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3 de novembro de 2012

A Seleção, volume 1 da série A Seleção, de Kiera Cass, Seguinte

A Seleção (The Selection)
A Seleção - volume 1
Trinta e cinco garotas e uma coroa.
Kiera Cass - Editora Seguinte (Companhia das Letras)
Tradução: Cristian Clemente
368 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"Para trinta e cinco garotas, a Seleção é a chance de uma vida. É a oportunidade de ser alçada a um mundo de vestidos deslumbrantes e joias valiosas. De morar em um palácio, conquistar o coração do belo príncipe Maxon e um dia ser a rainha.
Para America Singer, no entanto, estar entre as Selecionadas é um pesadelo. Significa deixar para trás o rapaz que ama. Abandonar sua família e seu lar para entrar em uma disputa ferrenha por uma coroa que ela não quer. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes.
Então America conhece pessoalmente o príncipe - e percebe que a vida com que sempre sonhou talvez não seja nada comparada ao futuro que nunca tinha ousado imaginar."

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Resenha:

Desde que vi este livro como um dos primeiros lançamentos da Editora Seguinte - novo selo da Companhia das Letras voltado para o público jovem, com livros modernos - me interessei imediatamente pela sinopse e capa. Sim, capas + sinopses interessantes me atraem, mesmo que não conheça o escritor. No caso da série The Selection, uma escritora: Kiera Cass. Confiei totalmente na escolha da Companhia das Letras, que publica livros diversificados e de qualidade.

Como o blogue é parceiro da editora, recebi um kit lindo do livro. Junto a ele vieram uma coroa e um e esmalte no mesmo tom de azul da capa. A edição que recebi não é a final, das livrarias. É uma prova de teste e estava ainda em fase final de revisão e diagramação. Não possui todas as informações de catálogo, porém é um livro bonito demais para uma "amostra". Adorei meu exemplar, a capa e a diagramação de teste.
Não sei exatamente como o livro final está em aparência e qualidade gráfica. Acredito que esteja excelente, já que minha edição nem parece uma versão "pré-livraria". Portanto, não posso analisar o livro nesses requisitos. Ainda não o vi nas livrarias de minha cidade para conferir o resultado final ao vivo.

A capa mostra a protagonista America Singer com um fantástico vestido luxuoso e no meio a espelhos. É uma capa magnífica, o contraste dos tons de azul e verde com a moça ruiva no centro. O jogo de seus reflexos em vários ângulos possui um significado que vai além de uma mera capa bonita: Simboliza o conflito interior sofrido pela protagonista ao longo do livro.
Ela sempre esteve certa (ou pensava estar) sobre seu futuro e sonhos. Uma jovem de personalidade geniosa, teimosa, corajosa e forte. Uma moça simples que nunca se importou em ser da casta Cinco e ter de trabalhar e não possuir luxo. De origem humilde, mas não miserável.

Agora ela está no palácio real, em contato com um mundo totalmente oposto ao seu, conhecendo outras garotas de diferentes localidades, castas, vidas e personalidades - As Selecionadas. Ela começa a duvidar de seus desejos e planos. Começa a perceber atitudes ousadas e diferentes que não imaginava possuir.
Ela está perdida em frente a tantas versões de si própria que a representação da capa é inteligente, não apenas bela.
Ela não sabe mais exatamente se seu futuro deveria ser o que ela sempre imaginara. Talvez possa ser algo muito além de sua imaginação. Ela agora tem a chance de ser selecionada pelo Príncipe Maxon como sua futura esposa em meio a uma competição com outras trinta e quatro maravilhosas moças e ser a Rainha de Illéa!

Apesar de todas as mudanças, ela não deixa de ser ela própria desde o início. Embora não quisesse preencher o formulário e estar na Seleção, ela acaba num beco sem saída e forçada a participar. Nunca, jamais, ela imaginaria que escolheriam o formulário dela entre as jovens de todo o país.
Ela faz as malas, deixa a família - todos da casta Cinco, de artistas - e se muda provisoriamente para a moradia da realeza, o palácio real.
Seu maior segredo é Aspen, seu namorado às escondidas, porque ele é uma casta abaixo da sua, a Seis. Sua mãe jamais permitiria que ela se casasse com alguém abaixo da Cinco, mesmo sendo apenas um degrau.
E agora America entra numa competição e é exposta para todo o país como a representante de sua localidade, para brigar pelo coração do Príncipe - alguém que ela nunca viu, nem imagina como deve ser e não deseja namorar.

Muitas candidatas estão em busca de algo maior que o Príncipe. Será que ele não é o mais importante prêmio? Será o conjunto de coisas, como a Coroa em si, poder, luxo, glória e fama? Existe tanta coisa em jogo que algumas garotas serão capazes de tudo para vencerem.
Interessante como a autora explora os relacionamentos entre as concorrentes, entre elas e o Príncipe, entre elas e a realeza.
America não espera ficar muito tempo, muito menos ser uma das Selecionadas a integrar A Elite e apesar de enlouquecer com a comida farta e o luxo total do palácio, ela mantém a simplicidade e fala o pensa a quase todo o momento - inclusive sobre as gigantes desigualdades sociais entre as castas. Ela também passa a se inteirar mais sobre a política do país, ao permanecer no palácio. Ela mergulha num mundo desconhecido. Fatos antes apenas vistos pela televisão tornam-se próximos e reais: os rebeldes do norte ou do sul, que atacam Illéa e a família real. Ela percebe que o problema está muito acima de divisões de castas e diferenças socioculturais e financeiras. Existem subdivisões, pessoas abaixo da casta Oito. Pessoas que não são consideradas cidadãs. Criminosos, rebeliões e ataques terroristas. Outros países no mundo, que são aliados ou inimigos. Ela percebe que desconhecia a fundo a geopolítica e a realidade entre as nações e o governo e a população.

