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18 de fevereiro de 2015

[Atualizada - resultado] Clube do Livro da Liga #01: Caixa de Pássaros, de Josh Malerman e Editora Intrínseca (Resenha + sorteio)

Oi, Leitoras e Leitores Viciados, esta é uma resenha diferente! É a primeira de uma série que funcioná como uma coluna: Clube do Livro da Liga. Vocês poderão conferir uma resenha feita em grupo seguida da opinião individual de cada participante, e ainda poderão participar da promoção para concorrer ao livro do mês! Aproveitem!

Caixa de Pássaros
Josh Malerman - Editora Intrínseca
272 páginas - 2015 - R$29,90
+ informações | comprar

Sinopse:
"Eleito um dos 11 melhores livros de estreia de 2014 pela Kirkus Reviews e uma das melhores obras de 2014 pelo site Book Riot, Caixa de Pássaros é o romance de estreia de Josh Malerman.
Quatro anos depois de as mortes terem começado, há poucos sobreviventes em Michigan. Malorie e seus dois filhos pequenos estão entre eles. O trio faz parte do grupo que tenta resistir em um mundo no qual abrir os olhos pode ser fatal. Vivendo em uma casa abandonada, Malorie e os filhos não sabem o que se passa do lado de fora. Sempre com as janelas e portas cobertas e sem comunicação com o exterior, o local é uma área isolada no meio do caos.
Até o momento em que uma misteriosa neblina atinge a região e Malorie toma uma decisão que adiou por muito tempo. Após quatro anos trancados, Malorie e as crianças fogem da casa em um barco a remo na esperança de encontrar um lugar distante do surto que matou todos ao seu redor. De olhos tapados, os três encaram uma viagem assustadora rumo ao desconhecido. Com uma trama cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de Pássaros explora a essência do medo em um mundo pós-apocalíptico."


Clube do Livro da Liga #01: (Resenha coletiva)
Um misterioso surto começou a ser noticiado na TV, se espalhou pela internet e fez a população entrar em pânico. Alguma coisa desencadeou uma reação terrível nas pessoas, fazendo com que elas atacassem as outras brutalmente e depois cometessem suicídio da forma mais bizarra possível. Ninguém sabe de onde isso surgiu e por que se espalhou em escala global. A única coisa que se sabe é que basta estar de olhos abertos para ser afetado.

O livro possui uma narrativa empolgante que não deixa o leitor perdido nas mudanças de capítulos entre o passado e o presente da protagonista Malorie. Começa contando desde quando ela vivia uma vida normal até o seu presente, em que ela luta pela sobrevivência. Isso é surpreendente pela sagacidade do autor em transpor a barreira do tempo e dançar entre passado distante, passado imediato e presente, sem deixar o leitor sequer desorientado.

Cada personagem tem suas particularidades, e todos são importantes na trama para torná-la ainda mais angustiante e nada previsível. Malorie não apenas retrata a luta pela sobrevivência em um ambiente caótico como também sintetiza vários temores maternos.

O autor apresenta um enredo bem articulado numa narrativa fluida e enigmática permeada de situações cabulosas e inimagináveis, interligando os fatos cuidadosamente. Esse é o diferencial da história criada por Josh: ele estimula o leitor a especular em busca de algo racional, a buscar explicações e criar teorias. A ansiedade em descobrir o que são as criaturas, de onde surgiram e como agiam, te faz virar cada página.

Como sempre, a Intrínseca arrasou no trabalho gráfico. A capa transmite ao leitor o clima de tensão e escuridão do livro, de bônus ela apresenta uma textura levemente áspera, simulando uma caixa. Sua diagramação é simples, com folhas amareladas, letras capitulares, fontes e margens confortáveis. As primeiras páginas trazem galhos de árvores secas (típicas de florestas mal assombradas) para você já entrar no clima, os quais se repetem no início de cada capítulo.

