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[Resenha] Origem, de Dan Brown e Arqueiro

Origem (Origin)
Robert Langdon - livro 5
Dan Brown - Arqueiro
Tradução: Alves Calado
432 páginas - 2017 - R$ 49,90 (impresso) e R$ 29,99 (eBook) - trecho - hotsite
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Sinopse:
"De onde viemos? Para onde vamos?
Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete “mudar para sempre o papel da ciência”.
O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento… algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana.
Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre.
Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch.
Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo.
Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch… e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo."

Resenha:

Dan Brown vendeu mais de 200 milhões de exemplares e foi traduzido para cinquenta e seis idiomas, se tornando o autor de suspense mais popular da atualidade. Teve três livros adaptados para o cinema com Tom Hanks como Robert Langdon, professor de simbologia e iconografia religiosa de Harvard e protagonista de cinco de seus sete livros: O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, O Símbolo Perdido, Inferno e Origem. Além dos livros protagonizados por Langdon, Brown também lançou Ponto de Impacto e Fortaleza Digital, ambos são excelentes.
A leitura de seus volumes anteriores não é obrigatória para apreciar Origem, lançado no Brasil em outubro de 2017 pela Editora Arqueiro. O protagonista é o mesmo e os livros seguem cronologia que respeita os acontecimentos anteriores, mas cada um funciona como volume independente, pois oficialmente não formam uma série. Eu li todos, começando por O Código Da Vinci e Anjos e Demônios, que me impressionaram muito na época, uma década atrás. Ponto de Impacto e Fortaleza Digital têm protagonistas femininas. Não gosto muito de O Símbolo Perdido, mas em Inferno o autor recuperou o encanto. E, agora, quando sua fórmula parecia estar desgastada, Origem empolgou tanto quanto os predecessores. O autor dedicou de três a quatro anos de pesquisa e escrita, visitou os cenários da trama e entrevistou peritos em diversas áreas.


Nem todos os leitores gostam de autores que seguem uma mesma fórmula, mas não vejo problema. Quando me agrada uma vez é quase certeza me agradar novamente. E eu gosto muito da fórmula de Brown: narrativa em terceira pessoa que transcorre em aproximadamente 24 horas e capítulos muito curtos; Langdon investiga um crime misterioso e se torna o alvo principal; recebe a ajuda de uma mulher inteligente; percorre ininterruptamente museus, igrejas, criptas e bibliotecas; decifra códigos e símbolos, envolvendo obras de arte e literárias e documentos e monumentos históricos; os temas sempre envolvem ética, ciência, religião e teorias conspiratórias; a trama sempre mistura ficção e fantasia, com várias reviravoltas, provocando curiosidade até o fim.
Acho muito divertido, e também fascinante, como o autor trabalha um fato histórico ou informação verídica para aumentar a tensão do suspense. Gosto de como ele enquadra debates éticos e científicos de forma que qualquer leigo possa compreender. Adoro como o absurdo e a fantasia são misturados à realidade. Desta vez senti menos de ação e enigmas, porém maior profundidade dos temas. Parece que Brown se fixou mais em ideias e pensamentos que em códigos e charadas. Um ponto bastante interessante em Origem é que, embora Brown utilize a mesma fórmula, ele a recicla!
Mesmo com todos os pontos tradicionais das aventuras anteriores de Langdon, Origem é diferente, começando pelas obras de arte. Pinturas, igrejas ou esculturas, mais modernas. Fogem do campo de interesse e atuação de Langdon, que é mais voltado às obras clássicas. O estilo vanguardista, orgânico e abstrato dificulta um pouco o trabalho do professor. A tecnologia também recebe muito destaque e literalmente ganha vida. A inteligência artificial  e toda a questão ética que a envolve é um dos temas centrais.
Portanto, a curiosidade dos fãs de Brown ganha fôlego e é revigorada por obras modernas, de artistas como Gaudí e Miró, levando Langdon a pensar mais sobre os enigmas.


Langdon já se aventurou por cidades como Paris, Washington, Florença e Roma. Em sua quinta aventura chega à Espanha, passando pelas cidades de Bilbao, no País Basco, Barcelona, capital da Catalunha, Madrid, capital da Espanha e Sevilha, capital da Andaluzia. Os cenários são quase tão importantes quanto as personagens, pois Langdon encara mistérios que envolvem o ambiente. É como seguir um mapa de caça-ao-tesouro perigoso, onde o tesouro são respostas que envolvem questões filosóficas e segredos que abalam a humanidade.
Cenários como: o Monastério de Montserrat, a Casa Milà (também conhecida como La Pedrera), a Basílica Sagrada Familia, o Vale dos Caídos, o Palácio Real de Madrid, a Catedral de Santa María de Sevilla e o Museu de Arte Moderna Guggenheim de Bilbao. É o ponto de partida, onde um ex-aluno e amigo de Langdon, o magnata da tecnologia e futurólogo Edmond Kirsch, prepara uma apresentação para convidados selecionados. Ele responderá duas perguntas primordiais e mudará o rumo da ciência e a base de todas as religiões: De onde viemos? Para onde vamos? Langdon é um convidado V.I.P. e só quer socializar, até que, no meio do evento, que estava sendo transmitido para milhões de telespectadores via streaming, Kirsch é assassinado. E ele não é o único a morrer: líderes religiosos que recentemente se encontraram com ele também são assassinados e, como o autor adora interligar vários mistérios com muita imprevisibilidade, eu já sabia que seria uma aventura. Senti falta do Museu Picasso, do Parque Güell e da Fundação Tàpies. Quem sabe num futuro livro do Brown?

