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12 de janeiro de 2015

Perdido em Marte, de Andy Weir e Editora Arqueiro

Perdido em Marte (The Martian)
Andy Weir - Editora Arqueiro
Tradução: Marcello Lino
336 páginas - Ano: 2014 - R$39,90
+ informações | Comprar: impresso - e-Book

Sinopse:
"Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente, será a primeira a morrer no planeta vermelho.
Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente.
Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. E, mesmo que conseguisse se comunicar, seus mantimentos terminariam anos antes da chegada de um possível resgate.
Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico – e um senso de humor inabalável –, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.
Para isso, será o primeiro homem a plantar batatas em Marte e, usando uma genial mistura de cálculos e fita adesiva, vai elaborar um plano para entrar em contato com a Nasa e, quem sabe, sair vivo de lá.
Com um forte embasamento científico real e moderno, Perdido em Marte é um suspense memorável e divertido, impulsionado por uma trama que não para de surpreender o leitor."

Resenha:

Em 2011 The Martian foi publicado em inglês pelo próprio Andy Weir, sendo em seguida lançado por uma editora. Este é o primeiro livro do autor e chegou ao Brasil pela Editora Arqueiro sob o título Perdido em Marte.
Uma adaptação cinematográfica está em andamento pela 20th Century Fox, com o ator Matt Damon interpretando o protagonista Mark Watney e com Ridley Scott na direção.
Perdido em Marte é uma das melhores obras de Ficção Científica da atualidade e possui um potencial enorme para gerar um filme incrível e agradar a todo o público que gosta de aventuras espaciais com ação (psicológica e física) e comédia inteligente. Na verdade, o livro parece ter sido feito especialmente para gerar uma superprodução hollywoodiana. Enquanto eu o lia, criava várias cenas fantásticas e engraçadas e não parava de imaginar como seria perfeito na telona!
Esta obra é incomum e perfeita para os fãs de Ficção Científica: Está mais para científica que para ficção, porque o autor é muito detalhista nas explicações lógicas. Claro, a premissa é extremamente especulativa, pois um astronauta está sozinho em Marte, mas o embasamento científico (seja físico, químico, biológico, tecnológico, matemático, etc...) é perfeito. Tão perfeito que eu parava para pesquisar algumas coisas e não encontrava nenhum erro. Sou leiga e, portanto, fácil de ser convencida, mas me senti tão compenetrada na ciência presente que nem parecia ficção.
E o tom irônico, satírico e divertido da narrativa traz a leveza necessária para o leitor não se entediar. Na verdade, Andy Weir alcançou a proeza (para mim inédita) de equilibrar diversão, leveza e Alta Ficção Científica.

Inicialmente a premissa de homem sozinho desesperado para sobreviver, me lembrou de três filmes: Náufrago (Cast Away, 2001), Apollo 13 (1995), ambos estrelados por Tom Hanks e Gravidade (Gravity, 2013), protagonizado por Sandra Bullock. Em Náufrago, um funcionário de uma grande empresa de entregas sofre um acidente aéreo e vai parar em uma ilha desabitada no meio do Pacífico Sul. Em Apollo 13, baseado em acontecimento verídico, a equipe do Projeto Apollo sofre uma explosão no módulo de serviço e é impedida de prosseguir com a missão lunar, tendo de retornar à Terra. Gravidade tem premissa semelhante, onde uma equipe de astronautas faz reparos em um telescópio espacial quando é atingida por detritos de um satélite desativado abatido. Uma das integrantes fica sozinha no espaço, tentando retornar. Mas Perdido em Marte possui um tom narrativo único, totalmente viciante!
O astronauta da NASA Mark Watney, engenheiro mecânico e botânico, é dado como morto em missão após uma tempestade de areia marciana atingir a equipe da missão Ares 3. Abandonado em Marte, sozinho e sem comunicação com a Terra ou os demais tripulantes da Hermes, Mark precisa sobreviver utilizando apenas suas habilidades e o escasso material ao seu alcance. Está planejado que a Ares 4 pousará em Marte e Mark quer sobreviver até lá, para ser resgatado.
No entanto, uma série de questões quase impossíveis de ser resolvidas o atormenta: O prazo para Ares 4 chegar em Marte é de 4 anos, e os suprimentos vitalícios de Mark, até lá, terão acabado. E ele se encontra a mais de 3 mil quilômetros de distância do futuro pouso da Ares 4 e não possui um veículo próprio para a viagem. Como sobreviver? Como chegar até o local?
Plantando batatas, transformando o hidrogênio em água e realizando as mais inusitadas e incríveis gambiarras para sobreviver e se deslocar até Schiaparelli (o livro tem um simples e esclarecedor mapa de Marte). Tudo isso, claro, sem perder o bom humor!

