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4 de maio de 2013

Uma Curva na Estrada, Nicholas Sparks e Editora Arqueiro

Uma Curva na Estrada (A Bend in the Road)
Nicholas Sparks - Editora Arqueiro
Tradução: Fernanda Abreu
304 páginas - Ano: 2013 - R$24,90

Sinopse:
"A vida do subxerife Miles Ryan parecia ter chegado ao fim no dia em que sua esposa morreu. Missy tinha sido seu primeiro amor, a namorada de escola que se tornara a companheira de todos os momentos, a mulher sensual que se mostrara uma mãe carinhosa. Uma noite Missy saiu para correr e não voltou. Tinha sido atropelada numa rua perto de casa.
As investigações da polícia nada revelaram. Para Miles, esse fato é duplamente doloroso: além de enfrentar o sofrimento de perder a esposa, ele se culpa por não ter descoberto o motorista que a atropelou e fugiu sem prestar socorro.
Dois anos depois, ele ainda anseia levar o criminoso à justiça. É quando conhece Sarah Andrews. Professora de seu filho, Jonah, ela se mudou de Baltimore para New Bern na expectativa de refazer sua vida após o divórcio. Sarah logo percebe a tristeza nos olhos do aluno e, em seguida, nos do pai dele.
Sarah e Miles começam a se aproximar e, em pouco tempo, estão rindo juntos e apaixonados. Mas nenhum dos dois tem ideia de que um segredo os une e os obrigará a tomar uma decisão difícil, que pode mudar suas vidas para sempre."

Links: Arqueiro | Skoob | degustação

Resenha:
O título é a escolha perfeita, combinando exatamente com o enredo. Literalmente foi uma curva na estrada que modificou tantas vidas. O filosófico "e se...". E se aquela pessoa jamais tivesse dobrado aquela rua, seguido aquele caminho... Uma Curva na Estrada soa também como uma metáfora, porque a estrada pode simbolizar a vida do protagonista do livro. Ele está com fixação por uma trágica perda, deixando de viver, parado na curva da estrada e sem ter a coragem de passar por ela e enfrentar todos os problemas.
Porém a capa não me agradou muito, embora seja bonita. Acho interessante a Arqueiro estar padronizando as capas do autor, como uma belíssima coleção. Todas elas possuem em destaque o casal apaixonado acima, o título e nome do autor no meio sempre com as mesmas fontes e embaixo, como um enfeite, uma cena simples do mesmo casal. Combina perfeitamente com o lado romântico presente nas obras do Sparks.
Dessa vez, no entanto, a capa não combinou. Esse livro não é um romance puramente "água com açúcar". O amor entre o casal é importante, mas não o foco principal da história.

Nicholas Sparks dessa vez colocou elementos de suspense e até mesmo policiais na trama de tal forma a serem tão essenciais quanto o drama e o romance (ou mais). Particularmente gostei desse equilíbrio de fatores, porque não costumo gostar de livros completamente policiais, enquanto que a fórmula utilizada por Sparks já estava nítida demais em seus livros.
Talvez ele esteja reciclando seu estilo, sem se esquecer do público alvo, porém ao mesmo tempo criando algo que pode atingir mais leitores. Com certeza ele ampliou seus horizontes sem perder suas características básicas. É notável que seu talento de mexer com a emoção do leitor permanece, sem destacar apenas o amor e a paixão. Há muito mais em jogo em Uma Curva na Estrada.

Ao ler a sinopse pensei se ela não contava demais os acontecimentos. Pensei que continha spoilers até aproximadamente a metade do livro, mas não foi isso que ocorreu durante a leitura.
Não há problema algum em saber o que já nos é contado: Missy saiu para correr e foi atropelada na estrada. Deixou o viúvo inconsolável e o filho de cinco anos de idade órfão. Miles é subxerife em New Bern e não se conforma por não descobrirem quem atropelou sua esposa. Dois anos após a tragédia ele ainda busca por um culpado e uma explicação. A nova professora de Jonah, seu filho agora com sete anos, entra na vida dos dois. Sarah e Miles se apaixonam.
Parece simples e muito parecido com outros romances do autor, porém muitas coisas a mais são encontradas. De forma leve, claro.

