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23 de abril de 2017

Scythe, livro 1: O Ceifador, de Neal Shusterman e Seguinte (Grupo Companhia das Letras)

O Ceifador (Scythe)
Trilogia Scythe - livro 1
Neal Shusterman - Seguinte / Grupo Companhia das Letras
Tradução: Guilherme Miranda
448 páginas - 2017 - R$ 39,90 (impresso) e R$ 27,90, (e-Book)
Lançamento: 17 de abril.
Comprar: Amazon | SaraivaSubmarino
SORTEIO! (de 25/04 a 23/05)

Sinopse:
"Primeiro mandamento: matarás.
A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco."

Resenha:

Imagine um futuro onde a humanidade, o meio-ambiente e a tecnologia estão perfeitamente em equilíbrio e harmonia. A escassez de alimentos e energia não assombra mais, e as doenças, a fome, os homicídios e a desigualdade social foram eliminados. Em um mundo aparentemente perfeito, alcançamos a imortalidade. Ninguém fica doente e em caso de qualquer acidente, o corpo é revivido sem dificuldades. Além disso, a aparência pode ser constantemente rejuvenescida conforme a vontade do indivíduo. Tudo graças ao inimaginável avanço da tecnologia, responsável por cuidar do funcionamento do planeta e da sociedade. Ela criou consciência e passou a ser a governante perfeita e incorruptível dessa utopia: a Nimbo-Cúmulo. Com ela, vencemos não somente a morte, mas também os governos e a política; a Nimbo-Cúmulo sabe de tudo e calcula sempre as melhores soluções para qualquer problema, cuidando de todos, preservando o planeta e a humanidade, ajudando qualquer um com suas dúvidas. Ela criou o Código Mundial e, desde então, ninguém sofre dos males da Era da Mortalidade.
"2042. É um ano que todo estudante decorou. Foi o ano em que a capacidade computacional se tornou infinita - ou tão perto disso que não podia mais ser medida. Foi o ano em que descobrimos... tudo. A "nuvem" evoluiu para a "Nimbo-Cúmulo"."
Em um mundo onde ninguém mais morre, o crescimento populacional continua e, por mais que tenhamos uma consciência onipresente e poderosa que nos lidera sem jamais errar, o mundo é limitado fisicamente e algumas pessoas precisam morrer. Esse é o único assunto referente à humanidade em que a Nimbo-Cúmulo não interfere e não possui autoridade. A responsabilidade de se retirar uma vida é exclusivamente humana, pois é um ato que envolve moral e ética. Assim surgiu a Ceifa.
Agora imagine a personificação da morte: ela coleta almas vestindo um enorme e suntuoso manto que esconde sua imagem. Por debaixo do tecido, armas mortíferas, ferramentas para matar. Ninguém pode ou deve interferir. É a imagem de um ceifador.
Os ceifadores são humanos encarregados de escolher e executar mortes irreversíveis. Eles obedecem a uma própria hierarquia e leis exclusivas, mas seus métodos de trabalho variam muito e suas consciências enfrentam questões humanas e éticas enormes, acompanhadas por angústia, culpa, responsabilidade e solidão. A Nimbo-Cúmulo é perfeita, mas e a humanidade? E a Ceifa?


O mundo de um ceifador está muito próximo do poder, do prestígio e da fama. Temíveis, eles são amados e odiados pelos demais indivíduos. Regalias são oferecidas aos ceifadores, ou, quando necessário, eles podem tomá-las a força. A imoralidade e a corrupção também podem fazer parte do cotidiano de um ceifador, visto que ele pode conceder imunidade de um ano a qualquer um. Será que todos os ceifadores distribuem imunidade apenas aos dignos? E como medir a dignidade? Como são os parâmetros dos ceifadores ao selecionarem as pessoas a serem coletadas?
Os ceifadores divergem em métodos e pensamentos, porém precisam trabalhar em concordância. Eles se reúnem em Conclaves para relembrar a ética de sua função e a importância de seu dever, homenagear os coletados, debater sobre suas leis, metas e normas, escolher armas e ordenar novos ceifadores. Impor limites. Os protagonistas, uma moça e um rapaz, são aprendizes de um ceifador.
Citra Terranova  e Rowan Damisch estão no Ensino Médio quando são abordados pelo enigmático ceifador Faraday, que os recruta como aprendizes. Através de dois adolescentes comuns o leitor é apresentado ao mundo pouco conhecido dos ceifadores.
"Esqueçam tudo o que vocês pensam sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora."
A narrativa é muito abrangente. Os quarenta capítulos são narrados em terceira pessoa, em variados pontos de vista, incluindo protagonistas, personagens secundários e até mesmo figurantes. Assim é possível observar como uma mesma ideia pode ter interpretações diferentes. Entre um capítulo e outro existem trechos dos diários de ceifadores em primeira pessoa. Complementam ainda mais a trama e trazem informações essenciais.

