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4 de dezembro de 2014

A Árvore do Halloween, de Ray Bradbury e Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record)

A Árvore do Halloween (The Halloween Tree)
Ray Bradbury - Bertrand Brasil / Grupo Editorial Record
Ilustração: Joseph Mugnaini
Tradução: Natalie Gerhardt
160 páginas - Ano: 2014 - R$38,00
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Sinopse:
"Na noite do dia 31 de outubro, em uma pequena cidade dos Estados Unidos, oito garotos vestem suas fantasias e saem às ruas em busca de “Gostosuras ou Travessuras”. Ao perceberem o desaparecimento de um nono integrante, o grupo decide explorar a casa mal-assombrada do outro lado da imensa ravina. Nos fundos da propriedade, eles descobrem uma gigantesca e magnífica árvore, repleta de abóboras de diferentes tons, formas e tamanhos. Em cada uma delas, há um rosto talhado. Eles nem imaginam o que estão prestes a conhecer.
A trama, por meio de metáforas e personagens históricos, dá uma aula a respeito desta data tão comemorada ao redor do planeta. Os jovens, na perseguição pelo amigo desaparecido, viajam pelo tempo, passando pelo Egito Antigo, pela Grécia dos filósofos, e pela Paris medieval, aprendendo as origens do Halloween, bem como o porquê do terror, das mortes e das assombrações associados a ele. 
Ray Bradbury é considerado pela crítica um dos autores mais importantes de todos os tempos e o maior escritor de ficção científica e fantasia do século XX."

Resenha:
A Árvore do Halloween (The Halloween Tree) foi publicado pela primeira vez em 1972, nos Estados Unidos. No Brasil, a obra do mestre da Ficção Fantástica, chegou em 2014 em linda edição pela Bertrand Brasil (Grupo Editorial Record). A história é uma raridade: Atemporal e para todas as idades, portanto imperdível.
Ray Bradbury (1920-2012) é um dos mais importantes escritores do mundo, especialmente conhecido por clássicos como Crônicas Marcianas (1950) e Fahrenheit 451 (1953), leitura obrigatória para os fãs de Ficção Científica e para quase todos os leitores em geral. Pela Bertrand Brasil foram publicados os livros Algo Sinistro Vem Por Aí (2006 - Something Wicked This Way Comes, 1962) e Licor de Dente-de-Leão (2013 - Dandelion Wine, 1957).
Ray Bradbury possui inúmeros prêmios importantes e suas histórias já foram adaptadas para diversas mídias, como cinema, rádio, televisão, teatro e quadrinhos. A Árvore do Halloween foi adaptada pela Hanna Barbera em 1993, originando uma animação de pouco mais de 1 hora de duração e com narração e roteiro do próprio Bradbury. Estou bastante curiosa a respeito do desenho e espero ter a chance de assisti-lo.

Durante minha experiência de leitura, A Árvore do Halloween se desenvolveu livremente, sem esforço de minha parte; me encantou exatamente como uma animação, porém com um visual sombrio, mas vivo; melancólico, porém bonito. É uma história alegre e triste ao mesmo tempo, mantendo sempre o espírito aventureiro e assustador. Pude vislumbrar uma produção intensa e de aspecto intrigante e agradavelmente bizarro.
Se você assistiu às principais obras do cineasta Tim Burton e gostou, as chances de curtir o visual que Bradbury poeticamente criou com sua narrativa, são enormes. A Árvore do Halloween me lembrou bastante O Estranho Mundo de Jack (1993, The Nightmare Before Christmas), tanto pela aparência como temática, e também A Noiva Cadáver (2005, Corpse Bride) e Frankenweenie (2012).
Até mesmo as belas e rebuscadas ilustrações de Joseph Mugnaini (1912-1992), que compõem o livro em preto-e-branco, remetem a este pensamento, mas devemos ter em mente o fator principal: A Árvore do Halloween é de 1972, mais antiga que qualquer uma dessas animações citadas!
A narrativa é em terceira pessoa e um espetáculo: O autor consegue manter o tom poético e juvenil em todo o texto, mantendo o foco em meio aos acontecimentos mágicos e fantásticos. Uma escrita intrínseca e especial, como escassamente se encontra.


