[Resenha] A Ressurreição da Fênix: o Retorno de Jean Grey de Matthew Rosenberg e Panini Comics (Marvel Comics)

A Ressurreição da Fênix: o Retorno de Jean Grey (Phoenix Resurrection: the Return of Jean Grey)
Matthew Rosenberg - Panini Comics (Marvel Comics)
Desenhos: Leinil Francis Yu, Carlos Pacheco, Joe Bennett e Ramon Rosanas - arte-final: Gerry Alanguilan, Rafael Fonteriz, Lorenzo Ruggiero e Belardino Brabo
Cores: Rachelle Rosenberg - capas: Leinil Francis Yu - letras: Denise Araújo
Tradução e adaptação: Mario Luiz C. Barroso
148 páginas - R$ 22,90 - distribuição nacional em bancas e comic-shops - comprar

Sinopse:
"Quando estranhos eventos começam a ocorrer por todo o mundo, Kitty Pryde, o Velho Logan e Ciclope lideram equipes ao redor do globo à caça de eventos ligados à Fênix. Enquanto isso, uma jovem chamada Jean começa a enlouquecer em sua pacata vida suburbana. Pesadelos e devaneios se derramam no mundo e revelam as rachaduras em sua realidade. Jean precisa escapar. Os X-Men precisam deter o ciclo de morte que a Fênix traz consigo. E seus mundos estão prestes a colidir. violentamente!
(Phoenix Resurrection: the Return of Jean Grey volume 1 #01-05)."

Resenha:

Uma das sagas mais importantes dos X-Men foi publicada em 1976: em a Saga da Fênix, Jean Grey, uma x-man telepata e telecinética, se tornou a receptora da Força Fênix. Na tentativa desesperada para salvar os X-Men, seu corpo não resiste e à beira da morte, ela dá um grito mental de socorro e a entidade cósmica Fênix a acolhe, fundindo-se a ela. Jean ressurge como a Fênix, se tornando uma das personagens mais poderosas da Marvel. Em 1980, após sofrer controle mental de um vilão, Jean se torna a Fênix Negra, provocando uma catástrofe indescritível. A Fênix precisava ser parada e numa das HQs mais icônicas da Marvel, Jean se sacrifica e morre. Mas ela retorna e integra o X-Factor, a equipe Dourada dos X-Men e os Novos X-Men, consecutivamente. Jean/Fênix se consolidou como uma das personagens mais importantes dos X-Men ao longo das décadas. Mas em 2004, durante a saga Planeta X (Planet X) Jean morre definitivamente e o fato é consolidado no ano seguinte em A Derradeira Canção da Fênix (Phoenix Endsong).
Há anos espero pelo retorno de uma das minhas super-heroínas preferidas. Não um clone nem uma versão alternativa de Jean ou a Força Fênix em outro hospedeiro. Eu queria Jean Grey. Somente em 2017/2018 a Marvel trouxe Jean de volta.


Este é o momento! A Panini Comics Brasil reuniu as 5 edições da minissérie Phoenix Resurrection: the Return of Jean Grey em um encadernado em volume único lançado em março de 2019 nas bancas tradicionais e comic shops, em edição em capa cartão e miolo em papel LWC (lightweight coated). O roteiro é de Matthew Rosenberg e cada capítulo foi ilustrado por artistas diferentes.


No primeiro, Visões no Sol, o desenho é de Leinil Francis Yu com arte-final de Gerry Alanguilan (dupla que também fez o último capítulo), iniciando a trama com um caso muito misterioso envolvendo crianças de uma cidade do interior do estado de Nova York e os X-Men vão investigá-lo. No entanto, uma pessoa da equipe X é ferida. Cérebro, a máquina que detecta pessoas com o gene X tinha alertado sobre o fenômeno; mas além, sinalizou outros três: um em Manhattan, outro no sul da França e o último no polo norte. Kitty Pride lidera os X-Men e designa três equipes para checarem os locais marcados por Cérebro


Na segunda parte, Meras Aves Inferiores, a arte é de Carlos Pacheco com finalização de Rafael Fonteriz, Jean Grey trabalha como garçonete numa cafeteria/lanchonete numa cidade não definida rodeada por situações simples de cotidiano padrão de interior dos EUA. O lance são as pessoas que interagem com ela: personagens que já morreram. Os X-Men seguem tentando compreender os acontecimentos estranhos de suas recentes missões e deduzem que a Fênix voltou.
Na HQ seguinte, Uma Constelação de Possibilidades, com ilustrações de Joe Bennett e arte-final de Lorenzo Ruggiero (parceria que se repete na quinta edição), mergulhamos ainda mais dentro de Jean, que está sofrendo com pesadelos e alucinações, presa na cidade misteriosa. São cenas que se ligam à vida de Jean, mas ela não se recorda de nenhuma. É profundo e com algumas referências de HQs passadas; como fã antiga, achei isso positivo e garanto que não deixará demais leitores perdidos.


