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23 de março de 2015

Clube do Livro da Liga #02: A Playlist da minha Vida, de Leila Sales e Globo Livros (RESENHA + SORTEIO de 3 exemplares)

A Playlist da minha Vida
Leila Sales - Globo Livros
Tradução: Amanda Orlando
312 páginas - 2014 - R$29,90 - comprar

Sinopse:
"Elise Dembowski nunca foi popular na escola. Ninguém conversava com ela na hora do intervalo nem a convidava para sair no fim de semana. Pior. Ninguém jamais se interessou em saber o que tanto a ela escutava em seu iPod: playlists, único território em que Elise se sente confortável...
Diante de seu desajuste em relação à maioria, a adolescente tenta de tudo – inclusive a mais radical das saídas, felizmente sem sucesso. No auge de seu solitário desespero, o acaso a leva até a porta de uma balada noturna, via de acesso para um mundo completamente novo, cheio de som e diversão, no qual sua veneração por música funciona como senha para inclusão em um inédito círculo de amizades.
As festas noturnas do Start – o melhor clube underground do mundo – tornam-se o lugar onde a felicidade, a aceitação social e até o amor são possíveis para Elise. Não demora muito para que um misterioso bullying eletrônico e a habilidade da garota como DJ coloquem em confronto este universo com a dura realidade cotidiana."

Clube do Livro da Liga #02: Minha experiência de leitura em grupo
Este foi um livro escolhido pelo grupo para ser lido em março e tive a impressão inicial de que a leitura seria fácil e relaxante, mas fui surpreendida pela complexidade escondida no tema. A experiência da leitura em grupo foi semelhante, pensei que teríamos apenas um debate a cerca do estilo da autora ou da obra, porém as conversas tomaram rumos variados.
Discutimos sobre a narrativa, personagens, temática e desenvolvimento da trama, e todos os aspectos técnicos do livro, assim como rumos alternativos que a história poderia tomar.
Obviamente conversamos sobre bullying: Como ele ocorre, quando se torna preconceito e como pode interferir na vida de alguém. Relatamos experiências pessoais, coisas que nós já sofremos ou presenciamos e serviu para a conclusão de que, embora a expressão seja recente, isto sempre existiu. Refletimos os motivos e o porquê de que, quanto mais os profissionais difundem as consequências negativas do bullying e, quanto mais propagandas antibullying são feitas, mais este problema parece crescer.
Conversamos também como cada pessoa reage de uma forma. As opiniões sobre Elise foram variadas, porém todos concordam com a seriedade do caso dela e se emocionaram de alguma forma.
Particularmente a vejo como um caso especial, porque ela é propensa a depressão e tem dificuldade de se encaixar em um grupo. Então o bullying a deixa mais separada, mais deprimida.
Falamos também sobre os adolescentes de classe média norte-americana e tentamos compreender o estilo underground dos frequentadores da boate da trama. O tipo de música que eles escutam, especialmente rock antigo, alternativo e britânico. As roupas e visual retrô, que remete aos anos 1980 mas carregam muita personalidade e ousadia. Como se sentem a vontade com peças de brechó e como a aparência para a noite na boate é importante, para mostrar sua identidade e humor. São jovens diferentes dos adolescentes que estudam com Elise.
De um modo geral pareceu que todos gostaram da leitura e foi uma série de conversas muito interessante. Logo abaixo vocês conferem minha resenha e ao final da postagem, os links com as resenhas dos participantes do Clube da Liga.

Resenha:
A Playlist da minha Vida (This Song will Save your Life) chegou em final de 2014 pela Globo Livros, juntando-se ao time de obras Young Adult (Jovem Adulto) que a editora tem trazido aos leitores. Da norte-americana Leila Sales, com o título literal "esta canção salvará sua vida", o livro ganhou uma capa diferente da original, com um visual mais leve e colorido, porém a trama envolve um tema importante: O bullying, a exclusão social e suas consequências na vida de um adolescente.
É uma obra voltada ao público jovem que equilibra a seriedade do tema a uma narrativa suave e, dentro do possível, alegre. O desenvolvimento da trama é ágil e gracioso.
O pano de fundo é interessante, pois traz a discotecagem, música alternativa e a vida noturna como um mundo paralelo ao cotidiano entediante.
A diagramação e revisão não possuem erros, mas deve ter sido uma tradução um pouco complicada, mesmo se tratando de uma obra juvenil, devido às expressões utilizadas. Por exemplo, expressões do inglês britânico versus inglês americano, difícil traduzir ao pé da letra.
Um observação interessante do cuidado da editora com o leitor é que todo o livro possui referências e citações a bandas, músicas ou letras de músicas, por isso, sempre que necessário há uma nota de rodapé para a compreensão.

