publicidade

[Resenha] Scythe, livro 1: O Ceifador, de Neal Shusterman e Seguinte (Grupo Companhia das Letras)

O Ceifador (Scythe)
Trilogia Scythe - livro 1
Neal Shusterman - Seguinte / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Guilherme Miranda
448 páginas - 2017 - R$ 39,90 (impresso) e R$ 27,90, (e-Book)
Lançamento: 17 de abril.
Comprar: Amazon | SaraivaSubmarino
SORTEIO! (de 25/04 a 23/05)

Sinopse:
"Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco."

Resenha:

Imagine um futuro onde a humanidade, o meio-ambiente e a tecnologia estão perfeitamente em equilíbrio e harmonia. A escassez de alimentos e energia não assombra mais, e as doenças, a fome, os homicídios e a desigualdade social foram eliminados. Em um mundo aparentemente perfeito, alcançamos a imortalidade. Ninguém fica doente e em caso de qualquer acidente, o corpo é revivido sem dificuldades. Além disso, a aparência pode ser constantemente rejuvenescida conforme a vontade do indivíduo. Tudo graças ao inimaginável avanço da tecnologia, responsável por cuidar do funcionamento do planeta e da sociedade. Ela criou consciência e passou a ser a governante perfeita e incorruptível dessa utopia: a Nimbo-Cúmulo. Com ela, vencemos não somente a morte, mas também os governos e a política; a Nimbo-Cúmulo sabe de tudo e calcula sempre as melhores soluções para qualquer problema, cuidando de todos, preservando o planeta e a humanidade, ajudando qualquer um com suas dúvidas. Ela criou o Código Mundial e, desde então, ninguém sofre dos males da Era da Mortalidade.
"2042. É um ano que todo estudante decorou. Foi o ano em que a capacidade computacional se tornou infinita - ou tão perto disso que não podia mais ser medida. Foi o ano em que descobrimos... tudo. A "nuvem" evoluiu para a "Nimbo-Cúmulo"."
Em um mundo onde ninguém mais morre, o crescimento populacional continua e, por mais que tenhamos uma consciência onipresente e poderosa que nos lidera sem jamais errar, o mundo é limitado fisicamente e algumas pessoas precisam morrer. Esse é o único assunto referente à humanidade em que a Nimbo-Cúmulo não interfere e não possui autoridade. A responsabilidade de se retirar uma vida é exclusivamente humana, pois é um ato que envolve moral e ética. Assim surgiu a Ceifa.
Agora imagine a personificação da morte: ela coleta almas vestindo um enorme e suntuoso manto que esconde sua imagem. Por debaixo do tecido, armas mortíferas, ferramentas para matar. Ninguém pode ou deve interferir. É a imagem de um ceifador.
Os ceifadores são humanos encarregados de escolher e executar mortes irreversíveis. Eles obedecem a uma própria hierarquia e leis exclusivas, mas seus métodos de trabalho variam muito e suas consciências enfrentam questões humanas e éticas enormes, acompanhadas por angústia, culpa, responsabilidade e solidão. A Nimbo-Cúmulo é perfeita, mas e a humanidade? E a Ceifa?


O mundo de um ceifador está muito próximo do poder, do prestígio e da fama. Temíveis, eles são amados e odiados pelos demais indivíduos. Regalias são oferecidas aos ceifadores, ou, quando necessário, eles podem tomá-las a força. A imoralidade e a corrupção também podem fazer parte do cotidiano de um ceifador, visto que ele pode conceder imunidade de um ano a qualquer um. Será que todos os ceifadores distribuem imunidade apenas aos dignos? E como medir a dignidade? Como são os parâmetros dos ceifadores ao selecionarem as pessoas a serem coletadas?
Os ceifadores divergem em métodos e pensamentos, porém precisam trabalhar em concordância. Eles se reúnem em Conclaves para relembrar a ética de sua função e a importância de seu dever, homenagear os coletados, debater sobre suas leis, metas e normas, escolher armas e ordenar novos ceifadores. Impor limites. Os protagonistas, uma moça e um rapaz, são aprendizes de um ceifador.
Citra Terranova  e Rowan Damisch estão no Ensino Médio quando são abordados pelo enigmático ceifador Faraday, que os recruta como aprendizes. Através de dois adolescentes comuns o leitor é apresentado ao mundo pouco conhecido dos ceifadores.
"Esqueçam tudo o que vocês pensam sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora."
A narrativa é muito abrangente. Os quarenta capítulos são narrados em terceira pessoa, em variados pontos de vista, incluindo protagonistas, personagens secundários e até mesmo figurantes. Assim é possível observar como uma mesma ideia pode ter interpretações diferentes. Entre um capítulo e outro existem trechos dos diários de ceifadores em primeira pessoa. Complementam ainda mais a trama e trazem informações essenciais.

