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2 de março de 2014

A Era de X, volume 1: Tabuleiro dos Deuses, Richelle Mead e Editora Paralela (Companhia das Letras)

Tabuleiro dos Deuses (Gameboard of the Gods)
A Era do X - livro 1
Richelle Mead - Editora Paralela
Tradução: Guilherme Miranda
424 páginas - Ano: 2014 - R$39,90
Lançamento: 04 de fevereiro de 2014.

Sinopse:
"Justin March, um investigador de religiões charmoso e traiçoeiro, volta para a República Unida da América do Norte (RUAN), após um misterioso exílio. Sua missão é encontrar os responsáveis por uma série de assassinatos relacionados com seitas clandestinas.
Sua guarda-costas, Mae Koskinen, é linda, mas fatal. Membro da tropa de elite do exército, ela irá acompanhar e proteger Justin nessa caçada. Aos poucos, os dois descobrem que humanos são meras peças no tabuleiro de poderes inimagináveis."

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Resenha:
Adorei o livro e a resenha ficou longa, pois minha intenção é apresentar um pouco o mundo criado pela autora (sem spoilers) e mostrar tanto o lado da ficção científica quanto o lado sobrenatural e mágico do livro. Classifico-o como fantasia urbana futurística.
A autora atingiu o equilíbrio ideal do fantástico e do tecnológico através de uma escrita madura. Não necessariamente é um livro sério ou para adultos, não. Mas é necessária certa maturidade para ler, compreender e se fixar na mitologia de A Era de X.
Genética. Magia. Política. Sexo. Intrigas. Ação. Mistério. E muitos detalhes que não podem passar despercebidos pelo leitor. Espero que eu possa mostrar como é a ambientação e a temática do livro. Mergulhei nesse mundo bem-estruturado e espero que gostem da minha indicação.

A narrativa é em terceira pessoa e os trinta e sete capítulos são de média extensão. Possuem títulos e nesse caso eu preferia que não tivessem, pois queria mistério total antes de começar um novo capítulo.
Os pontos de vista são modificados o tempo inteiro, dando dinamismo à narrativa, sempre dividindo o foco entre os protagonistas Mae e Justin. Acompanhamos os pensamentos, opiniões e sentimentos de cada um. Ás vezes um capítulo termina e outro começa com uma (super) rápida retrospectiva de um último acontecimento, sob uma nova visão.
As cenas de ação são cheias de energia; as de sexo são vigorosas; e as sobrenaturais ricas.
É um livro complexo e criativo. Começa lento e estranho, porque o leitor precisa se ambientar, conhecer como tudo funciona, da política à vida social. Como é esse futuro exótico? Pensei que seria uma leitura maçante e entediante, à princípio. Logo me prendi a história e ao mundo. A escrita da autora me envolveu e cada cena era processada em minha mente como um filme.
Não sei se todo tipo de leitor curte histórias que necessitam de um tanto de esforço mental inicial.

A capa de Tabuleiro dos Deuses, primeiro livro da série da Richelle Mead A Era de X traz um rosto calmo, frio e sensual que transmite uma impressão extravagante. É a protagonista Mae, linda castal pretoriana que sempre controla suas emoções, mesmo possuindo um chip no organismo que a transforma em uma máquina mortífera. O fundo negro representa o lado sombrio que assola a personagem, um contraste com seu rosto pálido. Tudo isso em uma imagem de capa, então aviso ao leitor: O livro é de ficção científica misturado a itens sobrenaturais, adulto e um pouco complexo.
Essa complexidade se estende ao título, pois todo o livro cria e monta um tabuleiro de jogos, como o de xadrez, mas são os deuses e forças mágicas que influenciam e tentam mover suas peças: seres humanos. É necessário ler tudo para ter uma compreensão total do sentido do nome escolhido pela autora em sua terceira série adulta. Eu nunca havia lido algo da Richelle e, pelo menos sobre A Era do X, posso afirmar que gostei muito e me interessei pela continuação.

