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16 de junho de 2013

Trilogia dos Templários, livro 1: Os Cavaleiros de Preto-e-Branco, Jack Whyte, Editora Record

Os Cavaleiros de Preto-e-Branco (Knights of the Black and White)
Trilogia dos Templários (The Templars) - livro 1
Jack Whyte - Editora Record
Tradução: Francisco Innocêncio
655 páginas - Ano: 2008 - R$69,90

Sinopse:
"Jack Whyte, um dos maiores autores britânicos de ficção histórica, célebre por seus romances arturianos, estréia na Editora Record com o primeiro volume da Trilogia dos Templários. Nesse livro, é narrada a iniciação do cavaleiro Hugh de Payens na Ordem do Renascimento no Sião, e sua ida a Jerusalém em busca de um valioso tesouro."

Links: Record | Skoob

Resenha:
Este é o primeiro volume de uma longa história: a Trilogia dos Templários, pelo escritor de romances históricos Jack Whyte. É realmente comprida, pois cada livro da saga é bastante grosso e conforme se inicia, muitas páginas esperam por você. Os Cavaleiros de Preto-e-Branco possui mais de 600; sua continuação, O Estandarte da Honra, quase 800. E o último volume, lançado em maio de 2013 pela Editora Record, Ordem no Caos, mais de 800.
Conheci o autor por outra saga e me apaixonei pela escrita dele. Ele não somente sabe escrever ficção histórica, como tem um modo muito particular de contar as aventuras e fatos. Novamente estou completamente extasiada com o talento de Jack Whyte.
Amantes de livros históricos que ainda não o conhecem precisam experimentar. Quem gosta de Bernard Cornwell, Steven Pressfield ou Conn Iggulden e ainda não leu Jack Whyte provavelmente vai acrescentá-lo à lista de melhores escritores de históricos e épicos.

A capa é simples, porém poderosa, demonstrando fielmente como um dos cavaleiros centrais aparentava em sua indumentária e durante a ação. As cores escuras e neutras da imagem mostram a seriedade do livro e o lado mais sombrio da história, enquanto o preto e o branco são cores predominantes, pois são as cores dos cavaleiros. E o vermelho completa o visual, porque muito sangue é derramado em pleno solo sagrado.
O trabalho de tradução é fabuloso. Sei que o autor possui um vocabulário fantástico e rico, mas não é preciso comparações para imaginar que o tradutor está à altura.
E a Record foi perfeita com o tratamento dado ao livro. O material gráfico, diagramação, todo o projeto merece nota dez. O livro vale cada centavo.

O livro pesa, então são necessários local e posição confortáveis. Eu realmente adoro livros grossos, embora digam que livro assim é melhor ser lido na versão digital. Adoro livros volumosos e com a aparência de imponentes.
No caso de Os Cavaleiros de Preto-e-Branco o nível de dificuldade de leitura é médio. Não é qualquer pessoa que está preparada para lê-lo e absorver todas as informações. Não afirmo apenas pela quantidade de páginas, mas principalmente pelo texto. O conteúdo é meticuloso; o vocabulário é extenso; a história é complexa.
A narrativa é em terceira pessoa e sempre mostra variados pontos de vista. Em uma mesma cena você sabe o que cada um dos envolvidos pensa; em outros momentos a narração permite ao leitor saber apenas um dos lados. Essa variação é benáfica e dinâmica. Conforme a necessidade o leitor sabe ou não o que cada personagem pensa sobre as coisas. Em certas partes o autor faz suspense.

Não é apenas uma aventura de cavaleiros templários duelando na Terra Santa - Não espere isso do livro, apesar disso existir nele. O livro possui doses de ação, mas o foco está nas mudanças ocorridas naquela época; nas intrigas políticas e religiosas; no desenvolvimento das personagens e suas motivações; e, claro nos fatos históricos.
Jack Whyte possui a facilidade em apresentar uma época remota e diferente ao leitor. Ele consegue dissecar o mito e a veracidade para extrair o melhor de cada lado ao criar seu texto. No caso dos Cavaleiros Templários é complicado distinguir fato de lenda. Whyte consegue tecer com firmeza um dos antigos mitos que mais curiosidade traz à humanidade
 Consegue retratar uma época, fatos e personalidades de forma única e completa, utilizando as maiores e mais sólidas informações e versões palpáveis que chega ao ponto de nos convencer de que provavelmente foi dessa forma que tudo aconteceu.
Com um talento para escrever mesclando ficção à dura e bem feita pesquisa histórica, uma saga foi criada para parecer verdadeira, fiel e ao mesmo tempo, épica!