Os mandamentos do ceifador.
Na primeira parte do livro, Manto e Anel, os protagonistas são apresentados, se encontram, são recrutados e ingressam no treinamento, com uma observação: há apenas uma vaga para ceifador.
Na segunda parte, Nenhuma Lei Além Destas, o leitor conhece os dez mandamentos do ceifador, porém somente no decorrer do livro é que se aprofundará em cada um deles. O aprendizado de Citra e Rowan começa; eles estudam muito, mais que na escola comum, assuntos como história da humanidade e da Ceifa, filosofia, química dos venenos, perspicácia mental, ciências. Treinam artes marciais e o uso de variadas armas. Além disso, é obrigatório manter um diário de aprendiz, assim como todos os ceifadores também o são. Nesse ponto da história são mostrados vários outros ceifadores, incluindo vários com métodos bem diferentes dos utilizados pelo mentor Faraday.
Em A Velha e a Nova Ordem, o rumo do aprendizado de Rowan e Citra muda drasticamente e é neste ponto que o livro fica excelente! As diferenças entre os ceifadores são mais profundas do que aparentam e isso interfere diariamente no rumo da humanidade, mesmo que as pessoas comuns não saibam. Citra e Rowan, que ainda não são ceifadores, porém não pertencem mais à sociedade comum, mergulham cada vez mais nos mundos da velha e da nova ordem da Ceifa - onde nunca há interferência da Nimbo-Cúmulo. Quando o livro chega à quarta parte, Fugitiva Midamericana, o suspense e a ação aumentam com inúmeras reviravoltas que permanecem até o final. A última parte, A Escolha da Ceifa é impressionante e angustiante.

Algumas cenas são meio Black Mirror (série Netflix).

O Ceifador é o primeiro volume da trilogia Scythe, porém possui um enredo fechado; deixa o gancho para o segundo volume, causando enorme curiosidade, mas traz sentido e respostas ao término do arco. Pode ser lido sem a pressão de ter que esperar pelo volume dois, mas deixo o aviso: O Ceifador é tão viciante que será difícil não querer a sequência!
Foi publicado em inglês no final do ano passado e a Editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras, o lançou no Brasil em abril de 2017. Recebi a prova antecipada do livro e adorei a leitura! Há um tempo não encontrava uma distopia ao mesmo tempo tão empolgante e tão repleta de reflexões sobre ética e moralidade - especialmente sobre vida e morte. Mais que uma distopia juvenil tradicional, O Ceifador vai além e questiona sobre como um mundo utópico pode verdadeiramente ser perfeito para todos os indivíduos. Será possível?
Os protagonistas são muito carismáticos e as personagens secundárias não são tão secundárias assim, pois são muito importantes para o desenvolvimento.
A obra é literatura Young Adult (Jovem Adulto) fantástica, apresenta ficção científica bem leve e suspense em formato thriller. Embora exista um interesse amoroso, o livro não tem o romance como foco. Quem não gosta de triângulos amorosos e romances que roubam a cena em distopias não precisa se preocupar. A trama apresenta muitos conflitos e quebra-cabeças simples mas interessantes.
O que mais apreciei, além da temática e dos problemas da imortalidade, foi o equilíbrio entre ação e reflexão.

Mais motivos para ler O Ceifador:
- Direitos de adaptação comprados pela Universal Studios;
- Onze semanas na lista de mais vendidos do New York Times;
- Menção honrosa do Printz Award, a mais importante premiação da literatura juvenil dos Estados Unidos;
- Um dos dez melhores livros juvenis de 2016 pela American Library Association.
- Os primeiros capítulos foram disponibilizados pela Seguinte no Wattpad, clique aqui e confira!

* A leitura foi um exemplar de prova do livro, ainda em fase de revisão. Esta postagem será atualizada com fotos do exemplar final assim que recebê-lo.

O autor:
Neal Shusterman é autor de vários romances premiados, roteiros para filmes e para animações de TV. Nascido e criado no Brooklyn, em Nova York, atualmente mora no sul da Califórnia. Em 2017, O ceifador foi escolhido livro de honra do Michael L. Printz Award, o principal prêmio de literatura jovem adulta dos Estados Unidos.
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