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31 de julho de 2012

Lançamentos de julho da Companhia das Letras

Os 23 lançamentos do mês de julho da Editora Companhia das Letras:


Foco, de Arthur Miller (Trad. José Rubens Siqueira)
Neste romance pioneiro em escancarar o antissemitismo nos Estados Unidos, o grande dramaturgo Arthur Miller apresenta um quadro realista e muitas vezes surpreendente das incertezas na vida dos imigrantes de Nova York. Lawrence Newman sempre julgou os judeus como “fingidores e impostores”. Fazendo vista grossa para a violência e o preconceito, acreditou que ficaria ileso. Mas um problema de visão o obriga a usar óculos. É o suficiente para ele ser visto como um elemento espúrio numa sociedade da qual se orgulhava em fazer parte — e para que ele mesmo passe a enxergar o mundo de outra maneira. Escrito em 1945 e lançado agora em nova tradução, Foco é um dos primeiros livros a tratar diretamente de uma questão delicada: o preconceito contra judeus nos Estados Unidos, nação que sempre se orgulhou de acolher as mais diversas etnias ao longo de sua história.

A ficção e o poema, de Luiz Costa Lima
A mímesis é um dos aspectos fundamentais da experiência humana. Chave de acesso a necessidades seminais do ser, ela tem fascinado os pensadores da linguagem desde suas primeiras formulações na Grécia clássica. Na obra de Luiz Costa Lima — um dos poucos brasileiros mundialmente reconhecidos na área de ciências humanas —, o protagonismo assumido pela mímesis já deu ensejo a uma série de ensaios memoráveis. O autor de O controle do imaginário e a afirmação do romance apresenta em A ficção e o poema o estado atual de suas investigações sobre a operação mimética, privilegiando a teoria da literatura e a análise do discurso. Costa Lima perscruta os furtivos mecanismos do teatro da linguagem a partir dos caminhos indicados por Kant, Freud, Aristóteles, Adorno e Heidegger, entre outros filósofos. Ao longo de seu instigador percurso crítico, constelado de poetas de diferentes literaturas, este livro propõe uma arrojada reavaliação das fronteiras usuais entre forma e conteúdo, som e sentido, prosa e poesia.

Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal
O coronelismo, resultado de uma perniciosa confluência de fatores históricos, econômicos e sociais, foi o principal sustentáculo político da República Velha (1889-1930). Favorecido pelo deliberado descaso do Estado com as populações rurais do país, o poder privado dos grandes proprietários de terras — os “coronéis”, como ficaram conhecidos a partir de sua adesão ao oficialato da extinta Guarda Nacional — controlava praticamente todos os aspectos da vida municipal e, sobretudo, os viciados processos eleitorais de então. Em troca dos votos arrebanhados entre agregados, meeiros e outros dependentes, esses caudilhos obtinham dos governos estaduais e federais o reconhecimento oficioso de sua autoridade, que incluía a impunidade de seus desmandos e das violências de seus jagunços. Neste clássico das ciências humanas brasileiras, originalmente publicado em 1948, Victor Nunes Leal disseca os perversos mecanismos responsáveis pela perpetuação do atraso do interior do país no século XX.

Ciência em versos, de Jon Scieszka e Lane Smith (Trad. Érico Assis)
Você já parou para cheirar as flores? Já sentiu a poesia que está em tudo? Pois esta é a história de um garoto que sentiu. Azar o dele. Porque o coitado passou a escutar absolutamente tudo em forma de poemas científicos.

Editora Paralela
O instinto de morte, Jed Rubenfeld (Trad. George Schlesinger)
Tendo como pano de fundo um dos grandes mistérios da história americana — o atentado à bomba que pôs abaixo Wall Street em 1920 —, O instinto de morte é a volta de Jed Rubenfeld ao universo literário de A interpretação do assassinato, romance que o consagrou mundialmente. O instinto de morte contém todos os elementos do melhor thriller policial, além da recriação histórica acurada e da percepção sombria e densa da mente huamana que fizeram de seu livro anterior um best-seller internacional. Costurando ficção e realidade, psicanálise e suspense, o autor coloca Sigmund Freud e Marie Curie no cerne de uma trama de consequências devastadoras, conforme um quarteto de heróis tão improváveis quanto ambíguos tenta resolver seus conflitos pessoais e desvendar um dos maiores e mais incompreensíveis ataques terroristas já vividos em solo americano.


