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Série Eva, volume 1, Anna Carey e Galera Record

Eva (Eve)
Série Eva - volume 1
Anna Carey - Galera Record
Tradução: Fabiana Colasanti
288 páginas - Ano: 2013 - R$35,00

Sinopse:
"A guerra dos sexos está apenas começando... No futuro, uma praga mortal aniquilou a população da terra. Homens e mulheres seguem segregados. Os meninos são mandados para campos de trabalho forçado. As meninas, para Escolas onde aprendem uma profissão chave na reconstrução mundial. Mas as aparências enganam... E Eva está prestes a descobrir que a verdade pode ser muito mais terrível do que o vírus que varreu seu país. Está prestes a descobrir que seu futuro pode ser mais parecido com a da primeira mulher a levar seu nome..."

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Resenha:
Entre tantas distopias juvenis semelhantes, Eva se destaca pela originalidade e por realmente mostrar um futuro catastrófico. Deveria estar recebendo mais olhares dos leitores brasileiros.
Iniciando pela capa, não apenas bonita, mas também extremamente simbólica. A protagonista corre por uma ponte, cena que ocorre mais de uma vez no livro. Em todas essas ocorrências, passagens não apenas físicas; também psicológicas. Mudanças bruscas, frenéticas e essenciais.

O livro é também um thriller de ação, pois Eva percorre diversos caminhos, literalmente correndo, fugindo, se escondendo. Descobrindo um mundo real, sofrido e que machuca. Uma realidade dura e cruel. Nada que foi mostrado e ensinado a ela é verdade. Ela descobre que além de enganada por toda a vida, estava trancada em uma redoma de fantasia. Um mundo que não existe foi falsificado. Tudo que ela aprendeu e todos os ideais que Eva acredita e segue... não existem!
O pior: A verdade é inacreditável aos olhos dela. Dói perceber que foi preparada para uma vida ilusória e que a realidade é um pesadelo, uma prisão. Que foi criada e mantida segura para servir a um propósito desumano de escravidão física e mental.
Toda a dedicação e obediência aos estudos, todo o seu esforço para ser uma menina prodígio, toda uma vida... Tudo desmorona em apenas uma noite, em uma descoberta que durou apenas alguns minutos. O choque, o terror e a verdade chegam até Eva machucando-a e assustando-a.
Esse é um dos melhores inícios de distopias juvenis já lidos por mim. Ainda mais por ser mulher, afirmo que gelei por dentro acompanhando Eva quando ela presenciou a verdade - e seu doloroso futuro. Futuro que para ela começa no dia seguinte! E agora, como reagir, como escapar? Essa é a premissa do livro.

A ação é ininterrupta. Eva precisa se salvar. Ao mesmo tempo, embora seja inteligente, ela não possui experiência alguma de como viver fora da Escola. Todos os livros e conteúdo não servirão de nada para a sobrevivência no mundo real.
A raça humana foi assolada e quase que extinta por um vírus poderoso. Os órfãos sobreviventes são essenciais para a humanidade se reerguer e não desaparecer. Meninos e meninas possuem papéis fundamentais, porém diferentes, não é? Não.

A narrativa é em primeira pessoa, a protagonista. Acho que seria mais interessante se fosse em terceira pessoa, mais neutras, porém sob o ponto de vista principal de Eva. Não tenho reclamações, adorei a narrativa. É apenas uma curiosidade que tenho em relação ao livro, de como seria narrado de outro modo.
Interessante que nesta distopia quem comanda o mundo de Eva é o Rei. Sim, é uma monarquia assumida, pouco mostrada.
Muito sarcástico e ousado ver que a nova geração desconhece totalmente o passado, como por exemplo, marcas famosas e História, nem sabem seus aniversários e coisas fúteis como signos.

O começo do livro traz como apresentação uma carta antiga, de mãe para filha. Doce e triste. Simultaneamente, um breve informativo ao leitor sobre a praga e o desespero. Traz ainda uma carga de esperança, sentimento quase sempre presente no ser humano perante as catástrofes. É a mãe de Eva deixando algo além de vagas lembranças para a querida filha. Depois o livro é dividido em vinte e cinco capítulos muito bem estruturados e planejados. São curtos e a autora não perde tempo com cenas sem importância.

Eva é a aluna mais brilhante da Escola. Ela é promissora, bonita, curiosa e supostamente a moça intelectualmente mais importante para a Escola e, consequentemente, para o Reino. Existe mais por detrás disso!
Sem contato algum com o sexo masculino, além das aulas e disciplinas escolares, todas são instruídas a se prevenirem às investidas masculinas, a não se deixarem levar por falsos rapazes em busca de as explorarem. Meninos são perigosos, homens são mortais. É assim que Eva é criada: Para ser uma importante profissional, se formar e depois contribuir para o crescimento da humanidade na Cidade de Areia, longe do sexo oposto, que apenas prejudica a vida e prosperidade.
O leitor vai aprende com Eva que todo esse mundo é falso, como uma surra física e um choque psicológico e moral. A grande questão é: Então, qual é a verdade?? Como é o mundo real? Onde estão os integrantes do sexo masculino?

