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5 de junho de 2014

The 100, livro 1: Os Escolhidos, de Kass Morgan e Galera Record

The 100: Os Escolhidos (The 100)
Livro que inspirou a série homônima.
The 100 - livro 1
Kass Morgan - Galera Record
Tradução: Rodrigo de Abreu
288 páginas - Ano: 2014 - R$30,00

Sinopse:
"A nova série da CW, que no segundo semestre estreia no Brasil, na MTV, é o destaque do mês!
Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Anos depois, a população cresceu demais, e enfrenta a escassez de recursos. Cem jovens delinquentes são retirados das naves para uma perigosa missão: recolonizar a Terra, há muito deixada para trás. Ao chegarem a seu planeta de origem, os cem se deparam com um cenário selvagem, ruínas da antiga civilização. Esperavam um planeta tóxico, mas encontraram uma vida inesperada. Essa poderá ser a segunda chance deles... ou algo a mais."

Links: Galera Record | degustação | comprar | Skoob

Sorteio de 10/06/2014 até 24/06/2014.

Resenha:
Os Escolhidos é o primeiro volume da série The 100 de autoria de Kass Morgan. Mais uma nova série Young Adult de distopia é publicada, mas o que a torna diferente?
Publicado originalmente nos Estados Unidos em 2013, o livro foi adaptado para a televisão estadunidense e transmitida pela rede The CW em março de 2014. No Brasil, a promessa de exibi-la é do canal MTV. Rápido, não? E teve uma excelente audiência de estreia no país de origem, formando um grupo de fãs respeitável. Será que aqui o sucesso será grande também?
Mesmo sabendo que livro e série televisiva são formatos e versões diferentes, caso você se torne fã de um provavelmente procurará o outro.
Não assisti aos episódios de The 100, porém fiquei curiosa a respeito do sucesso da telessérie. Então resolvi ler o livro primeiro, para depois conferir a adaptação. Provavelmente são bem diferentes.
Gostei do livro, mas esperava muito mais da história pós-apocalíptica juvenil. O gênero Ficção Científica é um dos meus preferidos e quando é subclassificado como distopia, meu interesse é maior.
No entanto, a maioria dos leitores se perde com leituras Sci-Fi, principalmente em relação às densas explicações científicas, geopolíticas e históricas. Com The 100 não existe esse problema! O cenário do gênero é criado de forma branda, leve e simplificada. Quem não suporta muito bem o peso de uma leitura de Ficção Científica pode ler The 100 tranquilamente e ainda assim curtir o lado interessante e extraordinário que esse tipo de história possui.
Já leitores obcecados pelas particularidades e pormenores da Ficção Científica podem se decepcionar pela falta deles, sem, no entanto, deixar de aproveitar a trama, pois é uma boa história.

Após uma catastrófica guerra nuclear a humanidade foi quase extinta. Os sobreviventes abandonaram a Terra, pois esta se tornou um lugar inóspito, e passaram a viver no espaço. Esta transição é denominada Êxodo. A população é agora chamada de Colônia, e o governo que a rege e representa de Conselho.
A espaçonave central é restrita e existem também as pobres naves externas. A humanidade que restou é dividida em grupos sociais.
As distopias costumam ter desigualdade social como item importante. No caso de The 100 os três conjuntos populacionais são separados também fisicamente, existem três plataformas na "nave-lar": Phoenix, Arcadia e Walden. Em Phoenix vivem os indivíduos mais importantes e prósperos enquanto os mais simples e trabalhadores compõem as outras partes.
Assim fora há séculos: As mais ricas, poderosas e significativas pessoas compuseram a Colônia original. O tempo passou e a população foi novamente segmentada socialmente, mesmo que o governo disfarce a desigualdade.
As espaçonaves chegam ao limite de suportar a quantidade de moradores. Desde sempre todas as coisas são racionadas e adaptadas a vida fora da Terra, mas aos poucos, a escassez irremediável atinge a Colônia. Conforme previsto, porém antes do esperado, os humanos ficarão sem oxigênio.
E ainda não conseguiram recolonizar a Terra. É impossível saber se o planeta voltará a ser seguro e habitável para a vida humana. O Inverno Nuclear a assolou por tanto tempo que se desconhecem as consequências. A atmosfera, a água e o solo tornaram-se tóxicos? A fauna e flora sofreram mutações? O que existe agora no planeta que outrora foi o lar de incontáveis espécies? Os questionamentos e dúvidas são impensáveis.

