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20 de abril de 2013

O Caminho para Woodbury, The Walking Dead 2, Robert Kirkman e Jay Bonansinga, Galera Record

O Caminho para Woodbury
Série The Walking Dead - livro 2
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Joana Faro
336 páginas - Ano: 2013 - R$34,90
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"Há alguns meses que Philip Blake, o temido e ao mesmo tempo adorado Governador, organizou Woodbury para que a cidade murada fosse um local seguro no qual as pessoas pudessem viver em paz em meio ao apocalipse zumbi. E paz e segurança é tudo que Lilly Caul, que tenta desesperadamente sobreviver a cada dia que nasce, quer. Porém, mal sabe ela que seguir em direção a Woodbury é estar a um passo do perigo. Uma horda de errantes famintos não é nada perto do que se pode encontrar por lá."

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Resenha:
Este é o segundo livro do universo The Walking Dead e sequência de The Walking Dead: A Ascensão do Governador (resenha aqui, aconselho a lê-la primeiramente, caso ainda não a tenha lido). The Walking Dead é um seriado de sucesso transmitido pela Fox que está com a quarta temporada a caminho. Sua origem vem das histórias em quadrinhos publicadas nos Estados Unidos desde 2003. Suas edições começaram a ter excelentes vendas em 2006, ganhou o Prêmio Eisner em 2010 e a partir de então chamou a atenção do público, ampliando seu universo para games, seriado e livros.
Este universo multimídia é interligado, embora existam diferenças entre eles. Gosto muito desse fenômeno que vem ocorrendo de interligação de livros, quadrinhos, animações, filmes, séries e games. Acho muito benéfico ampliar os horizontes de uma criação, além de atingir diferentes públicos - o que pode fazer com que ele se amplie ou interaja mais.

Assim como no livro anterior, não existe a necessidade do leitor ser fã da série de quadrinhos ou da televisão. Qualquer pessoa pode ler e ter uma excelente leitura. Recomendo os livros para apreciadores de histórias de zumbis, terror psicológico e suspense. É uma história terrivelmente forte e impactante e não é para leitores de estômago e coração fracos.
No entanto, acho a leitura essencial para os já fãs. Até mesmo àqueles que não gostam de livros e preferem as HQs ou o seriado televisivo. Fãs de The Walking Dead que deixam de lado os livros estão perdendo curiosidades e informações interessantes e importantes do universo - além de uma leitura prazerosa, que agrada a qualquer leitor, mas tenho a certeza de que será mais valorizada pelos fãs.

Algumas personagens em The Walking Dead: O Caminho para Woodbury já apareceram nas HQs e/ou na TV. Woodbury, o Governador e seus moradores em geral já foram introduzidos no livro anterior.
Eu recomendo que The Walking Dead: A Ascensão do Governador seja lido antes de The Walking Dead: O Caminho para Woodbury. Mesmo percebendo que eles podem ser independentes, são diretamente ligados cronologicamente.
Enquanto no primeiro conhecemos a trajetória do Governador (uma das melhores personagens que já conheci), desde sua vida antes do apocalipse zumbi até sua chegada à Woodbury e ascensão à Governador da comunidade, nesse segundo o foco é outro.
Aparentemente menos importante e empolgante que o Governador, a protagonista é Lilly Caul, uma personagem que teve uma breve, no entanto marcante participação nas HQs e nem apareceu no seriado. Aparentemente.
Eu gostei muito mais de A Ascensão do Governador que O Caminho para Woodbury, porque o primeiro me prendeu logo no início, me chocou até o final incrível. Já este segundo livro, por já estar ambientada e talvez prevenida sobre a violência e sadismo observado no anterior, me senti mais forte e menos abalável. Portanto, acredito que esperava acontecimentos mais bizarros. Mesmo assim, a leitura é cinco estrelas e me satisfez.

