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13 de setembro de 2014

Trilogia do Baztán, livro 1: O Guardião Invisível, de Dolores Redondo e Editora Record

O Guardião Invisível (El Guardián Invisible)
Trilogia do Baztán (La Trilogía del Baztán) - livro 1
Dolores Redondo - Editora Record
Tradução: Maria Alzira Brum
364 páginas - Ano: 2014 - R$40,00

Sinopse:
"O primeiro volume da trilogia das investigações da inspetora Amaia Salazar.
Às margens do rio Baztán é encontrado o corpo de uma adolescente, assassinada em uma cerimônia macabra. No local, há pelos de diversos animais, vestígios de couro e rastros de algo não humano. Ela não foi a primeira vítima nem será a última. A imprensa logo responsabiliza o basajaun pelo crime, uma figura mítica guardiã dos bosques. Agora, Amaia Salazar, a investigadora responsável pelo caso, precisa retornar à sua cidade natal e lidar com fantasmas do passado enquanto busca um assassino em série muito mais aterrador do que pode imaginar."

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Resenha:
Capa simples, porém representativa. Como se você olhasse para cima, em pleno bosque frio, cenário central da trama, e notasse um céu mágico, que simboliza a mitologia do livro. O título possui um efeito que gostei: invisível é em relevo e transparente.
O Guardião Invisível é o primeiro volume da Trilogia do Baztán, escrito pela espanhola Dolores Redondo e protagonizado pela inspetora Amaia Salazar. Publicado na Espanha em 2013, foi best-seller e chegou em 2014 ao Brasil pela Editora Record (Grupo Editorial Record).
O livro teve seus direitos vendidos para uma adaptação cinematográfica e terá a mesma produção de Millenium, de Stieg Larsson.
O principal motivo por eu ter me interessado é que o pano de fundo é a mitologia basca. O País Basco é uma região parcialmente autônoma, mas não mais independente, que abrange a nordeste da Espanha e uma parte menor na França, cortado pela cadeia de montanhas Pireneus. É um dos povos mais antigos da Europa e de um idioma único. Minha mãe nasceu lá, assim como toda a minha família materna e parte da paterna. Então eu adoro tudo relacionado a região e sou apaixonada pelo folclore basco e seus seres ricos e, infelizmente, pouco conhecidos.
A cultura basca é mostrada de modo atraente, por exemplo, a culinária. O cenário principal é o povoado de Elizondo e a região do vale / rio Baztán, em Navarra.
Embora geralmente as pessoas tenham em mente uma Espanha calorosa, o extremo norte e nordeste, em fronteira com a França, são frios e úmidos, principalmente nas áreas montanhosas. Portanto, mais um romance policial gélido europeu.


É um livro de suspense policial, em ritmo ininterrupto de thriller, tanto de ação física quanto psicológica (esta sobressai-se). Não conseguia largar o livro.
Fui surpreendida positivamente e minhas expectativas foram superadas, porque, embora contenha todas as características de um thriller excelente, ainda traz aspectos próprios muito interessantes, além da mitologia basca.
A protagonista é feminina e o foco da trama não é o assassino. Porque, geralmente, mesmo não sabendo quem é o criminoso, e sendo um investigador a personagem principal, os thrillers se centram nos atos do homicida. Aqui há um equilíbrio entre a busca pelo assassino e acontecimentos paralelos.
A autora foi engenhosa e não consegui descobrir a identidade do culpado até que ela fosse revelada, isso já fez minha leitura valer a pena.
Um dos melhores aspectos do enredo é que seu desenvolvimento não se limita às investigações policiais. A história e passado da inspetora Salazar são essenciais, assim como sua família e as relações entre as personagens. Portanto, o livro pode ser interessante para leitores que não gostam muito de romance policial, já que a autora traz com sensibilidade a vida pessoal das personagens. Em vários momentos isso é mais importante que os crimes.


