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21 de maio de 2013

Lola e o Garoto da Casa ao Lado, Stephanie Perkins, Novo Conceito

Lola e o Garoto da Casa ao Lado
A fórmula perfeita para a paixão e o humor.
Stephanie Perkins - Novo Conceito
288 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"A designer-revelação Lola Nolan não acredita em moda… ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar de o estilo de Lola ser ultrajante, ela é uma filha e amiga dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado roqueiro gostoso) até os gêmeos Bell, Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro.
Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da porta ao lado."

Links: Novo Conceito | Skoob | degustação

Resenha:
Não li o livro anterior da autora, Anna e o Beijo Francês, portanto desconhecia o seu estilo, mas sabia de seu enorme sucesso entre livros chick-lits. Esperava mais do livro. Acho que por terem elogiado tanto Anna e o Beijo Francês, eu me empolguei muito para ler Lola e o Garoto da Casa ao Lado e minhas expectativas não foram atingidas. Com certeza ele agrada ao público-alvo, pois possui todas as características de uma boa comédia romântica teen, porém sem trazer nenhuma novidade.
A capa do livro é perfeita, simplesmente adoro quando a vejo como uma imagem do livro, um retrato das personagens, do cenário. É este o caso, Lola, seu vizinho Cricket e a bela vizinhança onde residem.

A leitura é agradável e bastante divertida, conforme eu esperava. Não chega a ser engraçada, mas cumpre seu papel de entreter de forma dinâmica.
O livro é dividido em trinta e quatro capítulos rápidos.
A premissa é um tanto clichê: Adolescente enfrenta as dúvidas padrões dessa fase da vida e possui um namorado estilo bad boy, mas começa a observar com mais atenção o bom moço que foi seu amigo desde a infância. Então o que pode ser encontrado de interessante no livro, já que essa história parece batida? Lola e seus pais.

A narrativa é feita em primeira pessoa pela protagonista, uma moça de dezessete anos bastante ousada, autêntica e criativa. O ponto de vista é todo da personagem, então o leitor mergulha totalmente em seu mundo colorido, extravagante e repleto de incertezas.
Lola não se veste para mais um dia; Lola se fantasia, incorpora uma personagem através de figurinos, não roupas. São peças únicas, estilizadas, renovadas, diferentes. Cores, glitter, perucas e acessórios curiosos. Ela não repete um visual, sempre modifica suas roupas para ter uma nova imagem.
O que é legal disso é que reflete a personalidade de Lola. Não apenas seu estado de espírito, sua confiança em ser o que quiser, quando quiser, sem se importar com a opinião dos outros, mas ela mesma. Lola não sente ser ela mesma quando está vestida como... apenas ela. Sim, Lola se acostumou há tantos anos a criar fantasias que já faz parte dela. Ninguém mais estranha. Na verdade, se Lola sair sem peruca e cores, ninguém a reconhece.
É uma crise de identidade. Pode parecer divertido, engraçado e uma prova de segurança e coragem. Seria, se Lola não estivesse com tantas incertezas. É bacana ela sempre poder ser quem ela quer das formas mais exóticas possíveis, porém será ruim não conseguir ser apenas Lola? Será que Lola é uma junção de estilos? Ou será que Lola não tem seu espaço em meio às personagens dos figurinos?
Essa é a questão particular da moça: Ela pode ser a exótica, brilhosa e questionadora Lola, poderosa com suas cores e tecidos. Mas ela tem dificuldade em mostrar sua face limpa e verdadeira, seus cabelos naturais e roupas comuns. Sua busca pelo equilíbrio perfeito anda diretamente ligado às outras áreas de sua vida.

Sua vida amorosa. Lola se sente importante e rebelde não apenas nas roupas. Ela estendeu sua ousadia para seu namoro. Seu namorado tem um estilo forte e poderoso. Um roqueiro bad boy super confiante e com enorme talento no palco. Porém os pais de Lola não o aprovam. Não é por caretice ou preconceito. Longe disso, os pais da Lola são o oposto. Por mais liberais que eles sejam, são pais e se preocupam com a filha. O namorado Max possui vinte e dois anos de idade. Cinco anos é pouca diferença de idade quando se é mais velho, mas quando se é uma adolescente com dezessete anos, os pais podem se preocupar com o namorado de vinte e dois.
Será mesmo que Max está realmente apaixonado por Lola? Ou está apaixonado por uma de suas personagens, uma de suas fantasias? Max não estaria apaixonado pela Lolita criativa e colorida que o idolatra em cima dos palcos? A questão é que ele não parece conhecer (e nem tenta) a Lola por detrás das fantasias. Ele também fica confuso. Lola está confusa. Será que suas roupas escondem a verdadeira Lola até mesmo do próprio namorado?

