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10 de agosto de 2012

2013 - Ano Um, vários autores, Editora Literata/Editora Ornitorrinco

2013 - Ano Um
Convidados: Gerson Lodi-Ribeiro, Roberto de Sousa Causo, Duda Falcão, Ademir Pascale, Ana Lúcia Merege, Adriano Siqueira e Tibor Moricz.
Selecionados: A. Z. Cordenonsi, Carlos Relva, Paulo Fodra, Sandro Quintana, Josué Oliveira, Daniel Tréz , João Rogaciano e Marcelo Bighetti.
Prefácio: Cesar Silva - Organizadores: Alícia Azevedo e Daniel Borba
Editora Literata/Editora Ornitorrinco
204 páginas - Ano: 2012

Sinopse:
"Séculos atrás, os maias previram que o mundo chegaria a um fim catastrófico, após passar por cinco ciclos de existência. Com seus vastos conhecimentos de astronomia, concluíram que raros alinhamentos estelares, associados às posições do Sol e da Terra, trariam a destruição do mundo como o conhecemos.
A destruição prevista pelos maias viria através do Sol. A estrela, que antes proporcionava condições para a vida na Terra, passaria a emanar cada vez mais energia, fazendo com que a vida na Terra tivesse um fim trágico.
O calendário maia indica uma data exata para essa destruição: 21 de dezembro de 2012.
Somam-se à profecia inúmeras crenças, previsões científicas e místicas, assim como fatos que são conhecidos de todos. O Sol atingirá, entre 2012 e 2013, o nível mais alto de emissões energéticas dos últimos anos. Diversas organizações internacionais afirmam constantemente que o degelo das calotas polares é irreversível. As agências espaciais reafirmam que não existe tecnologia capaz de impedir a colisão de um asteróide com a Terra. O aquecimento global tende a aumentar de maneira descontrolada. A escassez de alimentos é uma ameaça constante. Catástrofes naturais são cada vez mais comuns.
Seja qual for a causa, muitos acreditam que a civilização humana, ou até mesmo o mundo que a abriga, está com os dias contados. Muito já se escreveu e falou sobre as catástrofes e destruições que estão por vir. De um modo ou de outro, o mundo sempre acaba. Como o próprio ciclo da vida, tudo tem um fim. Mas também tem um recomeço. Não queremos saber do fim, sim desse recomeço.
E se o mundo acabar? E se os maias estiverem certos? E se você sobreviveu? O que fazer nessa situação?
Chegou a hora de repensar tudo isso e preparar o mundo para o que virá depois do fim. Como acabou não é importante. O que importa é que acabou, e agora?
O desafio proposto aos autores dessa antologia foi escrever não sobre o fim do mundo, mas sim sobre o recomeço de uma nova era, e quem sabe até avançar no futuro para nos dizer o que acontecerá a partir de 2013.
Esse ano terá a singularidade de marcar a raça humana.
Em uma iniciativa da Editora Ornitorrinco em parceria com a Editora Literata foi pedido aos autores que embarcassem nessa viagem e vislumbrassem um futuro que foi previsto há milhares de anos.
Foram selecionados autores que se juntarãm aos convidados para nos contar como será o pós-apocalipse.."


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Conto a conto:
  • Terra Brasilis - Gerson Lodi-Ribeiro;
  • A Rapineira - A.Z. Cordenonsi;
  • Antigos - Duda Falcão;
  • A Imagem do Homem - Carlos Pascale;
  • O Último Homem - Ademir PAscale;
  • Projeto Olimpo - Paulo Fodra;
  • Para Viver na Barriga do Monstro - Roberto de Sousa Causo;
  • Os Filhos do Dragão - Sandro Quintana;
  • Reino - Josué Oliveira;
  • O dia em Que As Nuvens Caíram - Adriano Siqueira;
  • Irmãos do Espírito - Daniel Tréz;
  • Deixando o Condado - Ana Lúcia Merege;
  • Sempre O Sol - João Rogaciano;
  • O Retorno - Marcelo Bighetti;
  • Mariana - Tibor Moricz.
Resenha:
Apesar de existirem falhas na revisão e diagramação bem pequenas, devo elogiar o livro como um todo, analisando sua qualidade gráfica. Fonte no tamanho ideal e cor da página perfeita para a leitura, embora as margens sejam um pouco estreitas. Todos os escritores possuem uma mini biografia ao término de seu conto e a primeira página de cada um ser de fundo preto deixa o livro interessante.
As orelhas são de bom tamanho com informações sobre o livro e antes do prefácio existe um sumário.
Elogio muito a capa, que ao vivo é mais rica e detalhada que pela internet. Ela não é apenas preta e cinza, dá a sensação de possuir um levíssimo prateado conforme a luz incide sobre ela, que é de brilho, não fosca.