Califia surge como um suposto local seguro. Uma utopia em meio a um mundo aterrorizante. A vida real é diferente da apresentada a Eva. É pior. E mesmo sendo esperta, a moça não tem malicia nem informações confiáveis de como sobreviver nesse mundo e enfrentar a longa e perigosa jornada para chegar ao local gerado através de um boato. Será que Califia existe? Será mesmo seguro?
E ao iniciar a viagem, sem nada além da companhia da inconstante e não-confiável Arden, uma aluna rebelde da Escola. No entanto, ela parece conhecer mais o mundo. Ao menos mais que a frágil Eva. Juntas elas precisam desbravar os inúmeros perigos em busca de uma cidade utópica segura para as mulheres.

É isso que prende ao leitor ao livro: A correria de Eva e Arden em busca de algo que talvez nem exista, os perigos sádicos encontrados pelo caminho, as descobertas chocantes aos olhos das duas adolescentes, que começam como quase inimigas e no decorrer do livro, descobrem que possuem muito mais coisas em comum que desavenças. Aos poucos se tornam próximas e se unem para sobreviverem.
A grande sacudida que o livro traz ao leitor é quando descobrimos o outro lado da moeda: Como vivem os meninos? Os adolescentes do sexo masculino, o que são feitos deles. Se a autora não se deu por satisfeita em nos fazer tremer em relação à função das mulheres, ela ainda nos congela ao mostrar para quê os órfãos meninos servem.

Caleb e um grupo de meninos e moços surgem no caminho de Eva e Arden, repercutindo uma série de eventos alucinantes e nos apresentando várias personagens. Outro lado obscuro do mundo é mostrado. Os meninos da caverna me fizeram pensar em dois grupos da ficção cinematográfica (as crianças do deserto de Mad Max 3: A Cúpula do Trovão e os Meninos Perdidos de Peter Pan da Disney), porém estes da série Eva formam um grupo mais realista e nada lúdico.
De uma forma geral o mundo é uma distopia verdadeira e muito convincente. Foge um pouco dos padrões que trouxeram a distopia de volta à moda. Nem superior nem inferior aos livros mais vendidos do gênero atual, no entanto é diferente e criativo.
Menos politizado e sem triângulos amorosos clichês, Eva traz um apocalipse humano. Como vivem esses órfãos, sejam meninos ou meninas, é chocante.
Caleb é uma personagem carismática. Um rapaz que não teve os estudos de Eva, mas se mostra bastante inteligente. Naturalmente herói, é protetor e robusto. Ele se torna uma pessoa muito importante para a história. Eva evolui muito, se tornando corajosa e mais sentimental.
Por um momento o livro esfriou, porque o impacto do começo é grande. Pensei que fosse cair na mesmice romântica em que muitas distopias atuais caem, porém o livro voltou a me surpreender. Foi um alívio. Depois a reta final retomou a ação e eu adorei o resultado geral.

O livro não aborda apenas as diferenças entre os sexos, mas demonstra a importância da figura materna, assumida por Eva naturalmente por algum tempo. Mostra todas as facetas que uma mulher, mesmo jovem, pode assumir.
Menina, mulher, mãe, filha, irmã... Eva é um pouco de tudo no livro. Menina, com ingenuidade e curiosidade de uma criança; mulher, com a paixão e sexualidade aflorando como uma adolescente; mãe, ao cuidar e ajudar às crianças menores e órfãs; filha, ao jamais deixar de se lembrar e se apegar ao carinho deixado no coração por sua mãe; irmã, pois a amizade dela com Arden se fortalece. Eva simboliza a riqueza da mulher. A força e a fragilidade!

O enredo é fenomenal, os eventos são emocionantes e o ritmo do enredo é acelerado. As personagens são reais e o final é empolgante e ao mesmo tempo, desconcertante. Deixa a grande ponta para ligar-se à continuação. não espere um final morno e aconchegante; você ficará se remoendo pela continuação!

A autora:
Anna Carey é o autora da Trilogia Eva (o primeiro volume chegou ao Brasil em dezembro de 2013) e da próxima série Blackbird (inédita, com previsão para meados de 2014).
É formada pela Universidade de Nova Iorque e tem Mestrado em ficção pelo Brooklin College.
atualmente vive em Los Angeles.
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