Arte feita por Artem Rhads Cheboha. Fonte: Facebook de Andy Weir.
A base da história é dramática e eu nem preciso explicar o porquê, não é? Estar sozinho e perdido em outro planeta, sem apoio, comunicação e estrutura necessária... Mas Andy Weir transforma o drama em uma situação engraçada, com um texto ricamente irônico e de humor inteligente. O leitor sente o desespero, mas não para de rir das piadas do protagonista. Sério, não conseguia parar de me divertir. Eu torcia por Mark, mas, simultaneamente, ria de suas observações.
A narrativa possui estrutura planejada de acordo com o ponto de vista. Mark registra em um diário todos os acontecimentos e tentativas para que futuramente saibam exatamente o que aconteceu com ele; que pode ser o primeiro homem a morrer em Marte e deseja que todos saibam que não foi naquela tempestade de areia. Então, em primeira pessoa, o leitor tem um diário interessante, porque o astronauta segue padrões, mas o prepara de modo informal, com direito a piadas, palavrões e confissões. Ele descreve tudo criteriosamente, mas de forma irreverente, e ao alcance de qualquer leigo, como se fosse possível transmitir o diário para qualquer pessoa acompanhar sua luta em Marte.
Há também o narrador em terceira pessoa. Este narra os fatos com neutralidade e imparcialidade, principalmente as cenas fora de Marte (na Terra e na Hermes). Pois o livro não mostra apenas o que ocorre com Mark. Mostra também a tripulação que foi obrigada a abandoná-lo, a NASA e suas providências e a reação do público sobre a notícia. Portanto, o ponto principal é Mark em Marte, mas a trama não apresenta apenas isso.
Em alguns momentos, temos acesso aos dois focos narrativos, do Mark e do narrador de fora. Serve para explicar coisas que Mark não sabe ou não participa, incrementando a história. Em certos momentos, o leitor tem a mesma cena mostrada pelos dois ângulos, um complementando o outro e deixando tudo muito divertido. A alternância variada existe e faz a narrativa mais movimentada.
O livro traz várias personagens, não apenas a tripulação da Hermes, mas pessoas na Terra, particularmente, na NASA.

O autor é filho de um físico e possui conhecimento profundo em Ciência da Computação (há um pouco da área no livro, incluindo Linguagens da Programação.). Ao escrever seu livro, pesquisou muito a tecnologia atual para deixá-lo o mais realista possível. Estudou mecânica orbital e voos espaciais tripulados, por exemplo. Portanto, é um livro de Ficção Científica e possui incontáveis explicações. Mas o lado cômico e divertido da narrativa, unido a um protagonista bastante simpático e carismático, deixa a leitura animada e leve.
Os fãs de Ficção Científica precisam conhecer este livro inovador, que apresenta todos os itens interessantes do gênero. É crível, realista, convivente e muito, muito engraçado (e nerd).
Já os leitores que se interessam por FC, mas se sentem entediados com as explicações tradicionais, talvez seja uma boa ideia experimentarem Perdido em Marte. Sim, as temidas explicações estão todas lá, mas contadas de forma diferente, compreensível e divertida (portanto, interessante) como nunca tinha visto.
O livro passa algumas mensagens, sobre como o ser humano nem sempre auxiliar ao próximo no cotidiano; mas que quando uma catástrofe acontece, se mobiliza e faz o que for possível para ajudar. O autor também mostra a burocracia da NASA e os relacionamentos entre os profissionais mais importantes.
Terminei e fiquei morrendo de vontade de contar a história e comentar as cenas com alguém, exatamente igual como quando saio de uma exibição no cinema. Espero que o filme seja como imagino! Aconselho a leitura antes da estreia, e dá tempo, pois esta será apenas em novembro de 2015.
A formidável (e engraçada) odisseia de um astronauta isolado em Marte, que usa suas habilidades de engenheiro e botânico para tentar sobreviver e retornar para a Terra é a base de Perdido em Marte. Mesmo parecendo que o inóspito planeta conspira contra seus planos, Mark não desiste, bancando o construtor civil, fazendeiro, caminhoneiro e o que mais lhe for exigido. Entre piadas e improvisos, será que ele consegue?

O autor:
Andy Weir foi contratado como programador de um laboratório aos 15 anos e desde então trabalha como engenheiro de softwares. Sempre foi um nerd em relação ao espaço e amante de assuntos como física relativista, mecânica orbital e a história de voos espaciais tripulados.
Perdido em Marte é seu primeiro livro e ganhará adaptação para o cinema estrelada por Matt Damon e dirigida por Ridley Scott.
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