publicidade

Trilogia The Fallen World, volume 1: O Fim de Todos Nós, Megan Crewe e Editora Intrínseca

O Fim de Todos Nós (The Way We Fall)
Trilogia The Fallen World - livro 1
Megan Crewe - Editora Intrínseca
Tradução: Rita Sussekind
272 páginas - Ano: 2013 - R$29,90 (impresso) ou R$19,90 (digital)

Sinopse:
"Kaelyn acaba de ver o melhor amigo partir. Ela tem dezesseis anos e voltou agora para a ilha onde nasceu, depois de um período morando no continente; ele está fazendo o caminho inverso, para estudar fora. O que sentem um pelo outro não está muito claro, ela o deixou ir embora sem nem mesmo dizer adeus, e a última coisa que passa por sua cabeça é nunca mais vê-lo. Mas, pouco tempo depois, isso está bem perto de acontecer.
A ilha de Kaelyn foi sitiada e ninguém pode entrar nem sair: um vírus letal e não identificado se espalha entre os habitantes. Jovens, velhos, crianças - ninguém está a salvo, e a lista de óbitos não para de aumentar. Entre os sintomas da doença misteriosa está a perda das inibições sociais. Os infectados agem sem pudor, falam o que vem à mente e não hesitam em contaminar outras pessoas. A quarentena imposta pelo governo dificulta as pesquisas em busca da cura, suprimentos e remédios não chegam em quantidade suficiente e quem ainda não foi infectado precisa lutar por água, energia e alimento.
Nem todos, porém, assistem impassíveis ao colapso da ilha. Kaelyn é uma dessas pessoas. Enquanto o vírus leva seus amigos e familiares, ela insiste em acreditar que haverá uma salvação. Caso contrário, o que será dela e de todos?
Afiado e atordoante, O fim de todos nós é a história da força de vontade e da bravura de uma garota comum forçada a reavaliar seus medos e escolher entre a própria humanidade e a sobrevivência."

Links: Intrínseca | Skoob

Resenha:
Após conferir o projeto gráfico da trilogia The Fallen World, fiquei muito satisfeita em ver que a Editora Intrínseca manteve a capa original. O Fim de Todos Nós é o primeiro volume de uma saga apocalíptica voltada ao público jovem. A capa é muito mais bonita ao vivo, porque o fundo é brilhoso e o título em relevo levemente áspero.
A capa avisa que o enredo aborda um tema delicado, pois no centro e ao fundo do título, dentro de letras que "arranham" estão de mãos dadas duas personagens em meio a um caminho desolado. São duas pessoas importantes no livro, embora sejam apenas suas silhuetas. E há um detalhe no M especial.
Gosto da simplicidade aparente da capa, mas de seu significado implícito. Assim como o livro é: Simples na leitura, complexo na absorção.
O trabalho gráfico contribui para o clima de perigo se ampliar, através de uma diagramação um pouco grunge e desconexa com riscos manchando algumas páginas estratégicas: Início, intercâmbio entre as partes e final.

O livro é dividido em três partes: Sintomas, Quarentena e Mortalidade. Exatamente como o vírus fatal e desconhecido se desenvolve, a história acompanha esta evolução, tornando-se cada vez mais crítica.
O interessante é a narrativa. Ela é completamente feita em um diário pessoal, escrito pela adolescente de dezesseis anos Kaelyn, moradora da ilha bruscamente afetada por uma doença desconhecida, voraz e mortal.
Além de possuir partes principais, o livro é estruturado em inúmeros curtos capítulos, quase sempre datados. Os relatos da jovem se iniciam em 22 de setembro, quando ela viu seu melhor amigo partir da ilha para o continente. Ela resolve então, escrever para ele o diário.
É uma narrativa especial: Além de conter confissões e informações dos acontecimentos, o diário é quase uma carta; não sabemos se é um desabafo e se será entregue por Kaelyn a seu amigo Leo. É uma mistura e uma escrita muito agradável de se ler.

