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29 de agosto de 2015

Zoo, de James Patterson, Michael Ledwidge e Editora Arqueiro

Zoo
James Patterson e Michael Ledwidge - Arqueiro
Tradução: Claudio Carina
288 páginas - 2015 - R$39,90 (impresso) e R$24,99 (e-Book)
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Sinopse:
"Algo está acontecendo na natureza. Uma misteriosa doença começa a se espalhar pelo mundo. Inexplicavelmente, animais passam a caçar humanos e a matá-los de forma brutal. A princípio, parece ser algo que se dissemina apenas entre as criaturas selvagens, mas logo os bichos de
estimação também mostram suas garras e as vítimas se multiplicam.
A humanidade é presa fácil. Apavorado, o jovem biólogo Jackson Oz assiste à escalada dos acontecimentos. Ele já prevê esse cenário alarmante há anos, mas sempre foi desacreditado
por todos. Depois de quase morrer em uma implausível emboscada de leões em Botsuana, a gravidade da situação se mostra terrivelmente clara.
O fim da civilização está próximo. Com a ajuda da ecologista Chloe Tousignant, Oz inicia uma corrida contra o tempo para alertar os principais líderes mundiais, sem saber se as autoridades acreditarão em um fenômeno tão surreal. Mas, acima de tudo, é necessário descobrir o que está causando todos esses ataques, pois eles se tornam cada vez mais ferozes e orquestrados. Em breve não restará nenhum esconderijo para os humanos..."

Resenha:

James Patterson é um dos autores mais vendidos no mundo. Zoo foi publicado em inglês em 2012, já ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares e foi adaptado para a televisão pela rede de americana CBS em série com direitos adquiridos pela Netflix US. Foi adaptado também para os quadrinhos em uma graphic novel com arte de Andy MacDonald. Estou ansiosa para que a Netflix Brasil disponibilize Zoo. A publicação da graphic novel também seria bem-vinda!
De Patterson li alguns volumes das séries Alex Cross e Clube das Mulheres contra o Crime e acho sua receita de suspense muito boa. É o primeiro livro de Michael Ledwidge no Brasil, porém vi várias obras de sua autoria em inglês, quase todos como coautor de Patterson.
A capa da Editora Arqueiro é baseada nos banners de divulgação do seriado e é linda. A parte gráfica e de diagramação do livro está perfeita e a revisão está boa.
A premissa é atraente: Inexplicavelmente animais caçam humanos. A brutalidade começa nos animais selvagens, depois nos domésticos.


Patterson é sinônimo de bom suspense. O clima é apocalíptico e animais ferozes se voltam loucamente contra os humanos.
Pensei se Zoo seria thriller tecnológico ao estilo de obras de Michael Crichton (O Parque dos Dinossauros, Congo, O Enigma de Andrômeda - sou fã dele há anos). Geralmente este estilo de ficção possui ênfase em suspense e ação, mas sempre com detalhes científicos acerca do acontecimento principal, geralmente ligado a uma catástrofe ou perigo iminente.
Zoo é superficial na parte da ficção científica. O motivo dos ataques dos animais é explicado basicamente. O suspense é excelente, tem bastante ação, mas a ficção científica é pobre.
O lado bom é que atinge grande público; muitos não gostam dos excessos científicos; o alvo são os fãs de suspense. Já leitores de thrillers tecnológicos precisam considerar que a obra não foca nas informações; você não encontrará detalhes de biologia, zoologia, química e ecologia. Como não é qualquer um que sabe escrever thriller tecnológico e nem todo leitor gosta de ficção científica, talvez tenha sido o melhor caminho de Ledwidge e Patterson.

