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Resenha: A Grande Solidão de Kristin Hannah e Editora Arqueiro

A Grande Solidão (The Great Alone)
Kristin Hannah - Arqueiro
Tradução: Edmundo Barreiros
400 páginas - R$ 44,90 (impresso) ou R$ 24,99 (ebook)
Comprar na Amazon - baixar trecho do livro

Sinopse:
"Alasca, 1974. Imprevisível. Implacável. Indomável. Para uma família em crise, o último teste de sobrevivência.
Atormentado desde que voltou da Guerra do Vietnã, Ernt Allbright decide se mudar com a família para um local isolado no Alasca.
Sua esposa, Cora, é capaz de fazer qualquer coisa pelo homem que ama, inclusive segui-lo até o desconhecido. A filha de 13 anos, Leni, também quer acreditar que a nova terra trará um futuro melhor.
Num primeiro momento, o Alasca parece ser a resposta para tudo. Ali, os longos dias ensolarados e a generosidade dos habitantes locais compensam o despreparo dos Allbrights e os recursos cada vez mais escassos.
Porém, o Alasca não transforma as pessoas, ele apenas revela sua essência. E Ernt precisa enfrentar a escuridão de sua alma, ainda mais sombria que o inverno rigoroso. Em sua pequena cabana coberta de neve, com noites que duram 18 horas, Leni e a mãe percebem a terrível verdade: as ameaças do lado de fora são muito menos assustadoras que o perigo dentro de casa.
A Grande Solidão é um retrato da fragilidade e da resistência humana. Uma bela e tocante história sobre amor e perda, sobre o instinto de sobrevivência e o aspecto selvagem que habita tanto o homem quanto a natureza."

Resenha:
Kristin Hannah, autora de obras como Tempo de Regresso, O Rouxinol e As Coisas que Fazemos por Amor já vendeu mais de quinze milhões de exemplares no mundo. A Grande Solidão (The Great Alone), publicado originalmente em fevereiro de 2018, vendeu mais de duzentos mil exemplares em apenas dois meses nos Estados Unidos. A obra chegou ao Brasil pela Editora Arqueiro alguns meses depois e ganhou no mesmo ano o Goodreads Choice Awards como melhor ficção histórica, após mais de cinco milhões de leitores votarem na premiação. Foi ainda best-seller do The New York Times e destaque do Washington Post.
As obras da autora, romances contemporâneos e históricos, possuem características bem definidas, como o realismo, o protagonismo feminino e tramas envolventes e arrebatadoras repletas de amor, traição, perda e superação. O amor romântico pode estar presente, mas o foco são outros relacionamentos, especialmente entre mãe e filha, irmãs e amigas.
Sua evolução como escritora, tanto na narrativa como no desenvolvimento de enredo, é notável.
Gosto muito mais de seus trabalhos mais recentes, sendo O Rouxinol, passado na França durante a Segunda Guerra Mundial, meu preferido escrito por ela (tem resenha dele aqui). A Grande Solidão é tão magnífico que por pouco não destronou O Rouxinol no meu hanking. Talvez tenha ficado em segundo somente porque sou apaixonada por tramas passadas em guerras. Mas este é também muito interessante, onde o foco é o Alasca e a época é de 1974 até 1986, além de um epílogo de 2009.



"O inverno era algo importante. Leni aprendera isso. O frio por vir era uma questão que pairava no ar. Mesmo que você estivesse pescando em um belo dia de verão, estava pegando peixes para o inverno. Podia ser divertido, mas era um negócio sério. A sobrevivência, aparentemente, podia depender das menores coisas."