Embora aborde um desastre de saúde e social, uma doença incurável que apresenta sintomas inéditos, a autora mantém a narrativa leve. Mesmo nas partes mais duras e chocantes, existe uma simplicidade na escrita de Megan que segura o leitor até o final, sem causa mal estar. No entanto, consegue atingir o objetivo de provocar variadas sensações, reflexões e curiosidade.
Por ser narrado por uma única pessoa, temos um único ponto de vista, mas isso é positivo. Kaelyn já está acostumada a fazer observações e a catalogar comportamentos e desenvolvimento de sociedades animais. Ela estuda esquilos, furões, coiotes e diversos outros bichos nativos do local. Ela os analisa e os estuda, sempre em forma de diário. Kaelyn, que sempre sonhou em estudar a vida animal e contribuir com descobertas científicas nesse meio, não imaginaria que seu "diário-carta-confissão" acabaria se tornando um documento com todo o desenvolvimento da doença fatal assombrosa.
O livro se transforma no relatório mais fiel sobre as mudanças sofridas pela população da ilha. Certamente Kaelyn cria um espetacular cotidiano da ilha enfrentando o vírus. Da luta pela vida.
Por outro lado, seus textos quando focados nos acontecimentos pessoais quase levam o leitor às lágrimas. Percebemos que mesmo contando o seu dia a dia, confissões e ideias íntimas, Kaelyn tenta focar mais no lado dissertativo sobre a ilha.
Esse é o ponto forte do livro: Encontramos confissões de uma adolescente sobre sua família, sua escola, mudança de rotina e sofrimento pessoal, mas também lemos sobre o desenvolvimento do vírus na ilha como um todo, como afeta o funcionamento do ambiente, do hospital, da população.
O ponto fraco está na carência de diálogos mais espontâneos. Embora Kaelyn os relate com precisão, são todos na forma indireta; um resumo de suas conversas.
Eu prefiro diálogos pontuados com travessão; não importando se são longos ou curtos; com ou sem descrições intermediárias. Aqui, logicamente, os diálogos estão entre aspas e nos relatos pessoais da protagonista.
Apesar de eu não gostar desse tipo de estrutura, assumo que foi a melhor escolha para o livro.

Por termos a visão da moça, não sabemos o que o restante do mundo sabe e pensa sobre o surto. A ilha é isolada, tanto fisicamente, com o Exército impedindo a entrada e saída do local, quanto de uma forma mais ampla, já que a internet e a rádio são cortadas, assim como os telefones e celulares somente fazem ligações dentro da própria ilha. Esta se torna um mundo abandonado e solitário, porque nem sempre recebe ajuda de fora, tamanha a gravidade do contágio. Os moradores ficam reféns, presos e incomunicáveis. Precisam se organizar com pouco apoio para enfrentar a doença.

Os sintomas são físicos e psicológicos. Os psicológicos são os que mais chamam a atenção do leitor.
O organismo apresenta sintomas como os de uma gripe comum, com febre, tosses e espirros além de dor de garganta aguda que se torna uma queimação sufocante. Com o tempo, a pessoa vai tendo a pele afetada, com coceiras incontroláveis em pequenas e isoladas regiões, porém o incômodo cada vez mais constante.
Então temos o ataque psicológico: A pessoa vai se tornando cada vez mais comunicativa e perde cada vez mais a timidez e a censura. A necessidade inabalável de querer conversar e se socializar se transforma em um perturbador comportamento de sinceridade exagerada. Ao fim, o doente não controla mais suas ações e passa a ter alucinações e episódios cada vez mais graves de paranoia.