O meu exemplar é um livro de prova, portanto não posso opinar sobre a qualidade gráfica e editorial da Paralela, mas gostei do material que vi, mesmo não sendo o resultado final. Espero poder reler o livro finalizado antes de prosseguir para o próximo volume.
Juntamente ao livro impresso recebi um glossário preparado pela editora sobre nomenclaturas e definições de várias coisas importantes para este mundo futurístico. Não costumo acompanhar esses anexos nos livros, prefiro sempre ir descobrindo naturalmente o que cada nomenclatura significa. Porém sempre me sinto aliviada quando o livro possui extras, para caso eu me perca ou me confunda.
No caso de Tabuleiro dos Deuses, precisei do material extra no começo. Porque o mundo e o enredo são intrincados. Por exemplo, a Era de X representa uma nova época que está para chegar, uma era desconhecida que politicamente alguns cidadãos aguardam. É o ponto de partida da série.
Já passamos pela Era do Declínio, ocorrida após o Mefistófeles, um vírus que se espalhou pelo mundo no século XXI e matou metade da população mundial. Quanto mais um indivíduo é miscigenado geneticamente, maior sua resistência ao vírus. Há também a sequela deixada pelo vírus, a Doença de Caim, um conjunto de debilitações genéticas hereditário.
Passamos também pela Era da Renovação, quando a vacina contra esse vírus foi descoberta e a sociedade foi se reconstruindo e se recriando através de novas regras, castas e ordem.
Não apenas social e política, mas também religiosa. Os cidadãos dessa nova nação, formada pelo Canadá e boa parte dos Estados Unidos da América são chamados de gemanos.
(Gostei que a autora não perde tempo explicando isso, ela vai mostrando o cotidiano das personagens e o leitor vai "aprendendo" um pouco mais.)

Esse país é o centro da trama e da Terra: a RANU (República da América do Norte Unida - a "Gemma mundi", "joia do mundo"). É o mais avançado tecnologicamente, militarmente e com maior grau de civilidade. Muito urbano, metálico, luminoso e organizado.
A ficção científica possui uma pitada de cyberpunk, pois o mundo conecta pessoas à tecnologia de modo essencial e obrigatório. Todos os cidadãos possuem chips de identidade nas mãos ligados diretamente ao DNA e ao Registro Nacional. Ou seja: Os leitores espalhados por todos os locais controlam a passagem das pessoas e quem elas são. Todas as informações sobre o indivíduo estão nesse chip, inclusive sua pontuação genética, uma numeração de 1 a 10. Quanto mais mestiça for a pessoa, maior sua pontuação.
Dividem as pessoas em plebeus, com pontuação alta; e patrícios, com pontuação baixa. Geralmente os patrícios possuem Caim ou carregam genes defeituosos.
No lugar da internet e outros sistemas de comunicação temos o Fluxo. É um serviço público com todos os dados, informações, notícias, entretenimento, tudo mesmo, disponível em telas ou Egos que as pessoas possuem. Os Egos são aparelhos eletrônicos semelhantes aos smartphones, porém muito mais avançados. Ele é sincronizado ao chip de identidade de seu proprietário. Você paga suas contas num estabelecimento comercial com ele, nada de cartão de crédito ou dinheiro físico, por exemplo.
Todas as gemanas são obrigadas ao entrar na puberdade a receber um implante contraceptivo que precisa ser mantido até receber autorização para ser removido. O controle da natalidade é de grande importância.

E a protagonista feminina do livro é por demais especial: É a gemana Mae. Ela é castal, uma gíria dada a integrantes de grupos patrícios fiéis a sua genética, se mantendo "puros". Foram liberados dos mandatos genéticos (que obrigavam a procriação miscigenada para defender a população gemana das falhas genéticas) por terem contribuído muito financeiramente ao Governo anterior, quando o país era reestruturado e a população se reerguia após o Mefistófeles.
Mae vem de uma ascendência sem resistência ao vírus, de origem rica e de fenótipo nórdico. Mesmo assim, ela não possui Caim. Na verdade, ela é perfeita fisicamente. Seu organismo é superior, o que chama a atenção, visto que não possui aparência mestiça. Só os mestiços costumam ter boas condições físicas. Já Mae, em vez de debilidade e fraqueza, possui força e agilidade quase que sobre-humanas. Ela é uma máquina de combate.
É uma pretoriana. Pretorianos são supersoldados da RANU subdivididos em coortes. Além do chip de identidade esses militares possuem um implante que acelera o processamento de neurotransmissores gerados pelo organismo. Mae se torna uma lutadora ultra-forte, ágil, rápida e implacável, por exemplo. A descarga de adrenalina é potencializada ao ponto dela entrar em uma luta ou fuga/perseguição de modo impossível para um ser humano comum. Imagina isso aliado ao físico perfeito por natureza?
Mae é fria, calculista e mantem uma máscara inexpressiva, junto a uma blindagem para não se magoar ou magoar os outros. Por dentro ela é amável, delicada e tem um coração quente, clamando por liberdade. Uma complicada personagem que faz o leitor se apaixonar por ela no decorrer do livro. Provoca até mesmo comoção, pois é notável o quanto ela sofre para se controlar e ir contra a sua própria natureza feroz. Internamente ela é um doce. Poucos conseguem ver esse lado dela.
Ela me conquistou e a tenho como uma das protagonistas femininas mais admiráveis e fortes.

