Dizem por Aí..., de Jill Mansell, Novo Conceito

Dizem Por Aí... (Rumour has it)
...que algumas pessoas guardam segredos melhores do que outras.
Jill Mansell - Novo Conceito
432 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"O namorado de Tilly Cole acaba de se mudar do flat deles com metade de suas coisas.
Sem nada para prendê-la, Tilly decide rapidamente morar mais perto de sua melhor amiga, Erin, em um vilarejo minúsculo em Cotswolds.
Lá, Tilly é contratada no mesmo momento como faz-tudo em uma empresa de design de interiores.
Para sua surpresa, a cidade pequena transborda escândalo, sexo, fofoqueiros e boatos, focados basicamente em Jack Lucas, o homem lindo de muita classe e melhor amigo de seu chefe.
Todos falam para Tilly ignorar o encanto por Jack, que ela será apenas outra em sua cama se ela se deixar levar; mas Tilly, que trabalha ao lado de Jack, enxerga uma parte carinhosa e cuidadosa dele que não é revelada à cidade. É impossível que ele seja a mesma pessoa de quem todos falam. Ou é possível? Tilly deve separar os fatos da ficção e seguir seu instinto neste divertido romance moderno."

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Resenha:
Este é um livro um pouco grosso e com uma fonte menor que o padrão da Novo Conceito e possui 57 capítulos, por isso demorei alguns dias para lê-lo. É uma história meio longa, porém boa. Repleta das mais variadas personagens. Foi uma leitura que me agradou e valeu cada hora mergulhada nela.
O livro possui toda a parte gráfica e editorial impecável. Apesar de grosso, devido ao material utilizado, não pesa.
É uma história bem moderna, devido aos assuntos abordados e diria que ao mesmo tempo em que é alto-astral e engraçada, é um livro maduro. Embora existam muitas cenas cômicas, a autora mantém o bom humor do início ao fim, mesmo nas partes tristes. Por ser Literatura Inglesa e não Estadunidense, acredito que existam características diferentes de outros chick-lits oriundos dos Estados Unidos. Não que eu seja especialista neste gênero literário, mas assisto a bastante filmes de comédias românticas.

Assim como os filmes ingleses, este livro possui um emaranhado de personagens e relacionamentos, uma teia de aranha do cotidiano que vai sendo tecida aos poucos e mostrando os mais diversos pontos de vista e deias. O humor é mais afiado e menos explícito, é mais sarcástico e adulto.
Porque a autora traz bom humor até mesmo nas partes tristes ou dramáticas. Isso não é um desrespeito com o ocorrido, apenas uma forma mais branda de tratar de determinado fato de forma mais natural.

Foi o que mais gostei do livro: desde cenas do dia-a-dia com acidentes domésticos, desencontros, confusões e má interpretação de falas, até acontecimentos mais tristes como doenças graves ou não, preconceitos, fofocas (leves ou pesadas) - tudo possui um tom de humor negro, é engraçado. Mesmo quando você pensa em como certa situação é triste, vem alguma cena engraçada, uma piada, um leve toque de humor para vermos como a vida sempre possui um lado oposto ao do sofrimento, por mais forte que a dor seja.

Existem diversos temas abordados no livro: divórcio, paixão, amor, homossexualismo, fama, luto, câncer, adolescência, amizade, traição, lealdade, desconfiança... mas o tema principal é: fofoca. Sim, o famoso "disse me disse".
Uma palavra ou frase interpretada de forma errada, e às vezes propositalmente, que se espalha e se funde com a verdade. Muitas vezes substitui a verdade.
Algumas fofocas podem ser inofensivas, fúteis e bobas, enquanto outras podem destruir vidas, relacionamentos. Outras são inventadas pela própria pessoa como fuga da realidade. Existe ainda aquela fofoca que a pessoa pensa estar espalhando pelo bem de alguém.
E além da fofoca: mentira. A mentira, contada pelos mais diversos motivos.
Então saber ou não a verdade, pensar que se sabe - traz diversão ao livro!

O livro trata também de celebridades ou subcelebridades, como uma fofoca e um tabloide da imprensa marrom (muito comuns na Inglaterra) podem detonar uma carreira ou a imagem de alguém.
Não apenas de fofoca, seja ela para o bem ou para o mal, o livro trata das falsas impressões. Taxar e rotular alguém pela aparência seja pelo estilo de vida ou pela forma de se vestir ou falar, pela casa em que vive, de onde vem, o emprego ou trabalho que exerce. Como isso pode ser perigoso, como podemos no enganar, sermos precipitados e até mesmo superficiais no julgamento ao próximo.
E tudo isso que existe no livro é real, não é? Rótulos, mentiras, fofocas, futilidade, superficialidade, julgamento precipitado. Isso acontece em qualquer local, qualquer cidade, bairro, condomínio, rua, prédio... Isso deve fazer parte do ser humano, é só observar quais são as revistas que mais vendem e as matérias mais acessadas nos grandes sites, em todo o mundo: fofocas!

