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31 de agosto de 2012

Lançamentos da companhia das Letras na segunda quinzena de Agosto


Bahia de todos-os-santos, de Jorge Amado
Há poucas cidades no mundo tão fascinantes, complexas e repletas de história quanto Salvador. E que outro guia melhor do que Jorge Amado para desvelar os encantos, mistérios — e mazelas — seculares de suas ruas, ladeiras, terreiros, igrejas, mercados, trapiches e praias? O autor de tantos romances ambientados em Salvador, responsável em grande parte pela difusão de sua mitologia popular pelo mundo afora, abre aqui de modo generoso as portas da cidade para quem quiser conhecê-la, mas sem perder o olhar crítico e transformador. Diferentemente dos guias turísticos e prospectos oficiais, este livro, publicado originalmente em 1944 e alvo de sucessivas atualizações, não esconde o lado obscuro da capital baiana, seus bairros miseráveis e sem higiene, a vida dura e sem perspectivas da população mais pobre, bem como a deterioração paulatina do meio ambiente e da arquitetura. Bahia de todos-os-santos entrega ao leitor a cidade por inteiro, não só na paisagem física mas também em seus ritos tradicionais e em seus costumes cotidianos.


Notícias do planalto, de Mario Sergio Conti (Edição econômica, com novo posfácio)
“Com sua força narrativa concentrada, um amplo panorama de personagens de cima e de baixo, denso nos detalhes, e com um desenlace dramático à altura, lê-se Notícias do Planalto como um trabalho documental de Balzac. Sem poupar ninguém — proprietários, comentaristas ou repórteres —, o livro quebrou o tabu fundamental da imprensa: cachorro não come cachorro.” Foi assim que Perry Anderson, um dos grandes historiadores ingleses, classificou Notícias do Planalto num ensaio na London Review of Books. Lançado em 1999, o livro deflagrou uma imensa controvérsia acerca das relações perigosas entre a imprensa e o poder e entre jornalistas e donos de órgãos de comunicação. Com mais de 70 mil exemplares vendidos, entrou para a bibliografia básica de inúmeras faculdades de jornalismo.

Os inimigos íntimos da democracia, de Tzvetan Todorov (Trad. Joana Angélica d’Ávila Melo)
Em Os inimigos íntimos da democracia, Todorov emite um enfático alerta contra a maior ameaça à sobrevivência dos valores democráticos no século XXI: as estruturas autoritárias gestadas nas entranhas do próprio sistema político ocidental. Para o autor, o risco de uma regressão global a modos de agir e pensar típicos do totalitarismo é o efeito mais alarmante da perversão interna dos valores democráticos nas últimas décadas. Todorov denuncia os descomedimentos da política contemporânea por meio de uma lúcida compreensão dos discursos ideológicos em jogo nos conflitos decisivos da realidade social.

Aninha, a pestinha, de Juliet Mickelbugh (Trad. Eduardo Brandão)
Aninha era sempre uma gracinha — pintava que era uma gracinha, cantava que era uma gracinha, e todo mundo só dizia: “Que gracinha, a Aninha!”. Mas, irritada com a situação, um dia resolveu passar a fazer só abobrinha. Falava de boca cheia, subia na cadeira, rabiscava a mesa inteira, pintava as paredes de casa, respondia para os adultos, só aprontava confusão! Logo, logo, para todos tinha virado “a pestinha”. Foi aí que ela percebeu que não queria ser nem uma coisa nem outra: queria mais ser ela mesma, só a Aninha.

O voo do golfinho, de Ondjaki
E se todos tivéssemos o dom de mudar de corpo ao longo da vida? E se voar fosse mesmo possível para todos os que sempre desejaram ter asas? Esta é a história de um golfinho que queria ser passarinho e que um dia ousou dar um salto a mais…

A força da escravidão, de Sidney Chalhoub
“Esses escravos ilegais estão a todo momento e por toda parte em presença das autoridades brasileiras, mas eles não são vistos.” A irônica observação de um cônsul britânico diante do escândalo dos africanos escravizados sintetiza o descaso criminoso a que a cidadania dos negros foi submetida no Brasil oitocentista. Em aberta afronta ao direito internacional, mais de 750 mil pessoas foram contrabandeadas para o país após a lei de 1831 que proibia o comércio de cativos. por outro lado, a notória tolerância das autoridades em relação aos horrores do tráfico deteriorava a já instável condição social dos ex-escravos e dos nascidos livres, sinalizando-lhes que seus direitos pouco valiam contra a força avassaladora do poder escravista. Apoiado numa abrangente pesquisa em arquivos da época, o historiador Sidney Chalhoub demonstra como a precária experiência da liberdade dos negros esteve à mercê da cumplicidade entre o Estado e as classes proprietárias durante a maior parte do Segundo Reinado.