Na penúltima parte, Uma Princesa Cai, mas não Morre, com ilustrações de Ramon Rosanas, o enredo alcança seu máximo e os X-Men encaram a grande questão central, enquanto Jean confusa está cada vez mais perto da Fênix.
No desfecho, Que o Fim Seja Você, Jean fica de frente às suas memórias, sentimentos e dúvidas, do passado e presente, tudo junto e de uma só vez, além de se encontrar com a Força Fênix. Dois X-Men desempenham papéis muito importantes, por serem muito ligados à Jean. Mas somente ela pode resolver o problema. Achei este momento fenomenal! À altura de Jean, de Fênix e das HQs clássicas no estilo de Chris Claremont. Foi forte, inesquecível e de excelente carga emocional; bastante épico!


O defeito para mim foi que as participações me pareceram excessivas, com muitos heróis em cena apenas fazendo figuração. É compreensível que todos os X-Men sejam acionados, porque a Força Fênix não é uma missão ou caso rotineiro, é urgência máxima, mas senti falta de espaço para uma interação melhor de Jean com Logan, Tempestade, Fera e Homem de Gelo, por exemplo, os mais próximos dela dentre os presentes, mas imagino que esta será pauta para próximas aventuras. Talvez a intenção do uso de quantidade grande de personagens tenha sido uma homenagem.


Gosto das Sagas da Fênix e da Fênix Negra, especialmente a ligação entre a entidade cósmica e Jean, afinal, ela é uma das minhas  x-man preferidas! Na verdade sempre achei que seu potencial é constantemente desperdiçado. Por muitas vezes sentia que os roteiristas estavam sempre subestimando-a, fazendo com ela ela fosse controlada facilmente por outras personagens ou nunca atingindo o máximo de suas habilidades (sem se descontrolar); sendo reduzida a hospedeira da Fênix ou até mesmo sendo clonada. Reduzida à companheira de Scott Summers, o Ciclope, em diversas passagens relacionadas à genealogia louca deles (sou team Logan). Sua morte definitiva em 2004/2005 (no Brasil em 2005/2006) me deixou frustrada, pois achei desnecessária. Senti muita falta da personagem clássica e estava sempre torcendo por seu retorno. Assim como eu, muitos fãs ansiavam por esta publicação. Ele pode ser lido por qualquer pessoa, pois é um arco fechado e independente, mas quanto mais antigo ou consciente da cronologia X o leitor for, melhor o aproveitamento e a emoção.
O roteirista teve uma responsabilidade muito pesada, pois precisava respeitar uma personagem antiga muito querida e ao cânone de décadas, mas também dar sentido a tudo, mostrar a importância dela nos X-Men. Até porque nem todos a queriam de volta. Só espero que a tratem de forma digna, conforme merecido. Espero muito por mais aventuras de Jean nos X-Men, pois com ou sem a Força Fênix, ela é poderosíssima e uma personagem de enorme importância, potencial e histórico.


Acredito que a aquisição da Disney pela Fox (os direitos cinematográficos da franquia X no cinema remanejados para a Marvel Studios) tenha contribuído para o interesse da editora em realizar o retorno de Jean nas histórias em quadrinhos. Os X-Men (e o Quarteto Fantástico) merecem o respeito de outrora, da época em que eram o destaque da Marvel ao lado do Homem-Aranha.
O encadernado apresenta todas as artes das capas originais de Leinil Francis Yu em folha inteira, além de vinte capas variantes! São de estilos diferentes, com a evolução da personagem e seus variados uniformes/visuais e com referências clássicas. Muitas são lindas, mas todas interessantes. Treze estão em folhas inteiras como as originais (Stephanie Hans; Mukeshi Singui; In-Hyuk Lee; Arthur Adams; Jenny Frison; Skottie Young; Artgerm; e Marcos Martin), três dividindo uma página (John Tyler Christopher; John Byrne & Federico Blee com Michael Kelleher; e Kamome Shirahama) e uma montagem com cinco capas alternativas de Victor Hugo que saíram em cinco edições diferentes (#02-05 da minissérie e a #11 de Jean Grey).



(As capas originais)






Observações: A saga se passa entre Jean Grey #10 e #11 (no Brasil é Jean Grey Volume #02 que foi publicado em fevereiro). Alguns eventos são citados, mas não é essencial ter lido a HQ Jean Grey; a faixa etária recomendada pela Marvel Comics para esta HQ é a partir de 13 anos; Este encadernado não tem nada a ver com The Phoenix Resurrection Genesis de 1995 de Marvel Versus Ultraverso (no Brasil foi publicado em 1998 pela Mythos como A Ressurreição da Fênix).

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