O prefácio é um resumo sobre como civilizações gigantescas antigas já ruíram e pouco se sabe sobre a maioria delas. Cesar Silva escreveu uma ótima introdução ao tema e a melhor parte, sem dúvidas, é uma breve história do assunto abordado na ficção contemporânea.

O primeiro conto é excelente e um dos melhores, apesar de pequenas falhas: expressões militares que podem parecer confusas ao leitor e frases em inglês. Embora seja um inglês muito simples, sempre acho que todo livro precisa traduzir expressões, palavras ou frases em idiomas que não seja o próprio.
Em Terra Brasilis, Gerson Lodi-Ribeiro mostra uma Terra pós-apocalíptica onde aparentemente existe apenas o Brasil. Será a mesma Terra ou uma realidade alternativa? O Brasil foi transportado para outra dimensão? Para onde foram as outras nações?
Mistérios a parte, o autor detalha uma fauna e flora exótica, façanha enriquecedora da história. A narrativa é o destaque do conto, que de certo modo me lembrou os filmes de Tropa de Elite. Interessante também a motivação política do Governo brasileiro em colonizar o restante do mundo e ser único e soberano, sem a preocupação de se descobrir exatamente o que ocorreu com o mundo.
Um conto ótimo que classifico como noveleta, por ser um pouco mais longo. Poderia gerar um excelente livro no estilo de algumas ficções escritas por Michael Crichton, porém com ares nacionais. Gostaria de ver mais intrigas apresentadas e mais descobertas.

A. Z. Cordenonsi escreveu um conto que é ao mesmo tempo de ação e de suspense, com leve carga dramática no final. Uma história que mais parece um filme, de tão bem descritas as cenas, quase todas de ação e que deixam o leitor aflito. A Rapineira possui uma narrativa frenética e cheia de perigo sofrido pela protagonista.
Uma Porto Alegre devastada, onde bons cidadãos tentam sobreviver em meio a ataques de saqueadores violentos de várias fações. A protagonista é empolgante, motivada e admirável. Torci por ela a cada instante. Uma heroína comovente e corajosa num conto muito bom!
Além disso, o motivo que assolou nosso mundo é simples, fatal e interessante e o autor deixa o leitor envergonhado em como a vida hoje em dia é fácil e prática e as pessoas acomodadas, comparando à esta história.

Assim como todos os contos e noveletas que me recordo de ter lido do Duda Falcão, este também possui uma estrutura planejada, com o conto dividido em partes. 
Em Antigos, após a extinção dos humanos descobrimos um mundo onde outra espécie descendente da nossa que herdou inteligência humana e procura desvendar o passado.
Muito criativa a escolha e o desenvolvimento desse novo mundo e suas características. Chocante em alguns aspectos, pois ao mesmo tempo são tão diferentes e tão parecidos conosco!
Gostei em como passa a mensagem de que cultura, busca por conhecimento e dúvidas são mais importantes que a força bruta. Como o conceito de ser humano é relativo; o importante é ser racional.
Apenas resumiria a parte explicativa; ela é essencial, mas eu a encurtaria um pouco e estenderia a parte da ação, mais ao final, que foi curta demais. Acho que a intenção foi certamente a de causar esse impacto, mas o conto termina deixando o leitor pensando que deseja um "algo mais", embora todas as peças tenham se encaixado e eu adorado o texto.

A Imagem do Homem é um bom conto que mistura suspense e Ficção Científica. Ótimo para leitores que gostam de conspirações, intrigas e para fãs de histórias no estilo clássico do Isaac Asimov, que utilizava da Ciência e da Robótica para instigar o homem na busca por si mesmo e diversas outras questões existenciais e sociais. Encontrei ainda referência a futuros distópicos famosos, sendo o principal do filme Matrix. A filosofia de tentar quebrar a barreira ilusionaria que comanda a sociedade, de se rebelar sobre a nova vida existente. 
Por trás de um aparente conto pós-apocalíptico simples, Carlos Relva incluiu todos esses fatores de forma natural e original. Porque sim, ele recria itens antes já utilizados num texto próprio e criativo.

