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10 de abril de 2017

[Resenha + sorteio] Adeus, Tóquio!, Cecilia Vinesse e Globo Alt (Globo Livros)

Adeus, Tóquio! (Seven Days of You)
Cecilia Vinesse - Globo Alt / Globo Livros
Tradução: Alice Klesck
264 páginas - 2017 - R$ 34,90
Comprar: Amazon | Saraiva
Lançamento: 12 de abril.

Sinopse:
"Sophia tem apenas uma semana em Tóquio antes de voltar a morar nos Estados Unidos. Sete dias para dizer adeus à cidade que a acolheu e que lhe deu seus únicos amigos: Mika, uma menina completamente louca e inquieta, e David, por quem ela mantém uma semissecreta atração.
Para tornar a situação ainda mais difícil, Jamie Foster-Collins, um garoto com quem Sophia teve um grande mal entendido no passado, está de volta ao Japão, atrapalhando todos os seus planos para os últimos dias antes da despedida.
Entre caraoquês, comidas exóticas e cabelos coloridos, Sophia inicia a contagem regressiva do tempo que ainda resta para resolver todas as questões emocionais que a mantém ligada a essa cidade viva, elétrica e tão apaixonante."

Resenha:
Seven Days of You, primeiro romance de Cecilia Vinesse, foi publicado em março simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido. Em seguida foi lançado em outros países: Alemanha, Itália, França, Espanha e, no Brasil, pelo selo jovem da Globo Livros, o Globo Alt. Agradeço a editora por ter me enviado uma prova do livro para esta resenha! O lançamento oficial é dia 12 de abril e o título é Adeus, Tóquio!. A tradução é de Alice Kesck. É um romance contemporâneo juvenil que pode ser classificado como Young Adult.
A autora nasceu na França, morou no Japão e nos Estados Unidos, depois retornou ao Japão e novamente aos Estados Unidos. Atualmente reside no Reino Unido e, portanto, ela utilizou sua experiência pessoal para a base de Adeus, Tóquio!: Jovem de 17 anos tem apenas uma semana para se despedir do país onde vive.

"Se você tivesse um lugar onde se encaixasse totalmente, você o deixaria?"

O primeiro dilema da protagonista é a incapacidade de definir a própria origem. Sophia nasceu no Japão, mas não é japonesa. A definição de nacionalidade é mais complexa que o território de nascimento. Seu pai é francês e sua mãe é polonesa, então teoricamente ela deveria ser um pouco dos dois. Sua irmã mais velha, Alison, diz que ambas são americanas. Porque a mãe delas foi morar nos Estados Unidos (em Nova Jersey), quando Sophia ainda era um bebê. Foram criadas falando inglês, até a mãe se se considera americana. Mas Sophia mora e já morou mais anos no Japão que nos Estados Unidos. O pai vive em Paris e Sophia sempre teve vontade de morar com ele e aprender francês. Ele se casou novamente e tem outra família. Suas visitas à França se resumem a um mês por ano de férias. Já que seus pais nunca concordaram com a ideia dela morar com o pai e a madrasta, Sophia se adaptou à Tóquio, onde se sente em casa, pois além de adorar a cidade e seu estilo de vida, é onde construiu seus relacionamentos importantes: Mika, sua melhor amiga; e David, amigo por quem nutre uma semissecreta paixão. Ela nunca conseguiu amigos nos Estados Unidos.
Sophia, a mãe, a irmã retornarão à Nova Jersey e, ao que parece, definitivamente. O livro começa nesse ponto: Sophia tem apenas sete dias para empacotar suas coisas, arrumar as malas e se despedir do lar e dos amigos e de seu amor platônico. Nada fácil. Ainda mais que Jamie está de volta e ele é muito amigo de Mika. Ele também era seu amigo, mas há alguns anos se desentenderam e Sophia está certa de que o rapaz vai atrapalhar sua última semana em Tóquio. 

"Vai acabar. E eu fico dizendo a mim mesma para enfrentar isso. Tenho que ser capaz de lidar com isso, certo? Já deixei outros lugares antes. Já deixei pessoas."

A narrativa é em primeira pessoa e no presente, com poucos flashbacks. Cada capítulo se inicia com a contagem regressiva do relógio de pulso de Sophia, mostrando o tempo que falta para o voo para os Estados Unidos. Ela enfrenta a semana mais frenética de sua vida. São poucos dias e poucas personagens, mas inúmeros acontecimentos e interações, isso me surpreendeu. Entre reencontros e despedidas, ela precisa descobrir seu lugar ao mundo e a como guardar o que realmente importa no coração. Dizem que lar é um lugar ou uma pessoa. Sophia precisa descobrir qual o seu, mesmo sob conflitos, dúvidas e surpresas.
É um drama adolescente envolvente e dinâmico. Às vezes Sophia exagera, mas ela está na época da vida onde tudo é mais sensível e intenso. Meus sentimentos foram bem conflituosos em relação à protagonista; concordava com ela para em seguida contestá-la. Em determinados momentos, é imatura e impulsiva; em outros, tenta ser correta demais, até começar a se soltar e curtir sua despedida, no mesmo momento em que tenta aceitá-la. Portanto ela comete uma série de erros, ocorrem vários desentendimentos e discussões. Ela sofre algumas decepções (e decepciona os outros também!) e isso agrava sua situação. Mudar é difícil, ainda mais quando mudanças ocorrem de várias maneiras. O que não falta é movimentação na trama, especialmente entre as personagens.

