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14 de maio de 2013

Sortilégio, Hex Hall, volume 1, Rachel Hawkins, Galera Record

Sortilégio (Hex Hall)
Série Hex Hall - livro 1
Rachel Hawkins - Galera Record
Tradução: Camila Mello
304 páginas - Ano: 2011 (2ª edição 2012)  - R$32,90

Sinopse:
"Há 3 anos, Sophie descobriu que não é uma menina como as outras. Ela é uma bruxa e, até agora, isso só lhe trouxe alguns... arranhões! Sua mãe fez tudo o que pôde para ajudar: leu o que conseguiu encontrar sobre bruxas, fadas e magia; procurando consultar o pai ausente de Sophie — um poderoso feiticeiro europeu — só quando necessário. Até que a menina atrai atenção além da conta depois de um feitiço de amor poderoso demais...
E é seu pai que define a sentença: Sophie deve ir para Hex Hall, um reformatório afastado de tudo e de todos que está sempre de portas abertas para receber qualquer “prodígio” que saia da linha — ou seja, além de bruxas como Sophie, fadas, metamorfos etc.
E a tendência de Sophie para encrencas não decepciona. Já no fim do primeiro dia, ela acumula problemas: três poderosas inimigas que mais parecem supermodelos, uma fantasma que cisma em persegui-la, uma paixonite idiota pelo feiticeiro mais charmoso da escola — e ele tem namorada, mas como Sophie poderia saber? Para piorar, sua companheira de quarto é a pessoa mais odiada do campus, e a única vampira entre os alunos... Sim, os sanguessugas não têm boa fama, e uma série de ataques a estudantes acaba fazendo da única amiga de Sophie a suspeita número um na mira do Conselho e da direção da escola.
Isso não é tudo, e Sophie precisa se preparar. Uma antiga sociedade secreta determinada a destruir todos os prodígios, inclusive e principalmente ela, parece estar mais próxima do que nunca de Hex Hall. Sophie terá de descobrir, do que sua magia é capaz e, sobretudo, suas origens e quem ela é de verdade."

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Resenha:
Com o lançamento do segundo volume da série Hex Hall, A Maldição, a Galera Record publicou uma nova edição do primeiro volume, Sortilégio. A capa anterior é bonita, mas simples, enquanto a da nova edição é fabulosa. Mantiveram as capas originais.
É inegável que as capas me atraíram. Parei para verificar a sinopse e as informações sobre a série justamente por culpa das capas. Não me arrependi.

Gostei logo da narrativa; mal comecei a leitura e já estava completamente familiarizada com a protagonista e a escrita da autora. É simples, jovial e muito dinâmica.
 Pensei que o livro seria um ótimo entretenimento para passar o tempo, uma leitura sem pretensões e leve. Adoro magia e fantasia em livros teen, portanto já imaginava que iria gostar dele, porém me apaixonei!
Eu estava mesmo certa sobre as horas agradáveis, só não pensava que o livro seria muito superior às minhas expectativas.

Vários fatores me levaram a isso. O livro começou simples e de repente percebi que o enredo foi se desenvolvendo para uma história complexa e rica em seres mágicos e conflitos.
Bruxos, vampiros, metamorfos, fantasmas, fadas e demônios não são desconhecidos do público, porém a autora conseguir dar um ar original à trama e boa renovada nesses seres.
Hecate Hall ou Hex Hall, para os íntimos, é um reformatório disfarçado de escola (ou uma escola disfarçada de reformatório?).
A proposta do local é o destaque: Jovens inumanos que não controlam sua magia, cometem deslizes (de leves à gravíssimos), são indiscretos na sociedade e colocam em risco à existência de todos os povos sobrenaturais. Então, como medida de segurança, todos esses inexperientes jovens que mostram a magia em público, não sabem como lidar com seus dons ou não possuem cuidado e discrição, são obrigados à frequentarem um reformatório-escola.
A propósito, não há possibilidade alguma em se lembrar de Hogwarts ou qualquer outra escola de magia famosa do público. Logo nas primeiras páginas a autora consegue ser autêntica.
A propriedade em si possui personalidade e é totalmente mutável. Seus mistérios estão presentes na decoração e em todo o perímetro. O lugar emana poder, assim como toda a ilha onde ele se encontra.
O responsável por decidir se um Prodígio (ser sobrenatural) deve ou não ir para algum estabelecimento assim é o mesmo que mantém as leis e regras dessa sociedade secreta e variada: o Conselho.
É fantástico ir descobrindo aos poucos como esse submundo funciona, sua história e todos os elementos ligados a cada raça.