Fora do tempo, de David Grossman (Trad. Paulo Geiger)
Em 12 de agosto de 2006, o sargento Uri Grossman foi morto no Líbano, a dois dias do cessar-fogo em nome do qual seu pai, o escritor David Grossman, havia se manifestado anteriormente, em público, ao lado de Amós Oz e A. B. Yehoshua. Cinco anos depois, o ficcionista oferece uma investigação das maneiras de dizer o luto, fazendo a poesia e o maravilhoso ressoarem num espaço próprio, embora permeado pela política e pela biografia. Destituídas das virtudes mágicas capazes de dar corpo ao ausente, as palavras ainda assim insuflam vida em quem encontra fôlego para dizê-las. Em algum ponto da jornada inconcebível limite entre “aqui” e “lá”, o enlutado vislumbra uma hipótese de caminho de volta do exílio. Com Fora do tempo, Grossman testemunha, mais uma vez, que a vida não acabou. Confiando nas virtudes da escrita, ele prossegue em busca das imagens “em alta resolução”, pelas quais “vivemos a nossa própria vida, não um clichês que outros formularam para nós”, conforme declarou certa vez em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Uma certa justiça, de P. D. James (Trad. Celso Nogueira)
O crime central deste romance é o assassinato de Venetia Aldridge, uma mulher obsessiva e arrogante que, dedicando-se de corpo e alma à advocacia criminal, conseguiu chegar ao topo da carreira, brilhando no tribunal mais famoso da obsessiva e arrogante que, dedicando-se de corpo e alma à advocacia criminal, conseguiu chegar ao topo da carreira, brilhando no tribunal mais famosos da Inglaterra, o Old Bailey. Foi lá que realizou a defesa de Garry Ashe, um jovem acusado do assassinato brutal de sua tia. Venetia, porém, não poderia prever que um mês depois seria morta com violência em seu próprio escritório — pois, como diz P.D. James no início deste livro, “os assassinos não costumam alertar suas vítimas”. Por mais hábeis que sejam, entretanto, os criminosos sempre deixam pistas, e segui-las é o trabalho do inspetor Adam Dalgliesh e de sua equipe da Scotland Yard. Uma das melhores autoras do romance policial, Phyllis Dorothy James nasceu em 1920 e só estreou na literatura em 1962. Desde então, publicou cerca de duas dezenas de livros.



Habibi, de Craig Thompson (Trad. Érico Assis)
Dodola, uma garota perspicaz e independente, foge de seus captores levando consigo uma criança. Eles crescem juntos no deserto, só os dois, vivendo num navio naufragado na areia. Em meio a sentimentos cada vez mais conflitantes, os dois passam o tempo contando histórias. Assim, somos apresentados também à origem do islamismo e de suas tradições, conforme as narrativas se combinam numa trama de aventura, romance, filosofia e tragédia. Para contar a saga de Dodola e Zam, Craig Thompson recorreu ao Corão e às Mil e uma noites. Do primeiro, colheu o próprio estilo do livro, inspirado na caligrafia árabe, e também as narrativas do texto sagrado dos muçulmanos, recriadas com maestria pela pena do autor. A partir do segundo, elaborou um cenário fantasioso, repleto de lendas e histórias, uma versão quase mitológica da nossa ideia de Oriente. Ambientado nos dias de hoje, Habibi não se passa em nenhum país conhecido. É uma terra igualmente fantástica e concreta, onde questões presentes se misturam a indagações ancestrais. Crítica social, questionamentos ecológicos, paralelos entre religião e amor: tudo encontra seu lugar nesta narrativa tão épica quanto particular. Fruto de sete anos de pesquisas e trabalho, Habibi é um monumento do quadrinho moderno e uma resposta atual a questões que nos perseguem desde sempre.

Poemas escolhidos, de Elizabeth Bishop (Trad. Paulo Henriques Britto)
Apesar de ter publicado pouco em vida, Elizabeth Bishop é tida como uma das mais importantes vozes da poesia norte-americana.
Esta antologia, organizada e traduzida por Paulo Henriques Britto, apresenta grande parte dos poemas que a autora publicou em vida e alguns poemas póstumos, ainda inéditos em português. Estão aqui também os poemas que a autora escreveu sobre o Brasil, resultado das quase duas décadas em que morou no país. Mesclando a capacidade de observar e descrever a textura do mundo, lugares e animais a uma inclinação psicológica e subjetiva, Bishop se debruça sobre temas como o tempo, a memória, a natureza e o amor, em composições que apresentam uma grande variedade de recursos formais, em que a relação entre forma e conteúdo é perfeitamente evidente. Como ressalta Paulo Henriques Britto em um dos textos introdutórios que acompanham o volume, “como todo poeta lírico, Bishop toma sua própria experiência individual como matéria-prima; como todo artista maior, com base nesse material pessoal ela cria obras cujo interesse vai além do puramente autobiográfico e pessoal”.