Resenha individual:
Caixa de Pássaros (Bird Box, 2014), livro de estreia do autor, compositor e cantor Josh Malerman, foi publicado no Brasil em janeiro de 2015 pela Editora Intrínseca. É um thriller psicológico impactante capaz de hipnotizar. Minha leitura foi em e-Book, portanto não posso avaliar os aspectos físicos da obra impressa, mas a capa da Intrínseca é maravilhosa e própria para o público-alvo. No entanto, revisão e diagramação estão perfeitas, sem erros.
Tenho muita dificuldade em ler em formato digital (mesmo no meu e-Reader Kobo Glo), porém o enredo me impressionou tanto ao ponto de conseguir terminá-lo e por vários momentos, até esquecer que não era um exemplar físico em mãos.
Fui atiçada por blogueiros amigos que estavam lendo simultaneamente a história, que parecia irresistível e eu tinha que comprovar. Ainda mais que Caixa de Pássaros possui itens que muito me atraem: Suspense em forma de thriller, mundo pós-apocalíptico e tensão extremamente psicológica.
Destaco a importância e metáfora que o título carrega! Escuridão. Prisão. Pânico. Não olhe, não saia, enclausure-se. Você está cego, preso, em risco.

A narrativa é em terceira pessoa e centrada na protagonista Malorie. O ponto de vista é quase que totalmente dela, com exceção de um ou dois momentos em que o narrador foca na visão de outra personagem. Até mesmo pensamentos da protagonista são expostos, sem censura, chegando ao ponto de seus conflitos íntimos beirarem ao caos. Isso aproxima o leitor da heroína. O suspense prevalece do início ao fim e o autor trabalhou esse aspecto de modo inteligente. É um enredo de desenvolvimento claro ao término da leitura, mas muito instigante e curioso durante o percurso das páginas incríveis.
Basicamente existem dois cenários na trama: A casa em que Malorie criou seus filhos e o rio em que ela e as crianças estão atravessando. Os capítulos são estruturados propositalmente para criar cada vez mais aflição, mais apreensão... E algumas cenas chocantes. Terríveis e até mesmo violentas. Não o considero um livro de terror (não senti medo, mas sim muita agonia), porém muitas situações são extremamente perturbadoras, especialmente o clímax final e o choque das peças do quebra-cabeça sendo encaixadas.
Utilizando de passado e presente, o autor consegue fomentar cada vez mais a atenção e interesse. É uma leitura difícil de ser pausada. O presente mostra Malorie e seus dois filhos remando literalmente às cegas um rio perigoso e assustadoramente rodeado de morte, em futuro bem próximo dos tempos atuais. Algo que poderia acontecer hoje ou ano que vem... Um mundo pós-apocalíptico peculiar e revigorante, que traz novidades às obras contemporâneas.
Para compreendermos a gravidade da situação o autor alterna a ação do rio com as situações que levaram o mundo se perder em insanidade e violência e obrigar Malorie a estar colocando em risco a si mesma e sua família. Não é uma simples alternância temporal, nem uma mera cronologia para a compreensão, é um esquema que interliga e intriga simultaneamente.

Os perigos são muitos e aliados ao mal que está exterminando a humanidade, o autor apresenta temores particulares de Malorie e o desespero que todas as personagens enfrentam. Alguns aspectos podem ser enumerados sem que sejam spoilers, alguns realmente me pareceram importantes.
Seres humanos em conflitos constantes, como desconfiança e insegurança, tanto do grupo, como do mal inexplicável à espreita quanto de si mesmo; a maternidade atinge um nível espetacularmente importante, pois a proteção e os instintos de preservação dos filhos em um mundo desordenado e mortal impressionam ao máximo; a preservação da sanidade e da organização social, não propriamente da família, mas da coletividade baseada na ajuda mútua, respeito e ética. Como sobreviver em um mundo em que se necessita viver trancado e cego? "Não abra os olhos." é a frase que está na capa, essencial para a sobrevivência. E crianças que nascem, crescem e são treinadas exaustivamente em um mundo assim? Suas habilidades cognitivas são diferentes? Como ocorre o desenvolvimento de seus sentidos básicos?
A respeito da ameaça principal, não é possível catalogar a ideia. Poderia ser sobrenatural se pensarmos literalmente, porém, em um olhar mais profundo e intimidador, a grande questão certamente é a loucura que pode se apossar do ser humano. Metaforicamente, muitas observações podem ser feitas. A que ponto podemos chegar, seja em um evento grandioso, como uma guerra ou catástrofe, ou um acontecimento particular, como um falecimento ou divórcio? Todo ser humano estaria realmente preparado para enfrentar o medo se este pudesse ser personificado? Sem poder encará-lo, sem poder olhá-lo? Como enfrentar nossos medos, quando desconhecidos?

