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8 de abril de 2015

Na Companhia de Assassinos, volume 1: A Morte de Sarai, de J. A. Redmerski e Suma de Letras

A Morte de Sarai (Killing Sarai)
Na Companhia de Assassinos (In the Company of Killers) - livro 1
J. A. Redmerski - Suma de Letras / Editora Objetiva
Tradução: Michele Vartuli
256 páginas - 2015 - R$29,90 - comprar - 1º capítulo

Sinopse:
"Sarai sempre quis ser livre — e agora não consegue deixá-lo.
Sarai era uma típica adolescente americana: tinha o sonho de terminar o ensino médio e conseguir uma bolsa em alguma universidade. Mas com apenas 14 anos foi levada pela mãe para viver no México, ao lado de Javier, um poderoso traficante de drogas e mulheres. Ele se apaixonou pela garota e, desde a morte da mãe dela, a mantém em cativeiro.
Apesar de não sofrer maus-tratos, Sarai convive com meninas que não têm a mesma sorte. Depois de nove anos trancada ali, no meio do deserto, ela praticamente esqueceu como é ter uma vida normal, mas nunca desistiu da ideia de escapar.
Victor é um assassino de aluguel que, como Sarai, conviveu com morte e violência desde novo: foi treinado para matar a sangue frio. Quando ele chega à fortaleza para negociar um serviço, a jovem o vê como sua única oportunidade de fugir. Mas Victor é diferente dos outros homens que Sarai conheceu; parece inútil tentar ameaçá-lo ou seduzi-lo.
Em A Morte de Sarai, primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos, quando as circunstâncias tomam um rumo inesperado, os dois são obrigados a questionar tudo em que pensavam acreditar. Dedicado a ajudar a garota a recuperar sua liberdade, Victor se descobre disposto a arriscar tudo para salvá-la. E Sarai não entende por que sua vontade de ser livre de repente dá lugar ao desejo de se prender àquele homem misterioso para sempre."

Resenha:

J. A. Redmerski se tornou autora best-seller com Entre o Agora e o Nunca (The Edge of Never, 2012) e consolidou-se com a sequência Entre o Agora e o Sempre (The Edge of Always, 2013), ambos publicados em 2014 no Brasil pela Suma de Letras (Editora Objetiva). A novidade é o lançamento em 2015 do primeiro volume da série Na Companhia de Assassinos (In the Company of Killers): A Morte de Sarai (Killing Sarai, 2013). Este é o meu contato inicial com a autora e estou muito surpresa com a qualidade da obra.
Descobri que a série já está chegando a seu quinto volume nos Estados Unidos (Reviving Izabel, The Swan & the Jackal, Seeds of Iniquity e The Black Wolf), todos publicados em inglês de 2013 a 2015. A Suma de Letras já divulgou o título do segundo volume: O Retorno de Izabel.
A princípio, quem não leu A Morte de Sarai pode se assustar com a quantidade de volumes, pois se trata de uma saga que mostra assassinos mercenários, então, poderia mesmo ter tanto assunto? Com a introdução que é o primeiro livro, não apenas imagino que sim, a série tem potencial, mas também afirmo que estou louca para prosseguir a leitura!

Inicialmente pensei em classificar o livro como New Adult, mas a própria autora alerta em seu site oficial: "A Morte de Sarai não é um título New Adult. Ele e todos os outros livros da série são categorizados como Suspense / Crime / Thriller / Adulto)". É um suspense incrível!
Ainda assim, A Morte de Sarai é um volume completo, com uma trama vertiginosa e forte. Com início, meio e fim, então fica a critério do leitor decidir adquirir a continuação, porém acho improvável resistir!
Geralmente literatura New Adult não me atrai. E eu pensei a todo o instante que se tratava de um livro desse estilo e arrisquei. Talvez tenha sido o tema mais sombrio e pesado que tenha contribuído para o livro me conquistar, além do suspense. E curiosamente, muitos New Adult priorizam as cenas quentes, perdendo o verdadeiro foco do drama e seu ápice. Já com A Morte de Sarai presenciei o contrário: A parte sensual só valorizou a obra! Creio ter amado a história justamente pelo fato de a própria autora deixar explícito que não é New Adult.
Uma série de fatores faz de A Morte de Sarai um livro interessante: Protagonista feminina complexa, co-protagonista anti-herói, ação interminável, trama moderna e, ainda, violência e um pouco de erotismo.

Michelle Whitaker;
A modelo que é Sarai nas capas.
Sarai é uma protagonista rica em personalidade e com grande desenvolvimento. Ela é instável e possui um passado de violência, tendo presenciado, dentre tantas coisas, mortes, torturas e estupros. Embora apresente todos os motivos para ser a vítima traumatizada ou amargurada, Sarai foge do estereótipo de mocinha a ser salva e migra para uma mulher forte e temível. Não é uma mudança, é uma descoberta gradativa e esse é o ponto principal do livro.
Ela viveu cativa e escrava do namorado da mãe por 9 anos, após o falecimento da mesma. Javier, seu sequestrador, é um chefão do tráfico de drogas, armas e mulheres no México, para onde a menina, nascida nos Estados Unidos, foi levada e mantida presa todos esses anos.
Com um passado de sofrimento, Sarai teve a vida suspensa e não pode crescer como uma moça normal. Criada em meio a criminosos e pessoas cruéis, ela perdeu a inocência e aprendeu a encenar o papel vulnerável que sempre a manteve viva, escondendo de todos a revolta e a ânsia por vingança. Acostumada ao sofrimento, Sarai também aprendeu a fingir, mentir, omitir, manipular e seduzir.
Inicialmente vista como frágil, insegura e sofrida, Sarai, aos poucos, descobre e demonstra ser uma pessoa de atitude, mesmo que, às vezes, imprudente e inconstante. Conforme situações de risco surgem durante sua tentativa de fuga, ela vai aprendendo a ser dura e a abandonar para sempre suas vulnerabilidades, como a curiosidade.
Ela é esperta e vai superando seus medos, tornando-se habilidosa e aprendendo rapidamente a sobreviver fora do cativeiro, em meio a assassinos. É uma história de desenvolvimento e superação pessoal, mesmo que o caminho escolhido seja ousado e atípico.
Sarai é difícil de ser explicada ou analisada, por ser dicotômica. É cheia de opostos e extremos: Boa, má, frágil, forte, submissa, autônoma, indomável... É notável a Síndrome de Estocolmo, não uma única vez.
O interessante em Sarai é observar como nas profundezas de seu íntimo, embora ainda seja uma jovem sentimental, ela clama por vingança.