Mao: a história desconhecida, de Jung Chang e Jon Halliday (Trad. Pedro Maia Soares)
Mao: a história desconhecida é a mais sólida biografia de Mao Tse-tung já escrita, fruto de uma década de pesquisa em arquivos do mundo todo e centenas de entrevistas com amigos, colaboradores e conhecidos de Mao – boa parte dos quais nunca havia se pronunciado. O resultado do árduo trabalho de Jung Chang e de seu marido, Jon Halliday, é a demolição de diversos mitos. O livro foi um dos lançamentos mais esperados no mundo todo e causou grande impacto quando foi publicado, no Reino Unido, em 2005.

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
No filme José e Pilar, o diretor Miguel Gonçalves Mendes apresentou ao público um Saramago desconhecido. Acompanhando seu dia a dia, revelou a intimidade de um dos mais fascinantes escritores da língua portuguesa. Neste José e Pilar – Conversas inéditas, Miguel reuniu entrevistas realizadas durante o período em que conviveu com o autor e sua esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río. São depoimentos sinceros e comoventes sobre trabalho, arte, morte e, é claro, o amor de um pelo outro. Nas conversas, estão presente o humor desconcertante de Saramago, o conhecido ritmo de suas frases e, sobretudo, o mesmo universo que a ele interessou durante toda a carreira, elementos que aparecem aqui em momentos inesperados: quando o autor fala de um sonho que teve na infância ou repara na paisagem durante um passeio de carro. Ou ainda quando interrompe um depoimento de Pilar para observá-la sendo entrevistada. Mas, se realmente não há distância entre o Saramago escritor e o José deste livro, isso fica ainda mais claro quando ele se volta à política e à religião, temas que sempre o acompanharam. Com um olhar crítico e ferino, revê episódios polêmicos de sua trajetória e defende uma vida livre “dessa superstição paralisante” que seria a crença em Deus. O homem que queria morrer “lúcido e de olhos abertos” surge aqui, enfim, como alguém que seguiu o conselho que ele mesmo costumava dar a jovens escritores: “Não tenhas pressa e não percas tempo”. Leia um trecho aqui.

O código de honra, de Kwame Anthony Appiah (Trad. Denise Bottmann)
Seja o fim do duelo na Inglaterra, a abolição do costume chinês de amarrar os pés, o término da escravidão no novo Mundo ou do assassínio de meninas e mulheres no Paquistão, o que está em jogo é a honra. Neste livro original e provocador, Kwame Anthony Appiah, um dos filósofos mais importantes da atualidade, mostra como o conceito de honra foi central para impulsionar revoluções morais no passado – e, ainda, como isso poderia acontecer no futuro. Ao narrar casos de ruptura na história e de tradições locais ainda vigentes, o autor revela que o apelo à razão, à religião ou à moralidade não é suficiente para causar mudanças efetivas. mais comumente, hábitos cruéis são erradicados quando entram em conflito com a honra. Mas eis que surge a questão: código de honra local versus código moral universal. Sem abrir mão do rigor filosófico, o autor imprime leveza ao texto, referindo-se também a fatos cotidianos. Em todas as instâncias, Appiah não se abstém de defender uma ética da identidade e das diferenças, e de valorizar, acima de tudo, o bem mais precioso: o direito à vida.

Sonho de uma noite de verão, de Andrew Matthews e Tony Ross (Trad. Érico Assis)
Na cidade de Atenas, tem gente sofrendo por amor: Hérmia está prometida a Demétrio, mas ama Lisandro, com quem decide fugir. porém, o plano logo chega aos ouvidos do noivo abandonado, que os segue até um bosque não muito longe dali. Por lá, a paixão também está causando discórdias. Oberon, o orgulhoso rei das fadas, está em pé de guerra com a esposa e resolve lhe dar uma lição usando uma flor encantada que tem o poder de despertar o amor em qualquer um. Prepare-se para muita diversão, nesta comédia romântica com um quê de conto de fadas – talvez o mais popular dos textos de Shakespeare -, e descubra curiosidades sobre as fontes de inspiração deste grande dramaturgo.

As dez melhores histórias da Bíblia, de Michael Coleman (Trad. André Czarnobai)
Basta abrir este livro para conhecer as histórias mais famosas do Ocidente sob novos – e hilariantes – pontos de vista. Aqui você lerá o diário de Adão e conhecerá a sua verdadeira personalidade; descobrirá como Deus e Noé bolaram o plano de transformar a Terra numa grande enxurrada, e como Noé fez para reunir toda aquela bicharada dentro da sua arca; saberá todas as coisas que Moisés fez – e que o transformaram na grande estrela do Antigo Testamento – a partir de seu próprio relato, entre muitas outras anedotas interessantíssimas. Além disso, dez seções de fatos fantásticos discutem como os animais, os símbolos, os direitos da mulher e outros assuntos são abordados na Bíblia.

*Veja também os lançamentos da Companhia das Letras durante a primeira quinzena de agosto.

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