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10 de outubro de 2014

A Viajante do Tempo (Outlander #1), de Diana Gabaldon e Saída de Emergência Brasil

A Viajante do Tempo (Outlander #1)
E se o seu futuro fosse o passado?
Outlander - livro 1
Diana Gabaldon - Coleção BANG! / Saída de Emergência Brasil
Tradução: Geni Hirata
800 páginas - Ano: 2014 - romance histórico
R$49,90 (impresso) e R$29,99 (e-Book).


Sinopse:
"Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosas. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.
Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente?"

Links: Saída de Emergência Brasil | degustação | Skoob | comprar

Resenha:
A Viajante do Tempo é o primeiro volume da série Outlander, escrita por Diana Gabaldon. Originalmente publicado em 1991, o livro teve sua primeira edição em 2004, pela Editora Rocco. Esta é a nova edição, publicada pela Saída de Emergência Brasil, responsável agora pela saga.
A mudança já ocorre na capa, muito mais bonita e convidativa. A diagramação e a qualidade do material do exemplar é a mesma dos livros da Coleção BANG!, ou seja, páginas levemente amareladas, com boas margens e fonte confortável. Particularmente, gosto muito do padrão que a Saída de Emergência Brasil possui.
Há alguns anos tenho estado de olho em Outlander, pois a mistura de romance histórico com protagonistas femininas fortes me atrai. No entanto, sempre deixava a compra do livro para depois, porque os exemplares eram caros e a série, extensa. É importante um pouco de tempo para dedicar-se a uma saga longa, especialmente se ela é histórica.
Ao ver que Outlander seria republicada no Brasil, resolvi esperar pelas novas edições.
Passei uma semana mergulhada na incrível trama de Diana Gabaldon e agora estou fascinada por sua criação. O livro começa um pouco lento, mas como os acontecimentos são interessantes, segura o leitor. Conforme a leitura progride, a narrativa torna-se irresistível e eletrizante. Antes o que parecia dispensável torna-se essencial. É notável, após o término, que o início não pode ser classificado como uma amostra de todo o estilo do livro, pois o enredo é desenvolvido excelentemente a partir da metade para o final. A progressão e o desenvolvimento são naturais, mas nítidos. São muitas reviravoltas e a autora é criativa, sempre introduzindo novidades.
Inicialmente eu pensava se não seria um exagero a crítica positiva e os inúmeros elogios feitos à Outlander, pois, embora bem escrito, o livro não parecia excepcional nos primeiros capítulos. Então, de repente, fui arrebatada e percebi o porquê de A Viajante do Tempo ser, para muitos, um dos melhores romances já lidos.
Estou apaixonada por Outlander e minhas expectativas para o próximo volume são tão altas que priorizarei sua leitura, além de encaixar a série de TV à minha rotina. Desejo verificar o quanto ela é fiel.

A Viajante do Tempo é um livro complexo, tanto nos detalhes e construção e desenvolvimento das personagens, quanto na definição do tipo de leitura. É uma obra que mescla vários gêneros literários.
A ficção científica é nítida na premissa: A protagonista viaja no tempo através de um monumento megalítico, saindo de 1945 e caindo em 1743 por um misterioso círculo de pedras.
É um romance histórico: Detalhes e descrições maravilhosas da Escócia do século XVIII estão presentes em todo o livro. Conhecemos a cultura, a sociedade e as tradições através da protagonista, deslocada e presa a um modo de vida estranho e perigoso.
É um livro romântico, porque Diana Gabaldon apresenta um casal interessante e bem entrosado. O relacionamento entre eles sobressai-se em boa parte do livro. Não chega a ser meloso, mas o romance está sempre presente e é o item principal.
Com suas várias classificações, é uma obra incrível de aventura! Os obstáculos enfrentados por Claire e Jamie movimentam a trama e os fortalecem, mesmo com todas as ameaças, aflições e sofrimento.
O livro é intenso em todos os sentidos. A tensão sexual entre o casal é forte e uma extensão do relacionamento fora da cama. As cenas são vigorosas e sensuais, não vulgares. A atração é irresistível e os diálogos, carismáticos. É impossível desgostar do romance - e é raro eu ser conquistada assim.
Já o lado sombrio traz violência, barbárie e abuso. Observando sempre que os valores éticos da época eram muito diferentes dos da atualidade. Se hábitos contemporâneos podem chocar, imagina os do século XVIII? Portanto, o livro carrega um nível moderado de violência, com sofrimento físico e psicológico.
É um romance completo, rico, cativante, vivo. Composto por itens curiosos sobre as sociedades escocesa e britânica de 1743. Kilts, clãs, celebrações, juramentos, hierarquia... O leitor encontra um pouco de tudo sobre a vida naquela época.
O pano de fundo histórico, com revoltas iminentes e intrigas políticas e disputas por liderança ou poder, é importante em Outlander.