O desenvolvimento do enredo foi muito bem preparado, através de uma excelente introdução e atinge um clímax inesperado e inteligente. Observamos pelo diário de Kaelyn como toda a população da ilha se organiza (ou não; ou se desorganiza; loucura!).
Os questionamentos éticos entram na história sobre como se deve agir em uma situação de desastre biológico. Como se proteger, e a seus entes queridos dos vizinhos e conhecidos doentes ao seu redor? Como a população médica deve agir perante uma situação catastrófica, sem a estrutura ideal para ajudar no tratamento dos doentes e até mesmo na busca da cura? Como ocorre a distribuição de comida, medicamentos e água?
Algumas pessoas simplesmente ignoram o problema, tentando fantasiar  que o perigo não existe e que a doença é apenas uma gripe passageira e que será naturalmente superada. Essas pessoas não imaginam que podem ser contaminadas, não se previnem e não cooperam. Ajudam até mesmo a espalhar mais rapidamente o vírus.
Outras pessoas são as que se isolam e temem qualquer pessoa que se aproxime de sua propriedade. São prevenidas em excesso, não querem ser avisadas das prevenções básicas necessárias, apenas querem se trancar em casa e esperar a doença acabar.
Mas existe um grupo de pessoas que faz o contrário: Busca por organização, informação e luta, cada pessoa a seu modo, contra a doença, contra o desespero social. Cada um faz o que pode, seja na sua especialidade, quanto no trabalho voluntário.

A ironia inicial de Kaelyn é que ela é uma moça muito tímida e discreta. Ela é o tipo de pessoa que não se destaca e prefere passar despercebida pelos locais frequentados, principalmente sua escola. Então ela decide desenvolver e investir em uma "nova Kaelyn". Uma pessoa mais comunicativa, ousada e aberta às pessoas ao redor. Ela não quer mais ser apenas "mais uma pessoa qualquer", ela quer brilhar socialmente. Logo após essa decisão pessoas começam a ficar totalmente desinibidas e incontroláveis socialmente. A doença ataca o indivíduo, deixando-o comunicativo além do tolerável e Kaelyn sente-se confusa não apenas sobre a doença, sua transmissão e mortalidade, mas também sobre o quanto as pessoas doentes estão sendo sinceras e rudes. Será que elas sempre pensaram dessa forma, mas somente estão tendo a coragem de dizer tudo por causa da doença? Ou será que a doença amplia e/ou deturpa suas opiniões?
O desenvolvimento toma um rumo inesperado. É muito estarrecedor ver pessoas sofrendo, morrendo e outras tentando salvá-las.
O desfecho deixa uma clara abertura para uma continuação, como um recomeço, porém não existe a obrigação de prosseguir a leitura. No entanto, não aguento de curiosidade sobre o segundo livro da trilogia. Não sei exatamente que ligação ele terá com O Fim de Todos Nós, mas como adorei a leveza com que a autora apresentou e desenvolveu um thriller psicológico juvenil, com certeza o lerei!

É um livro muito simples e leve; porém pode levar o leitor a grandes análises psicológicas dos diferentes comportamentos humanos perante uma crise sanitária e social.
Mesmo sendo ficção e voltado ao público jovem, O Fim de Todos Nós é um aviso sobre as grandes epidemias enfrentadas várias vezes por populações. Sobre como o Governo, povo e departamento médico agem contra o problema.
Após mergulhar em tantas histórias de fim de mundo, foi bom descobrir esta: Um apocalipse social e centralizado. Uma ilha lutando sozinha contra sua extinção.
Uma reflexão sobre como o ser humano é frágil, mesmo após grande desenvolvimento das ciências, principalmente da Biomedicina. Somos alvos constantes de doenças transmissíveis. Fungos, vírus e bactérias podem derrubar grandes populações humanas. Estaremos preparados para o inesperado?

"Tudo tem início com uma coceira insistente. Então vêm a febre e o comichão na garganta. dias depois, você está contando seus segredos mais constrangedores por aí e conversando intimamente com qualquer desconhecido. Mais um pouco e começam as alucinações paranoicas."
Comprar:
Livro físico: Livraria Saraiva | SubmarinoLivraria Cultura | Livraria da Travessa | Leitura | Martins Fontes Paulista | Siciliano
e-Book: Livraria Saraiva | Livraria Cultura | Livraria da Travessa | Leitura | Siciliano | Gato Sabido | Amazon | Google Play | Kobo | Iba

A Trilogia:
The Fallen World é formado por O Fim de Todos Nós (The Way We Fall, 2012), primeiro da trilogia e lançamento no Brasil. O segundo livro, The Lives We Lost (2013) já foi publicado em língua inglesa. Já o terceiro livro, com o título de The Worlds We Make está programado para ser publicado em inglês no outono de 2014.
Viram que bacana a Intrínseca ter mantido a capa original?
São as capas originais. A de The Worlds We Make é provisória.


