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19 de dezembro de 2014

A Queda do Governador: parte dois, The Walking Dead 4, Robert Kirkman e Jay Bonansinga, Galera Record

A Queda do Governador: parte dois (The Fall of the Governor: part two)
The Walking Dead - livro 4
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert
308 páginas - Ano: 2014 - R$35,00
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Não recomendado para menores.

Sinopse:
"Michonne finalmente conseguiu sua vingança. E parece que dessa vez nem o Governador será capaz de se recuperar. Ao encontrá-lo espancado, mutilado e com um fio de vida, Bruce e Gabe acham que Woodbury perdeu de vez seu líder.
Mas o ódio e a vontade de retaliação podem gerar forças que ninguém imagina. Depois de uma semana em um estado de semicoma, o Governador está de volta. Perdeu um olho e um braço, mas sua sede de vingança continua inabalável; Philip Blake irá até o inferno se for preciso para acabar com todos os habitantes da prisão, principalmente aquela que quase o destruiu.
The Walking Dead: A Queda do Governador - Parte Dois conta em detalhes o destino deste que é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos."

Resenha:

The Walking Dead, criação de Robert Kirkman, surgiu em 2003 como série de histórias em quadrinhos, que ultrapassa uma centena de edições. Após receber o Eisner Award (na categoria Melhor série contínua, em 2010, um dos maiores prêmios que uma HQ pode receber), a saga foi adaptada para uma série televisiva pela AMC. No momento, encontra-se na metade da quinta temporada e é grande sucesso, trazendo de volta à moda os zumbis, que nunca foram tão populares. Além de boa audiência e uma legião de fãs, The Walking Dead tornou-se uma franquia renomada, gerando colecionáveis, games e livros.
O intercâmbio entre as mídias e as variações da abordagem da trama na tv, nos quadrinhos e na Literatura, é um processo positivo. É um fenômeno interessante, que atrai o público de uma mídia para a outra, ampliando o mercado da franquia e presenteando os fãs com mais material. Assisto ao seriado da AMC e acompanho os quadrinhos também (ambas as versões apresentadas são muito diferentes), porém é das publicações em livros que tenho gostado mais. E The Walking Dead é atraente em todos os formatos, porque não se trata apenas de uma história com zumbis; trata dos seres humanos e as atitudes diversas quando expostos a extremo perigo e risco de morte.
Não precisa ser fã de The Walking Dead para apreciar a leitura, no entanto, é nítida a preocupação em presentear os fãs com curiosidades, informações, lacunas antes não preenchidas e acontecimentos pouco explorados. As três áreas possuem suas próprias versões (HQs, tv e livros), porém é notável que os livros se assemelhem mais a versão original, a dos quadrinhos, e não sua adaptação, série da AMC. Então quem assiste ao seriado e desconhece os quadrinhos, pode estranhar bastante o modo como tudo acontece.

No Brasil, através da Galera Record, o Grupo Editorial Record está publicando a série, escrita por Jay Bonansinga, sob supervisão do próprio Kirkman.
A série literária segue o mesmo padrão gráfico em todos os volumes, apresentando as mesmas fontes, estrutura e visual. As capas combinam, e desta vez visualizamos Lilly de costas, em meio a uma cena caótica e de destruição. Ela olha para um túmulo.
No volume um (A Ascensão do Governador, 2012), é mostrado como o Governador conquistou o cargo de líder temido em Woodbury. É um livro impressionante, violento e de grandes conflitos físicos e psicológicos.
Na continuação (O Caminho para Woodbury, 2013), é a vez de introduzirem a antagonista do Governador, Lilly. Aparentemente o livro não é tão empolgante quanto o anterior, mas na verdade o clímax é tão bom quanto. Quem é Lilly, como ela chega a Woodbury e o porquê dela duvidar da liderança do Governador.
A próxima etapa da saga, intitulada A Queda do Governador, foi dividida em dois volumes (Parte um e parte dois), ou seja, livro três e livro quatro. Na primeira parte (A Queda do Governador: Parte um, 2014) o foco continua sendo o Governador, os moradores de Woodbury e Lilly, mas ocorre o primeiro contato com o grupo de Rick, os sobreviventes na prisão, destacando Michonne. O quarto livro continua assim, porém o conflito prisão versus Woodbury chega ao ápice e a violência ao máximo.
Inicialmente, gostaria de ter mais de Rick, Michonne e seu grupo. No entanto, os autores mantem a ideia original mais forte que nunca e apresentam um novo olhar sobre o embate: A visão exclusiva do povo de Woodbury, o que pensa o grupo da prisão não importa. Chocante como nenhum lado está totalmente certo, não existem vilões e heróis tradicionais, apenas um diferente ponto de vista e a guerra desenfreada pela sobrevivência e a supremacia do mais forte. O grupo de Rick é vítima, mas não consegui ver o de Woodbury necessariamente como vilão. Já o Governador... É um caso único.