O livro anterior foi dividido em três partes. A estrutura e narrativa foram mantidas nesta sequência, mas O Caminho para Woodbury possui duas partes e quase trinta páginas a menos. Os dezenove capítulos parecem mais longos que os vinte e três do primeiro volume.
A primeira parte é totalmente dedicada à protagonista do livro Lilly. A conhecemos como uma jovem mulher estilosa, frustrada e traumatizada. Ela é medrosa e fraca. Está perdida em meio ao apocalipse - como todos. Gostaria de ser capaz de se proteger sozinha, sem depender de ninguém, mas é incapaz de tentar mudar esse quadro.
O grupo central é formado por ela, sua amiga de escola Megan, que embora seja promíscua, possui uma personalidade mais decidida, mesmo se perdendo em drogas; Bob, um viúvo, alcoólatra e ex-socorrista do Exército dos Estados Unidos, que presenciou guerras, melhores que a situação atual; Josh, um homem forte e de ética e bondade inabaláveis que já foi um chef de sucesso; e Scott, um maconheiro que segue Megan para onde ela for, sua companheira de drogas e sexo.

Toda a primeira parte é focada em Lilly, seus relacionamentos e os obstáculos que ela enfrenta. Acompanhamos todo o desenvolvimento da mulher. Ela desejava tanto ser capaz de se defender sozinha, só não imaginaria que isso seria tão doloroso e difícil. Em um mundo onde se teme os mortos e mais ainda os vivos, Lilly evolui (sem opções) para uma pessoa mais forte, fria e menos medrosa, embora pareça sempre insegura, mesmo quando se decide e enfrenta os maiores perigos e medos.
Acredito que a intenção do criador de The Walking Dead foi mostrar quem é verdadeiramente Lilly Caul e como ela se tornou a personagem das HQs. Assim como com o livro anterior a premissa é o passado e transformação do homem em Governador, importante nas HQs e no seriado.
Esta primeira parte, intitulada O Alvorecer do Dia Vermelho, não é tão boa quanto a segunda, mas sem ela e a forma como foi abordada e desenvolvida, a segunda não teria o mesmo impacto e não seria boa como é! Embora a primeira parte pareça estendida desnecessariamente, ela é importantíssima.
Para existirem todos os conflitos e reviravoltas da segunda parte, a primeira se faz completamente necessária.

Na segunda parte, com o título É Assim que o Mundo Acaba, já conhecemos muito bem as personagens apresentadas na primeira (Lilly e seu grupo). Já vimos as mudanças ocorridas em cada uma e suas estruturas psicológicas abaladas.
Eles chegam à Woodbury, uma pequena comunidade resistente à horda de mortos-vivos chefiados pelo Governador.
Woodbury parece uma utopia. Humanos sobrevivendo relativamente bem em meio ao mundo devastado pela praga, em uma sociedade à base de escambo e união de trabalhadores. O Governador, protagonista do primeiro livro, lidera os aproximadamente quarenta moradores do local.
Então junta-se personagens da primeira parte de O Caminho para Woodbury às personagens de A Ascensão do Governador.
Lilly e seu grupo percebe que Woodbury não é a luz em meio à escuridão da catástrofe e o que parecia ser a princípio uma dádiva, um milagre, mostra-se o verdadeiro inferno. Woodbury é uma ditadura, os moradores estão enlouquecidos e o Governador é a mão de ferro e o mais insano de todos. Um regime cruel e populista, as pessoas sem opção, coagidas e com medo do fim do mundo se deixam governar pelo sociopata que conhecemos muito bem no primeiro livro. Os moradores querem apenas o básico para sobreviverem e um comandante que os deixem protegidos dos zumbis, mesmo que a base para essa falsa proteção seja baseada nas leis criadas pelo governante-protetor.
Woodbury não é um lar; é uma prisão. O Governador brinca com vivos e mortos de acordo com suas vontades, alimentando seu ego. Lilly sofre tanto que começa a enlouquecer. Ela demora a perceber que não há como fugir da loucura. E resolve bater de frente logo com o Governador. Será ela uma antagonista à altura?