A autora é muito habilidosa ao colocar isso a todo instante no livro. Você começa a pensar em determinada personagem como um tipo de pessoa e de repente, com ou sem motivos, percebemos que fomos injustos, que nos enganamos.
Que alguém pode parecer ser vil, insuportável, mas num momento de fragilidade começa a mostrar que tudo não passava de uma armadura de proteção. Que alguém pode ter a fama de já ter ficado com metade da cidade e ser excelente no sexo, mas será mesmo? E aquela pessoa que parece possuir uma máscara de tão falsa? Às vezes tudo parece uma baile de máscaras, ou melhor, à fantasia, cada um interpretando um papel perante os vizinhos. Você não sabe mais o que pensar. Será que aquela pessoa é mesmo boa? E aquela é má?
Será que ser você mesmo a todo instante sem se preocupar com o que pensam ou dizem de você pode ser seguro?

E conforme vamos nos aprofundando na história de vida e personalidade de cada pessoa envolvida na cidade do interior, começamos a perceber que existe muito mais complexidade por detrás do enredo do que meras cenas cotidianas.
Ao iniciar a leitura e ir até a metade eu pensava para onde estava sendo levada?
Eu já estava cativada por algumas personagens, como Tilly, a protagonista que se muda de Londres para o minúsculo vilarejo de Costwolds, para uma virada radical na vida como faz-tudo de uma empresa de decoração e do proprietário da mesma; sua melhor amiga Erin, que possui um brechó e começa a se envolver num relacionamento amoroso que dá o que falar; Max, o patrão de Tilly, decorador respeitado e excepcional, mas divorciado e um dos maiores alvos de fofocas do vilarejo; Lou, a filha adolescente, adorável e esperta de Max, que parece ser a mais ponderada no meio de tantos adultos loucos e rende ótimos diálogos; Betty, a cadela de Max e Lou, que gera cenas hilárias junto à protagonista, pois Tilly precisa cuidar de Lou e Betty para Max; Stella, a mais fofoqueira, fútil e barraqueira do local, que está irada ao ser abandonada pelo marido logo quando queria um bebê, você a odeia e ama; Kaye, a ex-mulher de Max, que vive nos Estados Unidos como atriz relativamente famosa de uma série de televisão, que passa um tempo com o ex e a filha e se torna amiga de Tilly; o professor atlético da escola de Lou, que atrai todos os olhares femininos (e masculinos!), embora seja comprometido; e por último e não menos importante, o garanhão da cidade, o viúvo sedutor Jack, que não para de investir todos os seus esforços em Tilly - é o romance central do livro.

E o que esse lado romântico de Dizem por Aí... tem de diferente de outros chick-lits? Até a última página não existe aquela certeza de "felizes para sempre". Tilly e Jack são como cão e gato. Eles estão apaixonados, fortemente atraídos um pelo outro, mas os boatos, as fofocas impedem de o relacionamento acontecer.
Parece que o galã já conquistou mais que todo o vilarejo, mas sim toda e qualquer mulher da região. E todas as pessoas que aparecem ter bom senso avisam Tilly sobre isso, que desde a morte precoce do amor da vida de Jack, ele tornou-se o mais disputado e concorrido solteiro local, mas nunca iniciai um relacionamento sério; nada além de uma ou duas noites. Todos que parecem amigos de Tilly a avisam para tomar cuidado com o conquistador e não se ferir.

Tilly é muito engraçada, teimosa, possui jogo de cintura e é inteligente. Ela quer se jogar nos braços dele, mas pensa na sua reputação, afinal agora vive numa cidadezinha e não quer ter má fama. Precisa do emprego, gosta do que faz (apesar de não possuir muitas regras ou rotina), porém como resistir à tentação, ainda mais que Jack é amigo, sócio e frequentador assíduo de seu ambiente de trabalho? E lindo, perfeito!
Ela começa a perceber que seus sentimentos por ele ficam mais intensos, mesmo não tendo um caso com ele, nada além de amizade. Eles se tornam cada vez mais íntimos, e ela se esforça cada vez mais para resistir. Afinal, por mais apaixonado que ele pareça, sempre existe um novo boato de uma nova mulher saindo com ele! E Tilly se descabela! E Jack não quer nem gosta de comentar sobre esse assunto, deixando Tilly mais insegura.
Ela vive em dúvida e começa a se meter nas fofocas, o que faz a história ser muito engraçada, ela querendo se aprofundar na história de Jack, nas suas conquistas amorosas... é cômico!

