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21 de fevereiro de 2013

A Vez da minha Vida, Cecelia Ahern, Novo Conceito

A Vez da minha Vida (The Time of my Life)
E se você tivesse a chance de mudar a sua vida?
Cecelia Ahern - Novo Conceito
Tradução: Ronaldo Luis da Silva
384 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"Certo dia, quando Lucy Silchester volta do trabalho, há um envelope de ouro no tapete. E um convite dentro dele para se encontrar com a Vida. Sua vida. Pode soar peculiar, mas Lucy leu sobre isso em uma revista. De qualquer forma, ela não pode ir ao encontro: está muito ocupada desprezando seu emprego, fugindo de seus amigos e evitando sua família.
Mas a vida de Lucy não é o que parece. Algumas das escolhas que fez — e histórias que contou — também não são o que parecem. Desde o momento em que ela conhece o homem que se apresenta como sua vida, suas meias-verdades são reveladas totalmente — a não ser que ela aprenda a dizer a verdade sobre o que realmente importa. Lucy Silchester tem um compromisso com sua vida — e ela terá de cumpri-lo."

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Resenha:
Comecei a ler A Vez da minha Vida logo depois de terminar P. S. Eu te Amo, também da Cecelia. Gostei tanto do anterior que corri para ler esse e não me arrependi. É superior na criatividade e narrativa.
Acredito que Cecelia criou um estilo diferente de romance. Não é extraordinário, porém foge dos chick-lits comuns e também não possui os mesmos ingredientes dos dramas que costumo ler.
Existe um equilíbrio perfeito do drama com a comédia, como geralmente os europeus gostam. Ambas as obras abordam temas reais, mas com humor negro. Cecelia é delicada nesse sentido, mas firme.
Seus dois livros são feministas. São mulheres comuns, passando por problemas que interrompem suas vidas, porém conseguem superar todos os obstáculos sem precisar necessariamente de um "príncipe encantado" (claro, se um par aparecer, melhor ainda). Mesmo assim elas são protagonistas intensas e apaixonadas, mesmo quando desiludidas ou fragilizadas.

Assim como em P. S. Eu te Amo o ponto de partida para a reviravolta na vida da protagonista, Lucy, é uma carta. Uma sequência delas. Se antes o motivo das cartas foi o luto, dessa vez a autora abordou o oposto: a vida. Literalmente, a vida de Lucy.

A capa é simples e combina estrategicamente com a história. Uma mulher demonstrando prazer e liberdade na parte de cima e embaixo uma pilha de envelopes com cartas. No meio o título em letras cursivas em uma faixa branca que divide as duas imagens ao meio.
O livro possui capítulos bem mais longos que P. S. Eu te amo, são trinta capítulos e um epílogo.

A narrativa da autora mantém os mesmos elementos, no entanto mais fortalecidos. Alguns leitores certamente a classificarão como lenta. Não é uma história frenética e explosiva, nem uma comédia de fazer o leitor gargalhar. É um drama com uma pitada de sarcasmo que diverte, porque Lucy está presa em uma armadilha psicológica.
Ela está completamente infeliz com sua vida familiar, amorosa, profissional... Ela está completamente insatisfeita. No entanto, ela finge que tudo está perfeito, se conforma com o estado abandonado em que sua visa se encontra e mente para todos ao redor, e o pior: Mente para si mesma.
Mentiras para levantar a autoestima, para evitar questionamentos de parentes e amigos ou para se dar bem no trabalho. Quando mais ela mente, mais ela finge que sua vida está ótima, porém mais deplorável seu coração fica.
Ela não está em depressão, nem fica se lamuriando, mas no fundo ela sabe. Não assume a dura realidade, mas tem certeza que sua vida é falsa, superficial e triste.
Depois da perda que ela sofreu, sua vida mudou e ela aceitou isso. Ela não enfrentou a realidade cruel de que às vezes somos obrigados a mudar. Mudar nem sempre precisa ser bom ou ruim, apenas necessário, e temos que fazer desse processo algo sempre positivo, por mais difícil ou doloroso o procedimento seja.

Então surge a melhor personagem do livro: a Vida de Lucy. Em pessoa, carne e osso. Vida tenta entrar em contato inúmeras vezes com Lucy. Assim como ela não abre os olhos para como sua vida está parada e lamentável, ela também ignora as cartas de Vida e suas tentativas de contato.
Por fim ela desiste de dizer "não", pois a situação começa a ser inconveniente. E a história realmente começa.
Justifico a narrativa que pode ser interpretada como lenta. Como já comentei, não é um livro comum. O tema pode ser clichê, a história pode parecer uma mera comédia romântica, mas o livro é muito mais profundo. O desenvolvimento do enredo é totalmente planejado.
Ao mesmo tempo em que comparamos o relacionamento de Lucy com Vida, verificamos o estado físico e mental de Vida. E também como a vida de verdade da Lucy se encontra. As três coisas estão interligadas de forma direta e inteligente: Lucy, sua vida e a personagem Vida que veio tentar fazer a vida de Lucy melhorar. Parece confuso? Nem um pouco. O livro é de leitura fácil e simples, mas... o leitor precisa ter a mente aberta, porque toda a história, do início ao fim possui inúmeras mensagens nas entrelinhas. Incontáveis comparações e interpretações surgem por detrás da história, capítulo após capítulo.