Sophie é uma bruxa criada pela mãe humana. O pai foi embora, é um bruxo (daí vem sua magia) que mora na Europa e possui quase nenhum contato com a filha. A comunicação deles basicamente se limita a breves e superficiais cartões de aniversário e e-mails dispensáveis. A mãe é presente e se esforça ao máximo para dar uma boa educação para a filha, também como amiga, já que Sophie é solitária. No entanto, embora leia dezenas de livros sobre feitiços e bruxas, ela é incapaz de orientar o uso da magia de sua filha.
Após uma série de acidentes e confusões causados pelos poderes de Sophie e o enorme cansaço de sequenciais mudanças pelo país (as duas já moraram em 49 estados dos Estados Unidos), a mãe de Sophie assume que não está sendo a pessoa correta para ensinar a filha a ser uma bruxa - na verdade ela não sabe nada sobre isso na prática.
Sophie acarreta mais uma loucura pública por causa de feitiços que não deram certo. Dessa vez não há outra solução: Ela é obrigada a se mudar para o reformatório-escola indicado pelo Conselho, é uma ordem. Sophie está acostumada às mudanças frequentes, a ser a garota nova, diferentes casas, colegas e escolas. No entanto, agora é muito diferente: Sophie nunca conviveu com outros seres mágicos, apenas humanos comuns e o pior: Hex Hall não é uma escola completamente; é um internato, um reformatório para seres sobrenaturais descuidados e... perigosos!

O início do livro me pareceu um pouco bobo, mas rapidamente mudei de ideia. Possui um prólogo e trinta e dois capítulos de uma história que evolui muito. A autora revela aos poucos os segredos da trama, sempre mantendo a simplicidade, mas terminando quase todos os capítulos com um gancho de curiosidade e ansiedade pela continuação da história. Portanto eu não imaginava que a história fosse tomar um rumo interessante e instigante.

Sophie é uma adolescente inteligente, porém preguiçosa; desastrada, mas super poderosa. Em Hex Hall ela descobre que é uma das bruxas negras mais poderosas do mundo e recebe uma enxurrada de segedos (e desconfianças) sobre sua origem, família e poderes.
Muito sarcástica, possui uma resposta engraçada e esperta para tudo. É discreta, mas se necessário defende seu ponto de vista e mostra coragem - mesmo quando está morrendo de medo e insegura.
Para uma menina inteligente e insolente, Sophie, por outro lado é insegura e inocente. Se deixa enganar muito facilmente. Sua narrativa natural e sincera é um dos pontos fortes do livro.

Mal chega a Hex Hall e Sophie já se mete em muita confusão: Sua colega de quarto é uma vampira suspeita de assassinar à colega anterior; o trio mais popular da escola formado pelas bruxas mais lindas já se desentende com ela; o menino mais charmoso e desejado pelas meninas chama sua atenção (e parece ter olhos para ela), mas ele é o namorado da bruxa chefe daquele trio; Sophie logo se envolve em confusões, está perdida nas disciplinas e é mandada para a detenção rapidamente.
O que Sophie não imagina é que burburinhos, fofocas, paqueras e rivalidades escolares são suas menores preocupações. Suas origens vêm à tona para fazer Sophie questionar quem realmente é e seu papel como pessoa e ser mágico. É chocante!
Além disso, parece que as organizações caçadoras de Prodígios estão atrás dela e planejando uma ação inédita. Uma futura guerra está prestes a ocorrer.

Sortilégio começa despretensioso e termina de forma arrebatadora e empolgante! O tipo épico de final que deixa o leitor se perguntando pela continuação (sorte a minha que A Maldição - o volume dois - já estava em minhas mãos!).
Não se engane com a simplicidade e leveza das primeiras páginas. A história pode não ser profunda, mas é muito bem estruturada, envolvente e mágica! Mesmo sendo um livro engraçado e simples, a maldade e violência (e até morte) estão presentes.
Gostei da forma como a autora faz as personagens manipularem a magia. Senti naturalidade, como se realmente a magia fosse uma extensão do interior delas. Não é aquela coisa de raios saindo das pessoas; é muito mais profundo e enraizado.
Personagens secundárias que conquistam o leitor com naturalidade também me agradaram.

Capa da 1ª edição:


A autora:
Rachel Hawkins é professora de inglês.
Vive no Alabama e atualmente trabalha nos próximos livros da série Hex Hall.

Links: Blogue | Twitter

O segundo volume: Hex Hall 2, A Maldição (Galera Record - Resenha).

O terceiro volume (ainda inédito no Brasil): Hex Hall 3, Spell Bound.


Acaba de ser publicado (também inédito no Brasil) um spin-off da série: School Spirits.




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