O Convidado de Raposela, de Alex T. Smith (Trad. Érico Assis)
Quando Raposela DaMatta convida O Ovo para um lanchinho, na verdade ela está bolando um saboroso plano para transformá-lo em café da manhã! Mas Raposela não sabe o que a aguarda quando, na manhã seguinte, O Ovo começa a rachar… Uma história de eriçar as penas!!

Os cristãos e a queda de Roma, de Edward Gibbon (Trad. José Paulo Paes e Donaldson M. Garschagen)
Entre as causas da decadência irreversíveldas instituições imperiais romana, a partir do século III d.C., o historiador inglês Edward Gibbon (1737-94) destaca a rápida expansão da religião cristã. O cristianismo, poucas décadas depois da morte dos apóstolos, não passava de uma pequena seita judaica. perseguida pelas autoridades e radicada sobretudo nas regiões periféricas do Império. Gradativamente, o grande crescimento do número de crentes ocasionou a formação de uma verdadeira confederação de repúblicas episcopais, que acabaria por conquistar o poder secular de Roma e proscrever o culto de deuses como Apolo e Saturno. Neste esclarecedor capítulo de sua obra capital, Declínio e queda do Império Romano, Gibbon apresenta uma visão pioneira sobre o cristianismo primitivo e sua disseminação do Oriente para o Ocidente. Empregando com habilidade os escassos dados históricos disponíveis em sua época, o autor elucida os fatores que conduziram ao avanlo decisivo da Igreja cristã no território imperial.

Razão e sensibilidade, de Jane Austen (Trad. Alexandre Barbosa de Souza)
Razão e sensibilidade é o primeiro dos quatro livros publicados em vida por Jane Austen (1775-1817). Concebida em 1795 como romance epistolar, mas amplamente reformulada até 1811, quando foi editada na versão final, a história das venturas e desenganos amorosos das jovens irmãs Elinor e Marianne Dashwood já inspirou inúmeras adaptações teatrais e cinematográficas. Duzentos anos após sua primeira publicação, este clássico da ficção em língua inglesa segue apaixonando leitores com um enredo que explora temas como a virtude, o sofrimento e a redenção. Esta nova edição traz alentados textos introdutórios dos críticos e professores britânicos Tony Tanner e Ros Ballaster, especialistas em ficção inglesa dos séculos XVIII e XIX, além de notas explicativas sobre o texto, a autora e o contexto histórico.

Evolução política do Brasil e outros estudos, de Caio Prado Jr.
Em Evolução política do Brasil, Caio Prado Jr. estuda os acontecimentos cruciais do nosso processo de Independência. Ao investigar as potencialidades e os limites da ação política, o ensaio articula de modo fino as relações de poder e os constrangimentos estruturais à democratização do Estado nascente. Uma dialética entre conjuntura e processos de média e longa duração está em jogo, na qual os embates políticos do passado sempre têm consequências na definição do presente. O interesse de Evolução política do Brasil – livro de estreia de Prado Jr. e abordagem marxista pioneira em nossa historiografia – reside portanto não apenas no exame do contexto de fundação do Estado brasileiro, mas também no modo original de interpretação e análise. Esta edição baseia-se na terceira do clássico de Prado Jr., que em 1953 foi acrescida de nove escritos, como “A cidade de São Paulo” e “Roteiro para a historiografia do Segundo Reinado (1840-89)”.



Mahatma Gandhi e sua luta com a Índia, de Joseph Lelyveld (Trad. Donaldson M. Garschagen)
Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948) é certamente uma das figuras centrais da história do século XX, e talvez a mais discutida, analisada e, sobretudo, cultuada. Pioneiro da independência da Índia, idealizador da resistência civil e da não violência, inspirador do pacifismo internacional, o Mahatma – título honorífico atribuído pelo poeta Rabindranath Tagore e que significa “Alma Grande” – também foi um eminente líder espiritual. Com astuciosa sabedoria, Gandhi aliou uma existência de orações, peregrinações e penitências aos deveres temporais impostos pela defesa incondicional dos direitos dos mais pobres. Neste relato biográfico rigoroso, o jornalista vencedor do prêmio Pulitzer Joseph Lelyveld reconstitui as principais etapas da prodigiosa trajetória de Gandhi a partir de sua chegada à África do Sul, ainda como um jovem advogado de maneiras inglesas, e do retorno triunfal à pátria indiana, revelando a dimensão humana e as ambiguidades da vida do líder.

