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2 de setembro de 2014

O Reino Dourado: Em Nome de Fanom, de Roman Schossig e Selo Fantas (Página 42 Editora)

O Reino Dourado: Em Nome de Fanom
Roman Schossig - Selo Fantas / Página 42 Editora
336 páginas - Ano: 2014 - R$39,90

Sinopse:
"Numa época dominada pela nobreza e cavalaria feudal, um reino vive um período de prosperidade graças às riquezas encontradas nas regiões montanhosas. Na mais rica dessas cidades, Novas Lavras do Sul, a disputa pelas cavernas resultou em guerra entre os humanos e os kobolds, ambos adoradores de Fanom, deus da terra e das rochas.
Na medida em que o ouro chega aos cofres da cidade, o ambiente fora das minas também se torna pouco amistoso, arrastando as pessoas para um mundo de falsidade, intriga e opressão dentro e fora do poder.
As conspirações para derrubar o governo da cidade e as disputas dentro das minas ainda escondem um grande mistério que agora, no auge do poder da cidade, pode pôr um fim à prosperidade deste reino dourado."

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Resenha:
Li esta obra quando ela era ainda edição independente do autor. Fiquei muito satisfeita em ver que foi publicada pelo Selo Fantas, pois merece ter maior abrangência. É uma leitura demorada, porém agradável. O texto é denso e rico e conquista o leitor que admira o gênero de Fantasia mais clássica.
O autor criou mitologia própria, baseada em histórias medievais e de cavaleiros, com uma aura sobrenatural, misteriosa e mágica. Roman escreveu uma obra genuinamente brasileira. Por ser formado em História, conseguiu dar ar de Brasil colonial ao livro, com misticismo, cenário e folclore nacionais.
A impressão é de estar em alguma cidade do interior de Minas Gerais, em um Brasil rústico, exótico e mágico.
Novas Lavras do Sul, a cidade onde se passa a história seria uma Ouro Preto, no auge da caçada ao ouro, só que com figuras magníficas como cavaleiros lendários, magos poderosos e feiticeiros maquiavélicos, por exemplo.
Outros povos e seres inusitados estão na região: Anões, zumbis, esqueletos, elfos e outros... Destaco os assustadores kobolds das profundezas, os orcos de pele verde, os Cavaleiros da Ordem da Rocha Matriz, os três aventureiros que visitam a cidade, o coveiro e o colecionador.
As personagens são muito variadas, temos personagens principais de toda uma cidade em ação no livro.

A narrativa é boa, o autor cria uma rede de acontecimentos divididos em três partes de acordo com a cronologia. Durante estas partes, os fatos se unem; segredos, revelações e surpresas aparecem. A história é empolgante e as cenas se encaixam bem. Existe um narrador nos conduzindo a cada lugar e de forma discreta, nos apresentando cada personagem.
Os cenários são descritos sem deixar a narrativa pesada e as tabernas chamam a atenção. As ruas da cidade são detalhadas, em meio aos estabelecimentos, ladeiras, casas, estabelecimentos e praças. Gostei de cada local (e os nomes das tabernas). Temos o Palácio Administrativo, O novo Teatro, o Templo de Fanom, a Faculdade, a Catedral das Almas... Realmente uma cidade completa.
Fora isso, conhecemos as minas, de onde vem toda a imensa riqueza que fica concentrada nas mãos das mesmas famílias ricas.
Apesar de a cidade possuir, por exemplo, estátuas de ouro e pedras preciosas e ourives detalhando joias, a população é humilde, pobre e trabalhadora. A desigualdade e injustiça social misturam-se à corrupção, ganância e muitas tramas paralelas.
A crítica social é presente no livro, levando o leitor a refletir sobre a superexploração, disputa por poder, ganância da elite que esmaga a maioria.