Refleti bastante se a obra deveria ser adaptada para o cinema, pois as sensações transmitidas são tão únicas do ato da leitura, que não sei se funcionaria com o mesmo impacto na telona. Filmes são extremamente visuais e este livro conseguiu fazer do ato de não poder enxergar a grande peça fundamental para seu brilhantismo. Não permitir ao leitor saber exatamente o que acontece e ainda assim atiçar a leitura é a melhor manobra que o autor traz. Você se sente na pele das personagens com tamanha intensidade que o desespero é quase palpável. Não é medo, é algo diferente, certamente variante de leitor para leitor. Seria bem complicado transmitir isso em uma mídia visual.
O autor apresenta um excelente livro de ficção especulativa, deixando no ar um clima sobrenatural de suspense e pavor; é completo e possui um final que me deixou com vontade de ler mais, de imaginar mais. Se Josh Malerman transformar o livro em série, certamente lerei a continuação. Porém confesso que gostei da história como ela foi desenvolvida e finalizada.
Recomendo a leitura para fãs de suspenses sobrenaturais e fantasiosos, mas que mexem com as profundezas da mente e sentimentos do ser humano, ao estilo do Stephen King.
PS.: Recomendo para quem gostou / se interessou por Caixa de Pássaros,  o livro A Síndrome E (Franck Thilliez, Editora Intrínseca, 2013).

O autor:
Josh Malerman é cantor e compositor da banda de rock High Strung. Filho do meio, Malerman gosta de escrever ao som detrilhas sonoras de filmes de terror, como Grito de horror e Creepshow - Arrepio de medo. Ele mora em Ferndale, Michigan, com a noiva. Caixa de pássaros é seu romance de estreia.
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Sorteio:


O Clube do Livro da Liga premiará três leitores neste sorteio! Para participar, cumpra as duas regras obrigatórias:
1. Ter endereço fixo no Brasil;
2. Comentar em uma das resenhas dos blogs participantes (pode ser aqui ou em qualquer uma das resenhas dos blogs participantes - veja links ao final dessa postagem.).
No formulário você encontra várias entradas extras, para ter mais chances!

Formulário:
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Regras:
1. A promoção começa dia 18/02 e termina dia 15/03.;
2. Perfis fakes ou criados exclusivamente para promoções serão desclassificados;
3. O sorteado receberá um e-mail e terá 48 horas para respondê-lo. Caso não seja respondido será feito um novo sorteio;
4. O livro será enviado em até 30 dias;
5. Não nos responsabilizamos por eventual extravio ou problemas com os Correios, nem caso o endereço para envio seja passado errado.

Boa sorte!!

Esta é a coluna O Clube do Livro da Liga, grupo formado por amigos que resolveram arriscar uma leitura coletiva e se surpreenderam com a interação que foi proporcionada. Temos muitos gostos e ideias em comum, além de muitas discussões e risadas. Ninguém nunca irá nos entender, ainda bem.


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ATENÇÃO: Postagem atualizada com o resultado [12/04/2015 | 17:48]

As ganhadoras são: Nicoli Vieira, Bruna Costenaro e Nilzete Macedo.


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