Amaia é nomeada chefe do caso por dois motivos: Ter estudado com o FBI e por ter nascido na região, exatamente em Elizondo.
Adolescentes são encontradas mortas nas margens do rio Baztán, de modo chocante e sempre com o mesmo modus operandi: Roupas rasgadas, mãos colocadas em certa posição, fio usado para asfixiá-las, pelos de diversos animais, vestígios de couro e... não posso contar! Sempre da mesma forma, os mesmos itens pitorescos. Um deles, ligado à cultura local.
Amaia jurou nunca mais retornar ao seu povoado, após ter sofrido traumas profundos durante a infância. Porém, o dever é mais importante que o passado, pois o futuro de meninas sofre perigo nas mãos de um assassino frio.
O livro é densamente psicológico e muitas observações a cerca disso podem surgir. Por exemplo: A necessidade de Amaia em salvar as adolescentes, reflexo de seu sofrimento ainda não superado. Ou suas dúvidas sobre engravidar, já que o relacionamento com sua mãe foi um desastre, tanto que fora criada pela tia.

A narrativa é em terceira pessoa, dando abertura para diversos pontos de vista, não apenas das personagens principais, mas também das secundárias. O leitor não fica preso apenas a protagonista, isso é favorável.
O estilo da autora é diferente, pois a tensão e ansiedade nas cenas são naturais. As sensações são profundas, as personagens cativantes e não encontrei a superficialidade típica que a maioria dos thrillers apresenta, especialmente na forma como um capítulo termina, sempre com um gancho premeditado que tente fazer o leitor não pausar a leitura. A autora de O Guardião Invisível faz isso com excelência e, na verdade, discretamente, porque o leitor não percebe as manobras, mas não para de ler.
Junto ao folclore basco, existe um toque sobrenatural e mágico na história. Se você gosta de conhecer lendas e mitologia, o livro é interessante. Conheça não apenas o Basajaun, mas também outros seres fantásticos bascos, como Mari.
E você pode estar pensando que o livro não é história única, é uma trilogia, então tem dúvidas se deve se prender a uma série. O grande acerto da autora é que ela não deixou um gancho apenas no final. Sem o leitor descobrir, ela já lança itens para a próxima história, na metade do livro. O leitor é surpreendido na página final sobre como provavelmente Amaia Salazar terá um novo caso a ser desvendado, porém tem a feliz surpresa em saber que a intriga já estava sendo preparada e não notou!
Foram quase cinquenta capítulos e eu só consigo pensar na continuação, que espero ser lançada em breve pela Editora Record, na verdade, imploro pela rápida publicação.


Todo fã de thriller, suspense e romance policial vai adorar O Guardião Invisível. Mas quem costuma achar que apenas sequências de crimes, investigações e perseguições são itens rasos para uma boa história, recomendo sair do lugar-comum e experimentar este livro.
Sim, ele tem tudo que o gênero de suspense psicológico e policial possui, mas com a diferença de mostrar dramas familiares, relacionamentos intensos, romances e problemas pessoais. No interior de uma investigadora, existe uma pessoa, e é o ponto de destaque.
Uma história com crimes e muito mistério, mas que os relacionamentos familiares são envolventes e as mulheres, fortes e decisivas.
E sobre o ser folclórico Basajaun, o Guardião do Bosque? É ele o título do livro, mas, será mesmo invisível?
A continuação possui o título Legado en los Huesos, publicado na Espanha em 2013.

Meu O Guardião Invisível em cima de um livro infantil de mitologia basca com a figura de Basajaun.


A autora:
Dolores Redondo nasceu em 1969, em San Sebastián e estudou Direito e Gastronomia. Durante alguns anos se dedicou aos negócios e chegou a ter seu próprio restaurante.
Começou a escrever contos e histórias infantis. Em 2009 publicou seu primeiro romance, Los Privilegios del Ángel. Em janeiro de 2013 publicou O Guardião Invisível, primeiro volume da Trilogia Baztán, trazido ao Brasil em 2014 pela Editora Record.
Atualmente vive e escreve na Ribera Navarra.

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