Os capítulos são curtos e suas interrupções são importantes para causar impacto e suspense. Em certos momentos, desejava capítulos mais longos. Sinceramente, adorei a ideia, por isso acredito que o livro poderia mostrar mais, abranger mais acontecimentos. A leitura flui tão bem que levei poucas horas e o livro me manteve curiosa e alerta!
A trama começa muito bem; as personagens são apresentadas, assim como o conflito principal, que são os ataques dos animais aos humanos. O mais interessante é a expansão mundial, portanto temos algumas histórias secundárias paralelas; mas esperava por mais diversividade. Os autores mostram alguns outros países, mas queria mais e mais.
Confesso que a melhor parte é quando a intensificação dos ataques e os animais implacáveis. Pode soar sinistro ter curtido as mortes e surtos, porém a ação se encontra nessas cenas.
O texto é direto e descomplicado, sem muitas descrições. A narrativa se alterna entre a do protagonista (primeira pessoa) e narrador onipresente (terceira pessoa) expandindo os fatos e personagens. A obra poderia ser toda escrita em terceira pessoa.
O protagonista é o americano biólogo Jackson Oz, que embora seja apresentado como brilhante, nem sempre age desse modo. No entanto, ele é ousado e criador de uma teoria sobre a evolução do comportamento dos animais. Apresentada na sinopse como parceira de Oz, a ecologista francesa Chloe Tousignant se limita ao papel de par romântico, dando apenas apoio moral. Faltou exploração da personagem. Ela é encaixada na trama só para o herói ter uma família a proteger da catástrofe. Teria sido bem mais interessante se o par do protagonista fosse a estudante de medicina do início da história, ela demonstra mais personalidade. O encontro amoroso entre Oz e Chloe é forçado e sem carisma. As personagens principais não são atraentes, salvo o representante dos animais. Atilla, o chipanzé, é a melhor personagem do livro; acrescenta muito a trama, mostrando ao leitor o outro lado da história. Me senti na pele dos animais, através dele. Mesmo em terceira pessoa, seu ponto de vista foi brilhantemente desenvolvido, especialmente no processo de transformação de animal domesticado a selvagem insano e perturbado. O que acontece com ele é o que acontece com os demais animais, então é de suma importância compreendê-lo.


Zoo apresenta alguns pontos fracos, como a dificuldade do protagonista em alertar o mundo. Oz desistiu do Doutorado para se dedicar a sua descoberta / teoria e quando esta começou a se consolidar, ele tenta alertar as autoridades. Mesmo com os ataques absurdos, que faria qualquer pessoa de bom senso notar que algo grave está errado com os animais, ninguém acredita em Oz. Os próprios cientistas não dão crédito a ele, porque ficou famoso por "abandonar um doutorado para trabalhar em uma teoria absurda, postando em um blog suas ideias". Inicialmente, somente animais na natureza estão atacando, por isso a vida segue normalmente nas áreas urbanas. Quando chega ao ponto em que autoridades começam a esconder os incidentes, Oz quer o contrário: que o mundo todo saiba sobre os leões que o emboscaram no Botsuana. Ele não usa a internet ou a mídia para mostrar; ele tenta mostrar apenas ao governo dos Estados Unidos e colegas científicos. Compreendo que ele não queira alarde desnecessário. Mas se ninguém se importa e a coisa é séria, você não mostraria sua prova ao mundo de outra forma? Afinal, animais de estimação começam a matar as pessoas dentro de suas casas!
Em contrapartida, adorei a crítica aos governos, militares e autoridades. Em situação de emergência alguns poucos indivíduos são beneficiados e isso é um ultraje. Infelizmente, as situações são realistas. Imagino que seja assim que governos agem em situações caóticas: beneficiando a elite. Ou, no mínimo, distribuindo regras diferentes, quando deveres e direitos deveriam ser iguais. No clímax do livro, quando o mundo fica desordenado e a humanidade em risco, políticos e ricos recebem privilégios.
Outro item positivo da trama é a origem dos ataques. Por que os animais estão atacando? Os autores não deixam sem resposta e são criativos. Plausível ou não, gostei muito da ideia.
Fica no ar a mensagem sobre como a humanidade super explorar e trata mal o meio ambiente e as demais espécies.
Recomendo o livro para quem aprecia suspense, gosta de ação e não se importa com personagens clichês. É diversão certa para quem busca leitura despretensiosa e trama bem movimentada. Acredito no potencial para gerar uma série televisiva de sucesso; torço para que a CBS tenha acertado na adaptação. Então se você cogita assisti-la, certamente recomendo o livro antes.

Os autores:
James Patterson ultrapassou a marca de 275 milhões exemplares vendidos em mais de 100 países. Recordista de presença na lista de mais vendidos do The New York Times, é autor das consagradas séries Alex Cross e Clube das Mulheres contra o Crime.
Michael Ledwidge nasceu e cresceu no Bronx. É casado e tem dois filhos.
É co-autor de uma série rentável de James Patterson, mas também escreve sozinho.

Trailer da série (em inglês e sem legendas):




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