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19 de junho de 2013

Um Gato de Rua Chamado Bob, James Bowen e Novo Conceito

Um Gato De Rua Chamado Bob
A história da amizade entre um homem e um gato.
James Bowen - Editora Novo Conceito
Tradução: Ronaldo Luís da Silva
páginas - Ano: 2013 - R$24,90
Lançamento: 13 de maio de 2013.

Sinopse:
"É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas.
No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri — é, sorri — timidamente.
Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: “Vamos, Bob, cumprimente!”, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. 
Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento — mas Bob não é um gato comum..."

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Resenha:
Já li e assisti à diversas histórias com cães, mas este é o primeiro lido por mim onde um gato é o destaque. Amo animais de estimação e durante minha vida já convivi com vários.
Atualmente tenho uma cachorra idosa e que foi encontrada na rua por mim e minha irmã. Eu sei como é ter um animal de estimação adotado, que a vida traz e muda radicalmente tudo ao redor. Já tive outras três cadelas: Todas adotadas. Resumindo: Aprendi a adotar e a jamais comprar. Outro ponto importante é a castração, aprendi o quanto isso é importante.
Portanto eu me interessei demais por Um Gato de Rua Chamado Bob, não apenas pela curiosidade de ler uma verdadeira história de um gato e seu dono, mas também pelo encontro dos dois ter sido nas ruas. James foi morador das ruas de Londres, viciado em drogas e foi resgatado pelo gato Bob!

Nem preciso comentar a capa: Perfeita! Bob de cachecol em cima da mochila de James, com a rua como cenário. A parte de trás do livro possui um plano de fundo com a silhueta de gato e todo o livro está cheio de pegadas de Bob. A diagramação, parte gráfica e de revisão está incrível.
É organizado também, o livro possui um índice com os vinte e um capítulos, todos com títulos.

O livro é catalogado como autoajuda, autobiografia e de relacionamento humanos-animais. Ele é realmente um pouco de cada, porém antes de tudo: Uma história real de superação e uma leitura agradável.
Pode ser classificado como autoajuda, pois James reaprendeu a viver, recuperou a autoestima, a ser responsável e a voltar a se relacionar novamente com o mundo à sua volta, de forma positiva.
O livro é autobiográfico, porque além de ser a história real é o próprio James quem a escreveu com a ajuda do escritor Garry Jenkins. James explica no final do livro, nos agradecimentos.
E a história possui como foco principal o relacionamento entre Bob, um jovem gato laranjinha de rua e James, um músico, também de rua e ex-viciado ainda em tratamento. Embora James conte sua história, toda ela antes de Bob é breve, apenas para explicar o porquê da entrada de Bob em sua vida ser fundamental para sua salvação.

Pessoalmente, foi uma experiência duplamente satisfatória. Achei a história leve e ao mesmo tempo comovente. O autor não apela para o drama nem exagera na comédia; ele apenas reconta momentos de sua vida (e com Bob) de modo bastante heterogêneo e natural. Sem a intenção de fazer o leitor rir ou chorar, James consegue divertir e mostrar como um animalzinho de estimação pode trazer grandes mudanças na vida de uma pessoa; e para melhor.
Eu tinha 15 anos de idade e minha irmã 12 anos recém completados quando perdemos drasticamente nossa mãe. Ficamos deprimidas e vivendo de forma robótica. Ao resgatarmos duas cachorras de uma caixa de papelão da rua, nossa vida voltou a ter sentido. O mesmo ocorreu cinco anos depois quando perdemos nosso pai. As cachorras estavam lá para nos lembrarmos que precisavam de nós.
É claro que quando você sofre perdas graves e enfrenta problemas complicados, nada vai melhorar se você não procurar por isso. É lógico que as duas filhotes vira-latas não preencheram o vazio de nossos corações, mas fizeram com que tivéssemos a responsabilidade de cuidar delas, o que automaticamente fez com que nós fôssemos obrigadas a nos cuidar em primeiro lugar.
Isso também ocorre com James e foi como um espelho. Embora sejam situações completamente distintas, assim como eu e minha irmã, James não vivia; ele apenas sobrevivia. E muito mal.
O gato Bob, vindo das ruas, surgiu para fazer James erguer a cabeça e lutar por uma vida melhor para Bob, para si mesmo.
Criando vínculos de carinho, respeito e amor, Bob e James tornaram-se parceiros de todas as horas. Bob não se importou com James ser ex-viciado em drogas em tratamento; Bob não se preocupou se James não tinha um emprego, que tinha que sair para tocar guitarra ou vender revistas nas ruas; Bob nunca se incomodou com o fato de James ter morado nas ruas, ter se afastado da família, perdido amigos e sofrido diversos problemas psicológicos. E James nunca viu Bob como um problema, um gato de rua, sem raça e estranho.
O destino os uniu e os dois silenciosamente se identificaram mutualmente. Sem preconceitos, nasceu uma amizade verdadeira.

