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12 de maio de 2015

Trilogia do Sal Profundo, volume 1: Sal, Maurice Gee e Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)

Sal (Salt)
Trilogia do Sal Profundo (The Salt Trilogy) - livro 1
Maurice Gee - Bertrand Brasil / Grupo Editorial Record
196 páginas - 2015 - R$28,00
Tradução: Cláudia Mello Belhassof
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Sinopse:
"Quando Tarl é capturado e escravizado para trabalhar no Sal Profundo, seu filho Hari promete resgatá-lo. Corajoso e inteligente, este cruza o caminho da bela Pérola e de sua talentosa criada, Folha de Chá.
Hari e Pérola logo percebem que, juntos, devem descobrir os segredos do Sal Profundo. E esta longa jornada por terras ermas se torna muito mais do que uma missão para salvar Tarl — afinal, o mundo está à beira de um terror sem precedentes."

Resenha:
O primeiro volume da Trilogia do Sal Profundo foi publicado em inglês em 2007 e chegou ao Brasil pela Bertrand Brasil (do Grupo Editorial Record) em abril de 2015. Também é a primeira obra de Maurice Gee a ser lançada aqui, o que me surpreende, visto que ele é um importante autor da literatura contemporânea da Nova Zelândia, com mais de quarenta livros e vários prêmios. Ele já teve, até mesmo, algumas adaptações em filmes.
A Bertrand Brasil lança Sal em capa maravilhosa (de Marina Avila) com o título em relevo e cor dourada. O fundo escuro e arroxeado com o lobo / cão saindo das sombras em meio às folhas com um rastro brilhante formou uma imagem linda! Não traz apenas beleza, mas significado. É uma história que possui cenário fantástico sombrio e deslumbrante. Tarl e Pérola, protagonistas da obra, têm o dom próximo da telepatia, e, portanto, a capacidade de se comunicarem com pessoas e animais. Um deles é um cão.
Primeiramente, esta é uma obra de fantasia juvenil, com dois adolescentes como protagonistas. Porém, o cenário obscuro e os acontecimentos cruéis fazem de Sal uma leitura mais interessante e madura que a maioria dos young adults da categoria. É também uma distopia, com todas as características básicas. Se é um futuro do nosso mundo ou um totalmente novo, fica à critério da imaginação do leitor. Mas é vivo, pungente e completo. Acima de tudo, Sal é uma aventura, movimentada e repleta de ação e emoção. Um livro rico e diferente.

A narrativa é em terceira pessoa e focada em apresentar um mundo distópico próprio, sob a visão de duas personagens adolescentes - quase que opostas: Hari, um rapaz da região das Tocas, e Pérola, uma moça de uma das grandes Casas. O autor mostra como os dois são obrigados a crescer em tão pouco tempo, e a enfrentar seus medos e defeitos.
Ele é de pele escura, vive no subsolo, em meio à sujeira e miséria. É filho de Tarl, da Toca Sangrenta e aprendeu a sobreviver aos perigos escondidos no labirinto subterrâneo formado por buracos, tocas, corredores e pântanos. É um submundo curioso, estranho e interessantíssimo de ser imaginado. É uma verdadeira viagem conhece-lo. O livro possui um mapa antes do primeiro de quinze capítulos, mas rapidamente, você não precisará mais dele.
Hari aprendeu com Tarl a caçar, fugir e se esconder. Com o sábio e velho Lo, ele aprendeu a história de seu povo e da Companhia, o governo opressor. Lo também orientou Hari a utilizar seu misterioso dom de nascença: Um tipo de telepatia, que permite que o rapaz converse e controle cães, felinos e cavalos, por exemplo.
Pérola, que recebeu este nome por ser branca e loira, nasceu na cidade e pertence a umas das famílias mais ricas e poderosas, a Casa Bowles. Acostumada a fartura material, mas carente de amor e intimidade em sua própria família. Em um mundo extremamente machista, onde os homens recebem nomes próprios e as mulheres nomes de objetos, Pérola conta com a ajuda de sua criada Folha de Chá para fugir de um casamento arranjado. Mas esta é mais que uma serviçal. Além de ser uma Citadina, ela instruiu Pérola sobre o mundo além dos muros da cidade e sobre o talento secreto que a moça possui e que ambas compartilham: telepatia. Sim, parecida com a de Hari, o menino distante das Tocas. Pérola e Folha de Chá acessam e invadem as mentes dos outros.
Enquanto Pérola quer fugir de seu mundo, Hari precisa enfrentar o dele. Tarl é capturado pela Companhia para a escravidão vitalícia e a morte próxima. Por ser um homem rebelde e enfrentar um grupo de Chicotes da Companhia, é condenado ao local de trabalho mais temido... o Sal Profundo. Hari promete salvar seu pai. Mesmo sem saber o que é e onde fica o Sal Profundo, já que ninguém sobrevivera e retornara de lá. Hari conhece apenas lendas assustadoras sobre o Sal Profundo.


