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21 de junho de 2013

O Futuro de Nós Dois, Jay Asher e Carolyn Mackler, Galera Record

O Futuro de Nós Dois (The Future of Us)
Jay Asher e Carolyn Mackler - Galera Record
Tradução: Ana Ban
384 páginas - Ano: 2013 - R$34,90

Sinopse:
"É 1996, e menos da metade dos alunos das escolas de ensino médio nos Estados Unidos já tinham usado a internet.
Emma acaba de ganhar o primeiro computador e um CD-ROM da America Online de Josh, seu melhor amigo. E ao instalar o programa, logo no primeiro acesso, descobrem que acabam de entrar no FACEBOOK, dali a quinze anos. 
Todos se perguntam como será o futuro. Josh e Emma estão prestes a descobrir..."

Links: Galera Record | Skoob | degustação


Resenha:
A capa é básica, porém com alguns simbolismos. O casal da imagem está em tons de sépia, talvez para demonstrar o fato da história ser retrô, passada em 1996. Os rostos deles estão destacados e legendados discretamente como se fossem perfis do Facebook, com informações de nome, número de amigos e fotos e embaixo "visualizar perfil". O sinal de positivo da mão que simboliza o "curtir" da famosa rede social também presente. O título, nomes dos autores e o uma mídia (como um CD/DVD/Blu-ray) já parecem desenhados à mão, como era comum na década de 1990. Contraste que se encaixa muito bem na proposta do livro.
A mídia no caso é um CD-ROM, responsável por toda a inexplicável situação que os adolescentes enfrentarão.
A diagramação e editoração do livro estão perfeitas!

São sessenta e cinco capítulos em uma leitura dinâmica, rápida, cativante e muito criativa.
Embora seja uma escrita simples e de fácil compreensão, as mensagens podem ser mais profundas, variando de leitor para leitor. Mesmo com o estilo adolescente do livro, já que o público-alvo é o jovem (tanto que o livro foi publicado pela Galera) e os narradores são dois adolescentes, é uma leitura para qualquer idade.
Sinceramente, o público que talvez mais aprecie o livro seja exatamente os pré-adolescente e adolescentes da época em que o livro se passa: 1996. Não imagino que o adolescente de hoje vá gostar tanto do livro como um jovem adulto que vivenciou aquela época, mas não da mesma forma.
Admito que o adolescente atual encontrará uma história muito divertida, pois aborda os relacionamentos de uma forma geral. Relacionamentos adolescentes, tanto entre amigos, namorados quanto com a família em geral.

Em 1996 eu tinha doze anos de idade, ou seja, era um pouco mais nova que os protagonistas do livro, que têm em média dezessete. No entanto, me surpreendi e me identifiquei muito com o momento deles.
Não sei se quem tem essa faixa etária hoje ao ler o livro irá se identificar como ocorreu comigo. Acho que o livro tem como alvo uma faixa etária acima.
É uma comédia romântica agradável e mesmo quem não vivenciou àquela época irá talvez achar interessante imaginar como era.
Sem a mesma tecnologia, as pessoas utilizavam outros meios de comunicação. A internet era para muito poucos. Até mesmo celulares e pagers eram raros, somente profissionais que necessitassem de comunicação urgente ou pessoas ricas costumavam possuí-los. Residência com computador era uma porcentagem mínima. Locais públicos e empresas começavam a informatizar seus sistemas.
O máximo da tecnologia acessível e mais comum eram as fita cassetes de áudio e LPs que se transformavam em CDs e as fita cassetes de vídeos que se transformavam em DVDs. Era o momento de walkman, discman, videocassetes, fliperamas e consoles de games de 16 bits. Ninguém sonhava com internet, e-mails e redes sociais no cotidiano. Muito menos conexões tão velozes, contato em tempo real, globalização acessível... Muito menos internet, fotografias digitais e comunicação instantânea e simples na palma da mão.
Para os adolescentes de hoje, não estar on-line vinte e quatro horas por dia deve ser assustador. Ter de enviar carta ou telegrama no lugar de e-mail, SMS ou tweet, por exemplo. Telefonar para um telefone fixo residencial, sem imaginar que futuramente existiria praticamente um celular por habitante.
e-Books era inimaginável. Pesquisas, somente em bibliotecas, listas telefônicas, museus.
As brincadeiras eram outras, jogos de cartas, de tabuleiro, brincadeiras de pique, patins, bicicleta, skate, brinquedos de verdade, quebra-cabeças clássicos. As crianças e adolescentes se divertiam e se comunicação de formas diferentes.
Como tanta coisa mudou em apenas quinze anos. O livro mostra isso. Quem não passou pela mudança pode achar o livro interessante; mas quem passou por essa transformação sociocultural certamente irá mergulhar em grande nostalgia e reflexão. O que as mudanças trouxeram de positivo e negativo às nossas vidas?