Em seguida vem o conto O Último Homem, o que menos gostei na antologia. Escrito por Ademir Pascale, a extinção não é original. Também não gostei da estrutura do texto, que começa no presente, volta ao passado para finalmente retornar ao clímax e final da história. Porém, manobra realizada de uma forma um pouco confusa. O que deveria ser interessante, contar a história do protagonista, acaba fazendo a história perder quase que completamente o foco principal, o "fim" do mundo.
E como cientistas os cientistas erraram tão grotescamente no cálculo?
Apesar dessas falhas e do erro de falar diretamente com o leitor sem existir essa necessidade, a narrativa não deixa de ser fluida e a temática da antologia foi respeitada em sua abordagem, mesmo que o autor tenha fugido um pouco.

Em oposto a isso, Paulo Fodra possui um texto direto e mostra de forma ágil apenas o essencial ao enredo, sem se perder em temas secundários. Admiro isso num conto, o foco no tema principal. Detalhes desnecessários devem ser retirados para deixar o texto enxuto e cada página muito bem aproveitada, como em Projeto Olimpo.
Curto, forte e impactante, me fez gostar também da abordagem do tema pós-apocalíptico, com tanto planejamento humano, tanta precaução e tanta busca por soluções satisfatórias para o legado humano não desaparecer através da escolha dos sobreviventes. Final excelente!

Para Viver na Barriga do Monstro é um conto excelente, porque além da narrativa eletrizante, transmite uma sensação de realidade ao leitor, uma Terceira Guerra Mundial que poderia ocorrer. E mesmo sendo um conto, Roberto de Sousa Causo estruturou personagens, criou romance, rivalidades e intrigas.
Na verdade é o início do fim do mundo. Outro fator positivo do conto é o cenário ser o coração da Amazônia, fazendo o leitor receber as notícias de um ângulo um pouco diferente do qual estamos acostumados a ver, pois geralmente as catástrofes são centralizadas nos centros urbanos grandes.
O autor faz duras críticas sobre a Política mundial atual e não deixa o leitor se esquecer de que alguns povos são sobreviventes a antigos desastres, no caso o destaque aqui fica para as populações indígenas latino-americanas. 
Novamente critico na antologia: palavras em outros idiomas, em inglês e não traduzidas. Acho que o leitor nunca é obrigado a procurar traduzir o texto; por mais baixo que seja o nível de conhecimento necessário, deve-se sempre traduzir.
Gostei do realismo e das atitudes do protagonista.

Os Filhos do Dragão possui um tema semelhante ao de Antigos, porém o desenvolvimento de Sandro Quintana é completamente diferente. Aqui uma biblioteca é transformada em Santuário e os livros em relíquias. O conhecimento contido é tratado como fonte incomparável de poder.
A evolução trouxe poderes físicos, uma espécie diferente, um novo mundo. Um futuro muito a frente após o apocalipse sofrido pela Humanidade.
Um ancião, que me ficou na cabeça com uma imagem semelhante ao de Mestre Yoda de Star Wars conta às crianças o que ocorreu ao mundo.
Com narrativa poética e fantasiosa, mesclando lendas à acontecimentos reais - como costumam ser passadas informações de milhares de anos. 
Um conto objetivo, interessante e cheio de fantasia e mitologia própria. Poderia gerar um bom livro juvenil recheado de aventuras míticas.

Com narrativa corrida e sem desperdício de palavras, Josué Oliveira consegue descrever os acontecimentos da cidade em ruínas, a breve história do protagonista e a introdução de personagens invasores, alguns vítimas, outros assassinos e torturadores. Aos olhos do protagonista, todos são invasores, esse é um fator interessante.
Em Reino, tudo está muito bem apresentado e tecido. Um texto que não se perde em explicações excessivas ou enfeites; Faz do uso da ação para mostrar o que ocorreu no apocalipse imaginado pelo autor.
Uma crítica às ditaduras, líderes egoístas e tiranos.

A história mais criativa do livro em minha opinião e O Dia em Que As Nuvens Caíram, do Adriano Siqueira. Talvez seja uma das mais diferentes versões diferentes envolvendo zumbis e histórias pós-apocalípticas.
Não posso detalhar o porquê de eu achar o conto tão original para não entregar fatores essenciais para a surpresa.
O texto é leve, divertido (mas não engraçado) e muito fluido. Talvez tudo ocorra um pouco rapidamente, mas  acho que é proposital, já que é uma versão bizarra e o autor não desgasta a história com muitos argumentos e explicações; Conta somente o necessário e desenvolve uma história agradável, descolada e diferente.

