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23 de novembro de 2012

Starters, Lissa Price, Novo Conceito

Starters
Sobreviver é apenas o começo.
Série Starters - livro 1
Lissa Price - Novo Conceito
368 páginas - Ano: 2012 - R$29,90

Sinopse:
"Seu mundo mudou para sempre.
Callie perdeu os pais quando as guerras de Esporos varreu todas as pessoas entre 20 e 60 anos. Ela e seu irmão mais novo, Tyler, estão se virando, vivendo como desabrigados com seu amigo Michael e lutando contra rebeldes que os matariam por uma bolacha.
A única esperança de Callie é Prime Destinations, um lugar perturbado em Berverly Hills que abriga uma misteriosa figura conhecida como o Old Man. Ele aluga adolescentes para alugar seus corpos aos Terminais — idosos que desejam ser jovens novamente. Callie, desesperada pelo dinheiro que os ajudará a sobreviver concorda em ser uma doadora. Mas o neurochip que colocam em Callie está com defeito e ela acorda na vida de sua locadora, morando em uma mansão, dirigindo seus carros e saindo com o neto de um senador.

Parece quase um conto de fadas, até Callie descobrir que sua locatária pretende fazer mais do que se divertir — e que os planos de Prime Destinations são tão diabólicos que Callie nunca podia ter imaginado..."

Links: Novo Conceito | degustação | Skoob

Resenha:
Que capa linda! O fundo é um prateado tão brilhante que é quase um espelho. Dependendo da posição do livro e da luz, você vê um esboço de sua imagem refletida nela, misturando-se à menina que está em primeiro plano. Ao fundo, além do brilho, circuitos por toda a malha. As letras também brilhantes e em relevo.
Qual o sentido disso? Pensei que era apenas uma capa luxuosa e moderna, feita para atrair os olhares nas livrarias.
A capa é mais que isso. O fundo representa a alta tecnologia existente no livro, e os circuitos interligados, as ligações entre os doadores e os inquilinos. Os chips estão presentes no enredo, em cada doador. E a menina é uma representação da protagonista Callie.
Não é uma foto, nem a imagem verdadeira dela. É um esboço; ao ler descobrimos sua importância, o porquê de um olho de cada cor e a palidez.
Na verdade, você pode baixar gratuitamente um conto da série Starters que antecede o livro 1. O título é Retrato de uma Starter: Uma Descoberta, que é na verdade a origem da capa e uma introdução ao mundo criado pela autora Lissa Price.
A diferença é que a narração é do Michael, um amigo de Callie - o que achei muito diferente, já que Starters é narrado pela protagonista e Michael, pelo menos nesse primeiro livro, não recebe muito destaque.

E existe mais nessa capa: o reflexo de quem segura o livro misturando-se à menina. É proposital, representa o que ela passa. Ela aluga, por total desespero, o seu corpo jovem para pessoas idosas. Então acho que o fato de pegar o livro e ver meu rosto por cima do dela é um aviso do que ocorre na história.
Como sempre, a parte gráfica e editorial da Novo Conceito está de parabéns. Livro maravilhoso, agradável de segurar e ler. Encontrei apenas um erro bobo de grafia.
Aconselho a lerem o conto em e-book e depois lerem o livro. (veja ao final da resenha como baixá-lo)

O livro é um pouco diferente do que eu esperava. Eu o adorei! Amo Ficção Científica com futuros distópicos e Starters é exatamente isso: é Ficção Científica sem ser pesado, cheio de detalhes e termos tecnológicos e entediantes. É Ficção Científica sem a preocupação de tentar convencer o leitor de que tudo seria possível, sem dar explicações minuciosas sobre como determinada tecnologia funciona. É claro, existem as explicações e justificativas, mas de forma simples e fantasiosa, para o leitor ter diversão em primeiro lugar.
É um futuro distópico muito interessante. Na verdade, é uma distopia para os jovens órfãos e sem família, os Starters. Eles vivem como párias da sociedade; e é uma utopia para os Enders ricos e Starters que possuem parentes velhos cuidando deles; já os Enders sem riquezas, é um meio-termo. Não existem adultos, apenas velhos, crianças e adolescentes.

Considero o foco principal a Ficção Científica e não a distopia apenas - como andam classificando o livro. Para mim, o ideal é classificar Starters como um Cyberpunk juvenil. Todas as características do gênero Cyberpunk estão no livro, embora de uma forma mais branda. Incluindo o futuro distópico!

