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2 de março de 2012

Lançamentos de Fevereiro da Editora Companhia das Letras

Os livros que fpram lançados em fevereiro pela Editora Companhia das Letras:




Wilson, Daniel Clowes (Tradução de Érico Assis)
Wilson é um adorável malandro e um solteiro solitário. Um pai e marido dedicado, um idiota. Um sociopata. Um fanfarrão desiludido. Uma flor delicada. Wilson é a mais nova graphic novel de Daniel Clowes, autor de Ghost World e David Boring.

História noturna, Carlo Ginzburg (Tradução de Nilson Moulin)
Durante mais de três séculos, de um extremo a outro da Europa, mulheres e homens acusados de feitiçaria confessaram ter se reunido no sabá, encontro noturno em que, na presença do diabo, celebravam-se banquetes, orgias sexuais, cerimônias antropofágicas, profanações e ritos cristãos. Nessas descrições, muitas vezes obtidas sob tortura, hoje se tende a reconhecer o fruto das obsessões de inquisidores e juízes. Carlo Ginzburg propõe uma interpretação diferente: por trás da imagem enigmática do sabá, vemos aflorar pouco a pouco um estrato antiquíssimo de mitos e processos de exclusão social: trata-se de uma viagem ao mundo dos vivos e dos mortos, à esfera do visível e do invisível.

O valor do amanhã, Eduardo Gianetti
Os juros fazem parte da vida de todos – aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia a dia. Em O valor do amanhã, Eduardo Gianetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão universal como a força da gravidade e a fotossíntese. Desde o momento em que aprendeu a planejar suas vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando essa prática. Mesmo antes disso, a noção de juros já “está inscrita no metabolismo dos seres vivos e permeia boa parte do seu repertório comportamental”. Ao extrapolar os limites financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas – como a alta taxa de juros no Brasil – têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade.

Retrato do Brasil – Ensaio sobre a tristeza brasileira, Paulo Prado
“Como da Europa do Renascimento nos viera o colono primitivo, individualista e anárquico, ávido de gozo e vida livre – veio-nos em seguida o português da governança e da fradaria. Foi o colonizador [...] Dominavam-no dois sentimentos tirânicos: sensualismo e paixão do ouro. A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjulgando o espírito e o corpo de suas vítimas”. Organizado por Carlos Augusto Calil.

Histórias de Shakespeare — Otelo, Andrew Matthews (Tradução de Érico Assis)
Otelo e Desdêmona estão profundamente apaixonados e são capazes de abrir mão de tudo para ficar juntos. No entanto, o ambicioso e vingativo Iago, alferes de Otelo, quer arruinar a história de amor dos dois e, para tal, arma as mais terríveis tramoias. Isso porque Iago desejava se tornar tenente, mas, no seu lugar, Otelo promovera o soldado Cássio. Agora o alferes deseja vingança e não hesita em provocar a discórdia. Conheça esta tragédia repleta de aventura e emoção, descubra curiosidades sobre as características dos atores que representarem Otelo ao longo do tempo e aprenda um pouco mais sobre o ciúme, esse sentimento tão devastador.

O livro e ciências mais explosivo do universo, Claire Watts (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Por que não conseguimos ouvir sons no espaço? Em quantas partes um átomo pode ser dividido? De que é feito o buraco negro? Prepare-se para a espetacular investigação das ciências que estudam como você, o mundo o universo foram criados e funcionam. Passeie pela tabela periódica e conheça os elementos químicos; descubra as diferenças entre ácidos e bases; assista ao vivo e em cores às mudanças de estado da matéria. Da efervescência e barulhenta química à fenomenal força da física, há muito a descobrir.

Aoki, Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Aoki é uma kokeshi – uma boneca de madeira de cabeça redonda, lindas roupas coloridas, que vem de um país distante: o Japão. Ela vai para Tóquio visitar sua amiga Yoko, levando os pequenos leitores em uma viagem cultural. Ela ensina palavras em japonês e pede ajuda para arrumar a mala, entre outras atividades que propõem uma leitura interativa. Com ela, viajamos no trem mais rápido do país, vemos as cerejeiras em flor, passeamos em um jardin zen, visitamos as lojinhas e sua infinidade de produtos, fazemos um piquenique e olhamos as estrelas do alto do monte Fuji. Repleto de acabamentos especiais e abas que se desdobram revelando muitas surpresas, este livro é uma maneira divertida de conhecer um pouco dessa cultura tão apaixonante.

O ogro da Rússia, Victor Hugo (Tradução de Eduardo Brandão)
Um ogro apaixonado por uma fada, como isso poderia dar certo? Na verdade, nesta história não deu, o pobre filho da fada que o diga…Um conto infantil de um dos escritores mais importantes de todos os tempos!


1922 – A semana que não terminou, de Marcos Augusto Gonçalves
Na noite de 13 de fevereiro de 1922, curiosos, estudantes, figurões da política e sobrenomes de tradicionais famílias paulistas compareceram ao Teatro Municipal para a inauguração da Semana de Arte Moderna. Iniciativa de representantes da elite de São Paulo e de talentos da nova geração, como o pintor Di Cavalcanti e os escritores Mário e Oswald de Andrade, a Semana, com o passar dos anos, transformou-se numa espécie de mito sobre a fundação da cultura moderna no Brasil. Noventa anos depois, o jornalista Marcos Augusto Gonçalves mescla reportagem e relato histórico para revisitar os principais fatos e personagens da semana mais polêmica do país.

