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13 de abril de 2013

A Ascensão do Governador, The Walking Dead livro 1, Robert Kirkman e Jay Bonansinga, Galera Record

A Ascensão do Governador
Série The Walking Dead - livro 1
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Gabriel Zide Neto
364 páginas - Ano: 2012 - R$34,90
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"No universo de The Walking Dead, não existe vilão maior do que o Governador, o déspota que comanda a cidade de Woodbury. Eleito pela revista americana Wizard como “Vilão do ano”, ele é o personagem mais controvertido em um mundo dominado por mortos-vivos. Neste romance os fãs irão descobrir como ele se tornou esse homem e qual a origem de suas atitudes extremas. Para isso, é preciso conhecer a história de Phillip Blake, sua filha Penny e seu irmão Brian que, com outros dois amigos, irão cruzar cidades desoladas pelo apocalipse zumbi em busca da salvação."

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Resenha:
Embora The Walking Dead tenha surgido inicialmente como série mensal de histórias em quadrinhos em 2003, foi somente em 2006 que chegou ao sucesso. Em 2010 recebeu o mais importante prêmio que uma HQ pode receber e em seguida tornou-se uma série de televisão. Com contagem regressiva para a quarta temporada, The Walking Dead formou uma enorme legião de fãs, reciclou o tema apocalipse zumbi e continua atraindo cada vez mais telespectadores e/ou leitores para seu universo.
Eu adoro o intercâmbio de mídias que vem ocorrendo. Quadrinhos, games, filmes, seriados, livros, brinquedos - parece que não existem mais fronteiras para uma boa história. The Walking Dead entra nesse fenômeno e se concretiza como saga marcante com os livros trazidos ao Brasil pela Galera Record The Walking Dead: A Ascensão do Governador e sua sequência The Walking Dead: O Caminho para Woodbury.

De uma forma geral não existe a necessidade de ser fã da série de HQs e/ou da televisão para ler A Ascensão do Governador. Alguns detalhes com certeza serão notados pelos fãs, enquanto quem está mergulhando nesse mundo pela primeira vez não perderá nada de importante. Coisas como personagens que aparecem ao final do livro, uma certa placa e quem é o Governador.
O mais interessante é que o livro é um complemento para os fãs da série (seja só das HQs, só da TV ou de ambos), porque a história contada é nova.
E para o leitor que deseja apenas um bom livro, sem se preocupar com o fardo de pertencer a um mundo já famoso, o livro também atinge esse objetivo. É certo qualquer pessoa apreciadora de boas histórias de terror (incluindo o psicológico) e zumbis gostar do livro, independentemente dele pertencer a algo maior. Quem não conhece The Walking Dead pode ficar tranquilo com a leitura, ela é incrível e muito fácil de ser compreendida.

Confesso que o livro me agarrou totalmente. Simplesmente eu não queria interromper minha leitura para os afazeres e compromissos do dia a dia. Parece clichê dizer isso, mas foi exatamente o que aconteceu.
A narrativa é frenética. Utiliza tanto fórmulas das HQS quanto de série de TV.
Ás vezes você acha que determinada situação está estável, o problema momentâneo resolvido e eis que tudo se transforma e um novo conflito surge, geralmente deixando a história aparentemente sem solução ou chocando fortemente o leitor - mecanismo bastante utilizado para finalizar uma edição de HQ e fazer o leitor comprar a próxima. O leitor pensa que está tudo bem e de repente fica de boca aberta com o "não final".
Cada capítulo ou grupo deles se assemelha em outros momentos à linguagem de um seriado. Com início, meio e fim, porém com um gancho muito bem encaixado pronto para agarrar a continuação da história. O leitor percebe que um ciclo chegou ao fim e um novo começa, e, no entanto, tudo permanece interligado, mesmo que muito evoluído.

São vinte e três capítulos em 364 páginas. Não tenho reclamação a fazer sobre nenhum deles.
Mesmo sustentando em determinados momentos um estilo de narrativa semelhante às HQs e em outros às de séries de televisão, todo o desenvolvimento e estrutura da história são de um livro. Com início, meio, clímax, fim e ponta direta para a sequência, todo o ciclo evolutivo foi planejado. Esse é um dos pontos fortes do livro.
Nota-se claramente que foi capítulo a capítulo traçado um plano concreto da história antes dela ser escrita. Esse fator deve ter partido dos esquemas das HQs, onde o roteirista precisa planejar um arco longo de histórias, com meses de antecedência e não simplesmente sair criando e modificando de qualquer modo.
Adorei a forma como o livro foi dividido em três partes: Os Homens Ocos, Atlanta e A Teoria do Caos. Cada uma com um título muito bem escolhido, com citações que introduzem os fatos sequenciais, fazendo o leitor imaginar e deduzir o que está para ocorrer. Aumentando a curiosidade.