No Cyberpunk sempre encontramos a tecnologia em nível avançado e ultramoderno, porém com a população dividida e subdivida em grupos marginalizados, desprezados e/ou explorados em contraste com outros grupos (em menor quantidade) beneficiados em relação à exploração sofrida pela grande maioria das pessoas. Desigualdade social ao extremo.
É assim em Starters. Após a Guerra dos Esporos, apenas a população que havia sido vacinada anteriormente à guerra sobreviveu, ou seja: menores de idade e idosos - que foram a prioridade na vacinação, por serem os mais propensos aos esporos. Então existem apenas dois grupos etários na sociedade: os Starters (os jovens) e os Enders (os idosos). Sendo que nesse mundo um Ender rico e bem cuidado pode viver até uma média de 200 anos.
Os Starters sem parentes tiveram seus bens confiscados e são explorados em instituições iguais a presídios. Qualquer motivo pode ser uma desculpa para um Starter ser preso.
Starters não podem trabalhar quando menores de idade, os órfãos nem são considerados cidadãos. Se não possuem um tutor, são presos.
Então muitos vivem literalmente de forma ilegal, suja, às escondidas e sofrendo para sobreviver num mundo cruel. Mesmo quando atingem a idade para o trabalho, são explorados e escravizados.
Os Enders possuem maior longevidade porque a tecnologia e medicina evoluíram ao ponto de viverem 150, 200 anos, dependendo da situação financeira. E a maioria tem aversão e nojo a Starters que não sejam ricos, como se fossem ratos de esgoto.

Outro fator comum de um livro Cyberpunk é o ciberespaço. O real e o virtual; a mente e a tecnologia - ambos entrelaçados, misturados, criando algo surpreendente. O cenário é sombrio, mesmo quando disfarçado com evolução e alta tecnologia. As pessoas costumam ser solitárias, mesmo com sofisticados equipamentos ao redor. A vida e os sentimentos são superficiais.
E é exatamente assim em Starters.
Alguns Starters desesperados e mortos de fome alugam seus corpos jovens, fortes e, de preferência, bonitos e com habilidades à Enders muito velhos, porém com as limitações físicas da idade, completamente envelhecidos.
A mente do doador (Starter que cede o corpo) é interligada à do inquilino (Ender que aluga o corpo do Starter escolhido). Apesar de firmarem contratos e terem regras a serem seguidas, enquanto a mente do Starter fica adormecida no corpo do Ender, um Ender tem sua mente transferida ao corpo desse Starter e pode fazer o que quiser durante o período de contrato. É só ter dinheiro suficiente para isso. Ao término do contrato, o Starter acorda em seu corpo novamente, com um chip na nuca e recebe seu pagamento.
Na teoria. Logo descobrimos a prática cruel.

E a última característica que faz de Starters um Cyberpunk é o item "Corporocracia". Geralmente o país ou grandes metrópoles são controlados (mesmo que indiretamente) pelo estado, elite ou grandes empresas. No caso de Starters, o Governo é omisso e apoia a forma social desleal em que vive a maioria dos Starters e os Enders ricos fazem as leis.
Além disso, surge, mesmo que ilegalmente, a Prime Destinations. Uma empresa particular que faz as negociações entre inquilinos e doadores e cuida de todo o procedimento. Seu dono é "O Velho", um homem que nunca mostra o rosto e constrói um império poderoso que vai muito além da Prime Destinations, como se essa corporação vil, exploradora e altamente lucrativa já não bastasse. Ele busca por "algo a mais".

O que torna Starters interessante, além de ser um Cyberpunk juvenil, simples e agradável?
Mostra aos jovens leitores que Ficção Científica não é apenas uma história distópica da moda ou um clássico pesado e cheio de termos chatos e desconhecidos. Ficção Científica pode ser divertida e leve, ainda mais para iniciantes no gênero.
Apesar de alguns furos, a autora criou um mundo/futuro inteligente, original e uma protagonista forte, uma menina que se supera, uma heroína. Mesmo que não seja tão incomum a motivação ser a falta dos pais que a obriga a ser responsável pelo irmão mais novo de saúde fraca, esse fator faz dela uma heroína antes mesmo da história em si começar. Seu breve passado já contém elementos que a transforma numa heroína sem escolhas. Ela precisa se superar e pronto.
Sobreviver como ela teve de aprender e ainda por cima proteger o irmão doente e frágil de sete anos de idade é admirável. Com apenas dezesseis anos e há três sem os pais, sua vida virou de cabeça para baixo e ela luta por cada dia.
Então, quando descobre que pode ganhar um valor inimaginável deixando que outras pessoas usem seu corpo, o efeito é devastador. A tentação é enorme. Poder ter uma casa novamente e tratar dos problemas de saúde do irmão. Esse é o ponto de partida.