Toda a estrutura distópica criada pela autora é leve, no entanto interessante e fluida, apesar de não existir nenhuma inovação. A política, os ataques rebeldes, a história do mundo, que já passou pela Quarta Guerra Mundial é mostrada com simplicidade e eu gostei dessa forma encontrada pela autora para deixar o livro agradável. O fato de a distopia futurística existir é interessante, mas funciona apenas como pano de fundo e para mostrar as diferenças entre as origens e mundos das personagens, pelo menos nesse primeiro livro.

O que mais me agradou foi a protagonista e a famosa questão de com quem ela deverá ficar:
Com o charmoso e galante Príncipe Maxon, ou seja, tentar conquistá-lo, ser a futura Rainha de Illéa e tentar fazer a diferença na conturbada política atual, já que ela é uma Cinco e conhece bem o mundo das castas inferiores e pessoas pobres em geral, a vida fora dos muros da monarquia;
Ou com Aspen, o lindo e sensual rapaz que é conhecido de America desde a infância e seu namorado, porém um pobre rapaz da casta Seis. E assim ter uma vida simples e comum, mas com sua paixão. Ele possui a dolorosa insegurança se deve realmente tentar cuidar dela em meio a vida dura que ele possui - afinal praticamente sustenta sozinho a família.

As dúvidas da America são muitas. Ela possui receio de realmente fazer amizade com algumas garotas ou vê-las todas como inimigas. Em quem ela pode confiar? Se preocupa Às vezes se está passando uma boa imagem para sua família e para o país ou se corre o risco de fazer papel de idiota na televisão. Ela tem certeza de que não quer ser a futura Rainha de Illéa?
Em relação aos rapazes, será que Aspen realmente a ama e um relacionamento com ele teria futuro? America deve desconsiderar a hipótese de ser escolhida pelo Príncipe para ficar com Aspen? Ela às vezes nem sabe se Aspen ainda vai querer ficar com ela. Não sabe se o amor entre eles é verdadeiro e forte o suficiente para enfrentar os problemas cotidianos.

O Príncipe Maxon a surpreende, porque ela o imaginava como um rapaz mimado e superficial, mas descobre que a vida dele está longe de ser fácil, embora seja luxuosa, e que ele trabalha muito e é extremamente cobrado. Possui um enorme peso nas costas e não é responsável pela Seleção. Ele não pode simplesmente se apaixonar por quem quiser e sim escolher a esposa em meio a moças pré-selecionadas pela equipe do Rei.
Será que ele se apaixonará e escolherá America? Ela poderia se apaixonar por ele, já que ele é bem diferente da imagem pré-estabelecida que ela possuía? E caso ela seja a escolhida, America nem imagina se teria a força, a elegância, a paciência e a inteligência para ser a Rainha no futuro. Ela não sabe se aguentaria o fardo, o trabalho, mesmo vivendo uma vida cheia de riqueza.
Ou tudo não passa de um jogo, tanto entre as garotas quanto em relação ao Príncipe Maxon? Ele pode muito bem estar se divertindo muito em ter encontros com elas, mandando embora as que desgosta. Pode estar brincando friamente com todas.

Gostei de a autora colocar esses dois rapazes tão diferentes. Não parece muito original, um príncipe e um plebeu, mas a forma como ela os encaixa na vida de America, que muda de opinião sobre ambos diversas vezes e não por ser indecisa (muito pelo contrário) e sim porque eles mudam, as situações mudam. Ela não é volátil nem inconstante, mas sofre uma notável evolução psicológica ao longo do primeiro livro.

A narrativa é em primeira pessoa, America nos conta tudo. A escolha perfeita, muito melhor do que narrativa em terceira pessoa, nesse caso. O livro é divertido, dinâmico, romântico sem ser meloso e interessante.
Apesar de ser um futuro distópico bem estruturado que mostra problemas sociais e políticos e um novo mundo, acredito que A Seleção seja mais um conto de fadas realista e moderno. Afinal é uma disputa para uma das trinta e cinco garotas se tornarem a Princesa. Além disso, a protagonista fica com o coração e a cabeça dividida entre dois rapazes opostos.
Apesar de impulsiva e sentimental, America é inteligente e bastante reflexiva, está tentando tomar decisões sem ser precipitada e emotiva. Ela percebe que entre joias e vestidos está em meio a um jogo de Xadrez perante todo o país. Percebe que seu coração e mente estão em grande conflito e que não pode pensar apenas em si própria. O jogo possui mais fatores em risco.

Me empolguei tanto com a leitura que quase li de um dia para o outro.
Imaginava uma história cheia de clichês, mais um Young Adult repetitivo, porém não consegui largar até terminar e estou imaginando como serão as continuações e torcendo para A Elite ser logo publicado.
Quero A Elite para ontem!

Ps.: Durante toda a leitura, apesar da modelo na capa, imaginei America com a aparência da atriz/cantora Lindsay Lohan quando mais jovem, como no filme Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004)


Enquete:
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A autora:
Nasceu em 1981, na Carolina do Sul, Estados Unidos. Formou-se em história na Universidade de Radford, na Virginia, e publicou seu primeiro livro, The Siren, em 2009, em uma edição independente.
Beijou aproximadamente catorze garotos em sua vida, mas nenhum deles era um príncipe.
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O próximo livro...
Será A Elite (The Elite).  Lá fora o livro será publicado em abril de 2013 e a Seguinte promete publicá-lo no Brasil ao mesmo tempo! Mal posso esperar...

A Elite - Trinta e cinco garotas foram para o palácio. Apenas seis restaram.




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