No começo pensei que seria algo bastante clichê, um tema já abordado inúmeras vezes: Apocalipse zumbi. Este já ocorreu e são introduzidos na história: Philip Blake, seu irmão mais velho Brian, sua filha Penny (de apenas 7 anos de idade), além de seus dois amigos de longa data Nick e Bobby.
Quando leio uma história de zumbis busco matanças diretas, porém o que ocorre em The Walking Dead do começo ao final são chacinas violentas, sanguinárias e mutilações contínuas. Pensei que a repetição dessas mortes fosse ser algo entediante, mas não! A cada zumbi derrubado, uma novidade.
Algumas expressões são repetidas frequentemente. Muitos (muitos mesmo) palavrões estão nos diálogos e até na narrativa em terceira pessoa. Não existe a preocupação em escrever algo poético, um texto bonito, com floreios e fórmulas literárias. O texto é fluido, linear, acelerado, como uma história contada nas HQs. Um estilo noir, cru, simples, com palavreado comum. É proposital.

O nível de violência é moderado, não apenas em assassinatos (de gente viva ou morta), mas estupros, brigas, espancamentos, furtos, situações de extrema pressão psicológica ou física e ética questionada. Por isso atrás do livro está o aviso: "Não recomendado para menores". Acredito que não deva ser recomendado para pessoas de estômago fraco.
As entranhas e pedaços apodrecidos dos zumbis voam por cada página, sangue, dejetos, órgãos e dentes antes humanos são descritos em detalhes. Crânios rachados e muitos tiros. (Até pode se encontrar algo de poético aí, pois as descrições são muito boas!)
O pesado do livro, para mim, não está nessa parte, nos zumbis esmagados como baratas. Na verdade eu me diverti muito observando as formas mais inusitadas de se matar um zumbi. Vê-los sendo esmigalhados com machados, foices, carros e tiros foi um entretenimento e tanto!

A parte dura e que fazia meu estômago por vezes ficar com um grande nó com certeza foi presenciar a mudança nas pessoas. Nas pessoas ainda humanas, vivas. Em um trecho do livro alguém diz que se deve temer os vivos e não os mortos. Faz todo o sentido. É aí que eu gelava. Nos momentos em que os vivos e supostamente racionais cometem barbaridades.
Algumas personagens perdem a razão, a ética, a humanidade. O termo "cada um por si" ou "devemos ficar juntos apenas porque temos mais chances de sobrevivência" são totalmente explorados pelos escritores. Ao máximo que um ser humano pode ir. Além.
Algumas pessoas perdem até mesmo a sanidade, começam a surtar em meio ao caos, dúvidas e provações. Até quem se agarra ao máximo aos bons princípios ou à uma religião começam a desmoronar. É duro ver pessoas, antes comuns, como eu, se transformarem em mentes atormentadas, sofridas ou desumanas.
Cada um reage a tudo de uma forma e essa exploração psicológica dói no coração do leitor (uma picada até nos leitores mais durões), que ao mesmo tempo não consegue mais se desapegar daquele grupo de pessoas e precisa saber o que acontecerá com elas.

A curiosidade sobre como as pessoas se tornaram zumbis, em como essa praga é transmitida, se é uma doença ou maldição demoníaca acompanha o leitor também, e mesmo que tentemos nos desvincular disso, é impossível.
Será que os zumbis são meras vítimas? Será desumano matá-los sem peso na consciência? E eles, será que em meio aos tecidos podres existe um sistema nervoso doente que possa ser curado? Como se pode ser transformado em zumbi além das mordidas?

A narrativa explora diversos pontos de vista, mostrando como cada personagem está lidando com tudo, mas sempre deixa alguma peça dos quebra-cabeças faltando. Há sempre algo para ser descoberto. E muitas vezes, o rumo muda totalmente. Outras, descobrimos a peça que faltava (e não havíamos reparado) de repente.

O final é épico (os últimos capítulos). Quando tudo parece estar se estabilizando de vez (embora uma bomba-relógio esteja pronta para explodir no enredo, metaforicamente falando), tudo vira de ponta cabeça e o ritmo fica ainda mais frenético. No clímax final fiquei chocada e terminava cada capítulo quase pronunciando mentalmente um palavrão (entrando no clima da narrativa) de tanta informação inesperada.
O final vale todo o livro. Ver a ascensão do Governador vale cada centavo da compra do exemplar. Philip Blake chega ao comando de Woodbury após uma jornada violenta e cheia de obstáculos e medos enfrentados. Sequelas psicológicas e físicas fazem dele o Governador. E deixa o leitor desejando por The Walking Dead: O Caminho para Woodbury.

A Ascensão do Governador foi um dos livros mais assustadores que já li. O terror psicológico, a violência e a luta mostram até que ponto uma pessoa pode chegar para sobreviver. É triste, é repugnante, é assustador... E muitas outras coisas, isso vai depender do julgamento do leitor.
Acho que é o melhor livro que li este ano, por enquanto. Foi divertido. Sim, eu adoro ver cérebros de mortos-vivos explodindo. Foi uma leitura chocante, por causa das constantes reviravoltas com as personagens e acontecimentos. Os picos de adrenalina e níveis cada vez mais baixos de moral me deixaram sem reação. Foi uma experiência surpreendente, tudo o que se imagina muda a cada instante.

Já estou com meu O Caminho para Woodbury para ser lido (comprei ambos os dois livros em uma promoção). E que máximo: A Galera Record cedeu um para ser sorteado após eu postar a resenha dele. Minhas expectativas são altas.