A estrutura do livro foi bem projetada. O planejamento de dividi-lo em partes e fazer os anos se passarem com naturalidade é um ponto forte.
Ao abrir o livro o leitor se depara com frases verídicas e perturbadoras que já mostram a intenção clara do autor de mostrar como o que hoje conhecemos como Cavaleiros Templários, Cruzadas e Igreja Católica pode não ter sido exatamente como popularmente os conhecemos. O mito do Cristo, as origens dos conflitos de uma terra tão importante para três religiões distintas (irmãs e rivais) e o debate sobre lenda e verdade.
Em seguida segue-se a Nota do Autor. É uma profunda aula de História e curiosidades. Um estudo completo foi realizado e nessa introdução o autor nos convida a conhecer uma parte minúscula, mas interessante e valiosa.
Ele conta cronologicamente como nasceu o fascínio sobre os Templários e os mistérios que os envolvem como tesouros inacreditáveis.
Whyte compartilha também como sua curiosidade pessoal tornou-se objeto de pesquisa e como ele descontruiu as imagens caricatas e estereótipos entranhados no imaginário popular referentes aos Templários. Ele sabia que algo de oculto, secreto, concreto e verdadeiro deveria existir por detrás dos Cavaleiros. Opta então por mostras também os homens; por trás de uma Ordem existia uma motivação, um objetivo e é em cima de muitas informações colhidas e exploradas é que Whyte recriou o mito para ser o mais verídico possível, de acordo com suas convicções.
É fato que eles existiram como ordem por mais de dois séculos e foram muito poderosos, criando o primeiro sistema bancário internacional, acumulando propriedades, a maior marinha e frota comercial da época e, ainda por cima, sendo os responsáveis pelo exército fixo e oficial da Igreja Católica por um longo período.
Mas como tudo começou? Algo grandioso assim não nasce da noite para o dia, nem cresce instantaneamente. Como nasceu a Ordem dos Cavaleiros Templários? Essa é a história de Os Cavaleiros de Preto-e-Branco!

As partes do livro são: Nota do Autor, Nota do Tradutor, O Princípio (nove capítulos), Despertares (sete), Monges do Monte (três), A Tentadora (oito), Confissões (seis), Comprometimento (três), Cumplicidades (onze) e um epílogo.
Faltou apenas um mapa mostrando toda a abrangente área da Cristandade, Outremer... Faltou mostrar como eram as confusas e antigas fronteiras daquela época, pouco mais de 1000 depois de Cristo.
Décadas se passam durante a primeira e última página, portanto o livro está muito bem estruturado. As partes que mais gostei foram: A Tentadora (porque apresenta finalmente uma forte personagem feminina, item que eu pensei estar faltando no livro; de repente ela surge para movimentar e ampliar a trama.), Confissões (Traz grandes revelações históricas; a origem do Cristianismo e da Ordem do Renascimento do Sião, oriunda da Assembleia de Jerusalém; incrível como o autor expõe pesquisas históricas ao enredo dessa obra-prima.) e Cumplicidades (por ser a última parte finaliza a primeira etapa de forma a deixar o leitor muito curioso com a continuação da história da ordem e de todo o mundo ao redor).

O início também possui destaques: Como surgiu a ordem, como ela funciona, qual seu objetivo e como nela se ingressa. Acompanhamos o jovem Hugh de Payen e através de sua visão e inserção à ordem conhecemos um novo (velho) mundo.
Ao partir para a Terra Santa e descobrir os horrores da penosa realidade, Hugh passa por provações pessoais. O leitor o acompanha, entrando também em choque.
Temos então um novo de Payens - o criador dos Cavaleiros Templários. Todo o amadurecimento dele é reflexivo e possui um fundo histórico completo como acompanhamento.
Depois o foco também paira em Stephen St. Clair, um novato que se desenvolve, amadurece e evolui como personagem. Sua importância torna-se essencial à trama.
É muito fácil se apegar aos dois heróis, porque esse não era o objetivo deles. Tanto eles quanto os outros sete principais cavaleiros do livro, estão apenas em busca da verdade acima de tudo, superando até mesmo a religião ou família.