Estava ansiosa pela leitura, não gostei da trama ter sido dividida em dois livros. A interrupção é negativa e teria sido melhor ler um livro após o outro ou em volume único, diferente da pausa que ocorre entre os demais livros. Ao menos, a espera valeu a pena, porque a parte dois consegue ser superior e surpreendente.
Não focar no ponto de vista dos habitantes da prisão enriqueceu muito a história, já que ela não era inédita para mim. Portanto, os fãs dos quadrinhos, que pensam como os livros podem agradar, já que não é material teoricamente novo, repensem: É novidade sim. Acompanhar um dos conflitos mais épicos da franquia através do ponto de vista dos cidadãos de Woodbury. Já fãs da série, preparem-se para conhecer outra versão! Vocês precisam conhecer.
Interessante que nos terceiro e quarto livros todo o desenvolvimento anterior se une, se choca e apresenta o conflito final. Nada do que foi apresentado ao leitor é desperdiçado. O planejamento e a execução do enredo foram cuidadosamente planejados.
A narrativa e suas características permanecem as mesmas, em terceira pessoa e com texto violento, cruel, explosivo, rápido e cheio de diálogos intensos.
Subdividido em três partes (Campo de Batalha, Relógio do Apocalipse e A Queda) e vinte e três capítulos, o livro mantem o ritmo de thriller e mostra a queda do Governador, a destruição da prisão de Rick e a ascensão de Lilly - Acontecimentos praticamente simultâneos.

Além da ação e violência, as personagens se destacam em um mundo em o maior perigo não são os mortos, e sim os vivos.
O Governador, mesmo fadado a cair, continua impressionante e, embora seja um psicopata odioso, eu amo cada cena em que ele está presente. Sempre penso como, aos poucos, Kirkman conseguiu ampliar o carisma do Governador perante o público. Uma personagem que poderia ter sido mais bem aproveitada nos quadrinhos e na tv, ganha toda glória merecida nos livros. Sua mente doentia, sua capacidade de controlar todos ao redor e seus conflitos interiores o transformam em um protagonista de peso, um vilão querido e uma personagem valiosa. Sua versão literária entrou de vez para minha lista de "vilões" detestavelmente amáveis.
E nesse mundo de apocalipse zumbi chocante e terrível, as mulheres ganham mais destaque. Michonne nos quadrinhos ganhou a primeira edição especial dentre todas as personagens disponíveis; nos mais recentes episódios da série da AMC, os destaques foram Carol no Terminal e o conflito entre Beth e Dawn; E na Literatura de The Walking Dead: Lilly, personagem essencial que finalmente é trabalhada justamente e prova como as mulheres são importantes.
Lilly divide o posto de protagonista com o Governador e mostra neste volume o ponto máximo de seus conflitos pessoais, o ápice de seu desespero. De fraca a inconsequente, agora Lilly está madura, segura e extremamente perigosa e centrada. Conquista o respeito e assume a liderança, não apenas de Woodbury, mas de si mesma.