A ambientação é as Altas Terras (Highlands) escocesas e o ponto de partida, Inverness. Uma região administrada por um sistema feudal familiar, os clãs escoceses, que enfrentavam constantemente a Coroa Britânica. Os Levantes Jacobitas estão prestes a atingir seu auge. Estrangeiros eram recebidos com grande desconfiança.
A narrativa é em primeira pessoa, sempre sob o ponto de vista da protagonista. O livro possui 41 longos capítulos e é dividido em 7 partes, de acordo com a localização da história, ou seja, da Claire, a protagonista e a viajante do tempo. Ela já conhece a história, pois vem de 1945. Ela é inglesa e ficou órfã desde criança. Foi criada pelo tio, um arqueólogo, que estava sempre viajando pelo mundo, para explorações e estudos - e Claire viajava junto.
Logo após casar-se com Frank, a Segunda Guerra Mundial explode e o casal é obrigado a se separar. Claire trabalha arduamente como enfermeira-chefe de um hospital. Ao término da guerra, Claire e Frank partem para uma romântica lua-de-mel, nas Terras Altas. Enquanto Frank pesquisa sobre seu mapa genealógico, que o leva até a história de um capitão do Exército Britânico, Claire passeia pelos campos abrangendo seu conhecimento sobre Herbalismo. Se fascina com um círculo de pedras, por ele acaba acidentalmente viajando ao passado e se separando de seu marido e sua vida no século XX.
Ingressando em um mundo distinto do seu, Claire está perdida. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente. O perigo maior é esconder o seu segredo, pois como ela poderia dizer que é apenas uma viajante do tempo, quando nem ela compreende esse mistério? Como retornar?
Todos desconfiam quando uma inglesa estranha, tanto em vocabulário quanto postura, surge sem possuir ligações concretas. Seus incríveis conhecimentos em medicina a salvam e a colocam em risco, ao mesmo tempo.
Claire é uma das minhas protagonistas femininas preferidas! Viva, completa e humana. A Sassenach (definição de inglês ou inglesa no gaélico escocês do século XVIII) é inesquecível. Somente alguém firme e inteligente para sobreviver em uma situação de risco como a que ela se encontra. Somente uma mulher decidida, intensa e de personalidade forte para conquistar (e domar) o selvagem Jamie, o protagonista masculino escocês. Outra personagem que me conquistou!
O casal é complexo, tem química e o mais atraente: Imperfeições. Mesmo discordando de suas ações, são amáveis.

O público alvo certamente é composto por leitores que admiram ficção histórica. Creio que A Viajante do Tempo seja uma obra unissex, mas devido a carga alta de romance, mulheres têm tendência a gostar mais que homens. O interessante é que sempre fui fã de romances históricos, e estes geralmente são voltados ao público masculino. Diana Gabaldon pegou alguns dos itens principais dessas obras e escreveu Outlander de um modo mais feminino. Resumindo: Então se eu gosto de Bernard Cornwell, sei que certamente muitos homens gostam de Diana Gabaldon. O importante não é a visão feminina ou masculina e sim a reflexão sobre outra sociedade que Outlander remete. Acima de tudo, é uma história de qualidade!
O livro tem situações variadas: Lealdade, amor, sexo, violência, ação, intrigas, conspirações, lutas.


Neste ano, Outlander ganhou sua adaptação televisiva, produzida pela Starz (responsável por Spartacus) e na primeira temporada, baseada em A Viajante do Tempo, destacam-se Caitriona Balfe como Claire Randall e Sam Heughan como Jamie Fraser. A parte um da primeira temporada teve 8 episódios. A série retornará com a parte dois está programada para 04 de abril (e terá mais 8 episódios).
A segunda temporada tem previsão para conter 13 episódios e será a adaptação do próximo volume da saga, A Libélula no Âmbar (Dragonfly in Amber). Este será publicado pela Saída de Emergência Brasil em 05 de novembro de 2014 e terá 944 páginas.

O próximo livro.
Extraído da Revista BANG! Brasil nº 1. Download da revista qui.

Booktrailer:



Trailer da série de TV (em inglês):



Site oficial da série.

A autora:
Diana Gabaldon cresceu no Arizona, Estados Unidos da América, e é de ascendência mexicana-americana e inglesa. Tem formação em Zoologia, Biologia Marinha e Ecologia. Foi professora universitária durante mais de doze anos antes de se dedicar à escrita em tempo integral.
Outlander, A Viajente do Tempo, é o primeiro volume da sua série de enorme sucesso mundial, adaptada para a TV em 2014.
Vive atualmente em Scottsdale, no Arizona.

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