Outro item a ser observado é um mistério que ronda Mae. Uma força incontrolável, uma energia indecifrável que parece emanar da pretoriana. Faz seu implante mais intenso e seu autocontrole difícil de ser mantido. De onde isso vem? Um defeito do implante? Manipulação genética? Natureza mágica? Algo sombrio?
A RANU é uma nação que aboliu as religiões e permite oficialmente apenas a Igreja da Humanidade. Servidores da Segurança Interna controlam grupos e seitas religiosas, inspecionando-os e limitando suas ações. Através de visitas e muita burocracia, ao notarem que uma religião está crescendo muito e ganhando adeptos demais, logo uma brecha é encontrada e o Servidor trava ou cancela o culto.
O Governo da RANU parte do princípio que são perigosos grupos descontrolados atingindo a população com argumentos místicos, e não científicos.
Após apontar o lado da ficção científica, estou entrando no lado sobrenatural do livro.
O protagonista masculino, Justin, é um exilado gemano e plebeu. Vivendo no Panamá como punição, ele trabalhava como Servidor investigando cultos e seitas. É um perito em mitologia e religiões. Foi a personagem pela qual me apaixonei rapidamente, pois ele é um anti-herói. Ele é cheio de vícios: jogos, mulheres, bebidas, drogas. E, no entanto, é charmoso, simpático e conquistador. Inteligente e esperto, mas possui duas vozes um tanto assustadoras em sua mente, que torna o livro muito divertido. Essas vozes são personagens secundárias sempre presentes quando Justin está em cena e se demonstram cada vez mais importantes.
Ele não consegue conter ou se livrar da paranormalidade que o domina. Exatamente o que um Servidor não pode sequer crer que existe.

O passado de ambos é assombrado. Mae é punida. Justin tem a chance de se livrar de seu exílio. Sua guarda pessoal é ela e os dois precisam resolver um caso assustador: Assassinatos em série que a ciência não explica - nem o sobrenatural. Com o cargo de Servidor restaurado temporariamente, Justin precisa resolver o mistério e ser aceito como germano novamente. Mae precisa protegê-lo para terminar logo sua punição e voltar a trabalhar em campo de combate como pretoriana.
No entanto, após se chocarem as vidas de ambos serão modificadas para sempre. Entre misticismo e tecnologia, razão e emoção, instinto e lógica, Mae e Justin se enfrentam e se ajudam. A química entre eles é perfeita e o leitor anseia pelo clímax de todos os conflitos.
O final do livro deixa várias portas abertas para a continuação, mas também deixa a critério do leitor procurar lê-la depois ou não. Eu lerei!
The Immortal Crown, o segundo volume da série está programado para ser publicado em língua inglesa em maio de 2014.

A autora:
É autora da série Academia de Vampiro (sucesso internacional de vendas e que em breve terá a adaptação cinematográfica em cartaz lá fora. No Brasil em DVD) e da série Bloodlines.
Seu interesse por fantasia e ficção científica começou cedo, quando seu pai leu a mitologia grega para ela e seu irmão a fez assistir ao seriado Flash Gordon.
Nascida em Michigan, Richelle mora agora em Seattle com sua família. Acha a música dos anos 1980 perfeita, mas não as roupas.

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