Pesquise no Leitora Viciada

24 de outubro de 2012

O Começo do Adeus, de Anne Tyler, Novo Conceito

O Começo do Adeus
Aprendendo a se despedir...
Anne Tyler - Novo Conceito
Tradução: Ana Paula Corradini
208 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"Anne Tyler nos leva a um romance sábio, assustador e profundamente tocante em que descreve um homem de meia-idade, desolado pela morte de sua esposa, que tem melhorado gradualmente pelas aparições frequentes da mulher — na casa deles, na estrada, no mercado.
Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele.
Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz.
Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus."

Links: Novo ConceitoSkoob | degustação

Resenha:

A capa possui uma imagem muito bonita, mas que não possui referência alguma à história (seria Peggy?). O título dourado em relevo O Começo do Adeus é perfeito para o livro.

Apenas esse título e tema já me fez querer lê-lo logo. Minha ansiedade foi imensa. Passar pelo período de luto é um dos maiores obstáculos que alguém pode encontrar. E durante esse período percebemos que existe muito mais a ser superado que apenas a falta do ente querido. Temos de superar a nós mesmos.
Como perdi minha mãe aos quinze anos de idade e meu pai cinco anos depois, sei como é difícil se despedir.
No caso do protagonista, ele perde repentinamente a esposa e percebe que não consegue seguir em frente, embora finja que está tudo bem, que ele não precisa de ajuda. Ele é orgulhoso, pois desde que passou a ser deficiente físico não aceita a ajuda das pessoas, ele busca ser independente e respeitado, e não que sintam pena dele. Ao ficar viúvo e ter sua casa destruída completamente, ele se fecha ainda mais em seu próprio mundo, mesmo indo trabalhar todos os dias, recebendo amigos e vizinhos preocupados e uma irmã super protetora. Ele encara a ajuda de todos como uma afronta e procura sempre que seus momentos sociais sejam breves.

As lembranças e aparições da esposa falecida passam a comandar o período de luto de Aaron. Dorothy aparece nos locais momentos mais enigmáticos e suas conversas são mais estranhas ainda.
Seria o espírito de Dorothy ajudando o sofrido Aaron a dizer "adeus" a ela? Seria a mente de Aaron criando um mecanismo de se despedir  da falecida Dorothy?

A narrativa é feita por Aaron, que retorna ao passado para nos contar como a esposa morreu, mas também nos conta diversos outros momentos de sua vida: sua infância, adolescência, faculdade, trabalho, como conheceu a médica Dorothy e como era ser casado com ela.
Um casal fora dos padrões românticos. Nenhum dos dois é perfeito. A autora não nos apresenta um casal de lindos modelos, sedutores e encantadores. Ele é um deficiente físico muito alto e desajeitado, orgulhoso, simples e um pouco mau humorado. Trabalha numa editora pequena da família e as publicações são entediantes. Ela é direta, fria, desorganizada, pouco vaidosa e muito metódica com seu trabalho. É médica, pouco feminina, mas muito inteligente. Mas os dois se amam e possuem uma vida modesta e feliz, embora desentendimentos bobos sejam comuns.
Aaron a perde, vê sua casa desmoronar literalmente juntamente com sua vida.

A narrativa se alterna entre o passado e o presente e aos poucos vamos conhecendo e compreendendo os sentimentos e ideias de Aaron, assim como percebemos que ele merece superar tudo e tentar ser feliz.
Ao contar sua vida e seu casamento para o leitor, as reflexões sobre seus erros e falta de atenção a certas coisas vêm à tona. Aaron não precisa superar apenas a perda da esposa; ele precisa superar os obstáculos criados por ele mesmo.

A estrutura do texto está dividida em nove capítulos e a escrita da autora, embora seja sensível e direta é bastante simples e enfatiza o cotidiano. A leitura é leve e rápida. Imagino que a total simplicidade se deva ao fato do narrador Aaron ser um homem extremamente simples e sincero.
Apesar de ser uma triste história o livro possui sarcasmo e diversão. Muitas cenas carregam um humor negro, ou até mesmo fatos divertidos. Parece uma história real, mesmo com a esposa falecida aparecendo para o viúvo.
A história não é profundamente depressiva, apesar da dúvida, medo e luto do protagonista de seguir em frente.

Confesso que devido ao tema, esperava mais do livro. Gostei do fato do casal ser bem normal e comum, e não um casal saído de capa de revista com uma história fantástica.
Porém ficou faltando alguma coisa no livro, porque embora seja uma história muito bonita de superação, a escrita da história e o conjunto da obra não me causou emoção como eu imaginara.

Um bom livro sensível, com uma leve melancolia, boas personagens, tema humano e forte - mas a escrita da autora não me cativou e impactou como achei que deveria. Achei tudo muito previsível, sem surpresa alguma, sem ousadia.
O livro não me marcou, apesar de eu ter gostado muito do protagonista. Gostei também das personagens caricatas, tanto os vizinhos, quanto os colegas de trabalho de Aaron. Sua irmã e seu relacionamento com ela também são peculiares e até o empreiteiro é interessante.
Todas as personagens são ao mesmo tempo muito normais, comuns, como se fosse possível encontrá-las na esquina próxima; mas ao mesmo tempo são diferentes, cheias de manias, personalidade e estilo.
O livro não é dramático em excesso nem possui algo para surpreender o leitor. É mais uma leitura de autoajuda bastante prazerosa que um livro feito para emocionar e envolver.
Cheio de personagens equilibradas entre uma linha tênue do comum com o caricato. Um assunto delicado como a perda, a saudade e o luto. Uma mensagem de superar a própria vida, erros, dúvidas e a si mesmo.
Cada um tem sua forma e seu momento de conseguir seguir em frente após perder uma pessoa de extrema importância.

Booktrailer:


A autora:
Anne Tyler nasceu em Minneapolis, Minnesota, em 1941 e cresceu em Raleigh, Carolina do Norte.
O Começo do Adeus é seu 17º romance. Um deles ganhou o prêmio Pulitzer em 1988.
Membro da Academia Americana de Artes e Instituto, ela mora em Batimore, Maryland.

Sorteio:
Quer ter a chance de ganhar o kit de Um Ano Inesquecível + o kit de O Começo do Adeus, ambos comoventes e da Novo Conceito? O sorteio é feito em parceria com o blogue Leitora Incomum e serão dois ganhadores! Clique para participar!


Instagram @leitoraviciada

Skoob

Online

Siga por e-mail