[Resenha] A Saga do Assassino, livro 1: O Aprendiz de Assassino de Robin Hobb e Suma (Grupo Companhia das Letras)

O Aprendiz de Assassino (Assassin's Apprentice)
A Saga do Assassino (The Farseer Trilogy) - livro 1
Robin Hobb - Editora Suma / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Orlando Moreira
376 páginas - R$ 69,90 (impresso) e R$ 39,90 (ebook)
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Sinopse:
"Fitz tem seis anos de idade quando seu avô o joga aos pés de um guarda real e anuncia que a partir de então o pai deve cuidar do bastardo que produziu – e o pai de Fitz é ninguém menos que Chilvary Farseer, o príncipe herdeiro dos Seis Ducados.
Excluído pela realeza, mas importante demais para ser abandonado, Fitz é criado à sombra da corte, protegido pelo mestre dos estábulos e crescendo em meio aos criados e plebeus da Cidade de Torre do Cervo.
No entanto, um bastardo real é uma peça perigosa, e o rei Shrewd não demora a convocá-lo. Carregando no sangue a magia ancestral do Talento e uma habilidade ainda mais instintiva de se comunicar com os animais, Fitz passa a ser treinado para se tornar um assassino a serviço do rei.
Quando saqueadores selvagens começam a atacar as regiões costeiras dos Seis Ducados, Fitz recebe sua primeira missão. Embora alguns o vejam como uma ameaça, o jovem bastardo vai provar que pode ser a chave para a sobrevivência do reino."

Resenha:
O Reino dos Antigos ou Realm of the Elderlings, no original, é um universo de fantasia criado desde 1995 pela autora nascida na Califórnia, Estados Unidos, Margaret Astrid Lindholm Ogden, sob o pseudônimo Robin Hobb. O ciclo é formado até então por dezesseis livros, divididos em Trilogia A Saga do Assassino (O Aprendiz de Assassino, A Fúria do Assassino e O Assassino do Rei); Trilogia Os Mercadores de Navios-Vivos (O Navio Arcano, The Mad Ship e Ship of Destiny); The Tawny Man Trilogy (Fool's Errand, Golden Fool e Fool's Fate); The Rain Wilds Chronicles (Dragon Keeper, Dragon Haven, City os Dragons e Blood of Dragons); e Fitz and Fool Trilogy (Fool's Assassin, Fool's Quest e Assassin's Fate).
Os quatro primeiros livros foram publicados no Brasil pela LeYa Brasil, porém a saga agora está sendo repaginada com nova edição, tradução de pela Editora Suma, editora voltada para a ficção especulativa do Grupo Companhia das Letras. O primeiro livro, O Aprendiz de Assassino, relançado em setembro de 2019, chegou com novo visual, com bela capa de Claudia Espínola de Carvalho e detalhes prateados, tradução revisada de Orlando Moreira e boa revisão, mas que contém errinhos leves. Como nunca havia lido a edição anterior, não sei quais foram as mudanças feitas na tradução, mas a Suma sinaliza que antes os nomes das personagens eram traduzidos e que agora escolheu mantê-los no original. No final do livro há o glossário com as devidas traduções e informações. Além disso, no começo, tem um mapa ótimo e muito útil, enquanto o exemplar apresenta orelhas e páginas amareladas, com margens estreitas e fonte um menor que o padrão (são 376 páginas, mas é como se fossem umas 40 ou 50 a mais).
É uma saga enorme, no entanto, cada trilogia (e uma quadrilogia) pode ser lida independentemente. Há pouco tempo descobri a existência das obras de Robin Hobb e fiquei muito interessada, mas vi que a Suma as relançaria, então esperei.
A saga é indicada por ninguém menos que George R.R. Martin, de Game of Thrones / As Crônicas de Gelo e Fogo, que também é atualmente publicado pela Suma: "Exatamente como um livro de fantasia deve ser. A obra de Hobb é um diamante em meio a falsos brilhantes."


Um dos destaques é a prosa da autora. Fiquei maravilhada com muitos trechos e descrições. Nem todos costumam gostar de detalhes que podem deixar a leitura maçante, porém isto não ocorre no livro. Para mim foi o oposto, apreciei bastante e ficava cada vez mais curiosa.
O livro é narrado em primeira pessoa, pelo protagonista Fitz. Ele desenterra suas memórias mais antigas e retorna para o primeiro evento que se lembra de sua vida: aos seis anos de idade é levado pelo avô materno até o castelo da Cidade de Torre do Cervo e lá abandonado. Fitz é filho bastardo do príncipe herdeiro dos Seis Ducados, Chivalvy Farseer, filho mais velho do atual rei Shrewd. A família real não sabe o que fazer com o menino, visto que o casamento de Chivalvy com lady Patience nunca gerou nenhum descendente. Atrás da sucessão do trono estão Verity, também filho da primeira esposa do rei Shrewd, e Regal, filho do segundo casamento real e mais jovem.
Fitz não se lembra da mãe e desconhece o pai, portanto o menino precisa se adaptar a nova vida. Seu sangue é real, mas sua origem não é digna. Neste meio termo, Fitz é entregue aos cuidados de Burrich, o mestre dos estábulos e fiel serviçal de Chivalvy. O menino cresce em meio aos plebeus e criados e, também juntos aos cavalos e cães, aprendendo os ofícios de cuidar destes animais.
Como é apenas uma criança pequena, não tem conhecimento de sua incrível habilidade. Para ele, é natural e instintivo. Fitz possui o Talento, uma magia ancestral quase perdida e, mais ainda: possui a Manha, uma vertente do Talento, porém de comunicação e conexão com os animais. A Manha logo aflora, especialmente com o filhotinho Narigudo, cão de caça que vive nos estábulos.
Embora bastardo, o sangue é real, por isso chega um momento em que Fitz passa a ter os ensinamentos corretos para um menino nobre, como os treinamentos e aulas com a mestre das armas Hod ou o escriba Fedwren. O inesperado é a visita do rei Shrewd, exigindo fidelidade e o intimando ao treinamento secreto de assassino do rei, ministrado pelo misterioso Chade.