A narrativa se alterna entre Emma e Josh. Cada capítulo é narrado por um, sempre interligando suas vidas e acontecimentos centrais. Eles são vizinhos, muito amigos e estudam na mesma escola. A amizade ficou meio estranha após Josh ficar um pouco balançado por Emma.
Josh anda de skate, adora ilustrações (em uma época que não era com Photoshop e similares, apenas pincéis, lápis, canetas...) e pretende cursar Design Gráfico (embora o livro não conte, pelo menos aqui no Brasil essa nomenclatura para a carreira nem existia; era Desenho Industrial, fosse de Projeto de Produto ou Programação Visual). Ele é tímido e seu melhor amigo é o Tosh, filho de pai solteiro proprietário de um estabelecimento descolado que serve pizzas. A família de Josh é bem estruturada, mas seus pais estão sempre cobrando regras como o horário para se chegar em casa ou na escola. Lembrei de um debate atual: Que os pais da geração passada cobravam mais dos adolescentes e estes obedeciam mais. Será?
Emma é corredora, tem boas notas e está sempre trocando de namorado. Ainda está indecisa sobre o futuro, mas sua amiga Kellan, que pretende ser médica ou cientista já a estimula a fazer aulas extras em uma faculdade, para irem se preparando. Emma é boa em Biologia, mas só pensa em terminar com o namorado e já fica de olho no mais gato da escola. Seus pais são divorciados e já se casaram novamente. Emma ainda não se adaptou às mudanças.
Tosh e Kella vivem reatando e se separando; o namoro deles é muito confuso, mas sempre retornam à amizade, mesmo entre uma alfinetada e outra.

Apresentados os protagonistas, a história segue bem a premissa: Josh dá a Emma um CD-ROM da AOL (America Online), um provedor de internet famoso na época e que estava dando horas gratuitas de navegação na internet. Como os pais de Josh acham desperdício de tempo utilizar a internet e de dinheiro comprar um computador, ele logo dá o CD-ROM que recebeu como cortesia pelo correio para Emma. Esta ganhou um computador de última geração do pai: Com monitor colorido e Windows 95! Uau, para a época era top! Ela logo conecta a linha telefônica para através do CD-ROM e conexão baixar o instalador. Demora aproximadamente uma hora e meia. Só para quem (sobre)viveu à conexão discada compreender a lentidão.
O inimaginável, fantástico, inexplicável ocorre. O e-mail e senha recém-criados por Emma funcionam em uma URL bem estranha que está salva nos favoritos: Facebook. Sim, a rede social mais utilizada em 2013, mas Emma, Josh ou qualquer um em 1996 não tinha acesso a ela, que nem existia.
Emma loga em seu perfil e sem compreender a navegação estranha, demora em aceitar/compreender que aquela página é editada por ela mesma, porém no futuro. Quinze anos a frente Emma compartilha através do Facebook sua vida. Seus pensamentos, fotos e desabafos. (É cômico como as fotos demoram a serem carregadas.)
Será que Emma é feliz? Até que ela descobre, aos poucos, que pode encontrar amigos/parentes e visualizar o futuro de cada um deles. É um choque, é uma loucura. A cabeça da adolescente fica tão perdida que acaba mostrando tudo ao Josh, já que foi ele o responsável por dar o CD-ROM a ela. Ele também se sente paralisado perante a situação. Ele descobre que também tem uma página, que pode ser vista a partir da de Emma, já que são amigos.

