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3 de novembro de 2015

Vingadores: Todos Querem Dominar o Mundo, de Dan Abnett, Marvel e Novo Século

Vingadores: Todos Querem Dominar o Mundo (Avengers: Everybody Wants to Rule the World)
Dan Abnett - Marvel / Novo Século
Tradução: Paulo Ferro Junior
320 páginas - 2015 - R$39,90
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Sinopse:
"Quantos vilões são necessários para dominar o mundo?
A Hidra desenvolve um patógeno sintético para o qual apenas ela tem a cura. Enquanto isso, a I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas) está prestes a contaminar o suprimento mundial de água com um letal composto nanotecnológico. Ultron dispõe da mais avançada tecnologia da Terra nas pontas de seus dedos metálicos. O demônio Dormammu tem um plano ímpar para o planeta: reivindicá-lo para si próprio. Alto Evolucionário está reescrevendo o genoma humano, numa tentativa de transformar a humanidade numa raça eugênica de escravos.
Todos querem dominar o mundo. Mas somente os Vingadores poderão salvá-lo. Serão eles capazes de resistir quando não apenas um, mas muitos desses vilões atacarem ao mesmo tempo? Essa crise está longe de ser mera coincidência. Há alguém por trás desses ataques simultâneos. Uma grande sombra paira sobre os heróis mais poderosos da Terra, e, mais uma vez, a raça humana se encontra à beira da aniquilação."

Resenha:
Os livros da Marvel são publicados em inglês desde a década de 1970 e no Brasil, a Panini Books publicou alguns em bancas de jornais no formato pocketDesde 2014 o Grupo Editorial Novo Século é responsável por trazer os livros Marvel e, enfim, a coleção em ótima qualidadeNão existe ordem de leitura, são histórias únicas.
Avengers: Everybody Wants to Rule the World é uma publicação original Marvel Comics (Marvel Entertainment) de abril de 2015; chegou ao Brasil no mês seguinte como Vingadores: Todos Querem Dominar o Mundo. Quase simultaneamente ao filme Vingadores: A Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron).
O formato é 23 por 16 centímetros, possui orelhas largas e detalhes na diagramação. As páginas são amareladas e em papel pólen soft. Não há a biografia do autor Dan Abnett. Ele também escreveu Guardiões da Galáxia: Rocket Raccoon & Groot, lançamento de outubro. Espero que a Novo Século se atente a isso em futuras edições; é essencial saber um pouco sobre quem escreveu.
A capa da edição brasileira é do ilustrador Will Conrad. Destaco a importância da capa por se tratar de um livro baseado em personagens de HQs, onde a arte é tão importante quanto o roteiro. A capa é mais caprichada, atraente e vendável que a original.
Além da aparência: Todos da tradução e revisão realizaram um ótimo trabalho. Especialmente por se tratar de um universo famoso, nomes e termos por vezes precisam ser verificados, para manter a fidelidade das histórias em quadrinhos.



Sou fã, leitora e colecionadora Marvel desde os anos 1990, especificamente dos X-Men. Mas estes livros mostram que o universo Marvel é feito para qualquer consumidor, seja leitor de quadrinhos ou não. O intercâmbio de mídias é favorável: livros, HQs, games, animações, filmes, seriados, colecionáveis. Conforme os super-heróis se espalham, mais variado é o público e mais sucesso eles fazem, logo, mais diversão e conteúdo para os fãs.
Não importa o quanto você conheça de Marvel, se assistiu aos filmes ou leu HQs. É para quem curte heróis, superpoderes e odisseias para salvar o mundo. Para fãs de muita ação, aventura, ficção científica leve, cenas explosivas e missões quase impossíveis! Para leitores que amam vilões megalomaníacos e seus planos mirabolantes.
O que você precisa saber: Em 1963 nasceram os Vingadores nas histórias em quadrinhos Marvel. Na época, super-heróis se reuniram para enfrentar uma ameaça em comum. Após variadas formações, membros e subdivisões, os Vingadores se tornaram queridos do grande público em 2012, com sua primeira adaptação para o cinema.
O que você não precisa saber, mas serve como curiosidade: As HQs são a versão original e principal, o universo Terra-616. A franquia de filmes é uma adaptação e seu universo é nomeado Terra-199999. Simplificando, cada versão tem um código como nome. E os livros pertencem a qual? As duas ou a nenhuma, depende de você. São livres e independentes de versões em outras mídias. Esta é uma história inédita, não uma adaptação direta das HQs, animação ou filme. Os livros são livremente inspirados na Marvel em si, mesmo quando é uma adaptação direta. O lado positivo é que quem escreve tem muito material e o leitor pode deixar a imaginação fluir como preferir, a liberdade é total!