Os fatos mais interessantes da obra de Whyte: Alguns termos não existiam na época, foram criações posteriores, como Europa, Terra Santa, Cruzadas... Portanto o autor não utiliza esses termos, e sim os originais e seu desenvolvimento; Os cavaleiros integram uma ordem fortemente secreta e seleta. São escolhidos utilizando uma sequência de fatores e juramentados à segui-la acima de tudo. Ao receber uma missão impossível e de peso incalculável, Hugh convence a todos os envolvidos a se transformarem em monges, em busca do objetivo central e em nome da Ordem do Renascimento do Sião - uma nova ordem surge, mais secreta ainda; A ironia de tudo é que embora eles estejam com a Igreja Católica, não concordam com suas bases e querem provar que a fundação dela foi propositalmente equivocada e baseada em um mito. Eles buscam por provas concretas sobre sua prórpia verdade, mais antiga e contrária as da Igreja!

Temos oponentes poderosíssimos próximos aos cavaleiros. O inimigo está muito mais perto do que se imagina. Em uma terra exótica, cruel e imponente os cavaleiros precisam alcançar a verdade supostamente inatingível. Quanto mais perto eles estão de descobri-la, mais perigosa a missão se torna, mais convencidos eles se tornam dessa verdade e ao mesmo tempo mais obstáculos surgem.

Personagens fascinantes, intrigas políticas e religiosas. Segredos, mistérios, batalhas e aventuras. Luxúria, inveja e cobiça enfrentam honra, coragem e humildade. Cada um defende suas convicções e não mede esforços para atingir seus objetivos. Existem os que jogam sujo e os que agem em segredo.
Uma história lenta, longa e maravilhosamente bem construída e desenvolvida. Para leitores apaixonados por História, épicos; para leitores fortes.

Um livro que abala a formação, estrutura e fundamentos da Igreja Católica. Um livro que abala a História conforme a maioria do mundo ocidental a conhece!
Possuo o segundo volume para iniciar e mal posso esperar para poder finalizar essa trilogia incrível. Espero que gostem das resenhas.
Definitivamente Jack Whyte tornou-se um de meus escritores preferidos e um dia espero poder ler todas as suas obras. Atualmente ele escreve a quadrilogia Corações Valentes, mas tornou-se famoso por uma série inédita no Brasil: Camulod, sobre gerações ligadas ao Rei Artur.

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* Vocês também podem comprar os livros da saga diretamente com a Editora Record: Através do e-mail de marketing do Grupo Editorial Record mdireto@record.com.br ou o telefone (21) 2585-2002, de segunda a sexta-feira, das 8: 30 às 18:00 horas.

Outros livros da trilogia:

O Estandarte da Honra (Standart of Honor)
Trilogia dos Templários (The Templars) - livro 2
Jack Whyte - Editora Record
Traduçao: Francisco Innocêncio
798 páginas - Ano: 2010 - R$79,90

Sinopse:
"Nesta sequência de Os cavaleiros de preto e branco, três membros da família St. Clair são convocados para a batalha sem saber se estão lutando contra seu verdadeiro inimigo ou ao lado dele. O jovem André St. Clair, seu pai, Sir Henry e o primo, Alexander Sinclair se encontram em uma terra estranha e cheia de ameaças. A trajetória desses três cavaleiros é conduzida pelas intrigas pessoais e políticas dos líderes cruzados, levando a família – e a Ordem – à beira do desastre."