O problema está justamente nessa questão ética e moral: O que ocorreria se você soubesse exatamente como será o seu futuro? E se você descobrisse que ele não é como você imagina e deseja? Você teria a vontade de tentar modificá-lo? Mesmo sabendo que modificaria outras coisas, direta ou indiretamente? E se modificasse as vidas de outras pessoas? Seria correto analisar o futuro dos outros?
Pense: Você é adolescente, está quase entrando na fase adulta e possui dúvidas quanto a qual carreira seguir, se vai se casar, ter filhos, onde vai morar, trabalhar... São muitas dúvidas, talvez a fase da vida onde mais se tenha perguntas sobre o futuro.
É exatamente por isso que Emma e Josh passam. Estão em uma encruzilhada sobre o que fazer da vida. A famosa questão "O que você vai ser quando crescer?" já precisa de uma resposta.
Quem já acompanhou histórias de viagem no tempo sabe que mudar o futuro acarreta mudanças tão radicais que é impossível imaginar todas as possibilidades. Apenas o fato de saber o futuro já automaticamente o muda!
Josh parece de início estar bem satisfeito e feliz com o que vê. No entanto, Emma não gosta nada do que observa e toda hora imagina algo diferente.
Eles descobrem concretamente como ações em 1996 mudam o futuro mostrado no Facebook, no caso o ano de 2011. Não apenas ações, mas simples decisões. O poder do pensamento de desejar ou não determinada coisa já pode influenciar.

O livro é uma corrida sobre ter um futuro satisfatório, mas Emma nunca está feliz. Ela e Josh começam a se desentender e até mesmo o presente começa a ficar confuso. Emma fica presa à sua vida por estar tão preocupada com aquela página futurística. Será que suas "versões" mais velhas sabem que eles no passado estão observando o futuro?
É ums história divertida e reflexiva. Como quase sempre penso, as mensagens e reflexões encontradas em um livro podem ser diversas e sempre variam de acordo com o leitor. Alguns livros são bem diretos e dão margem a poucos pensamentos.
No caso de O Futuro de Nós Dois, mesmo com a simplicidade encontrada no desenvolvimento do enredo, personagens e narração, existem muitas mensagens nas entrelinhas. Eu me perdi filosofando após a leitura. Foram muitas reflexões pessoais e sociais; uma sensação nostálgica me dominou e embora eu adore a modernidade e a internet (se não fosse ela eu não estaria com essa resenha aqui!) eu me lembrei de tantas coisas boas que existiam em 1996.
Pensei se há quinze anos atrás encontrasse o meu Facebook ou qualquer outra informação de meu futuro (presente) eu teria tentado mudar algo? Eu seria uma pessoa melhor? Mais feliz e bem-sucedida? Será que saber o futuro e tentar mudá-lo pode ser sempre para melhor ou corre-se o risco de piorar tudo?
Emma e Josh se perdem nesses pensamentos: Talvez o destino seja impossível de ser melhorado. Talvez essas tentativas sirvam apenas para piorá-lo.
O mais interessante foi encontrar referências da época, como músicas do Green Day ou Oasis ou o filme De Volta para o Futuro (que já era da década anterior). Achei essa referência especificamente o máximo, por ser um dos filmes que mais gosto e por tratar do mesmo tema.
O que mais gostei em O Futuro de Nós Dois? Não precisa ocorrer viagem física para Emma e Josh descobrirem seus futuros; a viagem é on-line! Eles não interagem nem encontram com as pessoas (e eles mesmos), mas ficam sabendo das coisas através do que é postado no Facebook.