Dan Abnett atinge a perfeição: Mantém a fidelidade às HQs e segue a mesma fórmula apresentada nos filmes. Agrada a todos! Os integrantes são: Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Viúva Negra, Hulk, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Visão e Gavião Arqueiro, ou seja, o time principal nos cinemas, para o "não leitor de HQS" se identificar. A escolha é nitidamente comercial, mas poderiam ter introduzido ao menos um(a) herói(na) inédito(a) nas telonas através do livro.
Mesmo sendo fã tentei ler como se não conhecesse nada. Por diversas vezes aconteceu o inevitável e encontrei referências dos quadrinhos mesmo sem desejar. Então não tem escapatória para os fãs. É incrível acompanhar os Vingadores em uma plataforma diferente e perceber que, ainda assim, eles permanecem os mesmos. A Marvel é tão fascinante que não importa o formato, é divertido, interessante, emocionante. Pois a essência é sempre a mesma e essa é sua mágica.
A narrativa em terceira pessoa é veloz e a ação não para, literalmente, momento algum. São muitos acontecimentos para poucas páginas. Tiros, explosões, saltos, correria, combate corporal, pancadaria e investigação. E os diálogos são ótimos. A ficção científica é básica, a trama é simples, mas de qualidade. Acho que o leitor das HQs se identificará mais com esse aspecto tecnológico porque já o conhece com naturalidade. Certamente existe suspense para o "não leitor de HQs", mas quem já conhece bem o mundo dos "heróis mais poderosos da Marvel" identificará parte da trama antes dela ocorrer. Foi divertido ver frases, citações e brincadeiras internas da equipe tão tradicionais colocadas no texto, como menção ao Doutor Estranho.
A melhor parte é a quantidade enorme de vilões atacando simultaneamente e a dificuldade de comunicação. Vilania é o que não falta. A Terra é atacada em localidades diferentes e, seguindo pistas, os Vingadores encontram e enfrentam as ameaças, todas nível Alfa! Mas eles não conseguem se reunir ou se comunicar. Imediatamente o leitor nota que a cadeia de acontecimentos é uma só. Mas, por que o ataque simultâneo? Quem é o comandante dessa artimanha? Quem está sendo capaz de reunir vilões tão diferentes e poderosos para separarem e destruírem os Vingadores? Os fãs vão adorar e os demais vão se surpreender e pensar como ainda há um mundo a ser desbravado!


Em Berlim (Alemanha), o Capitão América enfrenta um patógeno sintético da Hidra, única detentora da cura. Ele conta com o apoio tático e de campo dos agentes da S.H.I.E.LD. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão) e enfrenta o barão Wolfgang von Strucker. A agente Gail Runciter o auxilia. O perigo é iminente, pois o vírus se espalha pelo ar. Com muita ação o Capitão América procura destruir o esquema da Hidra, encontrar a cura e Strucker. Tudo muito, muito rápido! Mas os obstáculos são inúmeros!
Na Terra Selvagem (local fictício, Antártida) a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro adentram as instalações secretas de outra entidade terrorista, a I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas). Esta pretende iniciar a contaminação de toda a água mundial com um mortífero composto nanotecnológico. A Viúva Negra se destaca com seus modos infalíveis de espionagem, invadindo o complexo da I.M.A., apagando (e matando) seus membros, hackeando o sistema central, blefando e muito mais. Gavião Arqueiro é seu suporte e o entrosamento entre eles é essencial para o avanço da missão. Notável o elo entre eles, quase como que telepatia. Por se conhecerem tão bem é que formam uma dupla perfeita de combate. Faltou maior envolvimento com o cenário, eles estão na Terra Selvagem, poxa! Até existe em primeiro momento, mas é muito fraco.
Em Washington, DC (Estados Unidos), o Homem de Ferro luta contra o Ultron, que dispõe de tecnologia para não apenas parar a armadura do Homem de Ferro, mas todo o planeta, enviando a humanidade aos primórdios da escuridão tecnológica. Entre raios, pancadarias e lataria amassada (e sangue), conversa filosófica entre humano que veste tecnologia e tecnologia que se veste em forma humanoide!
Em uma área inóspita da Sibéria (Rússia), a entidade mística Dormammu inicia a aniquilação da Terra, levando-a (literalmente) para outra dimensão. O Thor e a Feiticeira Escarlate unem força bruta e mágica para tentar pará-lo. O relacionamento de Thor e Feiticeira Escarlate foi o melhor desenvolvido pelo autor. Sem elo descartável, e sim amizade e confiança. A força de Thor não bastará para enfrentar Dormammu. Então ele confia na Feiticeira pois sabe como ela pode ser a mais poderosa dos Vingadores se desejar. Achei a missão deles a mais difícil.
Na ilha de Madripoor (outro local fictício, sudeste asiático) Bruce Banner, o Hulk, se encontra com o Alto Evolucionário, o maior geneticista do mundo, e seus Novos Homens. Banner conta com a ajuda do agente da S.H.I.E.L.D. Dale McHale, enquanto descobre os planos do vilão de usar uma bomba de raios gama para alterar o DNA humano, transformando todos em uma espécie manipulável e escrava. Apesar do leitor sofrer com o suspense de quando ele se tornará Hulk, foi positivo o foco em Banner. É claro que todos gostam de Hulk esmagando, porém é importante o leitor se sentir mais íntimo de Banner em ação... como Banner! Ele não é apenas o Hulk. Nesta parte temos boa conversa sobre ética científica.
Mais dois Vingadores são essenciais na trama: Mercúrio e Visão, surgem para ajudar. Outras personagens também auxiliam, estas da S.H.I.E.L.D.: Nick Fury e Valentina Allegra de la Fontaine. Sem spoilers, não posso contar mais.


