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25 de fevereiro de 2016

Red Queen: Coroa Cruel (Canção da Rainha / Cicatrizes de Aço), de Victoria Aveyard e Seguinte (Grupo Companhia das Letras)

Coroa Cruel: Canção da Rainha / Cicatrizes de Aço) (Cruel Crown: Queen Song / Steel Scars)
Contos da série A Rainha Vermelha.
Victoria Aveyard - Seguinte / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Cristian Clemente
229 páginas - 2016 - R$29,90
Lançamento: 11 de janeiro de 2016.
Resenha de A Rainha Vermelha.

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Sinopse:
""Duas mulheres - uma vermelha e uma prateada - contam sua história e revelam seus segredos. Em Canção da Rainha, você terá acesso ao diário da nobre prateada Coriane Jacos, que se torna a primeira esposa do rei Tiberias VI e dá à luz o príncipe herdeiro, Cal - tudo isso enquanto luta para sobreviver em meio às intrigas da corte.
Já em Cicatrizes de Aço, você terá uma visão de dentro da Guarda Escarlate a partir da perspectiva de Diana Farley, uma das líderes da rebelião vermelha, que tenta expandir o movimento para Norta - e acaba encontrando Mare Barrow pelo caminho.
O livro traz, ainda, um mapa de Norta e um trecho exclusivo de Espada de Vidro, o segundo volume da série A Rainha Vermelha."

Resenha:
Entre o lançamento do primeiro volume (A Rainha Vermelha / Red Queen, 2015) e sua sequência (Espada de Vidro / Glass Sword, 2016), foram publicados dois contos que servem como complemento à série. Devem ser lidos antes ou depois do livro um A Rainha Vermelha, porém antes do livro dois Espada de Vidro. Cronologicamente, Canção da Rainha (Queen Song) se passa antes dos acontecimentos vistos no primeiro livro, enquanto Cicatrizes de Aço (Steel Scars) ocorre um pouquinho antes e simultaneamente às primeiras cenas de A Rainha Vermelha.
Realmente são histórias curtas, porém as considero um pouco maior que contos; são, na verdade, noveletas. Canção da Rainha possui 64 páginas e Cicatrizes de Aço, um terço mais longo, 96 páginas. As páginas restantes (69 páginas) trazem os primeiros quatro capítulos do livro dois (inédito na época do lançamento de Coroa Cruel) e o mapa de Norta.


A Rainha Vermelha é uma série em andamento nos Estados Unidos que está sendo publicada no Brasil pela Editora Seguinte, do Grupo Companhia das Letras. A considero uma junção de Fúria Vermelha (Red Rising, Pierce Brown) e X-Men (Marvel Comics, quadrinhos), com itens baseados em Game of Thrones (As Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin) e em A Seleção (The Selection, Kiera Cass). É uma ficção especulativa Young Adult recomendada aos fãs de distopia contemporânea e um épico de fantasia sombria recheada de superpoderes, violência e preconceito. Se você gosta desses elementos e ainda não leu a série precisa conferir o trabalho da Victoria Aveyard, pois ela escreve muito bem, mesmo com vários clichés. Tem muita ação, suspense e conspirações. A série atingiu o 1º lugar de várias listas como do The New York Times e foi indicado e recebeu vários prêmios, como Melhor Estreia de autor(a) pelo Goodreads Choice Awards 2015. Os direitos cinematográficos foram adquiridos pela Universal.
A sociedade é basicamente dividida entre duas castas: os vermelhos, composta por pessoas comuns menosprezadas pela casta superior, formada por prateados, os dominantes com superpoderes.
Achei muito interessantes histórias com outras protagonistas, especialmente porque são duas mulheres. O foco continua nelas e Victoria Aveyard sabe trabalhar o feminismo. Degustei das novidades e diferentes pontos de vista e acontecimentos que não são da Mare Barrow. As personagens da série são ricas e complexas, o que dá a autora um leque de possibilidades em publicar contos complementares. Apoio totalmente a ideia. Se Coroa Cruel foi o primeiro passo, espero contos de várias outras personagens como Cal, Evengeline (principalmente), Julian, Kilorn, Elara.

Canção da Rainha mostra a história inédita da jovem prateada Coriane Jacos. Em A Rainha Vermelha, sabemos que ela foi a Rainha antes de Elara e a mãe do Príncipe Cal. É uma história com romance, intrigas e drama. A narrativa é em terceira pessoa, fora os trechos do diário de Coriane.
Ela é cantora e pertence à Casa Jacos; embora seja da elite prateada, está em decadência econômica, tentando manter o que resta do prestígio social. A vida solitária e despretensiosa de Coriane muda completamente quando o príncipe Tibe, herdeiro de Norta, apaixona-se por ela e pede sua mão em casamento. Isso causa uma confusão enorme entre as Grandes Casas prateadas, pois todos preparavam suas poderosas e lindas filhas para a Prova Real, seleção onde as jovens elitistas se apresentam e disputam a vaga de Princesa. Com o cancelamento inesperado do evento, todos são surpreendidos com o fato do Príncipe Tibe ter escolhido uma prateada de Casa decadente e considerada fraca.
O estilo de escrita da Victoria continua impressionante e de tirar o fôlego. Ela eleva um conto sobre amor e inveja na realeza a um nível épico que eu não imaginava. Não há ação física, mas sim psicológica, com uma pontinha de thriller, pois o suspense e o perigo passam a dominar as páginas, que eu achava que seriam apenas românticas. O que parecia um contos de fadas de amor se mostra um suspense fatal bem distante do "felizes para sempre". O desenvolvimento do enredo é simples e, mesmo sem grandes surpresas, o final é assustador e trágico e acho que a autora ainda comentará sobre ele na série.
Coriane me pareceu frágil, medrosa, submissa e tímida, mas sua personalidade é desenvolvida e ela passa a ser mais corajosa ao perceber os perigos da Corte Real, embora continue vulnerável e já esteja em uma armadilha fatal que parece não possuir escapatória!
O que eu mais gostei, além de conhecer Coriane, foi encontrar uma versão de Tiberias VI que não imaginava ter existido. Ah, a murmuradora Elara Merandus faz uma participação, uma das melhores personagens do primeiro livro. A autora explora os temas: depressão, amor, inveja e maternidade. De leve ela expõe homossexualismo. O que se destacou para mim foi o fato de Coriane não ter permissão para fazer o que gosta e desistir de suas vontades em prol do casamento, do Cargo de Rainha e mãe do futuro herdeiro do trono. Embora ela tenha encontrado a felicidade na maternidade, mesmo em meio ao medo e caos, achei muito triste ela ter sido censurada socialmente e desistido de suas habilidades e gostos pessoais.
"Os Calore são filhos do fogo, tão fortes e destrutivos quanto suas chamas. Mas Cal não será como os que vieram antes dele."