PS.: Os leitores de uma forma geral, principalmente resenhistas, deveriam fazer um pacto de jamais revelar o grande segredo final. Quem contá-lo deveria ser punido! Pelo Governador, sem piedade.

Arte completa:

Os autores:
Robert Kirkman é um roteirista estadunidense de histórias em quadrinhos, conhecido por seus trabalhos para The Walking Dead e Invencível, ambos para a Skybound e a Image Comics, da qual é um dos cinco sócios. Ele também colaborou com o co-fundador da Image Comics Todd McFarlane na série Haunt.
Robert é produtor executivo do seriado homônimo exibido pela AMC (The Walking Dead) e escritor principal da série de livros (também de The Walking Dead).

Jay Bonansinga é escreveu inúmeros livros de terror, vários aclamados pela crítica. Entre seus trabalhos estão Perfect Victim, Shattered, Twisted e Frozen.
Seu livro de estreia The Black Mariah, foi finalista do Bram Stoker Award.
Co-escreveu A Ascensão do Governador e O Caminho para Woodbury dos livros The Walking Dead.

Os livros:
Além de The Walking Dead: Ascensão do Governador, a Galera Record publicou a continuação da série! É The Walking Dead: O Caminho para Woodbury. Em breve será resenhado no blogue. E a Galera Record disponibilizou um exemplar para sorteio, aguardem!
O segundo livro:


O Caminho para Woodbury
Série The Walking Dead - livro 2
Robert Kirkman e Jay Bonansinga - Galera Record
Tradução: Joana Faro
336 páginas - Ano: 2013 - R$34,90
Não recomendado para menores.

Sinopse:
"Há alguns meses que Philip Blake, o temido e ao mesmo tempo adorado Governador, organizou Woodbury para que a cidade murada fosse um local seguro no qual as pessoas pudessem viver em paz em meio ao apocalipse zumbi. E paz e segurança é tudo que Lilly Caul, que tenta desesperadamente sobreviver a cada dia que nasce, quer. Porém, mal sabe ela que seguir em direção a Woodbury é estar a um passo do perigo. Uma horda de errantes famintos não é nada perto do que se pode encontrar por lá."

Links: Galera Record | Skoob | degustação | Facebook | resenha | sorteio

Como comprar:
Além das livrarias físicas por todo o país, você pode buscar por The Walking Dead nas seguintes lojas online: Submarino | Fnac | Cultura | Siciliano | Saraiva | Travessa | Americanas
Ou compre diretamente com a editora, através do e-mail de marketing do Grupo Editorial Record mdireto@record.com.br ou o telefone (21) 2585-2002, de segunda a sexta-feira, das 8: 30 às 18:00 horas.



Curiosidades:

As histórias em quadrinhos:
Foi onde o universo The Walkind Dead nasceu. Antes dos livros, série televisiva e games, The Walking Dead já existia.
The Walking Dead é uma publicação mensal histórias em quadrinhos. Publicada nos Estados Unidos pela Image Comics desde 2003, a história foi criada e escrita por Robert Kirkman e o desenhista Tony Moore, substituído por Charlie Adlard a partir da edição número 7, mas que continuou a desenhar as capas até a edição número 24.
A série narra a história de um grupo de pessoas tentando sobreviver em um mundo atingido por um apocalipse zumbi.
No Brasil a série é publicada pela HQM Editora.
A série não teve grandes vendas durante seu lançamento, mas ganhou grande popularidade posteriormente. Em 2006, a primeira tiragem da trigésima terceira edição da série esgotou em apenas 24 horas.
Em 2010 a série ganhou o prêmio Eisner Award de Melhor série contínua, anunciado na San Diego Comic-Con - o melhor prêmio que uma HQ pode receber.


A série televisiva:
The Walking Dead é uma série de televisão pós-apocalíptica estadunidense, desenvolvida por Frank Darabont baseada na série de quadrinhos de mesmo nome por Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard.
The Walking Dead conta a história das semanas e meses que se seguem após um apocalipse zumbi pandêmico e acompanha um grupo de sobreviventes, chefiado pelo agente da polícia Rick Grimes, que viaja em busca de um local seguro. Mas a constante pressão da luta contra a morte diária torna-se um fardo bastante pesado, fazendo com que algumas pessoas desçam ao mais baixo nível da crueldade. À medida que Rick luta para manter a sua família viva, acaba por descobrir que o medo arrebatador dos sobreviventes pode ser bem mais perigoso que os zumbis que vagueiam pelo nosso planeta.
A série é transmitida desde 2010, possui três temporadas e o contrato para a quarta.

O Governador na TV:
O Governador (interpretado por David Morrissey) é o líder carismático de Woodbury, uma comunidade aparentemente utópica, barricada atrás dos muros, que ele construiu a partir do chão. Ele protege os cidadãos de Woodbury do grupo dos caminhantes e lhes dá abrigo, comida, agasalhos e, talvez o mais importante, uma sombra do que seria viver no mundo antes que os mortos começassem a caminhar.


Quer saber mais? The Walking Dead Brasil.

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