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30 de maio de 2013

O Espadachim de Carvão, Affonso Solano, Fantasy - Casa da Palavra

O Espadachim de Carvão
Affonso Solano - Fantasy - Casa da Palavra
Ilustração da capa: Rafael Damiani
256 páginas - Ano: 2013 - R$34,90

Sinopse:
"Filho de um dos quatro deuses de Kurgala, Adapak vive com o pai em sua ilha sagrada, afastada e adorada pelas diferentes espécies do mundo. Lá, o jovem de pele absolutamente negra e olhos brancos cresceu com todo o conhecimento divino a seu dispor, mas consciente de que nunca poderia deixar sua morada.
Ao completar dezenove anos, no entanto, isso muda.
Testemunhando a ilha ser invadida por um misterioso grupo de assassinos, Adapak se vê forçado a fugir pela vida e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez, aplicando seus conhecimentos e uma exótica técnica de combate na busca pela identidade daqueles que desejam a morte dos Deuses de Kurgala."

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Resenha:
Nem preciso comentar como essa capa é espetacular. É só ter o livro em mãos e admirá-la. O mais interessante é adentrar pelo conteúdo do livro e apreciar como a capa representa com fidelidade o enredo. Eu adoro capas que tenham fortes ligações com a história; não basta uma capa linda, tem que ter sentido. Exatamente o caso de O Espadachim de Carvão. Todo esse cenário verde esmeralda com o espadachim cor de breu na carvena é perfeito como capa. E causa também ótimo impacto visual! É uma capa comercial, mas será que o livro é bom?
A diagramação está à altura: Cada um dos dezessete capítulos e o epílogo possui, além do título sempre curioso, uma ilustração pequena - todas feitas pelo próprio autor. Esses desenhos são uma introdução ao rumo da história; funcionam como um complemento ao título. Todas as ilustrações são um símbolo, uma representação de algo importante no capítulo.
Apreciei bastante todos esses complementos ao texto, que está muito bem revisado.

Assim como outras publicações nacionais da Fantasy - Casa da Palavra, O Espadachim de Carvão é mais uma prova que os autores brasileiros escrevem literatura fantástica de qualidade e de forma universal.
Este livro traz as melhores características de uma boa história de aventura e fantasia sem a necessidade de se mostrar tipicamente brasileira.
Affonso Solano criou uma mitologia exclusiva e própria e globalizada; leitor de qualquer nacionalidade pode ler O Espadachim de Carvão e apreciar o universo único presente na saga, desde que aprecie fantasia com mundos e seres exóticos. Então afirmo que este é um ótimo livro para quem gosta de gênero fantástico, uma mistura de mitologia original à aventura exótica de um mundo no estilo Espada e Magia.
Estou gostando cada vez mais desse caminho que a Fantasy - Casa da Palavra parece estar seguindo; é claro que gosto de características brasileiras na literatura fantástica, mas não de forma forçada. Prefiro que a história seja natural e, portanto ultimamente tenho admirado autores brasileiros que se preocupam apenas em criar uma boa história, seja ela com aura de Brasil ou não.
No caso de O Espadachim de Carvão, ele é culturalmente abrangente.

Solano consegue atingir essa meta: O Espadachim de Carvão é excelente e totalmente novo. Ao explorar Kurgala me senti mergulhando em um mundo único. Existem diversas raças sapientes. São seres exóticos, bizarros, divertidos e diferentes, que deixam a leitura muito atraente.
Com o estilo clássico "Star Wars" onde circulam pelos cenários os mais esquisitos seres. Ao mesmo tempo temos a impressão de uma pitade de jogos de RPG como "Final Fantasy", com maturidade e diversividade.
O autor se preocupa em apresentar as raças de modo tranquilo, simples e bem definido, o leitor não se perde em descrições, mas também recebe material fluido e necessário para visualizar cada ser. Adorei ser capaz de imaginar cada um, sem dificuldade alguma. Foi muito prazeroso encarar tamanha pluralidade!
O mesmo ocorre com os cenários. Toda a ambientação é instigante. Passamos por florestas, cidades, ilhas, templos, cavernas. Tive facilidade em criar este mundo em minha mente, mesmo que embora presuma ter sido do meu modo, acho que essa foi a intenção do autor: Dar as ferramentas corretas para o leitor conseguir criar Kurgala do seu jeito particular, porém de forma espontânea e divertida.

Ressalto aqui minha admiração pela criatividade do autor. E tudo faz sentido, não há nada mirabolante fora do lugar. Tudo é fantástico, muitas coisas são misteriosas e curiosas, mas sempre dentro do contexto da obra.
Exemplos da criação do autor sem spoilers: Uma árvore tristonha com folhas cor de rosa, uma moça de uma espécie com pele que exala aroma de flores de cabelos arroxeados, espadas e lâminas feitas de ossos reluzentes, seres que se assemelham a morcegos gigantes sem asas que guincham para que o som mostre onde sua presa está. São tantos itens fabulosos na história, desde os mais simples e sem importância até os mais complexos e essenciais.
Até expressões ditas pelas personagens são similares, de xingamentos a demonstrações de surpresa. Achei isso engraçado porque é uma prova concreta de unanimidade popular: "Filho(a) de uma vadia", "Bosta", "Pelos Quatro que são Um" são bons exemplos. Ato simplório que ajuda a construir personalidade do povo (mesmo de raças diferentes).

