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4 de outubro de 2014

Trilogia O Teste, volume 1: O Teste, de Joelle Charbonneau e Única Editora

O Teste (The Testing)
Trilogia O Teste - livro 1
Joelle Charbonneau - Única Editora / Editora Gente
Tradução: Santiago Nazarian
320 páginas - Ano: 2014 - R$34,90 - distopia

Sinopse:
"No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção.
Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.
Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?"

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Resenha:
A Única Editora, selo de ficção da Editora Gente, é o responsável por trazer ao Brasil a série O Teste (The Testing, 2013, Joelle Charbonneau). Frequentemente divulgado como um misto de Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2008, Suzanne Collins) e Divergente (Divergent, 2011, Veronica Roth), O Teste realmente apresenta itens já encontrados nessas (e em outras) distopias juvenis de sucesso. Não o considero uma cópia, nem chega a ser inovador, porém é um livro excelente - eu o classifico como 5 estrelas dentro do gênero e a obra agrada ao público-alvo. Na verdade, O Teste foi uma incrível leitura, uma das mais gratificantes dentre minhas mais recentes. Encontrei também muitas referências de Battle Royale (1999, Koushun Takami).
Embora prefira distopias clássicas, devido a estruturas de enredo e personagens mais variadas, também sou fã das distopias atuais. O Teste tem basicamente a mesma formação das distopias contemporâneas, mas conseguiu me empolgar tanto quanto as clássicas.

O foco é realmente a distopia, ou seja: A crítica social; a opressão da elite sobre a massa popular; a falsa sensação de segurança; a privação do indivíduo em prol da sociedade; o uso da censura e violência; a esperança por um futuro melhor; e o principal, a descoberta da opressão ferrenha do governo totalitário sobre o povo por parte de uma protagonista que busca quebrar o controle e se rebelar contra o sistema, quase sempre priorizando a proteção e salvação de entes queridos.
Nenhuma característica foi esquecida pela autora, do mesmo modo que ela mantém a narrativa própria para um livro de Ficção Científica de escrita jovem, inteligente e não complexamente politizada.
Este livro não prioriza triângulos amorosos e cenas românticas (como grande parte das distopias atuais). Mesmo dando espaço satisfatório para os relacionamentos, de todos os tipos, mesmo os amorosos. O livro não é meloso nem violento demais. O romance é discreto, natural e não incomoda a quem não busca emocionalismo desnecessário. A brutalidade e violência da história não ultrapassam o bom senso fictício, mas impressionam na medida certa, para causar reflexão.
Outro destaque importante é que O Teste é mais voltado a Ficção Científica que outras distopias da moda, mas não chega a ser cyberpunk, embora o controle de mentes, por exemplo, seja importante na trama. Mesmo assim, como os holofotes estão sobre as questões filosóficas e sociais, os itens Si-Fi são superficiais e coadjuvantes.

A capa traz ao fundo um cenário urbano pós-apocalíptico e em primeiro plano dois símbolos transpassados: Uma estrela de oito pontas dentro de um círculo e um raio por cima. Essa é a representação da participação da protagonista Malencia "Cia" Vale no Teste - Seleção realizada anualmente pela Comunidade das Nações Unificadas com o objetivo de encontrar os jovens que serão os universitários e futuros líderes na reconstrução do mundo destruído por guerras.
Após uma sequência catastrófica e exasperada de bombardeios em vários estágios de uma guerra mundial, nosso planeta se encontra em ambiente hostil a vida, tanto vegetal quanto animal. Os recursos vitais são escassos, tanto energéticos quanto hídricos. A agricultura, a pecuária e a pesca, por exemplo, são atividades árduas e incertas.
Os sobreviventes estão sob o comando do governo autoritário que controla os recursos disponíveis ao povo, impondo regras duras e sustentando a falsa impressão de sucesso e esperança. Uma das manobras é controlar o fluxo de informações e a elitização da cultura. Somente indivíduos selecionados e supervisionados podem alcançar a universidade.
Com a proposta de escolher os líderes e pensadores sob medida para o estudo superior, vida acadêmica e de pesquisa e liderança na reconstrução mundial, a Comunidade das Nações Unificadas aplica o Teste em adolescentes que passam a ser adultos após a formatura na escola. Somente os jovens que se destacam, os geniais e os que se enquadram na proposta podem ser convidados a essa tentativa. Para muitos representa um sonho de realização pessoal, de ter a chance de ser um dos reconstrutores do novo mundo, um dos responsáveis pela concretização da utópica cura do planeta Terra.
Porém, nenhum formando pode se recusar a participar do Teste, que guarda segredos obscuros e terrores por detrás de sua aplicação. Caso escolhido, o jovem é obrigado a participar.
Com longa duração, as etapas do Teste são enfrentadas pelas personagens, quando descobrimos como rapidamente sonhos tornam-se pesadelos.