A participação de uma mulher é dividida com um homem nos dois casos. Por que não uma Vingadora em missão solo? Por que as duas presentes compartilham as cenas com outros? Sabemos como funcionam as HQs e o formato livro poderia ter valorizado a heroína igualando-a ao herói. As leitoras sentem muito a falta de mais poder às heroínas, porque se identificam com elas (vide Agente Carter e Jessica Jones em séries solo). Falo por experiência própria, aos dez anos de idade eu lia X-Men e me identificava com as heroínas, eram referência. O livro perde ao deixá-las em segundo plano. Por mais fortes e impressionantes que elas pareçam, permanecem na sombra de um herói. Essa é minha única reclamação, pois não há nenhuma falha ou erro no enredo.
Outro detalhe é que os heróis não apenas saem em ação e combate corporal, como, diversas vezes, batem pra valer. Ferem (e implicitamente, matam). Fato incomum nos filmes, que busca por classificação etária mais baixa possível.
A leitura é maravilhosa e apresenta uma trama melhor e mais completa que as dos filmes, pois aqui não há preocupação com orçamento ou elenco; é mais leve que as das HQs, pois muitos leitores têm receio de não conseguir acompanhar a trama ou precisar de conhecimento básico, pois sabem que a cronologia dos quadrinhos é longa e contínua. O importante no livro é a criatividade, desenvolvimento e muita ação.

O clímax conta com a reunião dos Vingadores. Enfim, juntos, a emoção e orgulho de fã ao vê-los lado a lado, protegendo a humanidade, mostrando o seu melhor. Superpoderes magníficos? Sim, isso é empolgante, mas a pessoa dentro do super-herói é o que mais agrada. Coragem, paixão, compromisso, confiança.
"Avante, Vingadores!" - qual leitor não se emociona com o grupo unido e em ação? É fantástico imaginá-los em movimento. Sempre li as HQs imaginando filmes. Estes chegaram e vi que minha recriação era boa. Durante esta leitura, a imaginação voa! E o momento da batalha de todos juntos é de acelerar o coração!
Se eu os imaginei mais como no cinema, nas animações ou nas HQs? Minha criação visual foi muito particular. Tenho uma imagem totalmente própria da Feiticeira Escarlate e do Thor, por exemplo. Enquanto que Capitão América é das HQs, o Homem de Ferro é Robert Downey Jr.. Com Nick Fury ocorre um conflito no meu cérebro. O vejo como a versão clássica das HQs, pois foi a primeira que conheci (e a única por anos), mas não me esqueço de Samuel L. Jackson (baseado no universo Ultimate, inicialmente).
É o momento fantástico de mostrar a todos que a Marvel possui muito mais a mostrar: personagens, cenários e sagas incríveis para toda plataforma. Os livros trazem ao grande público o que o cinema ainda não pode ou não pretende. A Casa das Ideias ainda tem muita história para contar. Todos querem a coleção Marvel pela Novo Século!

O autor:
Dan Abnett é britânio, nasceu em 1965 e é escritor de quadrinhos e romancista. É conhecido por seu trabalho em livros para a Marvel Comics, e sua marca do Reino Unido, a Marvel UK, desde os anos 1990. Também escreveu quadrinhos para variadas editoras (além da Marvel Comics): DC Comics, Dark Horse Comics, WildStorm, Boom! Studios, 2000 AD e Malibu Comics.
Escreveu livros de Tomb Raider e Doctor Who. Possui dezenas de livros nos universos Warhammer 40.000 e Warhammer Fantasy e também escreveu roteiro para games.
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Outros volumes da coleção:





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