Alguns cenários de Origem: Basílica Sagrada Familia, Casa Milà, Catedral de Santa María de Sevilla, Palácio Real de Madrid, Museu Guggenheim de Bilbao e Monastério de Montserrat.
Langdon se une a diretora do museu, Ambra Vidal, para revelar ao mundo as descobertas de Kirsch. Ela é perita onde Langdon falha, em arte moderna, trabalhou com Kirsch preparando o museu para o espetáculo e é noiva do príncipe herdeiro da Espanha, Julián. Ela acha que a Coroa pode ter envolvimento, e que sua vida também está em risco.
Há mais alguém auxiliando Langdon, porém remotamente: o secretário e braço-direito de Kirsch, que sabe de mais coisas sobre o falecido visionário que qualquer outro. Somente ele poderá transmitir a apresentação interrompida, mas para isso, precisa de informações que apenas Langdon pode descobrir. Os três formam uma equipe e, para quem estiver entediado (assim como eu) com a "parceira-sempre-bela-e-brilhante" que ajuda Langdon, prepare-se para a renovação e frescor que o secretário de Kirsch traz! Achei a interação entre ele e Langdon muito interessante e diferente, com certeza um dos melhores itens do livro. Não gostei da demora de Langdom no museu, 135 páginas, poderia ser reduzido pela metade.
Enquanto isso, o mundo tenta descobrir o que Kirsch estava prestes a revelar. Ele é o assunto mais comentado na internet e um site de teorias da conspiração se destaca por divulgar dados descobertos em tempo real através de um informante misterioso. Esses trechos servem para movimentar a história e organizar as informações para o leitor não se perder.
Quem assassinou Kirsch e os líderes religiosos? A Coroa da Espanha ou a Guarda Real ou a Igreja Católica têm envolvimento? A diretora do museu e o secretário de Kirsch são confiáveis? Quais são as revelações? Quem é o informante do site?
O livro possui várias personagens em diversos locais, contribuindo ainda mais para o suspense. Eu já imaginava as respostas principais, e as descobertas de Kirsch, que embora não sejam inéditas, são impactantes para a maioria dos leitores, porque se referem a valores universais. Independente de crença ou religião, ou sua inexistência, toda pessoa reflete sobre a origem do ser humano, da vida e do Universo, e sobre a morte e o futuro da humanidade. Por isso o mistério central é mais que interessante, é essencial.


Dan Brown, amado ou odiado, frequentemente acusado de polemizar a fé, principalmente a Igreja Católica, perdeu a mãe enquanto produzia este livro e refletiu muito sobre a morte. Como leitora, jamais pensei no autor como um "odiador de religiões"; sempre penso que a intenção dele, além de publicar livros comerciais e de apelo publicitário, é causar diálogo e reflexão sobre a questão da fé e de como as religiões são vulneráveis às falhas, por ser feitas e praticadas por humanos.
O debate principal é criacionismo versus evolução, alcançando uma teoria de equilíbrio muito boa. Será que apenas Deus tem o dom da vida? O que é a vida? Quando o homem criar uma inteligência artificial tão complexa e desenvolvida que seja capaz de gerar arte ou se emocionar, e a tomar decisões completamente sustentáveis, poderemos considerá-la um ser vivo? Origem traz ainda uma ideia positiva: a possibilidade de harmonia entre religiões e não religiosos.
Dan Brown faz uma genuína declaração de amor à Espanha e aos espanhóis, o primeiro país que o autor conheceu e onde chegou a morar quando mais jovem. Revitaliza sua fórmula de thriller com Robert Langdon mais crível, retirando-o da zona de conforto e jogando-o em meio à arte moderna. Um suspense repleto de questionamentos existenciais, com menos quebra-cabeças e mais profundidade filosófica e psicológica.
Obras do Museu Guggenheim de Bilbao: acima, Head on (Cai Guo-Qiang) e Maman (Louise Bourgeois); no centro, La Piscine (Yves Klein); abaixo, The Matter of Time (Richard Serra) e Puppy (Jeff Koons).

Escada caracol da Basílica Sagrada Família (Antoni Gaudí), gravura Ancient of Days (William Blake), litografia de Joan Miró e quadro D'où venons-nous? Que sommes-nous? Où allons-nous?  (Paul Gauguin).


Booktrailer:


O autor:
Dan Brown é o autor de suspense mais popular da atualidade, com mais de 150 milhões de livros vendidos. Seu mega-seller O Código Da Vinci já vendeu mais de 80 milhões de exemplares em todo o mundo. Ele também escreveu Anjos e Demônios, O Símbolo Perdido, Inferno, Fortaleza Digital e Ponto de Impacto.
É casado com a pintora e historiadora da arte Blythe, que colabora nas pesquisas de seus livros. Ele mora na Nova Inglaterra, nos Estados Unidos.
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