Vale ler toda a primeira parte e preparar-se para a segunda, pois esta é excelente! Os conflitos (diretos e indiretos), as mudanças bruscas de comportamento nas pessoas, o medo e o instinto por sobrevivência mostram ao leitor que os monstros não são os zumbis deformados, apodrecidos e errantes. Os monstros são os vivos, que em sã (será?) consciência cometem os atos mais horrendos e abomináveis. Sem ética, sentimento ou moral, as pessoas se tornam verdadeiros monstros. Mesmo as pessoas mais nobres e bondosas acabam sendo corrompidas pela insanidade e histeria coletiva. O mundo já acabou e Woodbury parece ser o que restou dele e o Governador, seu dono.

O nível de violência, o estilo da narrativa semelhante a das HQs e o palavreado continuam os mesmos de A Ascensão do Governador. Talvez um pouco mais leve, não sei se propositalmente ou se por estilo de tradução, pois os livros foram traduzidos por profissionais diferentes.
Continua com o aviso na contra capa de "Não recomendado para menores", porque a violência e a falta de moral são explícitas e chocantes.

Também me diverti muito neste livro com os zumbis. Pensei que seria monótono ver mais dezenas deles morrerem e morderem as pessoas, mas eu adorei. Existe um acontecimento climático no final do livro que me fez amar totalmente a criatividade dos autores e o esforço de sair dos "zumbis clichês".
Como a praga é transmitida continua em segundo plano; os zumbis são a causa de tudo estar errado e o mundo humano acabando, mas na verdade, eles são coadjuvantes.
O item central do enredo continua sendo como seres humanos, dotados de sentimentos e raciocínio conseguem atingir níveis de crueldade e atos bárbaros tão elevados. Como a luta pela sobrevivência e para ser superior ao próximo pode transformar os humanos em perigo maior que os mortos.
Suicídios, brigas, estupros, assassinatos, furtos, torturas, overdoses... Até onde uma pessoa pode chegar?
Até quanto a civilidade pode durar?

Ponto forte para a transformação da pista de corrida em arena e para o Governador, novamente.
Sim, eu gostei de Lilly e sei o quanto ela é importante nas HQs, mesmo tendo tido uma participação rápida. Sei do que ela é capaz. Portanto aviso aos leitores: Não concluam que ela é sem graça, sem importância, fraca... Lilly é capaz de ser o pior monstro!
Gostei de Bob e Josh, diferentes exemplos de como uma pessoa comum pode se comportar em situações extremas e perigosas. Megan é que merecia mais destaque. Acho que ela poderia ter sido mais explorada na trama. Scott é o que é: Um maconheiro perdido no caos.
E todos em Woodbury, como Stevens, Alice e Martinez - cada um deles possui seu papel de destaque, mesmo que pareçam apenas personagens secundárias.

Mesmo com tanta gente exótica e diferente, o Governador rouba a cena. Ele se sobressai em cada página que aparece. Estou totalmente fascinada pela complexidade dessa personagem. Sou admiradora de cada pessoa nesse universo fértil. Me tornei fã de vez, pois antes dos livros, eu apenas tinha lido algumas HQs. Agora quero devorar tudo que estiver disponível, todas as HQs e episódios.
Tenho a desconfiança que um terceiro livro será publicado, continuando O Caminho para Woodbury e complementando a série de quadrinhos e televisão. E espero que mantenham o mesmo estilo - pelo menos eu desejo muito por mais livros!

Arte completa:



Os autores:
Robert Kirkman é um roteirista estadunidense de histórias em quadrinhos, conhecido por seus trabalhos para The Walking Dead e Invencível, ambos para a Skybound e a Image Comics, da qual é um dos cinco sócios. Ele também colaborou com o co-fundador da Image Comics Todd McFarlane na série Haunt.
Robert é produtor executivo do seriado homônimo exibido pela AMC (The Walking Dead) e escritor principal da série de livros (também de The Walking Dead).

