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Battle Royale, de Koushun Takami e Globo Livros

Battle Royale
Koushun Takami - Globo Livros
Tradução: Jefferson José Teixeira
664 páginas - Ano: 2014 - R$49,90

Sinopse:
"Todos contra todos – a batalha vai começar!
Depois de inspirar filmes e mangás, o cultuado, violento e controvertido clássico japonês e best-seller mundial Battle Royale ganha edição brasileira.
Em 1997, o jornalista e escritor japonês Koushun Takami sofreu uma grande decepção. O manuscrito de seu romance de estreia havia chegado à final do Japan Grand Prix Horror Novel, concurso literário voltado para a ficção de terror, mas acabou preterido. Não era para menos. Embora habituado a tramas assustadoras, o júri se alarmou com a história do jogo macabro entre adolescentes de uma mesma turma escolar que, confinados numa ilha, têm de matar uns aos outros até que reste apenas um sobrevivente. Detalhe: o organizador da sangrenta disputa é o próprio Estado japonês, imaginado pelo autor como uma totalitária República da Grande Ásia Oriental.
O livro, intitulado Battle Royale, só seria lançado em 1999, espalhando um rastro de polêmica – vendeu mais de 1 milhão de exemplares e foi comentado no Japão inteiro. A repercussão foi tão intensa que apenas um ano depois já eram lançadas as adaptações da história para o cinema e para os mangás – mais tarde, viriam sequências tanto na tela grande como nos quadrinhos.
A ansiedade se explica pela duradoura permanência de Battle Royale sob os holofotes. Em 2009, ninguém menos do que Quentin Tarantino chegou a eleger o filme como o melhor que viu desde o início de sua carreira de cineasta. Mais recentemente, com o sucesso do blockbuster cinematográfico Jogos Vorazes, não faltaram leitores e espectadores do mundo todo acusando a norte-americana Suzanne Collins, autora do livro em que se baseou a produção de Hollywood, de ter plagiado a história de Koushun Takami.
Apesar de o ponto de partida ser exatamente o mesmo – jovens obrigados a se matar entre si como parte de um jogo –, a escritora alega que só veio a saber da existência da obra japonesa quando o primeiro Jogos Vorazes já estava no prelo. De sua parte, Takami, cordialmente, declarou que não pretende processar Collins, por acreditar que cada livro tem algo novo a oferecer. Independentemente disso, a questão tomou conta da internet, com milhares de páginas de fãs debatendo semelhanças e diferenças entre as obras."

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Resenha:
A capa detalhada é mais bonita ao vivo. O fundo vermelho simboliza a violência; um casal em uniformes escolares em preto representa os quarenta e dois adolescentes. Eles não têm faces e estão armados. Nos pescoços de ambos, um círculo como marcação. Em relevo o mapa com todos os quadrantes.
Com mais de um milhão de exemplares vendidos apenas no Japão, o autor Koushun Takami marcou seu nome na literatura. O livro já foi publicado em dezessete países e é considerado o inspirador de Jogos Vorazes. O autor tentou publicar Battle Royale anteriormente, mas a obra foi recusada pelo alto teor de violência. Embora Battle Royale tenha sido lançado em 1999, chegou ao Brasil somente em 2014, pela Globo Livros. Demorou, mas o tratamento dado é fenomenal! Fiquei muito feliz em ver que a obra não foi dividida.
O livro possui mais de 600 páginas, mas em momento algum eu demorei na leitura, porque esse livro é viciante.

