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Matando Borboletas, de M. Anjelais e Verus Editora (Grupo Editorial Record)

Matando Borboletas (Breaking Butterflies)
M. Anjelais - Verus Editora / Grupo Editorial Record
224 páginas - 2015 - R$28,00 - comprar

Sinopse:
"O primeiro amor, a inocência perdida, e a beleza que pode ser encontrada até nas circunstâncias mais perversas. Sphinx e Cadence — prometidos um ao outro na infância e envolvidos na adolescência. Sphinx é meiga, compassiva, comum. Cadence é brilhante, carismático — e doente.
Na infância, ele deixou uma cicatriz nela com uma faca. Agora, conforme a doença de Cadence progride, ele se torna cada vez mais difícil.
Ninguém sabe ainda, mas Cadence é incapaz de ter sentimentos. Sphinx quer continuar leal a ele, mas teme por sua vida. O relacionamento entre os dois vai passar por muitas reviravoltas, até chegar ao aterrorizante clímax que pode envolver o sacrifício supremo."

Resenha:
Aos dezoito anos de idade, M. Anjelais foi finalista da competição de ficção juvenil do jornal londrino The Times, com Breaking Butterflies. A obra foi publicada em 2014 e A Verus Editora (do Grupo Editorial Record) a trouxe ao Brasil em maio de 2015, sob o título Matando Borboletas.
É um young adult (jovem adulto) contemporâneo e também literatura sick-lit.
A capa mostra uma figura com manchas, pingos e traços rebeldes compondo uma borboleta. Em suas asas, que são inversas e antagônicas, vemos rostos; de um lado um rapaz e no outro uma moça: São os protagonistas da história, Cadence e Sphinx. São amigos e inimigos, porém parte um do outro. As cores têm significado. Cadence é o azul, mais forte e predominante, além de ser a cor que ele usa em suas pinturas. E o porquê da borboleta o leitor descobre logo no começo do livro, quando ocorre o primeiro incidente importante que inicia os conflitos da trama.
Matando Borboletas é uma obra controversa e geradora de inúmeras e opiniões. Um livro para amar ou odiar e confesso que sinto por ele ambos os sentimentos. É bem escrito, breve e estruturado.
As personagens mostram comportamentos variados, em sua maioria, estranhos, descuidados, inconsequentes. Não critico os adolescentes, porque Cadence é duplamente doente e Sphinx, mesmo que oficialmente saudável, mostra mais para frente através de pensamentos e ações que também tem seus problemas.
Eles sofrem por causa de seus pais. Os adultos, perante minha visão, fazem tudo errado em relação aos adolescentes. Humanos sempre são passíveis de erros, principalmente quando se trata de seus entes queridos mais amados. Mas colocar planos infantis acima da integridade física e psicológica dos filhos não me pareceu um “erro comum de pais”. O pior: Os pais repetem os erros, ligados a coisas gravíssimas, e insistem em uma situação negativa para todos os envolvidos. Gostei muito do livro, a leitura me arrebatou e praticamente o li de uma vez. Mas me senti incomodada com os pais e com muitas cenas difíceis de apreciar. Especialmente os pais de Sphinx.

Ela á a narradora de Matando Borboletas e somente o seu ponto de vista é mostrado. Então Cadence é a incógnita, não sabemos o que ele pensa, acompanhamos apenas o que faz e o que Sphinx imagina e conclui. Aliado a isso, Cadence possui estranhos comportamentos desde a infância, do tipo que os pais não deveriam ignorar.
As mães de Sphinx e Cadence são melhores amigas desde a infância. Inseparáveis, juntas em todas as situações e etapas da vida, como carreiras e casamentos. As duas até ficaram grávidas simultaneamente e se lembraram de quando eram bem pequenas e planejaram seus futuros. Conforme o desejado, Leigh tem um menino (Cadence), e Sarah, uma menina (Sphinx).
Leigh e Sarah combinam que seus filhos seriam também amigos e se casariam quando adultos. Apesar de enfatizarem que é apenas um desejo, um sonho, elas forçam para que Cadence e Sphinx sejam amigos também inseparáveis.
Sphinx é meiga, bondosa e comum, apenas um pouco tímida. Cadence é frio, inteligente e cheio de talentos. Mas ele possui uma condição psicológica especial. Logo na primeira infância eles brincam e agem muito diferentemente.
Cadence é incapaz de sentir. Ele é racional e lógico, sente dor física, porém não possui nenhum sentimento, nem compreende os das pessoas ao redor. Ele copia comportamentos e Sphinx é sua principal fonte. A menina sente tristeza, amor, medo, etc. Cadence não, então imita as reações de Sphinx.
Ela cresce se achando tola e inferior perante o amigo, porque ele é brilhante em tudo o que faz e sempre tem as melhores ideias. Ela se sente muito comum e sentimental. Até a tragédia marcar as vidas das duas famílias.