O realismo pungente e muito presente em A Grande Solidão, principalmente em relação ao cenário e costumes alasquianos, é justificado pelo fato de que os pais de Kristin, quando ela tinha 8 anos de idade, decidiram sair do sul da Califórnia com os três filhos, amigos e o cachorro para uma viagem de dezesseis semanas dentro de uma Kombi, indo parar no noroeste do Pacífico, e se fixando em Snohomish, Washington, com frequentes passeios para pescaria e aventura no Alasca.
A autora se inspirou nesta própria experiência para criar a premissa de A Grande Solidão, mas, claro, colocando as personagens em situações complicadas e, em alguns momentos, com obstáculos terríveis. Prepare o coração para a leitura!
Ernt Allbright, veterano da Guerra do Vietnã, herda de um amigo uma área rural com uma velha cabana em Kaneq, vilarejo remoto no Alasca. Atormentado pelas lembranças da guerra, sofrendo de estresse pós-traumático e sem rumo na vida, ele decide assumir sua nova terra e coloca os poucos pertences, a esposa, Caroline (Cora), e a filha de 13 anos, Lenora (Leni), dentro de uma Kombi. Deixam Seattle rumo ao Alasca na primavera de 1974.
Chegando ao local, descobrem que o vilarejo é muito pequeno e simples, com estrutura primitiva, tipicamente alasquiana, sem modernidades como energia elétrica. A propriedade herdada está praticamente destruída pela falta de uso há tempos, totalmente despreparada para o violento inverno do Alasca. Mais que de reparos, a terra e a cabana precisam ser reconstruídas e os Allbrights possuem muito pouco dinheiro e nenhuma experiência e informação de como podem iniciar a nova vida. Mas os vizinhos estão muito dispostos a ajudá-los. Ninguém vive sozinho no Alasca.



"— Acredite em mim, Cora, você não tem ideia de quão longo vai ser o inverno e de como vai chegar rápido. Aqui as coisas são diferentes para os homens, muitos deles vão trabalhar naquele oleoduto novo. Você, eu, as mães, ficamos na propriedade e mantemos nossos filhos vivos e saudáveis. Nem sempre é fácil. O único jeito de fazermos isso é juntas. Ajudamos sempre que  podemos."

Leni, leitora voraz e estudiosa, se preocupa ao notar que a escola é minúscula e que são tão poucos estudantes que todos formam uma única turma escolar, com crianças e adolescentes de variadas faixas etárias. Mas Leni conhece Matthew, um simpático menino de sua idade. A família dele praticamente fundou a cidadezinha, portanto, além de conhecer todas as histórias locais e todos os moradores, ele mostra a Leni tudo de interessante e belo que o Alasca tem. Enquanto isso, Cora, muito despreparada para a nova vida, é abraçada pela comunidade feminina local, recebendo muitas dicas e apoio, aprendendo do zero a como cuidar de animais, pescar, caçar, defumar, preparar compotas, geleias, horta em estufa, coletar frutas, preparar queijo e a estocar tudo quanto é coisa, dentre outras necessidades básicas. Todos os ajudam, especialmente as mulheres. Ernt é um bom atirador e logo também está ensinando as crianças, não apenas Leni, a atirar, e preparando armadilhas de animais selvagens ou caranguejos. É uma vida dura, até mesmo Leni, após a escola, trabalha sem parar.
No início, o pai está empolgado com a nova vida, mas logo a preocupação básica que todos no Alasca têm, que são os preparativos para a sobrevivência no inverno, o consome. Conforme os dias se tornam mais curtos, escuros e frios, seus pesadelos e alucinações de guerra retornam com força, unidos a novas neuroses. Além de dizer que a qualquer momento o mundo pode acabar e eles vão enfrentar combates e disputas por sobrevivência, o inverno vai consumi-los, portanto, precisam se preparar mais que todos, mais que para o inverno, mas para algum tipo de apocalipse.
Ernt é traumatizado, deprimido, neurótico e... violento. Desde que voltou da guerra, nunca mais foi o mesmo — divertido e carinhoso. Cora tem protegido Leni da decepção e da violência, mas agora, com os três residindo em uma cabana de único cômodo, não é mais possível manter a fantasia de que são uma família feliz.


"E de repente Leni compreendeu a realidade de seu mundo, a verdade que o Alasca, com toda sua bela dureza, havia revelado. Eles estavam aprisionados pelo meio ambiente e pelas finanças, mas sobretudo pelo amor doentio e distorcido que unia seus pais."

