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5 de agosto de 2014

O Planeta dos Macacos: Um livro, uma franquia, um mundo!

O Planeta dos Macacos:
Conheci o mundo fictício de O Planeta dos Macacos bem pequena, quando meu pai assistia aos filmes clássicos e dizia como foram chocantes e inovadores. A história me atraía, mas eu não imaginava a complexidade da saga.

O Planeta dos Macacos tornou-se um ícone não apenas nerd, mas da cultura pop em geral. Tudo começou com o livro O Planeta dos Macacos (Le Planéte de Singes) de Pierre Boulle, publicado primeiramente em 1963. Já resenhei o livro.
Confiram curiosidades sobre a franquia e minha experiência com ela:

* Atenção! Esta postagem pode conter spoilers. *

O criador:
Pierre Boulle era francês, nasceu em 1912 e faleceu em 1994.
Não foi apenas escritor, mas também engenheiro, técnico, soldado e agente secreto! Recebeu prêmios por obras literárias e feitos militares.
Escreveu várias obras. Além de O Planeta dos Macacos, outro livro destacou-se: A Ponte do Rio Kwai (Le Pont de la Rivière Kwaï, 1952). Nessa semificção, Boulle relata suas experiências na Segunda Guerra Mundial. Com a obra tornou-se famoso, tendo sido ela adaptada ao cinema em 1957.
Com esse sucesso, O Planeta dos Macacos chamou a atenção, foi adaptado ao cinema, e distribuído pela 20th Century Fox e se transformou em febre mundial.

Foram lançados cinco filmes clássicos, com o mesmo produtor, Arthur P. Jacobs; mais recentemente foram feitos mais três filmes, com novas produções:

A franquia clássica:
1968, O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes)
Esta foi a primeira adaptação que o livro recebeu. As maiores mudanças em relação ao livro foram: Retirar os macacos de uma sociedade moderna e tecnológica e colocá-los em uma arcaica e medieval; e criar um novo protagonista humano. Não é Ulysse, é Taylor.
Não podemos comparar a velha tecnologia disponível na época com a incrível tecnologia atual. Mesmo assim, o filme foi um marco, principalmente na maquiagem e roteiro (de Michael Wilson e Rod Serling, com participação de Boulle). Foi aclamado pelo público e pela crítica. Tornou-se um clássico!
Mesmo sendo uma adaptação, o filme consegue ser bastante fiel ao livro. A cena final, tão famosa, é diferente. É melhor no filme que no livro, confesso.
Ganhou um Oscar honorário pela maquiagem e foi indicado a Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora. A direção é de Franklin J. Schaffner.

1970, De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes)
É o segundo filme da franquia clássica, iniciado imediatamente após os eventos do filme anterior. A história continua, sob a direção de Ted Post.
Taylor e Nova seguem suas vidas e um novo protagonista surge (Brent).
O filme traz descobertas. Os humanos se dividiram em dois grupos: Os escravizados pelos macacos, que não falam; os mutantes, que vivem no subterrâneo da Zona Proibida. A Guerra Nuclear foi o desastre mundial.
O roteiro original escrito por Boulle foi recusado pela Fox por não ser surpreendente como o anterior: Taylor seria o escravo que levaria os humanos a rebelião e o vilão seria o gorila e general Ursus. Boulle finalizaria a história, mas a Fox desejava ampliar em mais filmes.
Dois roteiristas (Paul Dehn e Mort Abrahams) assumiram o cargo e a Fox também descartou a ideia original deles, por falta de tecnologia: Mostrar uma criança metade humana e metade macaca.

1971, Fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of the Apes)
A história parecia finalizada no filme anterior, com um desfecho explosivo, mas a Fox quis uma sequência e o diretor escolhido foi Don Taylor.
No terceiro filme, que também segue com a cronologia, ocorre o contrário: Símios do Planeta dos Macacos vão parar na Terra dominada pelos humanos. Parece bizarro, mas para quem deseja apenas refletir sobre os temas sociais e continuar seguindo a história, é um filme excelente.
Zira e Cornelius são os protagonistas e o tom do filme, embora de temática séria e dramática na reta final, é mais descontraído.
O roteiro é de Paul Dehn, que consultou frequentemente Boulle sobre o rumo da história.