O mistério. Miles não desiste das poucas pistas encontradas na cena do atropelamento de Missy. Ele a perdeu e por dois anos ele pensou exclusivamente em encontrar o responsável. Durante todo o livro o leitor passa a querer saber também. Entrei no clima da história e precisava descobrir!
A narrativa foi criada para manter a aura misteriosa. É alternada em dois modos: Em terceira pessoa oriunda de um narrador de fora, que conta a maior parte da história e mostra diversos pontos de vista; a outra narrativa está marcada em itálico. É na verdade uma confissão, um desabafo, como uma carta escrita por uma personagem inicialmente anônima muitos anos depois. São trechos mais breves que, no entanto ampliam a curiosidade cada vez mais.
Inicialmente nos perguntamos quem é o autor de tal texto que é sempre interrompido em um ponto crítico, voltando à narrativa padrão da história. Então procuramos por mais pistas. Depois, mesmo sabendo o segredo dessa pessoa de identidade oculta, ficamos mais interessados ainda em saber quem ela é.
No início dei vários palpites errados, mas antes da metade do livro acertei. Não se preocupem, ainda assim o autor demora a dar a resposta e ficamos na dúvida. E mesmo que acerte, o livro não perde o brilho. Possui um prólogo, trinta e sete capítulos e um epílogo. Muita coisa acontece pelo caminho.

O suspense. Não se limita apenas à perguntas como: "O casal principal vai terminar juntos? Os dois vão superar os obstáculos? Ele vai parar de sofrer pela morte da esposa? Ele vai encontrar o culpado?"
Você percebe que Miles não é um mocinho, um herói. Além de praticamente só pensar na perda da esposa, ele possui uma culpa parcial. Essa é uma observação minha, com certeza dependerá da reflexão de cada um. Acidente é algo tão amplo que não se limita a um atropelamento por acaso. E se não foi um acidente?

Um protagonista sofredor, mas que se tornou amargurado ao ponto de não cuidar do filho como deveria. Mesmo amando o pequeno acima de qualquer coisa, é relapso, não cuida da criança como deveria. Não está 100% presente na vida de Jonah, não acompanha o desenvolvimento dele na escola, nem psicologicamente.
Ele é egoísta e apenas pensa na própria perda, em seu sofrimento e no de mais ninguém. Parece se preocupar mais com a dúvida de quem é culpado, por que fez aquilo, como... Que na falta da esposa em si.
Não, Miles tem sentimento sim. Sofre de verdade. Ama o filho e as lembranças da esposa, porém perde o limite do luto e da busca por respostas - ambos se misturam.
Julguei Miles e concluí que involuntariamente ele é em parte culpado pela morte da esposa. Talvez isso tenha ficado em seu subconsciente e, portanto, ele não consegue relaxar até encontrar o culpado. Ou seja, o real culpado, a pessoa que diretamente a atropelou. Não sei se é algo que todos os leitores percebem; que Miles convive com culpa sem a notar e a aceitar. Em momento algum ele pensa que tudo pode ter sido uma sequência de fatores e que o atropelamento, mesmo fatal, pode ter sido um acidente. Ele pensa em crime. Com intenção ou não, o motorista fugiu!

O tema principal do livro não é reaprender a amar. Essa é a parte mais fácil. Os principais assuntos a serem debatidos são: Culpa e perdão.
Você permanece boa parte do livro imaginando se Miles descobrirá a identidade do motorista que atropelou Missy. Vai prendê-lo ou perdoá-lo? Vai levá-lo à Justiça com provas palpáveis ou vai perder a cabeça, seguir seus instintos e penalizar a pessoa com suas próprias mãos?
E Jonah, o menino amável, terá finalmente um pai por inteiro? A pobre criança perdeu a mãe, não compreende o mundo com a mesma experiência de Miles, porém parece ser mais capaz de lidar com a perda que o próprio pai. Jonah é certamente a personagem mais agradável e carismática do livro. Ele vê o pai sofrer e sente a falta da mãe. O garoto é alegre (dentro do possível) e traz boas risadas ao leitor, com seu jeito inocente de ver os acontecimentos e as pessoas. Ele tem esperança do pai se encontrar.