E um detalhe que existe em poucos livros de futuro distópico é que Callie, Tyler e o amigo Michael, passaram pelo período de transição. Tinham uma vida normal, comum, feliz; presenciaram a guerra, as mortes e todas as mudanças drásticas no sistema social e no governo. Não nasceram num mundo cruel e desumano, sendo maltratados desde o nascimento. Eles viram o mundo tornar-se um pesadelo. Eles se lembram das famílias, do passado, da vida aconchegante e segura de três anos atrás. E vivem num terror.
Tiveram de se adaptar a um mundo perigoso e podre. E o lado mais obscuro e desumano ainda está para ser descoberto por Callie. Ela descobrirá que o futuro dos Starters pobres corre um risco mais sério. Ela achava que nada poderia piorar, mas descobre a dura realidade. E pior de tudo, o mais chocante: ela é a peça central do horror que está por vir, presa num labirinto sem saída, sem saber o que fazer para resolver seus problemas, proteger o irmão e impedir o desastre social que está por vir.

O livro é cheio de ação, do início ao fim. Existe um romance, como em todo Young Adult, mas este fica em segundo plano, não é o foco da história. Não espere por uma protagonista miserável e encrencada pensando na beleza de algum rapaz a quase todo momento, ela possui prioridades! Existe, claro, o momento "contos de fadas" do livro. Por algumas páginas, de forma explícita, a autora cria uma Cinderela distópica - muito interessante!

O foco é a prisão física e psicológica sofrida pela corajosa Callie. É também a sociedade com as desigualdades sociais e a exploração, fome e escravidão, o sofrimento dos Starters órfãos; É a vida cheia de ilusão e futilidade da maioria dos Enders através da busca da eterna juventude, prazeres infinitos e diversão garantida - tudo sustentado por muito dinheiro.

Através de um enredo simples, focado no Cyberpunk e voltado para adolescentes, a autora faz inúmeras críticas sociais e culturais. Não é apenas um juvenil de ação e Ficção Científica. É um livro cheio de mensagens e avisos.
Não que um futuro como o mostrado possa ocorrer e sim como a sociedade em si já caminha para ideais supérfluos e mesquinhos; como a preocupação de estar jovem e belo é maior de ser caridoso e bondoso; como as pessoas caminham para o pensamento de serem ricas, famosas e poderosas em vez de possuírem bom caráter e princípios humanitários.

Um livro feito para adolescentes, com linguagem simples, agradável, leve, mas com um pano de fundo que pode ser interpretado mais profundamente e que possui uma filosofia pronta para debates sobre a sociedade atual. Depende da mente do leitor. Depende da intenção.
Se o leitor pega no livro apenas para se divertir e passar um tempo, sairá satisfeito, mas talvez o livro não deixe uma marca.
Se ele espera que o livro se pareça com outras distopias da moda, esqueça. A própria Novo Conceito escreveu na capa que fãs de Jogos Vorazes vão adorar. Nesse sentido eu discordo. Eu acho que são livros totalmente diferentes. Os fãs de Jogos Vorazes podem gostar ou não. Na verdade, acho que essa comparação deixa Starters limitado e cria expectativas falsas sobre ele. Ambos são sensacionais. Cada um a sua maneira.
Agora se o leitor pega o livro e procura nas entrelinhas críticas e comparações com a nossa própria realidade, ele irá adorar o livro. A autora utiliza de uma Ficção Científica Cyberpunk e Young Adult para criar uma caricatura de nosso mundo atual e deixar a mensagem para os leitores de que tudo existe um limite e que uma vida é muito importante, assim como a liberdade, o direito ao básico para a vida.
Um livro que critica exploração, descaso da sociedade e do governo, escravidão, prostituição e superficialidade do cotidiano.

Acredito no potencial da série! A autora deixou um gancho para a continuação, sem deixar decepcionados os que não pretendem ler o segundo livro e muito ansiosos os que querem logo tê-lo em mãos. Espero que mantenha o padrão, resolva enigmas, explore mais Blake, Tyler e Michael e que não caia em um romance meloso.

Retrato de uma Starter - Uma Descoberta
Série Starters - Livro 0.5 (e-book gratuito)

A Novo Conceito está disponibilizando um e-book gratuito intitulado Retrato de uma Starter – Uma Descoberta, que é uma introdução ao livro.
Você poderá baixar o PDF aqui.


Booktrailer:


A autora:
Lissa Price estudou Fotografia e Escrita, mas o mundo acabou sendo seu melhor professor. Ela passeou com elefantes em Botswana, nadou com pinguins em Galápagos e ficou em um campo rodeada de nômades em Gujarat, Índia. Ela foi cercada por búfalos Cape furiosos na África do Sul e cantou um refrão silencioso com cem belugas da costa de Oahu. Ela dançou na cabanas em casamentos na Índia e tomou chá com a socialite viva mais famosa de Kyoto. Quando ela se sentou para escrever, descobriu que as viagens mais surpreendentes ainda estavam em sua mente. Ela mora perto das montanhas da Califórnia do Sul com seu marido. Visite seu site.

O prêmio:







Sorteio:
Quer concorrer a um kit de Starters ceddo pela Novo Conceito? A promoção vai até o dia 07 de de dezembro. Clique aqui!


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