1972, A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes)
Se você é fã de César é aqui que ele aparece. Este filme se passa quase vinte anos após o final do terceiro. Estamos de volta ao passado, descobrindo a origem do Planeta dos Macacos: Como os humanos escravizaram os macacos e como estes se rebelaram.
Cães e gatos foram dizimados por um vírus e os símios adotados como animais de estimação. Mas um, dentre todos os macacos, é inteligente e fala.
Um cenário de distopia clássica, com macacos escravos divididos em castas, por raça e ocupação no trabalho forçado. Governo humano totalitário e militarizado.
Lisa, interesse amoroso de César, é a primeira macaca (além dele) a falar: "NÃO!". César faz o famoso discurso depois seguido por séculos pelos macacos.
O roteirista é o mesmo do filme anterior e a direção de J. Lee Thompson.

1973, Batalha pelo Planeta dos Macacos (Battle for the Planet of the Apes)
A sociedade dos macacos é fundada por César e a lei é: "Macaco jamais matará macaco." Além disso, César é a favor da coexistência pacífica entre macacos e humanos, enquanto o antagonista, o gorila Aldo, é contra a ideia e almeja a queda de César. Alguns humanos até mesmo vivem na cidade dos macacos.
O filme se passa pouco mais de uma década após o anterior e é uma viagem que interliga muitos pontos da saga e termina a história. Uma batalha decisiva entre humanos e macacos é travada e César, após conhecer sua verdadeira origem, faz uma escolha que muda o rumo da história.
O desfecho é surpreendente. César conseguiu uma mudança incrível!
Roteiro de John William Corrington, Joyce Hooper Corrington e, novamente, Paul Dehn. A direção continuou com J. Lee Thompson. Os dois últimos filmes se interligam muito bem.

Um vídeo para mostrar um pouco dos cinco filmes:



Minha ordem de preferência:
O Planeta dos Macacos (filme 1);
A Conquista do Planeta dos Macacos (filme 4);
Batalha pelo Planeta dos Macacos (filme 5);
Fuga do Planeta dos Macacos (filme 3);
De Volta ao Planeta dos Macacos (filme 2).

Mais Planeta dos Macacos:
Depois disso, foram lançadas duas séries para a TV, uma com atores em quatorze episódios (1974, O Planeta dos Macacos - Planet of Apes) e outra animada em treze episódios (1975, De Volta ao Planeta dos Macacos - Return to the Planet of the Apes). (Nunca os assisti.)

O Planeta dos Macacos também virou histórias em quadrinhos por inúmeras editoras, dentre elas:
Gold Key Comics, Marvel Comics e Malibu Comics. O auge das publicações foi nos anos 1970 e 1980, mas nos anos 2010, elas retornaram pela BOOM! Studios.


O remake:
2001, Planeta dos Macacos (Planet of the Apes)
Estreou nos cinemas um remake (refilmagem) do filme de 1968, mas desde 1988 a Fox o planejava. Muitos roteiros foram escritos e muitos nomes diferentes estiveram envolvidos aos projetos descartados como James Cameron e Peter Jackson.
É uma releitura do primeiro filme clássico e o humano protagonista não é Ulysse nem Taylor, e sim, Leo. As personagens não são carismáticas como no clássico e a cena final é inferior.
Apesar do bom avanço tecnológico, o filme não foi impactante e aclamado como a versão de 1968 e a sequência foi cancelada.
A direção é de Tim Burton, a produção de Richard D. Zanuck e Ralph Winter e o roteiro de William Broyles, Jr., Lawrence Konner e Mark Rosenthal.

