A Queda do Governador: parte um, The Walking Dead 3, Robert Kirkman e Jay Bonasinga, Galera Record

A Queda do Governador: parte um (The Fall of the Governor: part one)
Série The Walking Dead - livro 3
Robert Kirkman e Jay Bonasinga - Galera Record
Tradução: Mariana Kohnert
265 páginas - 2014 - R$35,00
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"A franquia de zumbis mais celebrada da década está de volta. O terceiro — e último — livro promete contar em detalhes o destino desse que é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Com seu senso doentio e muito particular de justiça, ele força prisioneiros a lutarem contra zumbis em uma arena, para delírio dos moradores entediados. A queda do Governador dá continuação à história de ação e horror. Personagens icônicos das tirinhas que deram origem à série de TV, como Rick, Michonne e Glenn vão finalmente fazer sua estreia no palco do pesadelo zumbi. E fãs poderão vê-los sob uma nova e assustadora luz.
Com milhões de fãs no mundo todo, a série de TV The Walking Dead é uma das mais assistidas da atualidade; a série tem um dos mais impressionantes variação nos espectadores, tendo fãs de 14 a 60 anos."

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Resenha:
Sou fã de The Walking Dead. Amo a série televisiva (responsável pela explosão do sucesso da franquia), estando em dia com todos os episódios; gosto muito das histórias em quadrinhos (a origem de tudo), mas estou em débito com a leitura, mesmo tendo lido boa parte do conteúdo; li todos os livros já publicados no Brasil e confesso: É dos livros que gosto mais.
Vocês podem ler as resenhas dos livros anteriores: A Ascensão do Governador e O Caminho para Woodbury.
Esta resenha é referente à primeira parte do terceiro livro de The Walking Dead; meu ponto de vista como leitora e fã. No entanto, não me sinto preparada para avaliar o livro (apenas uma minúscula fatia de um universo tão multimídia e vasto); por outro lado não consigo deixar de recomendá-lo e fazer uma simples avaliação.
E caso você conheça pouco ou nada do universo The Walking Dead, não se preocupe: Qualquer um pode acompanhar os livros e compreender perfeitamente a história. Não precisa assistir à série ou ler as HQs.


Primeiramente, acho a série de livros mais fiel às histórias em quadrinhos que à série de televisão. Mesmo assim, não importa que tipo de fã você seja (da TV ou das HQs); se você realmente se envolve fortemente à saga, a leitura passa a ser um tesouro. Um importante complemento que traz fatos inéditos, segredos e novas visões e pontos de vista sobre os eventos. Até mesmo outras formas como tudo ocorreu - por isso quem não conhece The Walking Dead aproveita tanto quanto quem conhece.
É uma ironia: Gosto de encontrar ligações entre todas as plataformas, porém ao mesmo tempo, prefiro degustá-las separadamente, como se cada uma fosse uma versão diferente, afinal são mídias diferentes, formas de se contar a história distintas. Essa é a chave para usufruir o máximo possível dos livros: Pense neles como extras especiais e misture/separe as coisas. Parece complicado, mas não é, na verdade é divertido e recompensador.

The Walking Dead nos leva às mais variadas reflexões sobre a essência, caráter e ética dos seres humanos. Refletimos sobre o lado psicológico, não apenas da ação e de como a luta pela sua sobrevivência (e daqueles que você ama) pode transformar qualquer um - para o bem ou para o mal. Até porque isso pode apenas ser um ponto de vista, visto que as regras e a sociedade se modificaram. O apocalipse zumbi e o surto do vírus é apenas o artifício utilizado pelo Robert Kirkman para explorar ao máximo o ser humano, as diversas facetas que podemos assumir quando em risco total.
O que mais gosto é esse fio fraco entre sanidade e loucura que afeta às personagens. Não as julgo, apenas aproveito suas ações para refletir sobre a complexidade e loucura humana.
Antes de qualquer característica, The Walking Dead é uma série de thriller psicológico bastante violenta, chocante e que, por acaso, possui zumbis.