Mesmo para quem já conhece a base da trama, o livro é muito empolgante e o desfecho mostra que um ciclo chega ao fim, mas a história continua, exatamente como nos arcos das histórias em quadrinhos.
Uma abordagem de apocalipse zumbi que impressiona pelo tom realista e violento. Sem o peso da censura que a série de tv carrega, os livros chocam e têm mais liberdade, como nos quadrinhos. Uma história que agrada aos fãs de The Walking Dead, especialmente os dos quadrinhos, mas que, acima de tudo, satisfaz a qualquer fã de zumbis.
Um mundo em que as pessoas conseguem ser mais assustadoras que os mortos-vivos. Um universo que explora ao máximo os conflitos humanos e éticos e a loucura pela sobrevivência. Personagens fortes e realistas, pessoas buscando artifícios para se adaptarem a uma nova realidade. Traços sombrios de personalidade vindo à tona, junto ao medo, terror, insegurança, insanidade, loucura.
Sem leis oficiais, sem Governos, nem regras. Pessoas se unem e se enfrentam buscando a sobrevivência, enquanto fogem da praga zumbi. As certezas (ou incertezas) que cada personagem carrega ao decidir o que é moralmente certo ou errado.
O próximo livro já foi publicado nos Estados Unidos e o título é Descent. Escrito por Bonansinga e Kirkman, continua mostrando a trajetória de Lilly e a reconstrução de Woodbury. Pelas informações na web, Descent é descrito como o primeiro de quatro livros, em mais uma saga The Walking Dead.

Os autores:


Robert Kirkman é um roteirista de histórias em quadrinhos, conhecido por seus trabalhos para The Walking Dead e Invencível, ambos para a Skybound e a Image Comics, da qual é um dos cinco sócios.
Robert é produtor executivo do seriado homônimo exibido pela AMC (The Walking Dead) e escritor principal da série de livros (também de The Walking Dead).

Jay Bonansinga escreveu inúmeros livros de terror, vários aclamados pela crítica. Entre seus trabalhos estão Perfect Victim, Shattered, Twisted e Frozen.
Seu livro de estreia The Black Mariah, foi finalista do Bram Stoker Award.
Co-escreve os livros The Walking Dead.

Resenhas: A Ascensão do Governador | O Caminho para Woodbury | A Queda do Governador: parte um



As histórias em quadrinhos:
Foi onde o universo The Walkind Dead nasceu. Antes dos livros, série televisiva e games, The Walking Dead já existia.
The Walking Dead é uma publicação mensal histórias em quadrinhos nos Estados Unidos pela Image Comics desde 2003.
A história foi criada e escrita por Robert Kirkman.
A série narra a trajetória de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo atingido por um apocalipse zumbi.
No Brasil a série é publicada pela HQM Editora.
Em 2010 a série ganhou o prêmio Eisner Award de Melhor série contínua, anunciado na San Diego Comic-Con - o melhor prêmio que uma HQ pode receber.
A série já ultrapassou a marca de uma centena de edições e sua versão encadernada mais de vinte.


A série televisiva:
The Walking Dead é uma série de televisão do canal AMC pós-apocalíptica estadunidense, desenvolvida por Frank Darabont baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard. No Brasil é transmitida na tv por assinatura pelo canal Fox e na tv aberta pela Band.
The Walking Dead conta a história dos meses que se seguem após um apocalipse zumbi pandêmico e acompanha um grupo de sobreviventes, chefiado pelo agente da polícia Rick Grimes, que viaja em busca de um local seguro. Mas a constante pressão da luta contra a morte diária torna-se um fardo bastante pesado, fazendo com que algumas pessoas desçam ao mais baixo nível da crueldade. O medo arrebatador dos sobreviventes pode ser bem mais perigoso que os zumbis que vagueiam pelo nosso planeta.
A série é transmitida desde 2010 e está na metade da quinta temporada.


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