Sarah, sua nova professora, percebe que Jonah possui problemas na escola. Ela é excelente profissional e possui motivos pessoais para amar estar rodeada de crianças. Por ser tão atenciosa é a primeira em dois anos a notar que Jonah precisa de tratamento especial - é assim que ela conhece o pai. Imediatamente ela percebe que Miles traz muita dor que reflete na educação do filho.
Apesar de Sarah ser bondosa, carinhosa e cheia de boas intenções com todos e em relação a tudo, é a personagem que não me agradou. É estranho, mas Miles é mais interessante. É um protagonista que pode ser classificado como um anti-herói, enquanto Sarah é a mocinha romântica moderna perfeita e convencional.
Ela adora Jonah, se apaixona por Miles e não se importa com mais nada. Em um curto período já está mais apegada a eles que por todos os anos em que esteve casada com outro homem. Sem preconceito, acredito fielmente que o amor verdadeiro não se mede com o tempo da relação e sim com seu desenvolvimento. Pessoas em dois meses podem se amar mais que outras em dois anos.
O fator que me angustiou em relação à Sarah, além dela ser certinha demais, ética em excesso e bondosa ao extremo, foi ela não perceber que vive à sombra de Missy. Mesmo Miles dando abertura ao novo amor, mesmo ele dando oportunidade à si próprio em amar pela primeira vez após a perda, ele não se dedica completamente. Sarah dá o seu melhor; Miles nem tanto.

Todos sofrem quando Miles parece encontrar novas pistas. De tanto cavar informações e por pensar no caso quase que vinte e quatro horas por dia durante dois anos, ele encontra novas possíveis descobertas. Ele deveria ter amadurecido, ou ser menos explosivo.
O oposto acontece: Ele traz à tona toda a dor, dúvida e raiva. Como uma bomba mortífera, Miles não se contem e explode de uma só vez. Ele necessita ter todas as respostas. E logo. Pensa que está tão perto e o leitor se pergunta: Será?
Culpa, perdão, dúvida e esperança se misturam nessa trama menos açucarada de Sparks. Não sei se o livro agrada ao seu público fiel. Acredito que seus leitores gostem da fórmula mais romântica. No entanto, Uma Curva na Estrada é mais abrangente. O drama não derrama lágrimas; provoca curiosidade sobre o desfecho.

O autor:
Nicholas Sparks sempre desejou tornar-se atleta, mas um acidente o impediu de realizar esse sonho. Formado em economia, publicou seu primeiro livro aos 31 anos, ao qual se seguiram outros 16. Suas obras foram traduzidas para 45 idiomas e já venderam quase 80 milhões de exemplares no mundo todo.
No Brasil, foram publicados Uma Carta de Amor (Editora Objetiva), O Resgate (Seleções Reader`s Digest), O Milagre (Editora Agir), A Última Música, Um Homem de Sorte, Querido John, Noites de Tormenta, Um Amor para Recordar, Diário de uma Paixão, A Escolha, Um Porto Seguro (Editora Novo Conceito), O Melhor de Mim, O Casamento, Á Primeira Vista e Uma Curva na Estrada, O Guardião (Editora Arqueiro).
Sete livros de Nicholas Sparks ganharam adaptações para o cinema e O Melhor de Mim chegará às telas numa produção da Warner Bros.
Ele mora na Carolina do Norte com a esposa e os cinco filhos.
Nicholas Sparks virá ao Brasil para o lançamento de um livro inédito pela Editora Arqueiro, Longest Ride. Será em agosto, na XVI Bienal do Livro do Rio, no Riocentro, Rio de Janeiro.

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Sorteio:
Participem do sorteio de um exemplar de Uma Curva na Estrada, um presente da Editora Arqueiro para um(a) leitor(a) sortudo(a)!
O sorteio vai de 10/05/2013 até 31/05/2013, aproveitem!



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