A capa ficou o máximo: Sangue, zumbis, um cenário conhecido dos leitores e um tapa-olho caído em meio a manchas de sangue e sujeira. E zumbis, muitos. Errantes, walkers, mordedores, mortos-vivos - escolha a forma preferida de nomear esses seres em decomposição que já foram humanos um dia e agora vivem em hordas andantes, incansáveis, podres e comedoras de carnes, vísceras e ossos.
O primeiro livro mostra quem é verdadeiramente o Governador e como ele conquistou esse título na comunidade Woodbury. O segundo volume mostra a trajetória e desenvolvimento de Lilly até chegar ao local e conhecer o funcionamento do mesmo. O terceiro (primeira parte dele) é sobre como o Governador reage à chegada de novas pessoas ao local e como Lilly tem sobrevivido após as últimas circunstâncias.

Assim como os volumes anteriores, o livro me agarrou. Eu o li em dois dias e fiquei chateada por ter que pausar a leitura para realizar minhas tarefas do cotidiano.
Dessa vez o livro começa um pouco mais parado e devagar que o normal. Embora seja a primeira de duas partes, ainda assim ele é subdividido: Dezoito capítulos em duas partes intituladas A Reunião e Hora do Show.
De repente a falsa estabilidade de Woodbury é abalada e o enredo começa a se desenvolver de forma mais frenética. Novos moradores surgem, outros ganham mais ou menos destaque. Lilly está em conflito terrível após os acontecimentos passados e procura por paz pessoal. Ela era a minha aposta feminina na história, mas eis que surgem personagens conhecidas do público: Rick, Glenn e Michonne - e esta última sim é a mulher que rouba a cena e se torna a figura central. Compete pela atenção do leitor com o grandioso Governador, o sociopata que odiamos, mas amamos cada cena em que ele está presente.


Se antes o nível de violência era moderado, dessa vez torna-se elevado. Menos matança de zumbis, mais violência de humano contra humano. Em certos momentos toda essa violência torna-se surreal, assustadora, surpreendente. Os zumbis até passam despercebidos até parecerem superficialmente uma ameaça fraca e sem importância quando os próprios humanos estão se atingindo de modo desenfreado e brutal. O livro é muito violento e as descrições são mais que sanguinárias, são detalhadamente ferozes, metódicas e espanta.

A narrativa continua em terceira pessoa, com mudanças constantes de pontos de vista. Ora o narrador é frio, calculista; ora é emotivo e sentimental. Isso proporciona a exploração máxima dos acontecimentos, tanto da ação quanto do lado psicológico.
As cenas de ação são bem-escritas, a criatividade em como zumbis são cortados e explodidos é enorme, ou seja, nada repetitivo. E cientificamente elaboradas, pois os autores devem ter verificado um mínimo de anatomia e neuroanatomia para rachar crânios e rasgar corpos.
Continuei me divertindo com os pedaços de zumbis circulando, porém quando os humanos começaram a ser os alvos... Gelei um pouco. Pode ser mórbido, mas como é ficção para entreter, acabei entrando no clima, meu estômago parou de ser atingido e me distraí bastante com o lado mais sombrio da história.

Rick e Glenn, pelo menos nessa primeira parte, são secundários. No entanto, tenho certeza que é apenas um aquecimento para a segunda parte de A Queda do Governador. Desconfio que será mais épica que a versão televisiva - e sem censuras! Afinal, mesmo o público sendo adulto, existe muita censura na série de TV. Espero que no livro não tenha nenhuma.
Já Michonne, conforme expliquei é o destaque ao lado do Governador. Personagens fabulosas.
Doutor Stevens e sua ajudante Alice crescem mostrando novas facetas; Martinez continua importante, porém torna-se curioso e coringa, o que esperar dele? Bob e outros também estão presentes, mas bem menos que Lilly - esta é a melhor versão da personagem (superior à TV e às HQs e segundo o criador, a "verdadeira"!).

