gostam de saber como o mundo imaginário funciona a cada página. A rotina nos é apresentada de forma natural, e imagino o quanto daquilo poderá realmente fazer parte dos próximos avanços tecnológicos. Quem não está acostumado com mundos "científicos" não terá problema algum em acompanhar e se interessar pela história.
A segunda parte é responsável por virar do avesso a vida de Icarus, que através de novas descobertas, vê uma nova realidade. Ele detém agora um grande poder nas mãos, e ao mesmo tempo, está literalmente perdido nele. Nem tudo é o que parece ser, viradas e sacadas muito boas no enredo.
A última terça parte do livro é a melhor: não consegui parar de ler. A fome por saber logo de uma vez o que é verdade e o que é mentira tomou conta de mim e li de uma só vez; nem vi o tempo passando.
Quando terminei, fiquei chateada: queria mais. Essa é a maior prova de que a leitura me agradou demais.
Não entrei em detalhes, você tem que ler!! Você vai viajar não apenas num futuro convincente, mas também fará uma viagem transcendental, intíma e ao mesmo tempo, social; até onde nossa mente pode nos levar? Como a mente humana pode ser tão complexa? Ás vezes poderosa, ás vezes frágil, confusa? Muitos e muitos conflitos e dúvidas!
Não há como não refletir sobre nós mesmos. Se estamos realmente satisfeitos com a nossa vida, nossa rotina, nossos trabalhos. Não digo que o leitor vai entrar em colapso existencial, nada disso. No entanto, pelo menos uma área da sua vida será avaliada. Nem que seja seu papel na sociedade ou se você faz o que gosta. Ou se não passa tempo demais na frente do computador, do celular, do videogame ou da televisão. Aí varia de acordo com cada pessoa e com o momento em que ela vive. Depende em que realidade está vivendo!
Aprovo o destino dado a Icarus.
Eu tenho a impressão de que mais poderia ser aproveitado do mundo de O Voo de Icarus, espero que esteja nos planos do autor. Estevan é muito talentoso e está apenas iniciando sua carreira. Creio que muito possa nascer futuramente de seus trabalhos!

Entre em contato com o autor e adquira já o seu exemplar: estevanlutz@hotmail.com

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