Cecelia consegue extrair de um assunto manjado e super explorado - uma vida chata e sem esperança - uma nova roupagem. Ao mesmo tempo em que ela usa do drama para fazer refletir e sorrir com Lucy e seus erros e acertos (mais erros!), existe um tempero sagaz que poucos encontrarão.
Embora o tema seja real e o problema enfrentado por muitas pessoas na casa dos trinta anos, a autora utiliza de itens lúdicos na narrativa.
Muitos chegam aos trinta anos e a um impasse: começam a pensar que já não são tão jovens quanto antes, porém ainda há muita vida pela frente; pensam que a vida já deveria estar em um rumo certo, pelo menos planejado e definido, seja na profissão ou nos relacionamentos (amizade, família, amor); já deveriam ter a certeza se terão filhos ou não; e ter uma vida financeira estável, ao menos um lar independente.
Lucy sofre em todas essas áreas. Até com o apartamento ou com o pai ela tem problemas. Ela tem problemas com tudo, nada na vida de Lucy parece firme. Nem seu gato. Nem seu carro.

Explorando esses conflitos realistas com uma temática fantástica, a autora coloca Lucy frente a frente com Vida. Lucy precisa enxergar que precisa mudar sua vida, assumir seus erros e mentiras e modificar tudo radicalmente. Vida precisa que Lucy faça isso, pois sua aparência e existência dependem diretamente do sucesso de Lucy. Quanto pior a vida de Lucy fica, quanto mais cega ela fica, pior a situação de Vida
Mesmo Vida estando ao lado de Lucy para ajudá-la, as atitudes e vontade de mudança devem partir da própria Lucy. Vida não pode fazer nada sem Lucy.
É irônico e muito simbólico. Como alguém pode mudar a vida sem querer? A vida de ninguém mudará sozinha sem que a pessoa se esforce, lute, enfrente.

O mais interessante, além das várias interpretações escondidas, da ligação direta de "Vida-Lucy-vida de Lucy", é a evolução que a autora dá à história. Enquanto alguns acham que existe lentidão, as mudanças na verdade são sutis, evolutivas e fascinantes.
Acompanhar Lucy e Vida em um relacionamento extremamente diferente, criativo, ousado e bonito é gratificante, pois julgamos e avaliamos Lucy o tempo todo, para depois refletirmos sobre nós mesmos.
Lucy é um espelho para o leitor. Vida é o símbolo que de devemos cuidar da nossa, por que, e se ela existisse?
Se sua vida existisse e fosse uma pessoa, que aparência e personalidade ela teria? Como seriam seus trejeitos, atitudes e roupas, por exemplo? Com certeza o que você faz de sua vida influenciaria na pessoa, não é? É exatamente isso que ocorre em A Vez da minha Vida. O próprio título já possui duplo sentido: É a vez da vida de Lucy ou de Vida?
Como Lucy decidirá mudar sua vida? Como Vida irá auxiliá-la? Todos sairão ganhando... ou perdendo.

O livro é recomendado para pessoas que buscam por autorreflexão, mas querem a ajuda de um bom livro de ficção. Temas reais, com pessoas comuns, porém com uma fantasia especial, uma magia tênue mesclada à realidade. Uma história de busca pela autoestima, pela força e vontade de mudar, sair da rotina e da mesmice. Um livro que inspira e aborda a mudança. Insatisfação não é desculpa para deixar de lado o mais importante que alguém possui: vida.

Mal posso esperar pelo próximo livro da autora que a Novo Conceito publicarou em 18 de fevereiro. Me tornei fã da autora.

Booktrailer:


A autora:
Antes de engrenar na carreira de escritora, Cecelia Ahern se formou em Jornalismo e Comunicação.
Aos 21 anos, escreveu seu primeiro romance, P.S. Eu te Amo,que se tornou um best-seller internacional e foi adaptado para o cinema. Seus outros romances (A Vez da Minha Vida, Onde Terminam os Arco-íris, Aqui é o Melhor Lugar, Se Você Me Visse Agora e As Suas Lembranças São Minhas) foram todos best-sellers #1.
Cecelia foi uma das criadoras da série de TV Samantha Who?, que ganhou um Emmy.
Seus livros foram publicados em 46 países. Foram vendidas mais de 20 milhões de cópias no mundo todo.
A autora mora em Dublin (Irlanda) com sua família.

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