Espero que na segunda parte o nível de violência se mantenha ou cresça, juntamente com a ação e o terror psicológico. Espero ver participação maior de Rick e algo de Maggie, Carl e Daryl (muito, muito!).
A parte negativa do livro? Estou inconformada com ele ter sido dividido em duas partes. Terminei e estou abalada desejando a parte dois. O livro é fino e, mesmo sem saber quantas páginas terá a parte dois, eu o queria em volume único. Compreendo que isso foi feito pensando nos fãs da TV, pois nem todos são leitores frequentes e poderiam se assustar com a grossura do livro. Eu preferiria volume único, mas admiro a editora brasileira por se manter fiel à série, publicando-a com as mesmas capas e mantendo a ordem e estrutura. Um trabalho primoroso da Galera Record, que se estende à tradução, revisão e diagramação.

Estou bastante ansiosa pela parte final.
Em língua inglesa a parte dois de A Queda do Governador tem previsão para ser publicada em março de 2014 e parece que será o último volume. Não sei se essa informação é definitiva, porque eu adoraria mais livros, mesmo que não fossem continuações e sim apenas extras (spin-offs).
Um conjunto gigante de perguntas continua na minha mente sobre a mitologia de The Walking Dead. Me fascina e busco por respostas. Imperdível, quanto mais você lê/assiste, mais anseia por histórias novas.



Os autores:


Robert Kirkman é um roteirista de histórias em quadrinhos, conhecido por seus trabalhos para The Walking Dead e Invencível, ambos para a Skybound e a Image Comics, da qual é um dos cinco sócios. Ele também colaborou com o co-fundador da Image Comics Todd McFarlane na série Haunt.
Robert é produtor executivo do seriado homônimo exibido pela AMC (The Walking Dead) e escritor principal da série de livros (também de The Walking Dead).

Jay Bonansinga é escreveu inúmeros livros de terror, vários aclamados pela crítica. Entre seus trabalhos estão Perfect Victim, Shattered, Twisted e Frozen.
Seu livro de estreia The Black Mariah, foi finalista do Bram Stoker Award.
Co-escreveu os livros The Walking Dead.

Os livros anteriores:

A Ascensão do Governador (Rise of Governor)
Série The Walking Dead - livro 1
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Gabriel Zide Neto
364 páginas - Ano: 2012 - R$38,00
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"No universo de The Walking Dead, não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “Vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação."

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O Caminho para Woodbury (The Road to Woodbury)
Série The Walking Dead - livro 2
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Joana Faro
336 páginas - Ano: 2013 - R$35,00
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"Há alguns meses que Philip Blake, o temido e ao mesmo tempo adorado Governador, organizou Woodbury para que a cidade murada fosse um local seguro no qual as pessoas pudessem viver em paz em meio ao apocalipse zumbi. E paz e segurança é tudo que Lilly Caul, que tenta desesperadamente sobreviver a cada dia que nasce, quer. Porém, mal sabe ela que seguir em direção a Woodbury é estar a um passo do perigo. Uma horda de errantes famintos não é nada perto do que se pode encontrar por lá."

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Curiosidades:
As histórias em quadrinhos:
Foi onde o universo The Walkind Dead nasceu. Antes dos livros, série televisiva e games, The Walking Dead já existia.
The Walking Dead é uma publicação mensal histórias em quadrinhos nos Estados Unidos pela Image Comics desde 2003.
A história foi criada e escrita por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore, substituído por Charlie Adlard a partir da edição número 7, mas que continuou a desenhar as capas até a edição número 24.
A série narra a história de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo atingido por um apocalipse zumbi.
No Brasil a série é publicada pela HQM Editora.

A série não teve grandes vendas durante seu lançamento, mas ganhou grande popularidade posteriormente.
Em 2006, a primeira tiragem da trigésima terceira edição da série esgotou em apenas 24 horas.
Em 2010 a série ganhou o prêmio Eisner Award de Melhor série contínua, anunciado na San Diego Comic-Con - o melhor prêmio que uma HQ pode receber.
A série já ultrapassou a marca de uma centena de edições e sua versão encadernada mais de vinte.


A série televisiva:
The Walking Dead é uma série de televisão do canal AMC pós-apocalíptica estadunidense, desenvolvida por Frank Darabont baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.