São tantas personagens marcantes como Davo, Julius, Lieni, Hastur, Felien, Gulpa, Vigmmond, Pelben, Klion... E grupos sociais distintos, como os mineiros, os artistas de rua, os soldados...
Temos ainda a própria cidade que parece ganhar vida ao ter sua história representada pelas personagens e mudanças. A cidade parece até uma personagem, sua importância é maior que a de um cenário qualquer.
E há Fanom. Novas Lavras do Sul, a cidade entranhada em jazidas de ouro e pedras preciosas cultua o deus das rochas. Cada ato realizado, cada construção levantada, cada nova ordem... Tudo é justificado como feito em nome de Fanom. Incluindo atos corruptos, maldosos e injustos. E isso é o mais interessante desta obra: cada um tem seus defeitos e qualidades; cada um segue seus princípios; tudo em nome de Fanom. Um lembrete de que nem sempre a justificativa para certas ações é realmente válida. Nem em nome das crenças, tradições e religiões.

Não é só de conspirações políticas, disputas pelo ouro e personagens fantasiosos que o livro é constituído. Existe um enorme mistério sobrenatural pairando pela cidade, algo tão poderoso e implacável que pode levar toda a região à destruição. Um mistério assustador e devastador.
Algumas cenas marcantes que posso contar sem entregar o enredo: O encontro com os kobolds, as runas na Catedral das Almas, os instantes finais.
O livro conta ainda com toques de romances, paixões e cenas de ação, com direito a armas e lutas.
É uma boa aventura para quem busca uma história com temática medieval fantástica e conhecer um autor nacional de talento. Leitores que gostem de História do Brasil colonial e ficção fantásticas vão adorar a combinação!
Não posso avaliar a diagramação, capa, revisão e qualidade gráfica, pois não conferi a edição publicada pelo Selo Fantas. No entanto, pelo que conheço do selo e sua equipe, aposto que o livro está lindo e com excelente qualidade! A ilustração para essa nova edição ficou espetacular e deu mais vida a história que já havia me conquistado.

Trechos:
"Aquela nova construção da qual falavam era um grande templo em honra ao deus Fanom, soberano da terra e das pedras. Situado no novo centro da cidade de Novas Lavras do Sul, o templo possuía um peculiar formato quase piramidal."

"Seguindo as ruelas que passavam por detrás do Palácio Administrativo, ali se encontrava uma outra ladeira que descia até um cemitério. Nele, podia ver-se que nem mesmo após a morte haveria igualdade entre os lavrenses."
"Os mineiros trajavam roupas simples e sujas de terra e lama. Suas mãos suadas empunhavam as picaretas com as quais batiam insistentemente nas rochas, para que caísse nos carrinhos o pó que lhes custava a saúde e pagava a opulência da cidade."

"Klion iria replicar novamente, quando então um vinote de besta trespassou o ar em sua direção. Por pouco ele conseguiu bloqueá-lo com o próprio braço envolto em sua manopla de ferro nobre, provocando pouco dano."

"Os três aventureiros viram-se num salão real espaçoso. O chão era todo de ardósia verde, as paredes eram terrosas e nelas estavam dispostas muitas pedras preciosas em frente ao que pareciam ser pequenas lareiras de fogo mágico. ... Mais adiante deles havia um trono de argila onde estava sentado um kobold atarracado e peludo, trajando uma capa vermelha."

Arte completa:


O autor:
Natural de Rio Negro, Paraná, Roman Schossig é um jovem autor premiado pela Academia Paranaense de Letras e pelo Rotary Club em função do seu primeiro livro, O Olho do Céu, lançado em 2004. Formado em História na UEPG, começou a se aprofundar nos estudos sobre a História Medieval para colher informações que o auxiliassem na concepção dos seus projetos literários. O contato com a obra do compositor alemão Richard Wagner, sobretudo a tetralogia O Anel do Nibelungo, tema de um trabalho acadêmico que produziu, foram decisivos e serviram de grande influência nos seus escritos.
Seu livro O Reino Dourado: Em Nome de Fanom ganhou sua segunda edição (a primeira por uma editora). O lançamento ocorreu durante a III Odisseia de Literatura Fantástica em Porto Alegre.
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