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4 de maio de 2017

O Sol Também É uma Estrela, Nicola Yoon e Arqueiro

O Sol Também É uma Estrela (The Sun Is Also a Star)
Nicola Yoon - Arqueiro
Tradução: Alves Calado
288 páginas - 2017 - R$ 39,90 (impresso) e R$ 24,99 (e-Book)
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Sinopse:
"Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.
Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?"

Resenha:

Nicola Yoon é jamaicana e cresceu nos Estados Unidos. Seu primeiro livro, Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything), permaneceu mais de 40 semanas na lista dos mais vendidos do The New York Times e sua adaptação cinematográfica estreia em junho. A Editora Arqueiro o relança em maio no Brasil com nova capa. O segundo livro de Nicola Yoon está disponível desde março e é uma leitura genial: O Sol Também É uma Estrela (The Sun Is Also a Star), considerado um dos melhores livros de 2016 pela Publisher’s Weekly, pela Amazon e pelos leitores do Goodreads. Foi finalista do National Book Awards 2016.
É uma obra Young Adult sobre o amor, especialmente aquele à primeira vista. Sobre como o destino age e interfere diretamente nas vidas das pessoas. A sensação que a leitura transmite é a de que não existem coincidências; que as coisas não acontecem por acaso; que o universo interliga tudo e todos; e que podem existir explicações científicas sobre isso. Existe um número quase infinito de futuros à nossa espera e tudo depende de um emaranhado de escolhas e ações dos indivíduos relacionados. Estamos todos interligados no universo como uma teia e o resultado é o destino, responsável por momentos únicos. Já pensou como esses momentos são criados? Como uma série de acontecimentos, pessoas e decisões foram responsáveis por um instante especial? É assim que os protagonistas Natasha e Daniel se encontram.


Daniel é romântico e sentimental. Adora escrever e tem o sonho de ser poeta, mas seus pais, nativos da Coreia do Sul, querem que ele seja médico. Ele é um bom filho e tenta agradá-los. Seus pais são muito tradicionais e, embora tenham um pequeno negócio em Nova York, mantêm distância dos valores culturais americanos. Eles reconhecem que os Estados Unidos têm mais oportunidades que vários outros países, mesmo que seja mais árduo para imigrantes que para americanos. Daniel nasceu nos Estados Unidos e gosta de ser americano e sul coreano. Seu irmão mais velho, que já cursa Medicina, pensa bem diferente: tem aversão (ou vergonha) à tudo que remete às suas origens. Daniel tem uma entrevista marcada que abrirá a possibilidade de cursar Medicina. Seus sonhos devem ser abdicados em prol da vontade dos pais.
Natasha é prática, sensata, sincera e científica. Não acredita em sorte ou destino, apenas em fatos comprovados. Planeja cursar uma faculdade em uma carreira técnica de acordo com suas aptidões. E seguir um caminho correto e não um sonho. Ela nasceu na Jamaica e se mudou para os Estados Unidos ainda pequena. Seus pais chegaram à "terra das oportunidades" e descobriram que são muitas as dificuldades enfrentadas por imigrantes. Sua mãe trabalha incansavelmente e seu pai quer ser reconhecido como um ator talentoso, mas as oportunidades dadas a um candidato negro e estrangeiro são raríssimas. Seu irmão mais novo nasceu em território americano, mas todos estão vivendo ilegalmente nos Estados Unidos e serão deportados.
O livro começa no dia decisivo para Natasha. É o último dia para tentar reverter sua situação e a da família. Ela não quer abandonar os Estados Unidos e a vida que construiu. Ela se sente americana.
Faltando somente 12 horas, Daniel encontra Natasha. É amor a primeira vista, mas por parte de Daniel apenas. Natasha não acredita nisso. Esse encontro mudará não apenas suas vidas, mas várias outras.


As ligações entre as personagens e situações me agradaram muito. Fatos cotidianos, detalhes aparentemente sem importância e encontros vão se encaixando e desencadeando várias situações e mudanças. Sequências de ações e decisões são transformadoras, mesmo as mais sutis e isso foi uma das coisas mais legais. Além dos protagonistas Natasha e Daniel e suas famílias, temos mais personagens em cena. Os relacionamentos familiares são excelentes, complexos e realistas.
A narrativa é em primeira pessoa e são três narradores: Natasha, Daniel e o Universo. No caso deste último, ele usa inúmeros pontos de vista, incluindo os de Natasha e Daniel, mas transita por todas as personagens, além de informações e curiosidades. Exótico, diferente, único!
Natasha é negra e Daniel é asiático. São protagonistas incríveis, cada uma à sua maneira, especialmente por fugirem dos estereótipos que a ficção costuma dar a personagens negros e asiáticos. Nada de negra ouvindo reggae e asiático sendo nerd. Não que não possam ser, mas a ficção já tem vários exemplos assim. Nicola Yoon faz exatamente como deve ser feito ao apresentar Natasha e Daniel. Ela também inverte os papéis um pouco tradicionais onde quase sempre a mulher é a sentimental e romântica enquanto o homem é o racional e realista. E isso é interessante, é diferente. Faz também refletir sobre outra questão bastante atual: os diversos aspectos da imigração, incluindo a ilegal. É uma obra bem rica.
A escrita da autora é fluida e descontraída, mas bastante inteligente. Ela consegue abordar temas pesados, como preconceito e suicídio, de forma acolhedora. Então o que parecia ser uma leitura exclusivamente romântica sobre o primeiro amor é também repleta de outras coisas. Parte do conteúdo é triste sem ser melodramático. Não sou fã de histórias exclusivamente românticas e o fato de Daniel se apaixonar instantaneamente por Natasha não me agradou, então fiquei um pouco receosa nos primeiros capítulos. Nicola Yoon então me conquistou e foi uma experiência diferente para mim. Encontrei lições valorosas, sobre como algumas pessoas podem passar rapidamente por nossas vidas e, ainda assim, marcá-las para sempre. Sobre como existem as que se mesclam e passam a fazer parte de você. Sobre como mudamos nossa visão sobre algo importante devido a um único momento.


A obra é voltada ao público jovem, mas é o tipo de história reflexiva que serve para qualquer faixa etária. É um ótimo exemplo de como literatura Young Adult pode ser simples e divertida, ao mesmo tempo, séria e expressiva. O livro é leve e a leitura é rápida, porém prepare-se para pensar sobre muitas coisas. O desfecho é emocionante, cheio de sensações (chorei, mas foi bom). Esse é meu tipo preferido de leitura, que vai além da emoção e me faz pensar sobre temas universais.
O Sol Também É uma Estrela é uma obra que aborda algumas das coisas mais importantes da vida, como o amor. Mas também mostra como representatividade importa muito e pode (e deve) estar presente em todas as obras de ficção.
A Arqueiro preparou uma bonita edição. A mesma artista que produziu a capa americana, Dominique Falla, preparou a capa brasileira do livro com String Art. O exemplar possui orelhas, folhas amareladas e diagramação charmosa. A tradução é de Alves Calado.

Fazendo a capa:



A autora:
Nicola Yoon é autora do best-seller Tudo e Todas as Coisas, cuja adaptação para o cinema estreia em 2017. Ela nasceu na Jamaica, cresceu no Brooklyn e mora em Los Angeles com a família. É uma romântica incurável que acredita ser possível se apaixonar num instante e que isso pode durar para sempre. O Sol Também É uma Estrela é seu segundo livro. Ele foi considerado Melhor Livro do Ano por Publisher’s Weekly e Amazon e foi finalista do National Book Awards 2016.

Da mesma autora.


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