O Começo do Adeus, de Anne Tyler, Novo Conceito

O Começo do Adeus
Aprendendo a se despedir...
Anne Tyler - Novo Conceito
Tradução: Ana Paula Corradini
208 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"Anne Tyler nos leva a um romance sábio, assustador e profundamente tocante em que descreve um homem de meia-idade, desolado pela morte de sua esposa, que tem melhorado gradualmente pelas aparições frequentes da mulher — na casa deles, na estrada, no mercado.
Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele.
Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz.
Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus."

Links: Novo ConceitoSkoob | degustação

Resenha:

A capa possui uma imagem muito bonita, mas que não possui referência alguma à história (seria Peggy?). O título dourado em relevo O Começo do Adeus é perfeito para o livro.

Apenas esse título e tema já me fez querer lê-lo logo. Minha ansiedade foi imensa. Passar pelo período de luto é um dos maiores obstáculos que alguém pode encontrar. E durante esse período percebemos que existe muito mais a ser superado que apenas a falta do ente querido. Temos de superar a nós mesmos.
Como perdi minha mãe aos quinze anos de idade e meu pai cinco anos depois, sei como é difícil se despedir.
No caso do protagonista, ele perde repentinamente a esposa e percebe que não consegue seguir em frente, embora finja que está tudo bem, que ele não precisa de ajuda. Ele é orgulhoso, pois desde que passou a ser deficiente físico não aceita a ajuda das pessoas, ele busca ser independente e respeitado, e não que sintam pena dele. Ao ficar viúvo e ter sua casa destruída completamente, ele se fecha ainda mais em seu próprio mundo, mesmo indo trabalhar todos os dias, recebendo amigos e vizinhos preocupados e uma irmã super protetora. Ele encara a ajuda de todos como uma afronta e procura sempre que seus momentos sociais sejam breves.

As lembranças e aparições da esposa falecida passam a comandar o período de luto de Aaron. Dorothy aparece nos locais momentos mais enigmáticos e suas conversas são mais estranhas ainda.
Seria o espírito de Dorothy ajudando o sofrido Aaron a dizer "adeus" a ela? Seria a mente de Aaron criando um mecanismo de se despedir  da falecida Dorothy?

A narrativa é feita por Aaron, que retorna ao passado para nos contar como a esposa morreu, mas também nos conta diversos outros momentos de sua vida: sua infância, adolescência, faculdade, trabalho, como conheceu a médica Dorothy e como era ser casado com ela.
Um casal fora dos padrões românticos. Nenhum dos dois é perfeito. A autora não nos apresenta um casal de lindos modelos, sedutores e encantadores. Ele é um deficiente físico muito alto e desajeitado, orgulhoso, simples e um pouco mau humorado. Trabalha numa editora pequena da família e as publicações são entediantes. Ela é direta, fria, desorganizada, pouco vaidosa e muito metódica com seu trabalho. É médica, pouco feminina, mas muito inteligente. Mas os dois se amam e possuem uma vida modesta e feliz, embora desentendimentos bobos sejam comuns.
Aaron a perde, vê sua casa desmoronar literalmente juntamente com sua vida.

A narrativa se alterna entre o passado e o presente e aos poucos vamos conhecendo e compreendendo os sentimentos e ideias de Aaron, assim como percebemos que ele merece superar tudo e tentar ser feliz.
Ao contar sua vida e seu casamento para o leitor, as reflexões sobre seus erros e falta de atenção a certas coisas vêm à tona. Aaron não precisa superar apenas a perda da esposa; ele precisa superar os obstáculos criados por ele mesmo.

A estrutura do texto está dividida em nove capítulos e a escrita da autora, embora seja sensível e direta é bastante simples e enfatiza o cotidiano. A leitura é leve e rápida. Imagino que a total simplicidade se deva ao fato do narrador Aaron ser um homem extremamente simples e sincero.
Apesar de ser uma triste história o livro possui sarcasmo e diversão. Muitas cenas carregam um humor negro, ou até mesmo fatos divertidos. Parece uma história real, mesmo com a esposa falecida aparecendo para o viúvo.
A história não é profundamente depressiva, apesar da dúvida, medo e luto do protagonista de seguir em frente.

Confesso que devido ao tema, esperava mais do livro. Gostei do fato do casal ser bem normal e comum, e não um casal saído de capa de revista com uma história fantástica.
Porém ficou faltando alguma coisa no livro, porque embora seja uma história muito bonita de superação, a escrita da história e o conjunto da obra não me causou emoção como eu imaginara.

Um bom livro sensível, com uma leve melancolia, boas personagens, tema humano e forte - mas a escrita da autora não me cativou e impactou como achei que deveria. Achei tudo muito previsível, sem surpresa alguma, sem ousadia.
O livro não me marcou, apesar de eu ter gostado muito do protagonista. Gostei também das personagens caricatas, tanto os vizinhos, quanto os colegas de trabalho de Aaron. Sua irmã e seu relacionamento com ela também são peculiares e até o empreiteiro é interessante.
Todas as personagens são ao mesmo tempo muito normais, comuns, como se fosse possível encontrá-las na esquina próxima; mas ao mesmo tempo são diferentes, cheias de manias, personalidade e estilo.
O livro não é dramático em excesso nem possui algo para surpreender o leitor. É mais uma leitura de autoajuda bastante prazerosa que um livro feito para emocionar e envolver.
Cheio de personagens equilibradas entre uma linha tênue do comum com o caricato. Um assunto delicado como a perda, a saudade e o luto. Uma mensagem de superar a própria vida, erros, dúvidas e a si mesmo.
Cada um tem sua forma e seu momento de conseguir seguir em frente após perder uma pessoa de extrema importância.

Booktrailer:


A autora:
Anne Tyler nasceu em Minneapolis, Minnesota, em 1941 e cresceu em Raleigh, Carolina do Norte.
O Começo do Adeus é seu 17º romance. Um deles ganhou o prêmio Pulitzer em 1988.
Membro da Academia Americana de Artes e Instituto, ela mora em Batimore, Maryland.

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Um comentário

  1. Olá, Tati ^.^
    Esse é um dos livros que me aguarda na tão amada fila, já aposto que a sua resenha vai me deixar mais curioso ainda por ele, apesar de que o enredo me interessou desde que pousei os olhos nele.
    Gostei do título dourado em relevo, a capa sem brilho reforçou isso. Ser deficiente físico às vezes gera certa experiência pouco confortáveis e é até compreensível essa atitude do personagem em se afastar de que acha que demonstra pena dele. Esse "adeus" às pessoas que amamos é difícil mesmo, até quando acreditamos em algo pode ser doloroso, pois estamos tão habituados à rotina de ver a pessoa e passar por certas coisas que não conseguimos no ver em outras coisas.
    Essa narração do passado pelo personagem deve dar uma noção ainda maior do que aquele amor foi para ele e como o seu atual estado causa uma grande dor. Interessante, será que as visões seriam alucinações ou não dele? Bacana suscitar isto.
    Parabéns pela resenha, você deixou bem clara a atmosfera da obra.

    Beijos!

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