Não sou especialista em gatos, porque nunca tive um. Porém notei que Bob não parece ser um gato comum. Ele quer ficar o tempo todo com James. Ele tem seu lugar preferido para dormir, apronta várias artes, principalmente tentando abrir armário de cozinha ou geladeira e gosta de revirar lixo. Mas o que ele mais gosta é de sair com James. Ele segue o dono, mesmo que não seja convidado. Andar com James pelas ruas, pegar o ônibus e deitar-se tranquilamente enquanto o dono toca nas esquinas de Londres por trocados passa a ser algo comum para Bob. Não adianta James tentar convencê-lo do contrário.
Um gato que anda na guia e usa roupinhas. Eu me apaixonei por ele. Ao mesmo tempo, Bob continua a ser selvagem, adora pegar alguns ratinhos. Continua também a manter sua origem simples, se contentando apenas com a companhia de James e qualquer coisa comestível. Mas claro, ele adora ser presenteado com petiscos e cachecóis.

James é um homem comum e com um caminho que infelizmente o levou às drogas. Abandonou sua vida social, ficou sem emprego, longe da família e sem rumo na vida. Quem vai  querer contratar um funcionário sem residência própria?
Ele nos conta como isso aconteceu, já que é uma das perguntas mais frequentes que escuta: Como sua vida chegou a esse ponto?
Viveu a tristeza, a solidão e o perigo de dormir nas ruas. Por isso ele compreende tão bem o gato laranjinha franzino e de pelagem precária que o encontrou.
Mesmo sem recursos James imediatamente cuida de Bob. Possui muito mais bom senso que muita gente com condições financeiras, mas que deixam o animal sem cuidados importantes, como consulta veterinária, vacinação e castração.
James não é nenhum super-herói nem uma pessoa que procura se tornar exemplar. Ele apenas compartilha a sua história. Apesar das adversidades e da aflição em vários momentos do livro, onde eu temia pelo futuro de James e Bob, eu me apeguei a eles (ainda mais por ser uma história real; principalmente por esse motivo!) e o livro me emocionou muito, mesmo quando não existia essa intenção.

Com narrativa simples e clara, Um Gato de Rua Chamado Bob pode ser lido por qualquer leitor que aprecie histórias com animais. É um livro que até pessoas sem o hábito de ler acabam se interessando, pela capa e sinopse. Uma premissa que os curiosos e amantes de gatos e de outros animais de estimação vão gostar imediatamente.
Uma prova real de como as pessoas podem salvar animais de estimação do abandono, mas também em como eles ajudam pessoas a superar os obstáculos da vida. Uma história de companheirismo.
Uma leitura rápida, simples, bonita e inspiradora.

Booktrailer:


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O autor:
James Bowen nasceu na Inglaterra em 1979. Depois do divórcio de seus pais, ele se mudou, com sua mãe e seu padrasto, para a Austrália. Sua vida familiar foi sempre muito tensa e com constantes mudanças de casa, o que o levou a não se adaptar nas diferentes escolas pelas quais passou. O garoto-problema, que era frequentemente vítima de bullying, logo começou a usar drogas. Mais tarde, recebeu o diagnóstico de TDA/H, esquizofrenia e distúrbio bipolar. Aos 18 anos voltou para a Inglaterra para viver com sua irmã, mas não se adaptou e passou a viver nas ruas da cidade ou em abrigos. Foi nesta época que ele começou a usar heroína. Em 2007, vivendo em um casa para dependentes químicos, encontrou um gato alaranjado nos corredores do abrigo; deu-lhe o nome de Bob, amarrou-lhe um cadarço como coleira e passou a viver o tempo todo ao lado do gato, seu “motivo para acordar todos os dias”.

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Vídeos de James e Bob!






Ainda termos sorteio de Um Gato de Rua Chamado Bob, fiquem atentos.

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