A narrativa ocorre em primeira pessoa, sob o ponto de vista da protagonista Elise. Em alguns momentos fala diretamente com o leitor, de modo discreto. É um discurso jovem, autêntico, de simples compreensão e com uma pitada delicada de humor negro. Por trás da narrativa despretensiosa há o desenvolvimento inteligente. Uma história aparentemente simples, porém com uma forte mensagem ao leitor.
Ela narra um momento íntimo e delicado em sua vida, quando, no Ensino Médio, se sente excluída, deslocada e diferente, devido ao bullying que sofre e a problemas particulares da própria encarar a sociedade. Ou ela sofre bullying por se sentir assim, à parte dos colegas? Em certos momentos percebi que ela sente que não se enquadra e se destaca dos já conhecidos colegas. Ela parece, muitas vezes, não se esforçar para se sentir bem coletivamente.
É uma protagonista mais complexa que aparenta. Pode ser interpretada como uma adolescente que sofre bullying e simplesmente se fecha dentro de si, necessitando de uma mudança em sua vida. Porém, ela também pode ser encarada como uma pessoa que é naturalmente propensa à depressão, fato potencialmente perigoso na adolescência e perante a exclusão social.
A autora soube dar um tom muito agradável ao texto, porque ao contrário do problema da protagonista, a história não é deprimente nem possui excesso e desperdício de conflitos.
Muitas pessoas não precisam de um motivo explicitamente de perda ou luto para entrar em depressão. Um dos grandes problemas é justamente o julgamento ao redor; pessoas julgando se o motivo é real, grave ou importante. Depressão é uma doença e é diferente da simples tristeza, então certamente em algum momento da história você julgará Elise. Portanto, refleti: Toda pessoa em depressão não está nessa situação porque deseja. E passei a compreender a personagem e a torcer muito, realmente muito, pelo sucesso dela, por sua vida.

Notei claramente todo o potencial da menina. Vários caminhos para ela seguir, superar esta fase da vida e poder se sentir bem em sociedade.
O ponto de partida para a mudança de Elise é a música; não somente através desta, mas da mudança de ambiente, repleto de pessoas com quem ela se identifica. Elise começa a mudar; com algumas atitudes diferentes, uma série de benefícios surgem, como amigos e um novo passatempo que se expande para algo mais importante.
As personagens secundárias são excelentes e, além de complementarem e engrandeceram a trama, se destacam em sua diversidade e carisma. O livro traz três núcleos: A família, os colegas de escola e os frequentadores de um determinado local fora dos ambientes que Elise frequenta: A Start, uma boate de visual e música alternativos.
Elise conhece pessoas mais velhas, diferentes dos estudantes de sua escola. Parecem mais autênticos e Elise se identifica mais com os gostos do novo grupo de colegas.
Destaque para Vicky, tão descolada e forte, mas que também já sofreu bullying. Ela mostra outro lado, outro tipo de reação. Assim o leitor pensa como cada caso é único e cada pessoa reage de seu jeito, não sendo certo ou errado. Outra personagem importante é Chad, um rapaz que parece ter muito a ensinar a Elise, mas que no fundo, precisa aprender com a garota. Vicky e Chad, de formas tão distintas, auxiliam Elise em sua jornada.
O livro tem muita música! Prepare-se para a cada capítulo parar para escutar no mínimo uma canção e, assim, se ambientar melhor na trama e conhecer melhor as personagens.

O tema não é apenas o bullying e depressão, mas também a busca pela identidade e do papel do indivíduo perante a sociedade. O enredo se desenvolve a partir de uma adolescente de classe média dos Estados Unidos, que sofre rejeição pelos demais estudantes e, ao mesmo tempo, rejeita-os de volta. Mesmo como pais e professores presentes, cada um de seu modo, a menina tem dificuldades em enfrentar o problema e se ajudar ou buscar auxílio. Aos poucos ela vai saindo da rotina e lugar-comum, tanto físico quanto psicológico, e percebendo que precisa se libertar e aceitar quem ela é. Somente assim poderá trazer as mudanças necessárias para elevar sua autoestima, se visualizar em sociedade e se fortalecer e, finalmente, se aceitar.
O problema não é Elise nem as pessoas ao redor. A questão é que não existem pessoas perfeitas ou amigos ideais. Existem... apenas pessoas.
O maior destaque para mim foi o desenvolvimento da protagonista. A forma como ela evolui é cativante, envolvente. Gostei da reviravolta final e do clímax feminista que a autora criou.
Adorei também a forma como Elise parece adquirir uma identidade secreta, tendo duas vidas quase opostas: A Elise marginalizada e deprimida e a Elise noturna cheia de atitude e poder!
É uma leitura leve e prazerosa, com um trama simples e mensagem forte.

A Playlist!

A Playlist da minha Vida / This Song will Save your Life by Tatiana Jiménez Inda on Grooveshark

A autora:
Leila Sales cresceu nos arredores de Boston, Massachusetts. Ela se formou na Universidade de Chicago em 2006. Agora ela vive em Brooklyn, Nova York, e trabalha no mundo dos livros infantis. Leila passa a maior parte do seu tempo pensando em dormir, gatinhos, bailes e histórias que ela quer escrever.



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Boa sorte!!

Esta é a coluna O Clube do Livro da Liga, grupo formado por amigos que resolveram arriscar uma leitura coletiva e se surpreenderam com a interação que foi proporcionada. Temos muitos gostos e ideias em comum, além de muitas discussões e risadas. Ninguém nunca irá nos entender, ainda bem.


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