Cadence corta Sphinx com uma faca. O corte foi tão profundo que a menina ficou com uma cicatriz visível. Seu ferimento interior consegue ser ainda mais intenso: Por que seu melhor amigo a machucou? E o pior: Por que Cadence a machucou daquela forma, com tanta frieza, com tanta convicção?
Ele foi se tornando cada vez mais distante, mais difícil de ser compreendido. Justamente por não compreender as pessoas ao redor, Cadence age com agressividade e falta de empatia. Sua carência em tentar sentir alguma coisa, sua urgência em entender o que todas as pessoas ao seu redor têm, mas ele não, começa a desencadear ações assustadoras. Sphinx é sua amiga oficial. Mesmo sabendo que é mais inteligente que a amiga, ele não consegue ser como ela. Cadence possui uma grande obsessão por "tentar sentir" e a redireciona para Sphinx, a criança mais próxima dele e seu espelho. Sphinx admira e ama Cadence, mas este a maltrata constantemente.
No dia fatídico, os pais percebem finalmente o perigo da amizade entre os filhos. Não é mais a questão de Cadence, o "inteligente e brilhante", controlar a "submissa e infantil" Sphinx. Os pais separam as crianças; Cadence vai morar na Inglaterra com a mãe, enquanto Sphinx permanece nos Estados Unidos com os pais. Leigh e Sarah continuam mantendo contato através de cartas e internet.
Sphinx e Cadence passam seis anos separados, e temos somente o ponto de vista da menina, tanto suas lembranças começando a se confundir, quanto suas observações acerca das fotos e informações sobre seu amigo distante. Sphinx tem uma vida comum, tanto familiar quanto escolar. Possui amizades, atividades extras e paqueras. Mas ela não acha que é como Cadence. Ela o acha lindo, especial, extraordinário, literalmente brilhante. O que deveria ser positivo para Sphinx (ou seja, o afastamento de Cadence) parece deixá-la em dúvida. Ela tem na memória uma imagem idealizada de "Cadence perfeito", não do "Cadence que a cortou".
Portanto, quando ele fica gravemente doente, Sphinx vai até a Inglaterra para estar com o amigo no momento mais delicado de suas vidas. Sphinx é emotiva, Cadence não sente nada. Como será o reencontro deles? Como Sphinx pode ajudar Cadence durante a doença? Esse é o ponto central de Matando Borboletas, a relação entre eles.

Leigh cuida de Cadence, o ama e abdica de sua própria vida em prol do filho, mas não o trata. Mesmo sua posição sendo assustadoramente complicada e difícil, ela faz escolhas prejudiciais, de fuga. Entendo que a mãe se sinta devastada, com um filho complexo e sem nenhuma demonstração sentimental, apenas lógica e agressividade. Mesmo dessa forma a mãe escolhe sempre o caminho mais fácil, não o mais responsável.
Sarah não pode deixar de estar ao lado de sua amiga durante o problema com Cadence. Leigh precisa de Sarah mais que nunca. Então mesmo sob protestos do marido, Sarah permite Sphinx estar com Cadence. O pai de Sphinx parece ser o único pensando corretamente perante as situações arriscadas, mas é omisso quanto a tudo, se calando e sendo cúmplice das decisões de Sarah e Leigh.
Por causa de sua doença e condição, não senti raiva de Cadence; senti compaixão. Ele pode parecer o vilão com suas atitudes, mas ele é tão vítima quanto Sphinx. Os adolescentes sofrem com as atitudes dos pais, esta é minha opinião. Os pais também estão sofrendo, mas que pai ou mãe deixaria a filha sozinha com outra criança tão perigosa? Mesmo que a criança em questão seja o filho de sua melhor amiga? Por mais que a amizade entre Sarah e Leigh seja tão profunda, por que forçar os filhos, em situação de risco, a ficarem juntos? Como preservam o sonho infantil do casamento entre eles mesmo após se tornarem adultas?

O livro é fino, de temática pesada, mas escrita leve. Deixa o leitor despedaçado. Me senti assustada, compassiva, triste, furiosa... Foi um turbilhão de pensamentos, de sentimentos, de julgamentos. Não posso comentar além disso, porque não coloco spoilers na resenha. Alerto que cada leitor terá sua experiência, e certamente não será fácil. Não posso apontar aqui para quais tipos de leitores recomendo ou não o livro. É o tipo de coisa que cada um precisa conferir pessoalmente.
A condição psicológica de Cadence é explicada superficialmente no livro, mas é suficiente para o leitor tentar compreendê-lo. A autora preferiu mostrar mais que explicar. Caso sinta necessidade, pesquise a respeito. Acredito que a intenção tenha sido mostrar um exemplo drástico, todavia achei o caso de Cadence exagerado.
O livro tem uma ponta de thriller, mas o final não me agradou, mesmo eu achando a trama excelente e peculiar. Foi uma sensação estranha, algo do tipo "que livro maravilhoso, mas por que todo mundo age assim?". Exatamente como aconteceu com o desenvolvimento do enredo, o leitor terá uma infinidade de reações sobre o final.

A autora:
M. Anjelais começou a escrever na idade de sete anos e, desde então, ganhou inúmeros concursos de escrita com o seu trabalho. Agora, aos 20 anos de idade, optou por renunciar a faculdade, a fim de prosseguir a sua carreira como escritora. Vive com sua família em Nesco, New Jersey e gosta de desenhar, falar em público e estudar história.
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