"Acho que você escolhe à qual lugar quer pertencer, e esses lugares sempre estarão lá, para lembrá-lo quem você é. Você só precisa escolhê-los."

Além de Mika (japonesa com família na Califórnia), David (australiano) e Jamie (da Carolina do Norte), Sophia conhece Caroline (do Tenesse), atual namorada de David. É um núcleo formado por adolescentes estrangeiros. Senti falta de jovens japoneses na trama. Esperei por ao menos uma personagem nipônica interagindo com o grupo, mas isso não ocorre, eles são bem americanizados. Dependendo do ponto de vista, isso pode ser um problema. Como a autora partiu de experiência pessoal de quando morou no Japão para criar a história, imagino que ela deva estar reproduzindo uma situação que ela vivenciou. Então o foco do livro não é se aprofundar na cultura japonesa, mas sim apresentá-la. Sophia ama o Japão, outros nem tanto. Mika, por exemplo, possui personalidade rebelde e adora provocar a família com atitudes ousadas e não tradicionais. A autora se limita a mostrar ocidentais vivendo no Japão, com maior ou menor afinidade. Achei estranho, por exemplo, Sophia não falar japonês; ela estuda em escola americana e é criada por mãe de cultura americana. Me questiono como deve ser viver em outra cultura, admirar e amá-la, mas se sentir sempre deslocada, sem ter certeza se pertence ao lugar.
Tóquio é um cenário maravilhoso, exuberante e vivo, sempre atraente. Uma terra de cultura antiga e tradicional, mas também cheia de modernidade e novidade. O livro é um convite a conhecer Tóquio sob o ponto de vista de um grupo adolescente, entre caraoquês e konbinis. Durante a leitura me imaginei em Tóquio e pesquisei na internet sobre os lugares, como a estação de trens Shibuya e a estátua de Hachiko (o cão que esperou seu dono por anos nessa estação), a Tóquio Tower (a segunda maior construção do Japão, com arquitetura baseada na Torre Eiffel) e o Santuário Meiji (complexo de templos xintoístas). A autora detalha o cenário de modo suficiente para o público adolescente aproveitar a leitura, se interessar pelos locais, porém sem fixar muito nesse ponto.

Outras subtramas se desenvolvem muito bem, como o relacionamento de Sophia com a irmã mais velha. Todas as interações entre as personagens são críveis, mas o carinho (mesmo que não explícito) de Alison por Sophia se destaca. Aos poucos Sophia começa a compreender a irmã e isso a ajudará muito nesse momento delicado; ampliando seus horizontes. A amizade de Sophia e Mika é real, porque é complexa.
Outro item importante é mostrar a mutação dos relacionamentos. Em pouco tempo, tudo pode mudar e nem sempre enxergamos as coisas como realmente são, seja por inocência ou teimosia. A forma como Sophia avalia as pessoas também muda, dos pais aos amigos, e essa foi a parte mais interessante para mim. Não devemos super/subestimar as pessoas. Fui surpreendida, pois comecei a leitura certa de que gostava de umas personagens e detestava outras, mas meus sentimentos em relação a elas mudaram.
O livro também é romântico! Sophia vive um romance inesperado e incontrolável. Tudo o que menos se precisa num momento confuso e decisivo na vida é se apaixonar, mas como ignorar o amor?
Ela tem sete dias antes de partir. Ele acabou de retornar. Uma única semana em Tóquio mudará os dois para sempre. Emocionante! Tão intenso que fará você refletir sobre os relacionamentos verdadeiramente importantes. Um Young Adult contemporâneo sobre reencontros, desentendimentos, despedidas e amadurecimento.

"Eu pensava nas estrelas e em como a luz que elas possuem dura muito tempo depois que a estrela já se apagou. Pensei em como o nosso lar ainda é um lar, mesmo quando está a milhares de quilômetros de distância."

* Minha leitura foi um exemplar de prova do livro, ainda em fase de revisão. Vou atualizar esta resenha com fotos do exemplar final assim que recebê-lo.

A autora:
Cecilia Vinesse nasceu na França, mudou-se para o Japão e depois para os Estados Unidos. Voltou ao Japão e, quando tinha dezoito anos, regressou aos Estados Unidos, onde passou sete anos tendo saudade da vida que levava antes. Hoje mora no Reino Unido e passa a maior parte do tempo escrevendo, lendo, assando coisas e se emocionando com as músicas de Tori Amos. Entre seus passatempos está fingir que Buffy, a caça vampiros, é real e colecionar batons para combinar com cada sabor de Skittle. Um filhote de cachorro chamado Malfi e uma renascentista chamada Rachel são suas coisas favoritas no mundo. Ah, e livros, claro.

Cenários do livro:

Cruzamento em Shibuya. Crédito: tokyostreet.photo
Estátua de Hachiko, na estação de trens Shibuya. Crédito: pinterest.com
Tokio Tower. Crédito: travel.gaijinpot.com
Templo Meiji. Crédito: timetravelturtle.com
Konbini, um tipo de comércio muito comum no Japão, uma espécia de loja de conveniência. Crédito: trendyintokyo.wordpress.com
Sorteio:
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