Daniel Tréz não explica que tipo de apocalipse o mundo sofreu, focando na história dos sobreviventes e na liderança de dois deles, que se tornaram amigos.
A narrativa é contada por deles, líder de uma religião nascida após o "fim do mundo", em forma de confissão. Ele desabafa todos os erros e pecados, principalmente em como ele e seu amigo governaram esse novo mundo, como se aproveitaram da fé deles para serem os líderes dos sobreviventes.
Irmãos de Espírito é um conto dramático e polêmico e uma prova de que religião não deveria se misturar com política e que o poder corrompe facilmente as pessoas.

Deixando O Condado já começa acertando positivamente no curioso e criativo título. Encontrei também diversos fatores interessantes no conto além de referências aos Hobbits. Alguns leitores podem achar que existem personagens demais para um conto, mas Ana Lúcia Merege soube equilibrar seu uso sem deixar o leitor perdido; Ouso dizer que na verdade ela utilizou esse detalhe a favor do texto.
Os sobreviventes da catástrofe, todos socados em bunkers numa região montanhosa da Espanha, comemoram um ano de sobrevivência.
O conto me fez resgatar uma matéria sobre bunkers reais na revista Superinteressante, e a história me envolveu completamente!
Os relacionamentos humanos foram explorados ao extremo, em situações onde a sobrevivência do indivíduo pode prevalecer sobre a do grupo, ou vice-versa. Além da tensão psicológica gerada, a autora parte para a ação e pesado clímax e final cheio de ansiedade e por isso, considero este o melhor conto do livro.
Uma continuação seria uma boa. Poderia gerar uma série de contos.

Mais um conto incrível! E assim como o conto anterior, Sempre O Sol também mostra os sobreviventes vivendo no subsolo, porém aqui, nada foi planejado e a luz do dia e o céu, nunca mais foram vistos por eles.
João Rogaciano, além de revelar ao leitor a história de vida do protagonista de forma rápida, utiliza esta para nos cativar do início ao fim, principalmente no clímax da história, quando ele encontrar um rapaz.
Gostei do conto, faz críticas ao autoritarismo e também ao conformismo perante ele e outras coisas.
Adorei a forma como o desastre o correu e suas enormes consequências. A introspecção do comovente protagonista é especial, ainda mais quando ele faz grandes descobertas, que geram mais reflexões sobre si, a Humanidade e a vida.
No entanto, ao explicar como vive a sociedade subterrânea, numa nova era do vapor, faltou explicar sobre a alimentação das pessoas. Por mais cadavéricas e magríssimas elas devem ter alguma fonte de nutrição que não foi mostrada pelo autor.
E deveriam, aponto novamente essa pequena falha na antologia, ter traduzido o texto em inglês, mesmo sendo apenas uma introdução e não parte essencial do texto.

E finalmente chega um conto que aborda a profecia maia, que marca o dia 21 de dezembro. Pelo menos um dos autores seguiu esta hipótese e criou o conto mais fantástico, incrível e ao mesmo tempo confuso da antologia: O Retorno. São informações demais para um conto, que mesmo assim, é excelente.
Marcelo Bighetti utiliza a mudança de ciclo prevista pelo sistema de calendários maia, unindo povos, espaço e linha temporal numa ótima aventura fantasiosa.
Aconselho uma breve pesquisa sobre um dos calendários que eram utilizados pelos maias, o Tzolkin - o tempo seria a quarta dimensão e não linear; seria uma espiral.
Gostei das mudanças de ponto de vista, o autor mostra a de um povo, e depois reconta sob a visão do outro. São muitos fatos num só conto e por isso me perdi, mesmo gostando dele de uma forma geral.

O último conto é intitulado Mariana. Um conto que se centra mais nas angústias, frustrações e desejos do protagonista. Psicologicamente ele está sofrendo e perdido.
Após o fim do mundo, que eu interpretei como no sentido figurado e não literal, o leitor acompanha através de atos e pensamentos, um cidadão comum e solitário em busca de um recomeço. Uma busca pessoal.
O protagonista percebe o quanto a nossa sociedade é supérflua e nem sempre as pessoas notam e valorizam o que realmente é importante. Serão necessárias catástrofes para cada um aprender essa lição? Será que o ser humano precisa sempre passar por um desastre ou problema gravíssimo para ter coragem de remodelar a própria vida?
Não sei exatamente a intenção de Tibor Moricz ao contar esta história, mas vi através do sentido figurado do fim do mundo, o recomeço de uma vida de uma pessoa antes conformada, fraca e infeliz numa pessoa que ao menos está em busca de superação.