É muito difícil resenhar este livro sem soltar spoilers, portanto recomendo-o como uma incrível diversão, para quem gosta de ler sobre a vida de pessoas diferentes, mas todas interligadas, já que é um vilarejo de interior.
Uma protagonista bem estruturada, personagens marcantes, até mesmo os secundários e cenas sempre com uma pitada de humor, do drama à comedia.
Um livro que não se lê de um dia para o outro, embora seja leve e divertidíssimo; que começa devagar, meio estranho até arrebatar e conquistar o leitor, de forma lenta, como os filmes ingleses costumam fazer, até agradar em cheio.

Adorei a Tilly, o Max, a Lou e o Jack. Personagens inesquecíveis. Ahhh, até a Betty!
E Tilly, a estranha e a novidade dessa cidadezinha, como conseguirá conquistar a população, em meio a tantos burburinhos? Como ela conseguirá conquistar o seu lugar nessa sociedade própria? Será que ela irá mesmo se firmar num lugar tão diferente de Londres? E o monte de fofocas diárias sobre as pessoas do lugar (e sobre Jack!!), quais serão verdadeiras e quais serão falsas?
Tilly precisa descobrir, mesmo que ela não seja nem um pouco habilidosa ou sedutora como as bond girls, muito menos consegue bancar a agente secreta como o 007. Talvez ela esteja mais para uma atrapalhada versão feminina do Mr. Bean.
(Não resisti realizar trocadilhos com referências inglesas pops, seja da televisão, música, esportes, política, porque o livro contém muitas e muitas, cita até Girls Aloud e o casal Posh-Beckham! Não se preocupe, existem notas de rodapé explicando o que é o quê.)

Gostei tanto do livro que desejo ler outros dessa autora.

Booktrailer:


A autora:
Jill Mansell já vendeu mais de cinco milhões de livros ao redor do mundo.
A autora best-seller cresceu em Cotswolds e estudou na Escola William Romney em Tetbury. Depois de trabalhar no Burden Neurological Hospital em Bristol por muitos anos, em 1992, ela tornou-se uma escritora em tempo integral.
Ela mora com seu companheiro e seus filhos em Bristol.

Sorteio:
Quer ganhar o kit cedido pela Novo Conceito? O sorteio vai até o dia 06 de outubro, corra, ainda dá tempo para participar. Boa sorte!


10 comentários

  1. Eu adorei esse livro. É... acho q cheguei na conclusão q gosto de um chick-lit... mas tb não qqr um. rs

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  2. Já tem algum tempo que quero ler esse livro, justamente por ser uma leitura leve e divertida, mas vai ser angustiante esperar pelo desfecho do romance somente na última página. Adorei a resenha.

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    1. É uma angústia "gostosa", que vale a pena hehehe beijos

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  3. Adoorei a resenha, me deixou mais anciosa para ler o livro *-*

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  4. Olá, Tati ^.^

    Essa questão de múltiplas vidas, aquela que temos e aquelas que inventam por nós, é tão real, quem pode dizer que nunca ouviu histórias absurdas sobre si surgidas sabe-se lá de onde!? Amei a resenha por mostrar um lado mais cômico do livro, não consigo ficar sério ao lembrar de coisas bizarras que já inventaram sobre mim kkkkkkkkkkkkk Acho que vou rir demais com essa obra. Parabéns pela resenha!

    Beijos!

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    1. Oi!!!! Sim, é realista e cômico!! Também já passei por fofocas absurdas. Uma das maiores: Estudei num colégio dos 2 aos 15 (quase 16) anos de idade. Porém aos 15 anos, minha mãe faleceu e, embora fosse final do ano letivo da 1ª série do Ensino Médio, optei por abandonar o colégio. No ano seguinte, mudei para uma nova escola porque era muito próxima de casa, para ir e voltar a pé. Fiquei sabendo que alunos do antigo colégio, pessoas que pensei conhecer a vida toda, inventaram o boato que eu havia largado os estudos por estar grávida!! Dois amigos meus diferentes me contaram essa história, na época chorei e fiquei chocada. Com o tempo a gente cresce e aprende a ignorar certas coisas ridículas!
      Beijos.

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