A ordem política implementada é tão rígida quanto o risco de extinção que a humanidade ainda sofre vivendo no espaço. O controle da natalidade, por exemplo, é ferrenho e as penas aplicadas aos infratores, inclementes.
Todos os crimes são imperdoáveis. Delitos que no passado recebiam punições moderadas ou leves, agora são considerados inaceitáveis. Todo crime é tratado da mesma forma, sem importar a gravidade.
De acordo com a lei da Colônia, todo adulto é executado instantaneamente após sua condenação, enquanto menores de idade aguardam pelo rejulgamento ao completarem dezoito anos, permanecendo confinados por toda a espera. O destino do corpo é vagar pela galáxia. Sobreviver custa caro, portanto, siga as leis à risca.
Chegamos então ao ponto principal da trama. Cem adolescentes delinquentes que esperavam pela nova sentença recebem uma inesperada missão. São escolhidos para, após séculos, ser o primeiro grupo de humanos a pisar novamente em solo terráqueo. Os jovens recebem a promessa que, obtendo sucesso como cobaias nesse "experimento-exploração" (ou seja, sobrevivendo!), serão libertados e isentos dos crimes ou infrações.
A Colônia chegou ao ápice do desespero para sobreviver e envia os criminosos imaturos para testar se é possível retornar para a Terra - ou toda a humanidade será extinta permanentemente.
Como é impossível focar na centena de viajantes espaciais, a autora seleciona um grupo, em que quase todos possuem algum tipo de laço, para tecer a história.

A narrativa é em terceira pessoa e ocorre de modo não-linear, ou seja, não há a obrigação de seguir sequência cronológica. Cada um dos trinta e seis capítulos possui o nome de uma das personagens principais, informando o ponto de vista do momento. São elas: Clarke, Wells, Bellamy e Glass.
Basicamente a narrativa se divide em dois planos, sempre sob a visão de um desses Escolhidos.
O plano principal é o presente e segue uma linha direta. Começa com todos os Cem sendo levados para a plataforma de lançamento para a Terra. Lá chegam e é o ambiente do desenvolvimento da trama atual, mas paralelamente uma das personagens permanece no espaço. Manobra com nexo realizada pela autora para continuar mostrando o que acontece na Colônia. Os eventos desencadeados tanto na Terra quanto na Colônia são os itens centrais do enredo, assim como os conflitos de relacionamentos.
O segundo plano, porém tão importante quanto o primeiro, é o passado. Em forma de flashbacks a autora vai aos poucos contando a história de cada personagem e, consequentemente, da Colônia. Nesse plano composto por lembranças (com texto em outra fonte para ser diferenciado também visualmente) o leitor vai descobrindo o que cada infrator fez para merecer ser preso e como eram seus relacionamentos e vida anteriores, para compreendermos o presente.

Clarke é médica em formação e filha de cientistas, dois dos mais importantes da Colônia, que estudam os efeitos da radiação no organismo humano.
Wells é um rapaz que admira e estuda a história da humanidade e é filho do Chanceler, o homem líder do Conselho que administra e comanda a Colônia.
Bellamy é o irmão mais velho de Octavia, o que já é desconcertante, visto que não existem mais irmãos / irmãs, por causa das leis duras de controle dos nascimentos.
Glass é a menina exemplar da alta sociedade de Phoenix que ninguém jamais imaginaria ver presa e filha de uma socialite.
Todos cometeram crimes e o leitor precisa acompanhar a história para descobrir o que aconteceu e o que acontecerá! O destino da humanidade está nas mãos de jovens imaturos. E criminosos.

O eixo da história é a série de conflitos pessoais e não a ambientação científica, esta é superficial. A autora desenvolve intrigas, amizades, rixas, romance e desentendimentos entre as personagens. Encontros e desencontros na Terra ou no espaço compõem a base da trama. A veracidade das personalidades é alcançada e todas as pessoas possuem boas bases construídas que geram suas motivações.
A autora desenvolveu um fundo de Ficção Científica fraco, porém satisfatório quando o leitor visualiza e foca no drama que a humanidade vive e, também, nos dramas de cada indivíduo.
O lado romântico do livro é básico e tolerável; não é açucarado demais, porém comove na medida certa. A aventura vem na dose exata, deixando o leitor curioso e ansioso.
Resumindo, The 100: Os Escolhidos é um livro Jovem Adulto com temática distópica e ambientado na Ficção Científica. Possui como centro os conflitos interpessoais causados pelo cenário pós-apocalíptico crítico, gerando romance, drama e aventura; e alcançando equilíbrio.
É um livro recomendado para os iniciantes na Ficção Científica ou para quem gosta dos clássicos, mas procura algo mais moderno, jovem e bastante leve.
Uma história que traz mensagens de esperança e resistência. Questiona sobre o descuido da humanidade em relação ao planeta Terra sem parecer chato ou cafona. Aborda questões básicas sobre o quanto a ética resiste e é mutável quando a sobrevivência da espécie está aparentemente acima da sobrevivência do indivíduo. O que é mais importante para você: A sua sobrevivência e a de quem ama ou a de um grupo ou da humanidade?
É um livro bom, mas que poderia ser superior caso a autora mostrasse o grupo dos Cem mais chocados com a Terra a ser descoberta e compreendida e preocupados com o desespero de sobreviver ao desconhecido que preocupado com quem gosta de quem. É exatamente nesse ponto em que coloco minhas expectativas para ler a continuação: O que a Terra se tornou e o que ela será após o "retorno" da humanidade. Um "novo-velho-mundo" a ser explorado!
O próximo livro será lançado em inglês em setembro de 2014 e o título é Day 21.

A autora:
Kass Morgan é formada pela Brown University e fez mestrado na Oxford University.
Atualmente trabalha como editora e mora no Brooklyn, em Nova York.
Twitter | Biografia completa (em inglês)

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