Então são levantadas várias outras questões: Será que usuários de redes sociais se expõem demais? Será que as pessoas devem mesmo compartilhar em tempo real onde estão, o que estão fazendo, com quem estão? Será seguro?
O livro leva à reflexão de que deve existir um limite; deve existir uma proteção à sua privacidade. E quanto a fofocar a vida alheia? Algumas pessoas simplesmente observam os perfis apenas por curiosidade, para saber como fulano(a) está, mesmo que a amizade tenha se perdido (ou nunca existido). Outras, no entanto, parecem estar em busca apenas de fofocas. Como na vida real, tudo que está on-line tem seu lado positivo e negativo.
O quanto se deve expor na internet? E outro fator: O quanto do que as pessoas expõem é a realidade? Algumas fingem estar felizes e com vidas perfeitas, enquanto não é exatamente o que ocorre. Outras possuem vidas boas e satisfatórias, até mesmo felizes, mas preferem mostrar que estão tristes e sofrendo.
As redes sociais mostram apenas o que as pessoas querem que seja exibido aos outros? Será que os relacionamentos on-line podem ser tão fortes e verdadeiros quanto os off-line?
A internet tem o poder de mudar vidas; de aproximar pessoas que estão distantes, mas possuem os mesmos interesses. Relações nascem ou são mantidas. Uma nova forma de relacionamento surgiu e se consolidou.
Mesmo com uma vida on-line ativa, o livro mostra que jamais se deve deixar em segundo plano a vida real. Estar on-line pode ser positivo e saudável, quando sabemos desconectar e ser a mesma pessoa, seja na internet ou frente-a-frente.
Equilíbrio é a palavra ideal para tudo na vida.

Amei este livro, me perdi em lembranças, sentimentos e possibilidades. O final fica subentendido, não é explícito, porém muito satisfatório. Eu adorei justamente por não ser entregue pelos autores. Alguns podem não compreender o motivo dessa manobra literária ou pensar que os autores foram óbvios demais. Portanto repito: Não fechem o livro (isso serve para qualquer leitura) e pronto. Se você gosta de pensar à respeito da história, quase sempre os autores tentam transmitir algo. Então reflita, pense, imagine.
Se você quer apenas se divertir, esse livro também é ideal.
Concluí que embora a vida possua imprevistos, obstáculos e surpresas imprevisíveis e inevitáveis, nós somos os responsáveis pelas mudanças. Nossas decisões e esforços têm poder. Nunca é tarde para mudar algo que não traz felicidade.
On-line ou off-line, devemos manter nossa privacidade e autenticidade. A vida é curta e não devemos desperdiçar tempo. Cada momento deve ser curtido. O presente é uma dádiva e se soubermos aproveitá-la, poderemos ter um futuro melhor.
Eu curti o livro ("Facebookmente" falando).

Booktrailer:


Trilha sonora oficial do livro:
O Futuro de Nós Dois by Galera Record on Grooveshark


Os autores:
Jay Asher é um escritor americano contemporâneo de romances adolescentes.
Ele nasceu em Arcadia, Califórnia em 30 de Setembro de 1975. Cresceu numa família que o encorajou em todos os seus hobbies, de tocar guitarra à escrever histórias.
Escreveu o livro Thirteen Reasons Why, traduzido para mais de 30 países e com milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos.
Blogue

Carolyn Mackler já foi publicada em mais de 15 países.
Vencedora do Printz Honor, é autora de The Earth, my Butt and Other Big Around Things, Tangled, entre outros.
Site

Comprar:
Vocês podem comprar o livro nas melhores livrarias e lojas online ou diretamente com a Editora Record: Através do e-mail de marketing do Grupo Editorial Record mdireto@record.com.br ou o telefone (21) 2585-2002, de segunda a sexta-feira, das 8: 30 às 18:00 horas.


Sorteio:
Tem um sorteio do livro rolando de 22/06 a 11/07/2013:


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