Suas amizades. Cricket é um amigo de infância que se afastou de Lola por um tempo. O vizinho tão familiar à Lola retorna. Novamente seu velho conhecido está na janela ao lado, porém mais bonito, crescido e maduro. Não perdeu suas características, como o bom humor, compreensão e genialidade. Ele é um inventor que iniciou a faculdade de Engenharia Mecânica. Enquanto Lola faz lindas criações com tecidos, sapatos e bijuterias, Cricket projeta as mais variadas parafernálias de cientista maluco.
A amizade deles é retomada, mas ele parece estar apaixonado por Lola. Ela fica com a cabeça mais confusa. Cricket, no entanto, parece gostar da Lola verdadeira: a Lola simples, sem maquiagem, figurinos e peruca; e mesmo assim parece gostar também da Lola fantasiada das mais exóticas criações. Somente ele parece enxergar o equilíbrio em meio a tantas camadas.

As personagens principais são muito boas (Lola, Cricket, Max, os pais de Lola), mas as secundárias são fracas.
Norah aparece para causar pânico em Lola. Será possível existir um "destino genético"? Será que podemos possuir algum gene ligado ao fracasso? Lola precisa perdoar e compreender Norah.
Sua melhor amiga. Uma das mais sem graça que já encontrei em romances. Personagem totalmente descartável. Está ali apenas para observarmos que Max não gosta de estar entre adolescentes, mesmo namorando uma.
A gêmea de Cricket era também amiga de infância de Lola, porém diversos fatores, incluindo o talento que Calliope possui e sua vida profissional precoce, afastaram as meninas. Elas cresceram e um antagonismo surgiu.
Esperava mais do desentendimento implícito (ou explícito, depende do momento) entre elas. Esperava que o relacionamento entre Lola e Calliope fosse mais desenvolvido pela autora, mas tudo se resume a pouco.
Temos ainda a participação de Anna do outro livro de Stephanie (Anna e o Beijo Francês). Acredito que para quem já o lera talvez tenha sido interessante e divertido tê-la novamente, mesmo como coadjuvante. Como não li a história de Anna e seu namorado, achei essa ponta dispensável e entediante.
Logicamente a autora encaixou o casal em Lola e o Garoto da Casa ao Lado para ser o exemplo de relacionamento sadio, de namoro que dá certo. Lola sente admiração e ao mesmo tempo inveja do namoro de Anna, mesmo sem ter más intenções. Então Anna e seu namorado servem apenas para acrescentar mais dúvidas à mente de Lola: Será que o namoro com Max é bom? Não deveria ser mais semelhante ao de Anna?
E assim Lola reflete se ama de verdade Max. Ou outro.

Lola precisa descobrir quem ela realmente é, antes de pensar em namoro, seja com Max, Cricket ou qualquer outro. Lola precisa chegar ao equilíbrio de suas emoções, medos e... roupas. Sem perder a personalidade, porém de forma mais crua. Lola estaria se escondendo por detrás das roupas ou sem isso ela não consegue ser Lola? Só lendo para descobrir!
O ponto negativo principal do livro é o desfecho óbvio e previsível. Não existe surpresa. Outra falha notável é que embora o desenvolvimento e narrativa sejam divertidos, não chega a ser engraçado nem marcante.
Já analisando o lado positivo, destaco Lola, porque mesmo sendo a típica adolescente em busca do amadurecimento, é uma moça diferente e talentosa. Mesmo insegura, tenta ser corajosa. E seus pais, um casal fora do padrão comum. Sempre que eles apareciam no livro eu gostava da presença deles.
O conteúdo agradável e simples da história serve para desestressar e mostrar que cada pessoa possui seus talentos e precisa acreditar neles. É necessário ter autoestima e amor-próprio antes de investir em um relacionamento a dois.
Adquiri Anna e o Beijo Francês e espero me divertir mais com ele que com Lola e o Garoto da Casa ao Lado.

Booktrailer:


A autora:
Stephanie Perkins sempre trabalhou com livros - primeiro como vendedora, depois como bibliotecária e agora como romancista.
Adora café moca, contos de fadas, música alta, caminhadas na vizinhança, chá de jasmim e tirar sonecas à tarde. E beijar.
É autoratambém de Anna e o Beijo Francês.
Stephanie e seu marido moram nas montanhas do norte da Califórnia.

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