Os mandamentos do ceifador.
Na primeira parte do livro, Manto e Anel, os protagonistas são apresentados, se encontram, são recrutados e ingressam no treinamento, com uma observação: há apenas uma vaga para ceifador.
Na segunda parte, Nenhuma Lei Além Destas, o leitor conhece os dez mandamentos do ceifador, porém somente no decorrer do livro é que se aprofundará em cada um deles. O aprendizado de Citra e Rowan começa; eles estudam muito, mais que na escola comum, assuntos como história da humanidade e da Ceifa, filosofia, química dos venenos, perspicácia mental, ciências. Treinam artes marciais e o uso de variadas armas. Além disso, é obrigatório manter um diário de aprendiz, assim como todos os ceifadores também o são. Nesse ponto da história são mostrados vários outros ceifadores, incluindo vários com métodos bem diferentes dos utilizados pelo mentor Faraday.
Em A Velha e a Nova Ordem, o rumo do aprendizado de Rowan e Citra muda drasticamente e é neste ponto que o livro fica excelente! As diferenças entre os ceifadores são mais profundas do que aparentam e isso interfere diariamente no rumo da humanidade, mesmo que as pessoas comuns não saibam. Citra e Rowan, que ainda não são ceifadores, porém não pertencem mais à sociedade comum, mergulham cada vez mais nos mundos da velha e da nova ordem da Ceifa - onde nunca há interferência da Nimbo-Cúmulo. Quando o livro chega à quarta parte, Fugitiva Midamericana, o suspense e a ação aumentam com inúmeras reviravoltas que permanecem até o final. A última parte, A Escolha da Ceifa é impressionante e angustiante.

Algumas cenas são meio Black Mirror (série Netflix).

O Ceifador é o primeiro volume da trilogia Scythe, porém possui um enredo fechado; deixa o gancho para o segundo volume, causando enorme curiosidade, mas traz sentido e respostas ao término do arco. Pode ser lido sem a pressão de ter que esperar pelo volume dois, mas deixo o aviso: O Ceifador é tão viciante que será difícil não querer a sequência!
Foi publicado em inglês no final do ano passado e a Editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras, o lançou no Brasil em abril de 2017. Recebi a prova antecipada do livro e adorei a leitura! Há um tempo não encontrava uma distopia ao mesmo tempo tão empolgante e tão repleta de reflexões sobre ética e moralidade - especialmente sobre vida e morte. Mais que uma distopia juvenil tradicional, O Ceifador vai além e questiona sobre como um mundo utópico pode verdadeiramente ser perfeito para todos os indivíduos. Será possível?
Os protagonistas são muito carismáticos e as personagens secundárias não são tão secundárias assim, pois são muito importantes para o desenvolvimento.
A obra é literatura Young Adult (Jovem Adulto) fantástica, apresenta ficção científica bem leve e suspense em formato thriller. Embora exista um interesse amoroso, o livro não tem o romance como foco. Quem não gosta de triângulos amorosos e romances que roubam a cena em distopias não precisa se preocupar. A trama apresenta muitos conflitos e quebra-cabeças simples mas interessantes.
O que mais apreciei, além da temática e dos problemas da imortalidade, foi o equilíbrio entre ação e reflexão.

Mais motivos para ler O Ceifador:
- Direitos de adaptação comprados pela Universal Studios;
- Onze semanas na lista de mais vendidos do New York Times;
- Menção honrosa do Printz Award, a mais importante premiação da literatura juvenil dos Estados Unidos;
- Um dos dez melhores livros juvenis de 2016 pela American Library Association.
- Os primeiros capítulos foram disponibilizados pela Seguinte no Wattpad, clique aqui e confira!

* A leitura foi um exemplar de prova do livro, ainda em fase de revisão. Esta postagem será atualizada com fotos do exemplar final assim que recebê-lo.

O autor:
Neal Shusterman é autor de vários romances premiados, roteiros para filmes e para animações de TV. Nascido e criado no Brooklyn, em Nova York, atualmente mora no sul da Califórnia. Em 2017, O ceifador foi escolhido livro de honra do Michael L. Printz Award, o principal prêmio de literatura jovem adulta dos Estados Unidos.
Site | Twitter | Facebook



Nenhum comentário

Os comentários são moderados, portanto, aguarde aprovação.
Comentários considerados spams, agressivos ou preconceituosos não serão publicados, assim como os que contenham pirataria.
Caso tenha um blog, retribuirei seu comentário assim que possível.

Parcerias