(Dentre o original e o remake, prefiro a versão de 1968. Mas, claro, o livro é melhor.)

Foi quando minha curiosidade realmente explodiu e me tornei fã da franquia, revendo os filmes clássicos e planejando ler o livro. Assisti aos filmes como se fosse a primeira vez, sob um novo olhar.


A nova franquia:
2011, Planeta dos Macacos: A Origem (Rise of the Planet of the Apes)
Uma década após o remake, a franquia retornou com um novo filme. Dessa vez, em altíssima qualidade e tendo uma ambientação muito realista e convincente. Percebemos referências aos clássicos e César é novamente o foco, assim como a ascensão dos macacos e queda dos humanos.
Os eventos se equivalem aos mostrados no quarto e quinto filmes clássicos. Oficialmente não é um remake, mas percebemos inúmeras referências e homenagens. César também é criado por um humano (nos clássicos era o dono de circo, Armando), o cientista Will.
O diretor é Rupert Wyatt, a produção é de Peter Chernin, Dylan Clark, Rick Jaffa e Amanda Silver; estes dois últimos também são os roteiristas (e casados).
O filme foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais, surpreendeu na bilheteria e conseguiu, novamente, elevar O Planeta dos Macacos ao patamar de sucesso absoluto, de crítica e público.

Trailer:


Ao sair eufórica da sala do cinema, pensei: "Por que ainda não li a obra original?" Eu não poderia mais viver sem conferir a essência de tudo. Foi muito complicado encontrar um exemplar. Apenas achava antigos por valores exorbitantes!
Encontrei uma livraria online desconhecida vendendo exemplares novos e lacrados. Uma simples, mas bonita, edição de bolso da Editora Agir (Pocket Ouro / Coleção Grandes Filmes). Eu o comprei e o tenho como tesouro, pois está fora de catálogo. Sonho com uma edição de luxo, com capa dura e tamanho padrão.
Eu me maravilhei com a leitura e fiz uma resenha.
Vejam meu exemplar:

Clique para ampliar.

Antes de assistir ao mais recente filme da franquia, fiz uma supermaratona e revi os sete anteriores! Foi, novamente, uma experiência inexplicável.

2014, Planeta dos Macacos: O Confronto (Dawn of the Planet of Apes)
É a continuação de Planeta dos Macacos: A Origem. Uma década se passou e César e os macacos fundam uma colônia pacífica e separada dos humanos, que declinam perante o vírus criado em laboratório no filme anterior. Confrontos ocorrem, não apenas entre humanos e macacos, mas também entre os da própria espécie.
O lema de César na franquia clássica é ressuscitado: "Macaco não matará macaco." Koba, o chimpanzé que carrega as cicatrizes dos testes realizados por humanos, é o antagonista de César (não Aldo, o general gorila) e é contra a coexistência pacífica dos macacos com os humanos.
A direção mudou para Matt Reeves, mas a equipe de produção e roteiro é a mesma (exceto pelo acréscimo de Mark Bomback ao roteiro).
Com este oitavo filme, Planeta dos Macacos se fixa no cenário cinematográfico, com altíssima aclamação da crítica em relação a diversos aspectos: Efeitos visuais, história, direção, atuação, e profundidade emocional.
O final é diferente do mostrado em Batalha pelo Planeta dos Macacos (filme 5 da franquia original) e não temos mutantes.

Trailer:



A nova franquia não arriscou um novo remake e achei a estratégia excelente, pois o filme de 1968 é único e uma refilmagem já não deu certo.
A Origem + O Confronto basicamente reconta a história de César, mostrada nos filmes de 1971 (seu nascimento), 1972 e 1973, de forma compactada e atualizada. Ambas as versões são maravilhosas, cada uma em sua época.
Não apenas O Planeta dos Macacos é um marco na ficção, mas César tornou-se um ícone.

Um livro gerou um conjunto de filmes e uma franquia de sucesso. Deixa o público cheio de reflexões sociais.

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