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Ordem no Caos (Order in Chaos)
Trilogia dos Templários - livro 3
Jack Whyte - Editora Record
Tradução: Francisco Innocêncio
812 páginas - Ano: 2013 - R$79,90

Sinopse:
"Em 13 de outubro de 1307, a Ordem do Templo chega ao fim. Sem qualquer aviso prévio, o rei Filipe IV, com o auxílio do jurisconsulto-chefe Guilherme de Nogaret e o aval do papa Clemente, organiza e envia seus exércitos para um ataque conjunto aos Comandos da França. Prende todos os cavaleiros templários presentes e mobiliza a Santa Inquisição para julgá-los. Devido à ambição de apenas um homem, os duzentos anos de história da Ordem terminam em apenas uma manhã.
No entanto, pouco antes da fatídica data, Sir William Sinclair é advertido sobre os planos do rei da França pelo grão-mestre da Ordem, Jacques de Molay. De imediato, viaja ao lado de seu primo Tam Sinclair até o Comando de La Rochelle, com o objetivo de investigar indícios do complô engendrado por Filipe IV antes que seja tarde demais. Eles levam consigo o maior segredo da irmandade: o Tesouro do Templo. Com as suspeitas confirmadas, Will organiza galés para a fuga dos últimos remanescentes da Ordem e da baronesa Jessica Randolph, uma mulher que parece conhecer a fundo a traição do rei e é capaz de despertar no cavaleiro instintos reprimidos por toda vida.
Temendo que a atitude de Filipe IV de França sirva como exemplo para outros reis da Cristandade, Will leva o que sobrou da Ordem para o único local seguro: a Escócia, sua terra natal. Lá, Robert Bruce, o rei dos escoceses e recém-excomungado pelo papa Clemente, realiza uma campanha contra a Inglaterra pela soberania do território, recebendo o dos cavaleiros templários, que gozam de sua aprovação e respeito.
Com a nova configuração do mundo à sua volta, Will lidera seus homens para um futuro incerto. Para garantir a sobrevivência dos últimos cavaleiros pertencentes à Ordem do Templo, disfarces precisam ser adotados, votos devem ser quebrados e um segredo — uma terra mítica — pode vir à tona."

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O autor:
Jack Whyte nasceu na Escócia em 1939, onde foi criado. Foi educado na Inglaterra e na França. Ele se mudou do Reino Unido para o Canadá em 1967, como professor de Inglês. Um ano depois ele começou a trabalhar como cantor profissional, músico, ator e artista - uma carreira que se seguiu pelos vinte e poucos anos seguintes.
No início dos anos 1970, Whyte pesquisou, escreveu, dirigiu e atuou em uma apresentação baseada na vida e nos tempos de Robert Burns, um poeta da Escócia. O espetáculo esteve em turnê por todo o Canadá e foi escrito para o público não-escocês e desmistificar o poeta e suas obras - o poeta escreveu em um dialeto chamado dórico, que caiu em desuso ao longo dos últimos 200 anos e é agora incompreensível até para os escoceses modernos - e o principal objetivo de Whyte era fazer com que as obras ficassem compreensíveis e agradáveis para o público. O sucesso do espetáculo levou-o a escrever para a rede de televisão do Canadá CBC, e eventualmente para uma carreira na publicidade, onde ele refinou a sua arte e suas habilidades de escrita, como escritor principal e diretor de criação de várias agências de publicidade antes de passar a diretor de comunicação corporativa de uma série de empresas públicas e privadas.
O interesse de Whyte pela História do século V e pela ocupação militar romana na Grã-Bretanha por 460 anos veio de sua educação clássica na Escócia durante a década de 1950. Juntamente com a curiosidade e preocupação sobre a lenda do rei Artur, Whyte decidiu em 1978, ir em busca da verdade sobre o mistério central da lenda da espada na pedra. Então, Whyte decidiu contar a história, estabelecendo um rei Arthur com segurança dentro de contexto realista e viavelmente histórico.
Sua saga demorou anos para ser concretizada através de investigação profunda. Continua a encantar seu público grande e crescente, tanto assim que em setembro de 2009, a Penguin do Canadá anunciou que seus livros esgotaram. Somente no Canadá essa saga vendeu mais de um milhão de exemplares, em um país onde apenas a contagem de 5 mil exemplares vendidos de um livro ou série já os classifica como best-seller.
Whyte é casado, tem cinco filhos adultos, e vive em British Columbia, Canadá.

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