Diomedes, de Lourenço Mutarelli
A saga que consagrou Lourenço Mutarelli como um dos grandes nomes do quadrinho nacional. Edição completa e revista dos quatro álbuns protagonizados pelo lendário detetive Diomedes, incluindo tiras e esboços inéditos.

Negros, estrangeiros, de Manuela Carneiro da Cunha
Neste livro, originalmente lançado em 1985, Manuela Carneiro da Cunha realiza uma primorosa análise das trajetórias de ex-escravos africanos e crioulos que saíram do Brasil, reconstituíram suas vidas nos portos do Golfo do Benin e, junto a outros ex-escravizados vindos de Cuba e de Serra Leoa, transformaram-se numa burguesia de mercadores. Trata-se de tema fascinante que amplia os diálogos entre as duas margens do Atlântico para além das dinâmicas do tráfico de escravos.

Confissões, de Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro foi inventor em todos os campos por onde se aventurou. Deixou em todos eles a marca de sua originalidade, seja como antropólogo, educador, político ou intelectual – no sentido mais fecundo que essas palavras possam ter.Com a exuberância que nos acostumamos a esperar dele, registrou nessas Confissões não só os enredos de um homem público apaixonado pela terra em que nasceu. Darcy expressou sempre uma recusa quase teimosa em tolerar os sofrimentos do povo brasileiro. Queria para todos as alegrias que ele mesmo pôde desfrutar.

A brincadeira, de Milan Kundera (Trad. Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Anna Lucia Moojen de Andrada)
Um estudante envia um cartão-postal ironizando o dogmatismo comunista. Punido com anos de trabalho braçal, ele tentará se vingar, mas não sem enfrentar uma série de perguntas: qual a relação entre desejo sexual e ódio? Seria a juventude a “estúpida idade lírica”? O que é a vingança? Por que a revolução julga com tanta severidade as brincadeiras? No centro dessa narrativa, contudo, não está a História nem a política, mas sim os enigmas da existência humana. A brincadeira é o primeiro romance de Milan Kundera, celebrado autor de A insustentável leveza do ser. Lançado na Tchecoslováquia em 1967, foi publicado pela Companhia das Letras em 1999, ganhando agora nova edição de bolso.

Editora Paralela
O atlas do amor, de Laurie Frankel (Trad. Laura Silva Neves)
Quando Jill engravida acidentalmente e é abandonada pelo namorado, ela e suas duas melhores amigas mergulham de cabeça num projeto inusitado: criar Atlas, o bebê, juntas, em meio à loucura da pós-graduação.


Poemas, de Adonis (Trad. Michel Sleiman)
Há muito tempo Adonis é considerado o maior poeta árabe vivo. Não apenas foi o principal renovador daquela poesia, ao introduzir algumas das mais importantes conquistas formais do modernismo ocidental, como continua a ser uma das vozes fundamentais e mais ativas da cultura árabe. Embora consciente de viver em tempos de corrosão, ele não teme exercitar uma poesia de sabedoria, na fronteira da filosofia ou mesmo da religião, chegando a cristalizar novas máximas, nunca dogmáticas, em seus textos. “A poesia”, disse recentemente Adonis, “não pode ser feita para se adequar a uma religião ou a uma ideologia. Ela oferece aquele conhecimento que é explosivo e surpreendente.” Em tradução inédita do árabe, este livro é a primeira seleta de poemas de Adonis publicada no Brasil.

As impurezas do branco, de Carlos Drummond de Andrade
As impurezas do branco é um livro que aponta novos e múltiplos caminhos na lírica de Carlos Drummond de Andrade. Publicados em 1973 (década em que a vida política estava sufocada pela Ditadura ao mesmo tempo em que se assistia à explosão da cultura jovem em todos os cantos do mundo), os poemas tratam sem cerimônia alguma de temas maiúsculos como amor e metafísica, e abordam – com agudeza – aspectos da vida cotidiana, como o noticiário e a publicidade. Sem esquecer, é claro, daqueles motivos que consagraram o poeta mineiro como um dos pontos altos do tempo e a brevidade da vida.