Jay Bonansinga é escreveu inúmeros livros de terror, vários aclamados pela crítica. Entre seus trabalhos estão Perfect Victim, Shattered, Twisted e Frozen.
Seu livro de estreia The Black Mariah, foi finalista do Bram Stoker Award.
Co-escreveu A Ascensão do Governador e O Caminho para Woodbury dos livros The Walking Dead.

Os livros:
Além de The Walking Dead: Ascensão do Governador, a Galera Record publicou a continuação da série! É The Walking Dead: O Caminho para Woodbury. Em breve será resenhado no blogue. E a Galera Record disponibilizou um exemplar para sorteio, aguardem!
O primeiro livro:

A Ascensão do Governador
Série The Walking Dead - livro 1
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Gabriel Zide Neto
364 páginas - Ano: 2012 - R$34,90
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"No universo de The Walking Dead, não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “Vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação."

Links: Galera Record | Skoob | degustação | Facebook | resenha

Como comprar:
Além das livrarias físicas por todo o país, você pode buscar por The Walking Dead nas seguintes lojas online: Submarino | Fnac | Cultura | Siciliano | Saraiva | Travessa | Americanas
Ou compre diretamente com a editora, através do e-mail de marketing do Grupo Editorial Record mdireto@record.com.br ou o telefone (21) 2585-2002, de segunda a sexta-feira, das 08: 30 às 18:00 horas.



Sorteio:
Quer concorrer a um exemplar de The Walking Dead: O Caminho para Woodbury com um marcador de The Walking Dead: A Ascensão do Governador? Cortesia da Galera Record.
Então clique no banner abaixo e participe! De 20/04/2013 até 06/05/2013.


Curiosidades:
As histórias em quadrinhos:
Foi onde o universo The Walkind Dead nasceu. Antes dos livros, série televisiva e games, The Walking Dead já existia.
The Walking Dead é uma publicação mensal histórias em quadrinhos. Publicada nos Estados Unidos pela Image Comics desde 2003, a história foi criada e escrita por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore, substituído por Charlie Adlard a partir da edição número 7, mas que continuou a desenhar as capas até a edição número 24.
A série narra a história de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo atingido por um apocalipse zumbi.
No Brasil a série é publicada pela HQM Editora.
A série não teve grandes vendas durante seu lançamento, mas ganhou grande popularidade posteriormente. Em 2006, a primeira tiragem da trigésima terceira edição da série esgotou em apenas 24 horas.
Em 2010 a série ganhou o prêmio Eisner Award de Melhor série contínua, anunciado na San Diego Comic-Con - o melhor prêmio que uma HQ pode receber.


A série televisiva:
The Walking Dead é uma série de televisão pós-apocalíptica estadunidense, desenvolvida por Frank Darabont baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.
The Walking Dead conta a história das semanas e meses que se seguem após um apocalipse zumbi pandêmico e acompanha um grupo de sobreviventes, chefiado pelo agente da polícia Rick Grimes, que viaja em busca de um local seguro. Mas a constante pressão da luta contra a morte diária torna-se um fardo bastante pesado, fazendo com que algumas pessoas desçam ao mais baixo nível da crueldade. À medida que Rick luta para manter a sua família viva, acaba por descobrir que o medo arrebatador dos sobreviventes pode ser bem mais perigoso que os zumbis que vagueiam pelo nosso planeta.
A série é transmitida desde 2010, possui três temporadas e o contrato para a quarta.

Lilly Caul:
A personagem até hoje não apareceu na série televisiva, mas talvez após ser a protagonista do segundo livro, ela possa vir a ganhar vida no seriado.
Já nas histórias em quadrinhos, Lilly esteve em poucas edições, porém desempenho um papel importante e essencial - mesmo sendo muito pouco explorada.
Lilly está no game:


Quer saber mais? The Walking Dead Brasil.

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