Cicatrizes de Aço é mais longo que o conto anterior. Apresenta a história de uma das minhas personagens preferidas em A Rainha Vermelha: Diana Farley, uma jovem vermelha que integra a Guarda Escarlate, grupo rebelde terrorista vermelho que luta secretamente contra a opressão dos prateados. É uma história sobre luta pela liberdade e os sacrifícios e privações necessários para alcançar essa liberdade. A narrativa é em primeira pessoa (da protagonista), exceto pelas mensagens trocadas entre membros da Guarda Escarlate. Não encontrei dificuldades em compreendê-las (pois são parcialmente enviadas em códigos e metodicamente com mesma estrutura), porém achei em certo momento o tom militar repetitivo e cansativo. Para a maioria dos leitores talvez soe desagradável e desnecessário, embora eu confesse não ter tido grandes problemas. São apenas complementos entre os intervalos dos capítulos.
Farley é uma jovem vermelha de Lakeland que chega até Norta em missão secreta da Guarda Escarlate (Teia Vermelha). Ela, sob seu codinome Ovelha, e sua equipe precisam se infiltrar em Norta e recrutar vermelhos para a causa. Ela interage com comerciantes do mercado negro, contrabandistas e extremistas para sua primeira tentativa de um ataque.
Para mim a trama possui falhas na parte em que eles facilmente se infiltram em Norta, visto que visivelmente são dados como estrangeiros na aparência, principalmente Farley, que é loira de olhos azuis, fora do padrão estético dos vermelhos de Norta. Deixando isso de lado, o que me decepcionou foi que Farley parece inexperiente demais para ser a mesma personagem de A Rainha Vermelha. Se o conto se passa imediatamente antes e ao começo do livro um, esperava por uma Farley segura, experiente e badass. Para o conto verdadeiramente funcionar, a autora deveria tê-lo escrito um pouco mais no passado, ao menos uns dois anos antes de A Rainha Vermelha. Mesmo assim, amei acompanhar o ponto de vista de Farley e seu comprometimento com a Guarda Escarlate. Ela é corajosa, sabe blefar e é uma líder natural de valor.
Farley está plantando as sementes da rebelião em Norta é essa missão é mais difícil e perigosa do que o esperado, até que ela se depara com Mare Barrow e percebe que ela pode ser a chave para o sucesso de toda a operação. O desenvolvimento da trama é mais complexo que o de Canção da Rainha; é necessário mais atenção às cenas.
Destaque para as personagens secundárias, especialmente o irmão de Mare Barrow, Shade Barrow.
"Vamos nos levantar, vermelhos como a aurora."



Dois contos inéditos. Duas mulheres importantes para a série. Uma prateada. Uma vermelha. Independentemente do quanto você gostar das histórias, elas complementam a série, são indispensáveis.
Se você ainda não conhece a série, recomendo o download dos contos para experimentar a escrita da autora. Mesmo que se perca um pouco no mundo por ela criado, será possível ter uma ideia da grandiosa criação. E os fãs que já leram os e-Books com certeza vão adquirir o livro impresso, pois o exemplar está lindo demais! Seguindo o mesmo estilo gráfico de A Rainha Vermelha, Coroa Cruel possui a capa metalizada, mas invés de puxar para a cor prata, ela está mais para o azul claro. O título e a coroa são em relevo, as orelhas são largas, as folhas do miolo, amareladas (pólen soft) e os trabalhos de revisão e diagramação estão impecáveis. E tem o marcador de páginas para recortar e colecionar, também em cor metalizada. Estou superansiosa por Espada de Livro, apenas esperando o livro ser entregue, portanto, aguardem pela resenha! Sou fã da série e espero ter minhas expectativas atendidas.

A série:
É formada pelo primeiro volume A Rainha Vermelha e sua sequência Espada de Vidro. Coroa Cruel é o livro complementar com os contos Canção da Rainha e Cicatrizes de Aço.

Livros impressos:



e-Books gratuitos (presentes em Coroa Cruel):



A autora:
Victoria Aveyard cresceu numa cidadezinha em Massachusetts e frequentou a Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Ela se formou como roteirista e tenta combinar seu amor por história, explosões e heroínas fortes na sua escrita.
Seus hobbies incluem a tarefa impossível de prever o que vai acontecer em As Crônicas de Gelo e Fogo, viajar e assistir Netflix.
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