Ao abrir o livro você já observa o mapa com todos os pontos importantes da ilha secreta onde ocorre o Programa, incluindo os quadrantes proibidos. O livro foi dividido em Introdução, Prólogo,  Parte Um (Começa o Jogo), Parte Dois (Lutas Intermediárias), Parte Três (Lutas Finais), Parte Quatro (Grand Finale) e Epílogo. Há um sumário no começo, além da lista com os nomes de todos os estudantes participantes.
A base: Quarenta e dois estudantes do final do Ensino Fundamental de uma mesma turma de um colégio japonês são selecionados para o Programa pelo Governo. São vinte e um rapazes e o mesmo número de moças. Eles pensam estar indo para uma excursão escolar, porém são jogados em uma desconhecida sala de aula. Conhecem o organizador da edição do Programa e recebem as instruções:
"Nós vamos nos matar uns aos outros. Se não matar, serei morto."
O Programa anual é, didaticamente falando, uma simulação de batalha instituída por razões de segurança e conduzida pelas Forças Especiais de Defesa da República da Grande Ásia Oriental. Oficialmente é conhecido como Experimento Militar do Programa Nº 68. Desde 1947 ele é realizado com a intenção de se obter estatísticas para o Governo. Claro, o Programa existe por outros motivos! Para controlar a população através do medo e desmotivando-a ao máximo no desenvolvimento de manifestações e greves.
O prêmio? Manter-se vivo, receber pensão vitalícia e um cartão autografado pelo Supremo Líder.
O Governo é fascista, portanto as Forças Armadas compõem seu braço direito.

As meninas estão vestidas de uniforme de terninho de marinheiro; os meninos de uniforme de terno de gala. Recebem, cada um, uma mochila. Dentro dela um kit de sobrevivência: Um pouco de pão e água, uma bússola, um lápis, um mapa da ilha e uma arma. Cada participante recebe uma arma surpresa diferente. A princípio, ninguém sabe qual é sua arma e também desconhece as dos demais.
No pescoço de cada um, uma coleira misteriosa. Eles sabem apenas que elas explodirão pelo acionamento do Programa.
Um dos cuidados principais é estar atento ao mapa e ao relógio, pois conforme é anunciado através de alto-falantes, em determinados horários, quadrantes escolhidos são proibidos! Se um estudante estiver em um dos locais proibidos após o horário avisado, sua coleira explodirá imediatamente.
Se nenhuma morte ocorrer em um espaço de vinte e quatro horas, todas as coleiras rastreadoras também serão detonadas.
A proibição dessas áreas e o prazo máximo sem mortes são decisivos no andamento do jogo. Conforme avança o tempo, em um número menor de locais os participantes podem estar, trazendo dinamismo e encontros inevitáveis.
Achei interessante como praticamente não há a possibilidade de se esconder e evitar os embates.

Battle Royale é um livro peculiar. O nível de violência é brutal, as descrições do autor são fenomenais (especialmente as cheias de sangue) e a apresentação das personagens bem-realizada.
O livro é grosso, mas a duração do tempo na história, curta. Isso é incrível, pois os acontecimentos não param e a ação é ininterrupta.
Como não estou habituada a nomes japoneses, estava receosa de confundir as personagens. Eu pensei que iria me enrolar... Mas não! Felizmente, embora não haja destaque imediato de personagens, o autor aos poucos consegue deixar o leitor familiarizado a todos os que importam.
Como a história não tem enrolação, mesmo em tantas páginas, o autor já inicia com movimentação; os alunos estão a caminho da "excursão".
Temos acesso a uma breve história de cada um (da maioria). As lacunas são preenchidas calmamente e temos acesso ao histórico e características pessoais dos estudantes. São flashbacks, observações, segredos. Takami soube equilibrar a matança aos conflitos interiores.

A narrativa é em terceira pessoa e os pontos de vista se alternam continuamente. Temos acesso direto aos pensamentos das personagens. O autor os expõe constantemente no texto. Esse cruzamento de ideias traz boa movimentação à trama. Interessante conferir como as personagens interpretam as coisas e imaginam o que está acontecendo - mas somente o leitor sabe como os fatos estão ocorrendo (até certo ponto, pois o autor sabe quando surpreender!).
Embora alguns indivíduos se destaquem, não temos necessariamente um protagonista em si. O que temos é um conjunto variado de pessoas, estudantes de todos os níveis sociais e com histórias de vida e personalidades diferentes. O autor ressalta o quanto cada um conhece dos colegas e prova que isso, no caso de "matar ou morrer" não vale muito.
Desde os primeiros capítulos o leitor já sabe que não deve se apegar a ninguém. Parece que todos morrerão. A cada final de capítulo, a mensagem de "[Restam X estudantes.]", como uma contagem regressiva para o término da leitura.