Novos poemas e 5 elegias, de Vinicius de Moraes
Os dois livros aqui alinhados formam um conjunto de grande força e beleza. Mas não é apenas isso: ambos se animam por um espírito comum. O abrir de olhos para o mundo alcança um momento excepcional em Cinco elegias, de 1943. Se os poemas que compõem o livro são, como os de Novos poemas, representativos de um período de transição, há também um salto: estamos diante de uma experimentação poética e humana que é um marco na poesia brasileira do século XX. O leitor tem em mãos dois livros que, além de vizinhos no tempo, definem uma mudança de rumo e um ponto alto na obra de Vinicius de Moraes.

Antologia poética, de Carlos Drummond de Andrade
Com poemas selecionados e arranjados com inaudita perspicácia pelo prórpio autor há 50 anos, esta Antologia poética é ainda hoje a melhor e mais eloquente introdução panorâmica à obra de Carlos Drummond de Andrade. Dividido em nove seções – que dão conta com maestria do vasto escopo dessa lírica fundamental -, este volume traz diversos clássicos drummondianos e outros poemas que, lidos em conjunto, poderão ganhar uma nova luz.

Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade
Sentimento do mundo, publicado em 1940, é a obra em que o poeta mineiro traz um olhar cuidadoso para as temáticas políticas e sociais de seu tempo. Afinal, durante sua elaboração o Brasil vivia o Estado Novo de Getúlio Vargas e a Europa observava a assustadora ascensão nazifascista. Esse senso crítico apurado é perceptível em poemas como “Congresso Internacional do Medo” e “O operário no mar”, além do texto que dá título ao livro. O tom desesperançado não impede que Drummond revele também uma faceta delicada e intimista, seja lembrando-se de sua Itabira natal (“apenas uma fotografia na parede”), seja ao homenagear Manuel Bandeira em “Ode no cinquentenário do poeta brasileiro”.

Como ficar sozinho, de Jonathan Franzen (Trad. Oscar Pilagallo)
Considerado um dos mais importantes ficionistas norte-americanos de sua geração, Jonathan Franzen retoma, em Como ficar sozinho, o ensaísmo em que também se destacara com A zona do desconforto (2008). O autor desfaz a fronteira entre ficção e não ficção nesta obra permeada pelo universo ficcional de grandes escritores como Kafka, Proust, Goethe, Daniel Defoe e Alice Munro. Uma verdadeira aula de literatura.

José, de Carlos Drummond de Andrade
No ensaio de “José e algumas de suas histórias”, escrito especialmente para este volume, o crítico e poeta Júlio Castañon Guimarães analisa a fortuna do livro e do poema que lhe empresta o título. E revela que o próprio Drummond muitas vezes retomou o mote em algumas de suas crônicas publicadas em jornal. O poeta, aliás, reuniu numa pasta os mais diversos recortes em que o verso “E agora, José?” retornava, de forma paródica ou mesmo celebratória. Mais uma demonstração do enorme poder de penetração de um autor que marcaria para sempre o cenário da poesia do século XX.

Toda Rê Bordosa, de Angeli
Dotada de um humor ácido e de um cinismo incontornável, Rê Bordosa viveu porres homéricos, ressacas épicas e amores tão duradouros quanto uma tira de jornal. Outros personagens de Angeli, como Bibelô, Meia Oito, Wood & Stock, passaram por sua vida (e sua cama). E ela acompanhou, alheia, as mudanças sociais e políticas dos anos 80 e 90. Reunidas pela primeira vez num álbum de luxo, e restauradas digitalmente a partir dos originais do autor, as tiras desse Toda Rê Bordosa trazem de volta à vida a musa do quadrinho brasileiro. Quem conhece apenas o mito terá acesso a todas as tiras, histórias longas, rabiscos e ameaças tramadas por Angeli contra sua criatura. E quem nunca se esqueceu dela pode ir encostando no balcão. A casa é sua, como ela disse tantas vezes.

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