The Walking Dead conta a história dos meses que se seguem após um apocalipse zumbi pandêmico e acompanha um grupo de sobreviventes, chefiado pelo agente da polícia Rick Grimes, que viaja em busca de um local seguro. Mas a constante pressão da luta contra a morte diária torna-se um fardo bastante pesado, fazendo com que algumas pessoas desçam ao mais baixo nível da crueldade. O medo arrebatador dos sobreviventes pode ser bem mais perigoso que os zumbis que vagueiam pelo nosso planeta.


A série é transmitida desde 2010 e está na quarta temporada. A quinta já foi confirmada! No Brasil a série é transmitida pela Fox na TV paga e pela Band na TV aberta.

Observação: The Walking Dead é uma franquia que atinge games e diversos tipos de brinquedos e objetos colecionáveis. Sucesso!


8 comentários

  1. Acabo de ler o terceiro livro. Como fan de Walking Dead de uma forma geral (tv,hq e games) gostei muito da forma que foram detalhadas algumas partes épicas neste livro. Mesmo já sabendo o rumo da história neste terceiro livro (já li nas hqs!) foi muito bom ter esta nova visão. Mostraram mais a visão do pessoal de Woodbury e do Governador após a chegada de rick. Mesmo já sabendo do final, pretendo ler o último livro para saber o quanto mais eles irão aprofundar. Acredito que a Lilly vai ter um papel importante neste último, afinal o segundo livro foi com o foco nela e ela ainda não morreu na série. Oque mais gostei no livro foi que contaram a história sem censura como na hq e isso é o que mais me motiva pra ler a continuação! Abraço!

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    1. Concordo muito com sua opinião, Diego, mesmo sabendo o que acontecerá, um novo ângulo é o foco. E a censura e adaptações da TV não aparecem nos livros, eu gostei muito!! Todas as versões possuem seus pontos positivos, mas os livros são tão mais detalhados. As HQs também são ótimas. Obrigada pelo seu rico comentário, também estou ansiosa pela parte dois <3 Beijos.

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  2. Não curto muito a série de TV, mais achei muito interessante e fiquei curiosa para ler o livro ...

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    1. Então, isso é legal em The Walking Dead: Embora tenham junções, as mídias são separadas e podem ser acompanhadas desse modo. Temos os quadrinhos, os livros, o seriado e os games, para todos os estilos :) Beijos.

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  3. Não acompanho a série pela tv, mas acho que seria interessante conhecer o livro. Não sabia dos games, e os quadrinhos deve ser ainda mais interessante.
    Bjs, Rose

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    1. Oi, Rose, nunca joguei um game, mas sou mega fã da série de TV e de livros, e já li uma boa quantidade dos quadrinhos. Gosto de todas as versões, The Walking Dead é uma boa história que utiliza o apocalipse zumbi para nos mostrar o pior e o melhor do ser humano.
      Beijos.

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  4. Terminei de ler esse livro ontem... e to de cara, a série ficou parecendo desenho animado... hahahaaha
    violento é pouco pra dizer do livro, principalmente os dois ultimos capitulos que eu lia de olhos arregalados e imaginando a cena e sofrendo junto, mesmo o governador merecendo tudo, eu sofri junto... hahahahaa
    mas eu adorei o livro... hehehehe adoro a série, os quadrinhos ainda nao li, vou ver se começo a ler tbm...
    Eu concordo, queria volume unico tbm, terminei de ler e queria mais, o jeito é esperar então né... e eu espero que o proximo volume nao seja fininho assim, hehehehehe

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    1. Oi, Douglas, imagina que fantástico seria uma série animada sangrenta para adultos de The Walking Dead? Seria excelente, ótima ideia!
      Também arregalei os olhos, ficou mais parecido com os quadrinhos que com o seriado. Acho o seriado bem mais leve.
      Leia os quadrinhos sim, muito bom a gente ampliar os horizontes e poder opinar.
      Pois é, o volume único seria melhor para leitores, mas para somente os fãs da série da TV, talvez não.
      Beijos e obrigada!

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