O livro termina com um curto posfácio escrito pelos organizadores que juntamente com cada conto lido deixa a cabeça do leitor com mil reflexões.

O tema do livro é algo intrigante, não tem como o ser humano não pensar numa grande catástrofe global que seja capaz de exterminar, ou quase, a nossa espécie. Não importa a cultura, nacionalidade, classe social, religião ou credo (ou nenhum) para que se imagine esse tipo de situação.
Até os mais incrédulos presenciam a fúria da natureza com maremotos, tsunamis, terremotos, vulcões, chuvas exageradas, nevascas inexplicáveis, seca total ou seja, mudança e inconstância climática em todo o planeta. A camada de ozônio se rompendo, se enfraquecendo, fauna e flora sofrendo mutações e extinções, as calotas polares diminuindo, o mundo à beira de vários colapsos (econômico, político, energético).
Guerras, disputas, crises financeiras. Intolerância racial, sexual ou religiosa. Vírus e bactérias potentes e silenciosas. Rumores de asteroides ou tempestade solar arrasadora, até mesmo de invasões alienígenas.
O medo e a criatividade Humana não possuem limites nem teorias, sejam científicas, religiosas ou esotéricas.

E esse assunto não é atual. Durante épocas passadas, o homem sempre olhou para as estrelas, para os oceanos, para o interior da Terra, para o passado; sempre buscou por respostas dentro de si ou em suas crenças e descrenças. Entre lendas, hipóteses e História, temos diversos exemplos de situações em que espécies ou civilizações inteiras desapareceram.
Atlântida, o principal mito que representa o fim catastrófico de uma civilização. Períodos conturbados da História que fizeram os humanos acreditarem no fim do mundo, como foi a peste negra na Europa no século XIV, que dizimou aproximadamente um terço da população da época, ou períodos de grandes guerras como a 1ª e 2ª grandes Guerras Mundiais na primeira metade do século XX, a Guerra Fria que surgiu em seguida e se estendeu por décadas quando todos viviam com medo de uma eminente guerra nuclear ou a Guerra ao Terror nascida no século XXI após os ataques de 11 de setembro no Estados Unidos.

Isso tudo que escrevi nem parece pertencer à resenha, mas é impossível terminar a leitura do livro sem ficar com várias perguntas na cabeça. Não tem como pensar no coletivo, no que realmente é importante e num equilíbrio ecológico. Não tem como relembrar filmes e livros que já abordaram esse assunto e me sentir pequena e inútil caso o fim do mundo realmente ocorresse.
A cada guerra ou desgraça, pensamos no futuro da Humanidade. A catástrofe natural ou por falha humana, nos perguntamos até onde nós iremos. Se um ciclo pode estar chegando ao fim para um novo recomeçar e renovar o planeta, como acreditavam os maias, datando esse acontecimento para 21 de dezembro de 2012.

O mais interessante de 2013 - no Um, é que não se trata exatamente de um livro sobre o fim do mundo. Não exatamente em como tudo ocorre. O livro deu total liberdade para que os autores abusassem da criatividade e escrevessem sobre um futuro pós-apocalíptico. O que aconteceria? Como estariam os sobreviventes? Como a Terra continuaria, mesmo após os humanos sofrerem quase uma extinção?
As teorias e contos são variados e de uma forma geral são classificados por mim do bom ao excelente, apenas um não me agradou.

O livro deixa também reflexões sobre como passamos por situações onde o mundo parece acabar somente para nós. Quando passamos por um momento traumatizante, angustiante, complicado e todo o resto do mundo não se importa; a vida continua naturalmente. É o nosso apocalipse interior. Todo mundo passa por alguns momentos assim na vida, mais cedo ou mais tarde e precisa buscar seu recomeço.
Ao contrário, às vezes vemos na mídia uma notícia de catástrofe, pode ser um desabamento de um prédio, um tsunami, uma guerrilha e pensamos em como vários mundos podem ter terminado com aquela situação. Em como muitas pessoas tiveram seus mundos desmoronados e nós estamos com o nosso cotidiano imutável e intacto, exceto por notícias que vemos na televisão, na internet... afinal, sobreviver a uma tragédia é diferente de observá-la.

Contos que mais gostei: Terra-Brasilis, A Rapineira, Para Viver na Barriga do Monstro e Deixando O Condado.

Observação: Sempre me perguntam se os "Contos que mais gostei" são os melhores do livro. Não necessariamente. São apenas os que mais gostei, questão pessoal.

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