Embora um dos temas seja a violência doméstica, a trama não abusa disso. Kristin é uma autora sensível e feminista, que sabe como desenvolver situações delicadas que muitas vezes pesam nas mãos de outros escritores. Também chama a atenção para a necessidade do tratamento psicológico para os veteranos de guerra, que infelizmente não era importante na década de 1970.
O centro é a parceria entre mãe e filha, e as formas como a filha deseja fugir do sofrimento, porém sem abandonar a mãe. A amizade, a empatia e o respeito entre elas é admirável, mesmo quando uma sabe que a outra está errada. Cora e Leni são personagens inesquecíveis e mais que mãe e filha, são amigas e, acima de tudo, aliadas. O relacionamento delas é lindo, mesmo quando discordam entre si ou estão presas a outros obstáculos. Uma nunca abandona a outra.
O apoio entre as outras personagens femininas também é algo agradável de se acompanhar. Sem a ajuda mútua, seria muito mais difícil sobreviver no Alasca. Em meio a tanta ficção com rivalidade feminina, é uma fuga maravilhosa ler uma obra assim, repleta de sororidade.
O Alasca é um cenário que não apenas se destaca, mas quase protagoniza a trama. Seu clima, suas regras e a bela e dura realidade interferem diretamente na trama e nas decisões das personagens. As descrições sobre o ambiente, o funcionamento das estações do ano e da natureza são alguns dos pontos forte do livro.
As transformações de Leni e Cora são grandes, especialmente em Leni. Pois ela vive no Alasca dos treze aos dezoito anos, época importante para o desenvolvimento humano, tornando-se uma alasquiana verdadeira, uma selvagem, uma sobrevivente. Em vários sentidos, Leni é forte, autossuficiente e, mesmo sob tanta dureza, não abandona seus sonhos. Uma protagonista fantástica e inspiradora, pela qual torci muito!


"O medo, Leni descobriu, não era o armário pequeno e escuro que ela sempre havia imaginado: paredes a apertando, um teto no qual você batia a cabeça, um chão frio ao toque.
Não.
O medo era uma mansão, um quarto depois do outro, conectados por corredores infinitos."

A narrativa é em terceira pessoa e quase sempre sob o ponto de vista de Leni, mas em alguns momentos há vislumbres das visões de outras personagens.
A edição brasileira é linda, muito semelhante à edição de O Rouxinol, com capa com letras douradas. A revisão e a diagramação são ótimas e a tradução é de Edmundo Barreiros. O exemplar físico possui orelhas e páginas amarelas. Este exemplar foi uma cortesia para resenha.
Realmente amei demais o livro, que entrou para a prateleira de preferidos e cinco estrelas. Toda a trama me cativou, mas o final me emocionou muito, foi particularmente tocante e me fez guardar um dos trechos. A leitura gerou uma das quotes mais importantes da minha vida, mas infelizmente optei por não colocar nesta resenha, pois seria spoiler.
A Grande Solidão é sobre família, amor, sororidade, superação e amadurecimento. Sobre como nenhum ser humano é uma ilha, por mais solitário que possa ser. A Grande Solidão é sobre como o ciclo da vida é inevitável e doloroso, mas, ainda assim, em como pode ser bonito. É uma história sobre o amor entre mãe e filha, em uma das formas mais lindas já vistas na ficção. É sobre como o amor pode nascer em momentos impensáveis e nos fortalecer. O livro é também um épico sobre como uma pessoa é capaz de se recriar e a se adaptar para enfrentar extremos, situações inimagináveis e obstáculos aparentemente intransponíveis. Tudo por amor.



A autora:
Kristin Hannah é autora de mais de 20 livros que já venderam mais de 15 milhões de exemplares no mundo. Ela largou a advocacia para se dedicar à sua grande paixão: escrever. Tem um filho e mora com o marido no noroeste dos Estados Unidos e no Havaí.
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Outros livros de Kristin Hannah: Tempo de Regresso, O Rouxinol, As Coisas que Fazemos por Amor, As Cores da Vida, O Caminho para Casa, Quando Você Voltar, O Lago Místico e Jardim de Inverno (disponível no Kindle Unlimited!).


Um comentário

  1. Oi Tati, pela sua resenha deu para perceber em como esse livro é tocante, primeira resenha que leio, e nunca li nada da autora, eu particularmente adorei de mais a capa em primeiro momento e depois fiquei muito tentada a ler!

    Beijos Mila

    Daily of Books Mila

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