Battle Royale é muito cruel e violento. A pressão psicológica atinge os mais intensos níveis, o terror se torna insuportável.
As armas são as mais variadas possíveis, desde as mais comuns até as insuspeitáveis.
A criatividade do autor é elevada, pois escrever uma quantidade tão grande de brigas, alianças, mentiras e mortes é tarefa quase impossível. Ele não se perde e o livro melhora a cada página com inúmeras reviravoltas e choques.
Fabulosa a fama dos japoneses lidarem de forma tão natural com o horror e a violência. Gosto de como a ficção deles é bruta e chocante. E ao mesmo tempo em que temos violência, a honra, amizade, amor e respeito estão sempre presentes e desenvolvidos de modo mais humano possível. Ingenuidade X maldade marcam a trama.
Algumas cenas são tão insanas que me fizeram rir. Não porque é engraçado, mas sim por ser tão assustador e bizarro! A parte do farol, por exemplo, me fez rir por ser tão dramática e desesperadora.
Uma das meninas em especial é tão má, inescrupulosa e terrível. É vítima e vilã pela qual acabei torcendo (de modo secreto, claro!). Torci também por outra menina, uma mocinha boazinha e a mais linda da turma (essa posso dizer que merecia sobreviver, né?). A maioria com certeza será condicionada pelo autor a torcer pelo trio principal, mas... Libere sua e torça pelos estudantes que quiser! É o mais legal que a leitura proporciona!

À primeira vista o livro pode parecer excessivamente violento e dramático, porém existe mais. O quadro político opressivo é mostrado indiretamente por lembranças e pensamentos de cada personagem.
Minha interpretação é que o mundo tomou outro rumo político no período pós-Segunda Guerra Mundial. Então o cenário mundial fictício de Battle Royale, mesmo que pouco mostrado, é bastante diferente do mundo real do ano de publicação do livro. É uma história alternativa da geopolítica mundial.

Quanto à discussão de Jogos Vorazes ter sido inspirado em Battle Royale: É impossível não verificar as semelhanças na premissa. País totalitário que abusa de força armada, população oprimida e censurada, sentimento rebelde de insatisfação e um programa sádico e monstruoso que obriga adolescentes a se matarem em um ambiente isolado até restar um único sobrevivente. O programa é uma das ferramentas assustadoras utilizadas pelo Governo. Mas para aí.
Jogos Vorazes e Battle Royale possuem diferenças e a principal é que a obra mais antiga destaca um grupo e é mais violenta e madura, enquanto que a mais recente foca em uma protagonista e é mais leve.
De qualquer forma, sem preconceitos, as duas obras são boas e os leitores só têm a ganhar aproveitando o melhor delas.

Booktrailer:



O autor:
Koushun Takami nasceu em 1969 no Japão, na cidade de Amagasaki, perto de Osaka. Depois de se formar em Literatura pela Universidade de Osaka, trabalhou como repórter de política e economia. Deixou o jornalismo para se dedicar à literatura.
Battle Royale foi concluíoa após Takami dedicar-se inteiramente à escrita. A obra foi rejeitada na fase final do Japan Grand Prix Horror Novel, devido a seu conteúdo polêmico. O livro tornou-se best-seller ao ser lançado em 1999 e, um ano depois, foi adaptado para uma série em mangá e outra em longa-metragem.
Ele está atualmente trabalhando em um segundo romance .


2 comentários

  1. Parece um daqueles livros viciantes que não conseguimos parar de ler!
    Esta na minha listinha e espero ler em breve.
    Adorei a dica.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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    Respostas
    1. Boa leitura, Rízia!
      Pode parecer "maldade", mas eu me diverti bastante lendo Battle Royale. ;)
      Beijos.

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