A autora:
Megan Crewe estudou Psicologia na Universidade de New York e atua como orientadora de jovens com necessidades especiais.
Ela mora em Ontário, nos Estados Unidos, com o marido e três gatos.
O Fim de Todos Nós é seu segundo romance e o primeiro de uma trilogia.

Links: Site | Twitter | Facebook


12 comentários

  1. Menina eu li sua resenha e achei realmente muito boa, mas sabe o que me lembrou ?? De Resident Evil...Até porque aquelas coisas de zumbis me dão medo hahahaah
    Mas eu não sei se a estória é por ai, porque eu vi essas coisas de quarentena e tudo mais.
    Só que achei sua resenha muito boa. Parabens. Você escreve de um jeito bem gostoso e que dá pra entender. Diferentemente de muitos que já li =]

    Parabens linda

    Outra coisa, estou seguindo o seu blog, poderia me seguir tambem e curtir minha fanpage ? É que n vi seu nome na lista.
    beijinhos e se cuida querida

    lovereadmybooks.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Silvana! Sim, afinal Resident Evil possui a origem do problema todo através de um vírus, não é?
      Só que a história aqui é bem realista, mais palpável, embora fictícia.
      Obrigada.

      Excluir
  2. cara gostei olha
    e eu nem conhecia
    parece ser bom, pelo menos ele super me chamou a atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Alice! É um livro com temática muito séria, mas abordagem leve, sabe? Gostei!!
      Beijos.

      Excluir
  3. Caramba adorei a capa ^^ muito bonita, aliás fiquei curiosa, vc falou que ela é simples, mas que dá referencias à algo que é importante no livro...Bom agora eu estou tentando advinhar haha
    Bom até agora só li um livro com o tema de apocalipse, mas tinha a ver com "vampiros" e o exército americano, o nome do livro é A Passagem(muuuito bom)
    Assim como esse livro ele é dividido, tipo antes da "epidemia" e depois, acho legal mostrar como começou e então depois o marco zero...fico imaginando como seria se isso realmente acontecesse. Parece que nesse caso é ainda mais desesperador, afinal é uma ilha, todos estão isolados
    bom, eu adorei, pelo que vc escreveu tem algo a ser analisado nesse livro, a ação dos seres humanos...
    :) tá na minha lista

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Larissa, é um detalhe, só lendo hehehe
      Acho que não se arrependerá ao colocar este livro na sua lista de desejos.
      Beijos :)

      Excluir
  4. as capas são lindas mesmo... ainda bem que não mudaram :D
    adoro livros que possuem capítulos curtos!
    não conheço nenhum outro livro que aborde este tema assim, de forma simples até né?
    parece ser um livro ótimo, e bem marcante!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. São curtinhos, mas do tipo que faz o leitor querer ler mais, Rayme!
      É bem simples, porém profundo, gostei dessa tática da autora.
      Espero que curta o livro. Beijos.

      Excluir
  5. Muitoooo bom!
    Tati adoro livros assim e esse parece fantástico, fiquei super com vontade de ler e já estou anotando aqui.
    E a capa é linda somente na imagem, imagino pessoalmente :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse é muito gostoso de ser lido, até agradável, se o tema não fosse tão desesperador... A autora encontrou o equilíbrio perfeito entre escrever uma história provocadora e uma narrativa leve.
      Beijos.

      Excluir
  6. Respostas
    1. Infelizmente parece que a sequência está cancelada no Brasil, não sei se permanentemente :(

      Excluir

Os comentários são moderados, portanto, aguarde aprovação.
Comentários considerados spams, agressivos ou preconceituosos não serão publicados, assim como os que contenham pirataria.
Caso tenha um blog, retribuirei seu comentário assim que possível.

Parcerias