Muitas personagens surgem, mas não se preocupe, não é confuso. Da corte, se destacaram para mim Burrich (mestre dos estábulos), Gale (professor do Talento), Ferreirinho (um cachorrinho) e Bobo (o bobo da corte do rei). São personalidades profundas e, ao menos o núcleo coadjuvante principal é bem desenvolvido. Cada personagem possui mistérios, várias camadas e estão quase sempre em zona cinzenta, me fazendo questionar com frequência seu caráter e intenções.
O protagonista não pode confiar em outras pessoas e isso me preocupou. Me apeguei muito ao Fitz. Sua trajetória é dura, complexa e muito, muito solitária. Os animais são sua única companhia e sofri muito por isso. Das crianças com quem brincava ao seu mestre de treinamento ou o homem que o criou ou os parentes: parece que ninguém é confiável, ninguém tem carinho sincero por Fitz. Isso faz dele um aprendiz esforçado, pois anseia por um elogio. Seu treinamento é árduo, injusto e difícil. Nem sempre Fitz tem sucesso.
Ainda comentando as personagens, gostei de lady Patience (esposa de Chivalvy) e Kettricken (de outro reino), fiquei supercuriosa por Hod (mestre das armas) e esperei por mais de Molly (interesse amoroso de Fitz). No entanto, me senti frustrada com o espaço e desenvolvimento das personagens femininas. Por ser uma obra escrita por uma mulher, esperava maior importância delas na trama, mesmo com personagens principais masculinas, pois fantasia épica dificilmente dá ênfase às mulheres.


É um momento complicado para os Seis Ducados, incessantemente invadido pelos Navios Vermelhos. Os invasores roubam pouco, mas sequestram parte da população do local invadido. Usam uma espécie de magia que rouba o discernimento de suas vítimas, deixando-as reféns de instintos primários, mais selvagens que muitos animais, e privando-as de raciocínio e comportamento humano. Assim são devolvidas, como "zumbis raivosos" com pouca ou nenhuma memória e personalidade. Esta magia fica conhecida como Forja, devido ao nome da primeira aldeia que sofre a invasão, e suas vítimas, os Forjados.
Com intrigas políticas e disputa por poder, incluindo por armas e defesa de guerra, e pelo trono ou influência nele, o pano de fundo é riquíssimo. Fitz possui o Talento e a Manha, embora não se sinta apto a utiliza-los, e é treinado como assassino do rei, tornando-se uma peça importante em toda a disputa. Bastardo mas único herdeiro do próximo príncipe na sucessão do rei, se torna logo um alvo de muitos na corte. E com o início de uma guerra capaz de dizimar os Seis Ducados, mesmo sob conspirações, o rei e os herdeiros precisam tomar atitudes para defender o reino. Outros reinos, portanto, precisam ser contatados. O Talento, quase deixado de lado, volta a ser essencial na proteção, tornando a busca e treinamento de novatos e o fortalecimentos dos poucos utilizadores, um item importante. Em meio a isso, numa jornada dolorosa e solitária, Fitz tenta descobrir quem verdadeiramente é e quais são seus propósitos. Missão após missão como assassino do rei, ele se preocupa com a guerra e o futuro dos Seis Ducados.
Fiquei completamente imersa no universo apresentado, fui fisgada pelo carisma do protagonista e outras personagens, me viciei nas intrigas políticas e magia da trama e me impressionei com as várias reviravoltas! Foi minha primeira leitura de 2019 e já tenho certeza de que estará na minha lista de preferências do ano, pois o livro se tornou um dos meus favoritos da vida! Como demorei tanto para ler Robin Hobb? Estou torcendo para a Suma não demorar com a sequência.
O Aprendiz de Assassino conquista e impressiona. Uma excelente introdução, uma das melhores do gênero. Leitura essencial para fãs de fantasia épica! Os próximos livros são A Fúria do Assassino e O Assassino do Rei.



A autora:
Robin Hobb é o pseudônimo de Margaret Astrid Lindholm Ogden, nascida na cidade de Berkeley, na Califórnia. De 1983 a 1992 publicou obras de fantasia contemporânea como Megan Lindholm, mas a fama a alcançou a partir de 1995 com O Aprendiz de Assassino, primeiro de uma longa e renomada saga de fantasia épica.
Atualmente, vive em Tacoma, no Washington.
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Abaixo, dicas de leitura de séries para quem gostou de O Aprendiz de Assassino. E se você já gosta de alguma das indicações, certamente vai curtir A Saga do Assassino:



Um comentário

  1. Eu amei o primeiro livro dessa trilogia, mas infelizmente não encontrei o segundo em lugar nenhum, já havia até perdido a esperança de encontrá-lo, mas agora com essa nova edição maravilhosa da Suma estou esperançoso. Eu tenho o primeiro e o terceiro livro nas edições da Leya (na minha opinião uma editora bem porca), tive a sorte de comprá-los por apenas dez reais e acabei me surpreendendo.

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