Festa no covil, de Juan Pablo Villalobos (Tradução de Andreia Moroni)
Tochtli é um pequeno príncipe herdeiro do narcotráfico mexicano. Fechado numa fortaleza no meio do nada, engana a solidão colecionando chapéus e palavras exóticas. Ele também tem uma ideia fixa: completar seu minizoológico com hipopótamos anões da Libéria e é bem capaz de conseguir que o rei, Yolcault, atenda seu desejo. Involuntariamente assustador e hilário em sua cândida crueldade, Tochtli relata sua própria educação sentimental, mostrando o coração do crime para além do bem e do mal. Nas ingênuas e disparatadas especulações desse improvisado detetive-antropólogo, atravessadas por suas fantasias e caprichos infantis, revela-se um quadro sinistro e doce como uma caveira de açúcar. Leia o post sobre a capa do livro, e um texto do autor.

Chamadas telefônicas, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
O autor chileno compôs uma série de histórias breves, com desfechos inesperados, ocasionalmente abruptos, que abrem caminho para múltiplas interpretações. São tramas que muitas vezes ocultam mais do que revelam sobre seus personagens. O universo da literatura é tema recorrente na obra de Bolaño, e confere o eixo da primeira parte do livro. Na segunda parte, em que o espectro metaliterário cede lugar à violência, os leitores de Bolaño reencontrarão personagens já conhecidos. A sensação de déjá-vu estende-se também à terceira e última parte, protagonizada por personagens femininas indecifráveis, cujas ações nunca são inteiramente compreendidas.Ao repetir personagens e cenas, Bolaño constrói, livro a livro, um vasto universo ficcional. As breves narrativas de Chamadas telefônicas são assim tanto um complemento para ávidos leitores do autor quanto uma porta de entrada para esse território de figuras solitárias e deslocadas.

O xá dos xás, de Ryszard Kapuscinski (Tradução de Tomasz Barcinski)
Mohammed Reza Pahlevi governou o Irã por 25 anos. Após meses de manifestações populares nas ruas das principais cidades do país, o xá renunciou em janeiro de 1979. Imagens da revolução rodaram o mundo, mas poucos cronistas foram capazes de compreender as bases desse impressionante levante popular. Imiscuindo-se no cotidiano dos cidadãos comuns de Teerã, Ryszard Kapuscinski ouviu dezenas de anônimos, recortou pequenos textos de jornais locais, atentou para fotos antigas, coletou relatos de crianças. Assim nasceu O xá dos xás, não apenas a mais abrangente reportagem sobre a Revolução Iraniana como um relato sensível da experiência vivida pelo repórter naquele país.

Miguel Street, de V.S. Naipaul (Tradução de Rubens Figueiredo)
Um estranho podia passar de carro pela Miguel Streel e dizer apenas: “Favela!”, porque não conseguia enxergar mais nada. No entanto nós que morávamos lá víamos nossa rua como um mundo, onde cada um era completamente diferente do resto. Homem-homem era maluco; George era burro; Pé Grande era brigão; Hat era um aventureiro; Popo era um filósofo; e Morgan era nosso comediante.

O Estado como obra de arte, de Jacob Burckhardt (Tradução de Sergio Tellaroli)
A partir do século XIV, numerosos tiranos e déspotas começam a tomar o poder nos pequenos Estados da Península Italiana, então dividida entre as influências antagônicas da Igreja e do imperador germânico. Valendo-se de métodos ilegítimos e quase sempre sangrentos, os Baglioni de Peruga, os Sforza de Milão, os Médici de Florença, entre outros, estabeleceram ferozes ditaduras em seus domínios. Ao mesmo tempo, todo uma nova classe de intelectuais e artistas surge em torno das suntuosas cortes desses príncipes, criando as condições para o Renascimento. Em O Estado como obra de arte, primeira parte de A cultura do Renascimento na Itália, Jacob Burckhardt analisa a tumultuada evolução política dos Estados italianos durante um dos períodos mais decisivos da história do Ocidente.



Abaixo as verdades sagradas, Harold Bloom (Tradução de Alípio Correa de Franca Neto e Heitor Ferreira da Costa)
Com sua formidável erudição, Harold Bloom faz uma avaliação grandiosa da literatura ocidental, revisitando desde as fontes javistas do Antigo Testamento até Franz Kafka e Samuel Beckett. Os ensaios reunidos neste livro apresentam uma leitura provocativa de Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Milton e outros — sem esquecer Freud –, com um apuro que sabe cercar o cerne moral e intelectual de cada texto. O crítico retoma o tema básico do agon literário — a luta do poeta forte contra seu precursor –, aliando-o a uma intensa meditação em torno do sublime. Sem distinguir entre o canto sacro e profano, Bloom afirma a poesia como ato essencial do conhecimento. E conclui que todas as nossas tentativas de dizer que certa obra de peso é mais sagrada do que outra estão simplesmente ligadas a questões políticas e sociais.

O imperador de todos os males, Siddhartha Mukherjee (Tradução de Berilo Vargas)
Siddhartha Mukherjee, oncologista que se depara diariamente com o drama de seus pacientes, traça em O imperador de todos os males uma “biografia” profundamente humana do câncer. O livro, ganhador do Prêmio Pulitzer 2011, narra em detalhes as etapas do processo cheio de idas e vindas da pesquisa da doença, as promessas de vitórias e as recaídas, as radicalizações temerárias de tratamentos como a mastectomia e a quimioterapia, e a importância tardia dada à prevenção, que levou a avanços como o exame de Papanicolau e o combate ao fumo. Em linguagem acessível, Mukherjee revela os notáveis resultados da recente pesquisa genética, que desvendam o mecanismo íntimo da doença e vão sendo paulatinamente incorporados ao tratamento. Tudo isso numa linguagem que tem a precisão do cientista e a paixão do biógrafo que não esconde sua admiração por um mal capaz de assumir muitas formas e que está à nossa frente na corrida pela imortalidade.

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