Victor é um assassino. Não um reles mercenário, porque não elimina os alvos apenas por dinheiro, e sim através de uma rede misteriosa, com hierarquia, métodos e regras peculiares, tudo muito complexo e sofisticado. Um pouco mais velho que Sarai, ele também possui violência em seu passado. Treinado para ser o profissional perfeito em seu ramo, ele não é um criminoso comum - nem um homem banal.
Ao encontrar Sarai, as vidas dos dois são modificadas para sempre. Inicialmente tentam se manter afastados psicologicamente, porém se tornam cada vez mais ligados. Atitudes e gestos valem mais que palavras, portanto, Sarai e Victor, duas pessoas tão diferentes, percebem o quanto são semelhantes.
Victor pretende proteger e ajudar a salvar Sarai; esta, antes desejando somente a liberdade, descobre que planeja uma nova vida. A jovem que precisava ser salva passa a ser mais radical. Sarai não pode nem deseja tentar ter uma vida comum. Ela precisa da adrenalina e quer aprender a encarar todos os perigos por conta própria, tanto os que a caçam quanto os fantasmas que atormentam sua mente.

Em primeira pessoa, tendo Sarai como protagonista, a autora alterna a narrativa entre Sarai e Victor. Isso é um acréscimo à trama, pois o leitor não fica preso somente ao ponto de vista de Sarai. Porque, embora menor, há a interpretação de Victor. Descarta a necessidade (na verdade quase sempre redundante) da publicação de "a versão de Victor", caso A Morte de Sarai possuísse apenas ela como narradora. E por Victor ser o co-protagonista, ou seja, secundário a Sarai, sua narrativa entra como um complemento positivo, permitindo ainda o suspense necessário sobre seu papel na trama, deixando Sarai e o leitor, curiosos.
Ou seja: Excelente manobra narrativa e bom uso das mudanças de foco. Ótimo equilíbrio, que dá a importância merecida a Victor, sem retirar Sarai do posto de protagonista. Pois, com certeza, Victor conquista o leitor, principalmente o público feminino, com seu carisma, enigmas e apelo sexual.
A trama é empolgante e não cansa o leitor, nem mesmo nas partes um pouco mais psicológicas ou quando surge a faísca sensual entre Sarai e Victor. A química entre eles é inevitável e, mesmo parecendo cliché os dois se envolverem intimamente, é um incremento necessário e que eleva as personagens. Sou contra casais forçados, romances que não acrescentam nada ao enredo ou às personagens, mas em A Morte de Sarai, adorei a atração iminente entre os dois.
Outro item relevante é que a narrativa não se concentra no passado, embora o histórico importe bastante. Não é um livro que se perde mostrando o quanto Sarai sofreu em cativeiro, recontando em flashbacks ou fazendo-a remoer cada lembrança; não é necessário explicar detalhadamente como Victor foi recrutado, treinado e transformado em um assassino de primeira. Simplesmente a autora reflete tudo nas atitudes das personagens; ela não explica demais, ela mostra!

A Morte de Sarai é uma história sombria, intrigante e sexy. Uma obra sobre crescimento e autoconhecimento. É o primeiro volume de uma série com excelente classificação geral no Goodreads.
O final do livro é prodigioso, preparando o leitor para O Retorno de Izabel. É exatamente o que mais aguardo; que Izabel não vá embora!
Uma história de várias nuances do crime contemporâneo e seu impacto nas personagens. É incomum, pois a exploração é diferente, é ousada; não como nos livros policiais ou gênero noir, mas é inegável notar como o tema principal é o crime.
Com ação, suspense e emoção, passando por cenários variados, de pocilgas ao puro luxo, A Morte de Sarai mostra o drama e a transformação de duas pessoas: Uma ex-escrava sexual e um assassino de aluguel. Nenhum dos dois pode ser um herói ou uma heroína clássicos, mas por debaixo de inúmeros defeitos e problemas, ambos são extremamente encantadores e apaixonantes.
Um livro que daria um roteiro fascinante para uma adaptação ao cinema!

A autora:
Jessica Ann Redmerski é autora best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street Journal. Começou a carreira de escritora autopublicada em 2012 e com o sucesso de Entre o Agora e o Nunca logo assinou contrato com uma grande editora. Hoje seus livros já estão traduzidos em vinte idiomas.
Jessica mora em North Little Rock, no Arkansas, com três filhos, dois gatos e um cãozinho maltês. Ela adora filmes, séries e livros provocadores e é muito fã de The Walking Dead. Seus desejos incluem bater papo com John Noble, Bryan Cranston e Michael C. Hall, superar sua longa lista de medos bobos, encontrar uma camisa de que realmente goste e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas e um parceiro no crime.
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