A narrativa em terceira pessoa é de bom nível e dinâmica. Os capítulos se alternam entre o passado e o presente, permitindo o desenvolvimento da curiosidade no leitor e a valorização da história do protagonista.
A história se inicia com alta dose de ação e nesse requisito impressiona até última página, com as alternâncias de ideias principais.
Enquanto o presente mostra uma perseguição e mistérios infindáveis, o passado apresenta o protagonista aos poucos, com vários acontecimentos de sua infância e adolescência. O que parecem ser fatos isolados logo se encaixa nos acontecimentos do presente tão conturbado.
Essa narrativa não linear foi muito bem explorada e apresentada, porque desse modo não existe monotonia.
O autor só precisa melhorar a forma como encaixa os pensamentos do protagonista. Gostei do modo direto como isso foi realizado, porém algumas partes foram um pouco excessivas.

O ponto de vista central é focado nele, Adapak, o espadachim de carvão.
Uma personagem especial e curiosa. Conforme vamos conhecendo aos poucos seu passado, vamos criando grande afeição por ele. E nasce admiração e respeito também; no caso durante a leitura do presente, pois impressionam muito suas habilidades de espadachim, assim como a técnica e conhecimento dos Círculos coloridos - Adorei!
Adapak é ingênuo e inocente, constratando com seu lado guerreiro. Ele desconhece o mundo real, por ter vivido separadamente sob a proteção de seu pai, um dos Quatro Deuses.
Interessante ver que Adapak é um leitor viciado, com à disposição uma biblioteca com títulos diversificados: Uma série de fantasia e aventura protagonizadas por dois irmãos humanos; enciclopédias com conhecimentos de toda Kurgala; antigos livros de história e lendas...
Ele é muito culto, fala inúmeros idiomas e detém uma cultura espetacular. No entanto, não esquecemos em momento algum que ele é uma máquina mortífera. Ele não desperdiça movimentos quando precisa se defender.
Essa soma de inocência, cultura, bondade e habilidades de lutador e guerreiro fazem de Adapak um herói admirável, atraente e devido à sua aparência, origem e passado, exótico. Um protagonista que conhece tanto pelos livros e tão pouco pelo mundo afora. Um rapaz com coração puro e verdadeiro, sabedoria excepcional para a idade que possui e habilidades de luta incomparáveis.
Adapak é o grande destaque, mas as personagens secundárias são tão interessantes quanto ele.

Uma curiosidade é que cada capítulo possui abaixo da figura e título um trecho extraído de outros livros, sempre com a fonte citada. Mas o que é legal nisso? São livros lidos pelo Adapak. Um pequeno ato que o autor utilizou para deixar o mundo por ele criado mais real, fazendo o leitor se sentir dentro dele - é o fenômeno que ocorre durante todo o livro, proeza que poucos autores conseguem.
A mitologia está completa: O mundo em si, as espécies (fauna e flora), os locais, a política, as lendas, história, crenças e religiosidade. Presumo que muito mais ainda será abordado, mostrado e explorado. ao terminar o livro me sinto carente e curiosa. Preciso saber mais sobre Kurgala! Tenho a certeza que podemos esperar muita coisa positiva ainda, tanto do autor quanto de sua criação.
Minha crítica fica para a grossura do livro. Gostaria que fosse uma história amis longa. Porém estou muito empolgada em saber que é uma série e teremos mais aventuras do Adapak e do mundo Kurgala. Uma criação tão boa que poderia ser transportada para outras mídias, como histórias em quadrinhos, games, cinema ou série animada, por exemplo.
O que eu mais espero da continuação: Um destaque maior para uma personagem feminina, mais cenas com espadas, conhecer mais localidades de Kurgala e seres residentes e um pouco mais da política desses lugares.
Recomendo o livro para amantes de fantasia, aventuras e mitologias criativas. Conheça mais um exemplo de autor de literatura nacional que deixa o leitor brasileiro orgulhoso.

Arte completa:


O autor:
Affonso Solano trabalha como ilustrador e storyboarder para empresas como TV Globo, TV Record e agências de publicidade. É colunista do site Tech Tudo e co-criador do site Matando Robôs Gigantes, hoje incorporado ao grupo Jovem Nerd.
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Sorteio:
Um exemplar foi gentilmente cedido pela Fantasy - Casa da Palavra para vocês. Não vão ficar fora do sorteio, não é?
Vai de 30/05 até 20/06/2013.



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