Os destinos de Pérola e Hari se cruzam. Embora opostos, compartilham do mesmo poder. As diferenças entre os dois se refletem até mesmo no desenvolvimento da telepatia de cada um. Mas serão eles assim realmente tão diferentes? E... O que é o Sal Profundo?
Fiquei empolgada com o que é - e o que ele pode se tornar! Há uma leve e simplicíssima ficção científica ali. O livro traz várias reviravoltas e uma delas é ligada ao seu significado. Mesmo depois de conhecer o Sal Profundo, prepare-se: A trama ainda reserva grandes acontecimentos. Quando você acha que não há mais nada para descobrir, você é surpreendido.
Fiquei também satisfeita em conhecer o povo da Folha de Chá, assim como as armas existentes e a grande e iminente destruição que soa como um verdadeiro apocalipse. Outro ponto relevante é que existe passado sustentando o presente. No entanto, não é complicado nem confuso e o autor é eficaz ao mostrá-lo. Tudo é claro e coerente, com o devido suspense, porém íntegro. O leitor vai conhecendo o passado desse mundo incrível conforme o necessário e sem tédio ou exagero. Afinal, o mais importante é o futuro.
Quanto a comunicação mental, não há confusão para o leitor em acompanha-la, porque diálogos estão sinalizados em discurso direto com travessões, enquanto as conversas telepáticas estão grafadas em itálico e uma nova linha para cada "fala pensada".

Uma rede de acontecimentos interliga os protagonistas e o futuro do mundo, mostrando como mudanças irreparáveis estão chegando. Hari e Pérola, com a companhia de Folha de Chá e do Cão se aventuram em um resgate que parece impossível, sob a mira de inimigos mortais e sinistros. Quando acham que a missão está chegando ao fim, novos desafios surgem.
O livro é fino, mas são muitas ocorrências em um farto desenvolvimento de enredo, porém sem enrolações. O autor não tem a intenção em prolongar desnecessariamente a trama, que é sucinta e concisa, mas brilhante. Portanto, embora seja uma trilogia, Sal pode funcionar como uma leitura única. O leitor terminará o livro e optará por prosseguir ou não para o livro seguinte. Possui excelente clímax e desfecho, sem obrigar o leitor a seguir para os segundo e terceiro volumes para se sentir satisfeito. Você não ficará sem um "final". No entanto, fiquei com curiosidade sobre a continuação. Morrendo de curiosidade, sendo honesta. Além de ter adorado o estilo do autor.
São vários temas e mensagens em poucas páginas, e além de organizado, o enredo é descomplicado, mesmo quando profundo.
É uma história que vai além da fantasia e distopia e traz alertas reais sobre poder, desigualdade social, preconceito e escravidão.
Em inglês, as sequências de Sal são: Gool (2008) e The Limping Man (2010), ainda inéditas no Brasil. Espero que a Bertrand Brasil as publique logo. E com belas capas para combinarem com a de Sal.



O autor:
Maurice Gee é um dos mais prestigiados escritores da Nova Zelândia. Nasceu em Whakatane, em 1931, e cresceu em Henderson, local que lhe serviu de inspiração tanto para sua obra adulta quanto para a infnatil.
Após a universidade, experimentou diversos trabalhos, mas nunca parou de escrever. Em 1961, com o auxílio do New Zealand Literary Fund, lecionou por um ano na Inglaterra, o que lhe permitiu publicar seu primeiro romance.
Com mais de quarenta livros escritos, Maurice já foi contemplado com uma longa lista de prêmios literários, entre eles: New Zealand Children's Book of the Year (1983), AIM Children's Book Awards (1990 e 1995), Margaret Mahy Award (2002) e Storylines Gaelyn Gordon Award (2004).
Sal é o livro de estreia da Trilogia do Sal Profundo, cujos volumes também renderam ao autor diversas disinções, como o Esther Glen Award (2008), o New Zealand Post Childern's Book Awards (2008, 2009 e 2011) e o Storylines Notable Books List (2008, 2009 e 2011).




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