Dividido em dezenove capítulos, o livro se inicia com um grupo de oito meninos, na faixa de 11 a 13 anos de idade, se encontrando para o tão aguardado feriado preferido: O Halloween. Todos vestidos à caráter, com fantasias e máscaras e adereços, eles assumem por uma noite uma nova identidade, todos em busca de uma grande e terrível aventura. É mais que apenas "Gostosuras ou travessuras", é a noite mais esperada do ano!
O nono menino, logo o mais especial, divertido e querido, não tem o figurino pronto, além de parecer doente. Pipkin não parece poder participar do Halloween, para frustração dos amigos: Tom, o Esqueleto; Henry-Hank, a Bruxa; Ralph, a Múmia; Fred, o Mendigo; J. J., o Homem das Cavernas; Hackles, a Morte; George, o Fantasma; e Wally, a Gárgula.
Pipkin combina então de reencontrar mais tarde os meninos, que vão parar na pitoresca e assombrada casa da pequena cidade em que vivem. Os amigos de Pipkin encontram a maravilhosa e tenebrosa Árvore do Halloween com infinitas abóboras estilizadas iluminadas em seus galhos. O morador da propriedade singular é o fantasmagórico, sinistro e convidativo Senhor Montarlha. Convidativo, porque embora seja amedrontador, ele parece deslumbrante aos olhos dos meninos em busca de agitação.
Para salvar Pipkin, a turma fantasiada se une ao enigmático Montarlha e tem a sua noite de Halloween mais excitante, perigosa e agitada. Eles viajam em uma sucessão ininterrupta de acontecimentos assombrosos e extraordinários, extrapolando tempo e espaço. Descobrem que por trás da realidade existe um mundo fabuloso de fantasia, como universos paralelos. Para os meninos, essas versões se mesclam em ocorrências terríveis e, ao mesmo tempo, encantadoras.
Em uma única noite, os eles mergulham em uma louca odisseia para o salvamento de Pipkin, vivenciando a magia da história do Halloween, por toda a existência humana.
Cada fantasia integra uma dessas passagens e possui significado, em menor ou maior escala. Estejam atentos a cada viagem, a cada fato histórico, a cada lenda. Tudo se interliga a uma linha cronológica.
Viaje da Pré-História até a atualidade, voando em vassouras, pipas, conhecendo figuras mitológicas, seres estranhos e antigas tradições. Descubra quem é o Senhor Montarlha, essa persoangem fabulosa que rouba a cena, e o que acontecerá ao grupo de amigos. Veja a noite chegar e sinta o medo do sol jamais nascer novamente. Viva, morra, renasça...


Bradbury arrebata e surpreende o leitor mostrando a verdade sobre o Halloween e a mensagem genuína que esta data carrega, mais profunda que a maioria das pessoas imagina. Além disso, o texto é belo, intrigante, misterioso, divertido e criativo. Em prol da amizade verdadeira, um grupo de meninos corajoso e inocente é capaz de enfrentar o perigo, a escuridão e a morte.
Bradbury teceu um clássico genuíno, uma assustadora e encantadora trama que conta a trajetória do que conhecemos atualmente como Halloween. Com uma aventura de Ficção Fantástica e da literatura juvenil de alto nível, prova que o Halloween não é apenas uma data de doces ou trotes, ou simplesmente o Dia das Bruxas. Na verdade, o Halloween é uma celebração universal, presente em diversas culturas, localidades e épocas. Uma comemoração em respeito à morte e à vida; luz e escuridão - tão antiga quanto o próprio ser humano.
Um mito universal, não importa o dia comemorado ou o modo: O Banquete de Samhaim, A Era dos Mortos, O Dia dos Mortos, El Dia de Muerte, Todas as Almas, Todos os Santos, Dia de Finados, Halloween!
Gostosuras ou travessuras? Uma das minhas mais satisfatórias e prazerosas leituras de 2014.

O autor:
Ray Bradbury nasceu em Waukegan, Illinois, em 1920. Terminou, em 1938, o ensino médio e, com isso, sua educação formal. Mas Bradbury continuou por conta própria - à noite, na biblioteca; durante o dia, em sua máquina de escrever.
Antes de se tornar um dos nome consagrados da Ficção Científica, vendeu jornais nas esquinas de Los Angeles. Seu primeiro conto veio a público em 1941, e sua obra foi selecionada para as melhores coletâneas de contos americanos em 1946, 1948 e 1952. Entre os prêmios cumulados por Bradbury estão o O. Henry Memorial, o Benjamin Franklin e o prêmio da Associação dos Escritores de Aviação Espacial, pelo melhor artigo sobre o espaço.
Bradbury escreveu para televisão, rádio, teatro e cinema. Foi publicado em todas as mais importantes revistas americanas. Edições de seus romances e contos se espalharam por todos os continentes, em muitos idiomas.
Sua obra é consagrada mundialmente. Entre suas obras podemos citar: As Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451. Pela Bertrand Brasil, já publicou Algo sinistro Vem Por Aí e Licor de Dente-de-Leão.
Faleceu em 2012.
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