O livro é dividido em 22 capítulos e a narrativa é em primeira pessoa. O ponto de vista é unicamente da narradora e essencial para a trama.
A autora utilizou positivamente manobras de narração típicas de thrillers na composição. O suspense é mantido em todo o desenvolvimento do enredo (principalmente após o início do Teste) e há o equilíbrio entre a ação psicológica e física. Perseguições, luta pela sobrevivência, muito mistério e um clímax extraordinário recheiam as páginas da obra, transformando as provas enfrentadas pela protagonista em uma missão impossível, trágica e intimidante. A cada capítulo lido, minha vontade em prosseguir crescia.
Cia, a protagonista, é nobre, habilidosa, inteligente e apaixonada pela chance de poder fazer parte da equipe que viverá em prol da melhoria do mundo e das condições de vida das pessoas. Ao enfrentar as sucessivas etapas do Teste, a jovem descobre aos poucos que ser aprovada significa mergulhar em uma rede perigosa de intrigas; é estar cada vez mais presa a esta rede mortífera. Ser aprovada e apta para ingressar na universidade passa a ser a menor das preocupações, pois a prioridade é, simplesmente, se manter viva. E a todos que ama, custe o que custar.
A cada prova concluída, mais os participantes se expõem aos Avaliadores do Teste. As fraquezas podem ser utilizadas posteriormente como arma. A cada erro, uma penalidade. A cada acerto, uma nova prova.
Não confie em ninguém e sobreviva ao teste... Ou morra tentando!

Fui surpreendida, mesmo já possuindo altas expectativas. A autora me manteve empolgada e seu estilo me conquistou, principalmente sua habilidade em descrições e a criatividade dos obstáculos.
A evolução presente é o ponto mais forte do livro: A narrativa se expande, o funcionamento do mundo criado se desenvolve naturalmente e suas personagens, especialmente a protagonista, crescem, mudam e sofrem com os acontecimentos de forma convincente.
O final é gratificante, vertiginoso e um convite a continuar a leitura da série.
Considero O Teste uma das melhores (talvez a melhor) distopias literárias da atualidade. Ao menos nesse primeiro volume, onde tanta coisa acontece, que me pergunto o quanto de ação e choque o leitor pode vir a ter nos dois livros seguintes. Espero não me decepcionar!
A continuação, Estudo Independente, já foi publicada no país. O terceiro volume, A Formatura, tem previsão de lançamento para outubro de 2014. Parabéns a editora por trazer os três livros no mesmo ano.
Os direitos da saga foram adquiridos para o cinema pela Paramount!

Volumes seguintes:



A autora:
Joelle Charbonneau começou a narrar histórias através da ópera, mas hoje ela encontra a voz através da escrita. Ela vive em Chicago com seu marido e seu filho. A autora foi considerada uma das mais importantes descobertas de 2013 e a trilogia O Teste entrou para a lista de best-sellers nos Estados Unidos. Os direitos dos livros foram adquiridos para cinema pela Paramount. Ainda, a obra foi escolhida a mais importante leitura de verão pela Indie Next 2013 Summer YA Pick e uma das dez na lista Top 10 Young Adult Books for Summer, do jornal USA Today.

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