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2 de setembro de 2015

Eu Estive Aqui, de Gayle forman e Editora Arqueiro

Eu Estive Aqui
Gayle Forman - Editora Arqueiro
Tradução: Fabiano Moraes
240 páginas - 2015 - R$29,90
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Sinopse:
"Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal?
A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos.
Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida.
Eu Estive Aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível."

Resenha:

Gayle Forman já publicou oito romances em sua carreira e Eu Estive Aqui (I Was Here) é o seu quinto a chegar ao Brasil e o primeiro pela Editora Arqueiro. Seu trabalho ficou conhecido com Se Eu Ficar (If I Stay), publicado aqui em 2014 por sua editora anterior, a Novo Conceito. Foi best-seller não apenas no Brasil mais em outros países e ganhou adaptação cinematográfica.
Sobre os livros que já chegaram ao país: Para Onde Ela Foi (Where She Went) é continuação de Se Eu Ficar; Apenas um Ano (Just One Year) é a sequência de Apenas um Dias (Just One Day). Estes dois volumes serão adaptados para o cinema em um único filme. Eu Estive Aqui também vai para as telonas!
Eu Estive Aqui é um livro independente, sem ligação com seus outros trabalhos. É o mais recente da autora e é considerado pela crítica o melhor. Particularmente, Eu Estive Aqui é superior a Se Eu Ficar. É mais intenso, completo e profundo. Ambos são voltados ao público jovem, mas Eu Estive Aqui traz mais maturidade, além de conter mais realismo. Gostei muito de Se Eu Ficar, foi uma obra que me emocionou bastante, mas ficou abaixo da expectativa e funcionou melhor no cinema. Eu Estive Aqui mostra nítida evolução profissional da escrita de Gayle Forman. Portanto, se você ainda não conhece a autora e não pretender começar por uma duologia, Eu Estive Aqui é a escolha perfeita!
A capa com o fundo preto ficou bem mais bonita que a original, com o fundo branco. Os leitores escolheram a capa final em votação feita pela Arqueiro. A perdedora tinha o fundo azul.


É young adult, porém mais maduro (apesar de não ser new adult). É um sick-lit e os temas são pesados e complicados, mas a escrita da autora é suave e o destaque da obra. Gayle Forman escreve muito bem e na minha opinião melhorou muito. Ela sabe explorar as dificuldades do amadurecimento com personagens cativantes e relacionamentos fortes. Os elementos podem até ser clichês, mas nas mãos de Forman tudo pode se tornar interessante.
Eu Estive Aqui foi uma experiência surpreendente e acima das minhas expectativas. A leitura foi boa do início ao fim, prendendo minha atenção. Além da sinopse, não sabia mais nada acerca do livro, então só sabia que desejava me emocionar.
No começo a trama parecia muita lenta, mesmo sabendo que era apenas impressão, pois terminei o livro antes do planejado. A sensação de lentidão permaneceu comigo até a metade, quando de repente tudo tornou-se profundo e movimentado. O final não me surpreendeu, mas me deixou tão satisfeita e emotiva; o livro cumpriu o seu papel. Não sei explicar a sensação melancólica e bonita que provocou em mim. Me fez pensar muito nos temas abordados após a leitura (mais que durante).
A autora aborda vários temas, principalmente depressão, suicídio e luto.
Deixa bem claro a diferença entre se sentir triste e entrar em depressão. Dá a lição de que depressão precisa ser levada a sério e tratada. Não pode haver tabu, vergonha ou medo de se conversar a respeito, muito menos preconceito. Já passou da hora da sociedade assumir que a depressão é doença.
Outra abordagem franca é sobre a questão do suicídio. A linha tênue do "pensar" e o "fazer". Mostra que pensar nem sempre significa que se queira concluir a ideia, mas que antes do suicídio existe quase sempre algum tipo de elaboração, muitas vezes um planejamento meticuloso. A autora causa reflexão sobre o mito de que a pessoa com tendências suicidas nunca fala a respeito; que se a pessoa fala é porque quer "chamar a atenção"; ou que o suicida jamais deixa um sinal antes. Não existe um padrão, porém observar o comportamento pode ser o caminho.
O luto também é amplamente desenvolvido na trama, mostrando reações e evoluções diferentes. Como cada pessoa sofre com a perda e reage. A autora mostra variadas atitudes, focando nas da protagonista e narradora Cody.

Cody está na transição do final da adolescência para o início da vida adulta e todos nós sabemos como perdas podem ser cruéis nesta fase. Ela tem 18 anos de idade, mora com a mãe, não foi para a faculdade ainda e não tem um emprego, mas trabalha por conta própria e ajuda a pagar as contas. Não conheceu o pai, porém teve quase uma segunda família, a de sua melhor amiga Meg. Elas planejavam sair da cidade pequena e ir estudar em uma grande. Foram criadas como irmãs e eram conhecidas por todos como "unha e carne". Todavia, o "sempre juntas" terminou, porque Meg foi para uma universidade sem Cody e, de repente, se suicidou. Cody não estava lá com a amiga e sente, além da saudade e do luto, culpa. Porque Cody não estava lá com Meg.
Então o título, que inicialmente parecia tão simples, se torna complexo. O "eu estive aqui" é explicado no desenrolar da trama. O suicídio de Meg é o ponto de partida e o foco é como Cody enfrenta a perda da amiga.
Cody não consegue acreditar que Meg se matou. Não consegue entender, pois a amiga não parecia ter nenhum problema grave. A família é maravilhosa, com pai, mãe, irmão e cachorro de estimação. Todos se dão bem e Meg sempre foi inteligente, ousada e ativa. Não era do tipo deprimida e estava na faculdade, conhecendo pessoas novas. Mas Cody e Meg passaram por um afastamento. Será que alguma coisa aconteceu durante esse período?
Cody decide procurar por respostas. Ao ajudar os pais de Meg buscando os pertences dela na república de estudantes, Cody tem acesso ao notebook particular da amiga e encontra uma pista.




Encontra também colegas de Meg. Bem diferentes dela, de tipos que ela detestaria. Ou será que Cody não conhecia mais sua melhor amiga?
Richard, Alice, Tree e Ben entram na história e, em diferentes níveis, a movimentam. Ben teve um caso com Meg e Cody quer saber de tudo. Ela só não esperava que receberia ajuda de todos esses estranhos.
As personagens são pessoas comuns, mas a autora trabalha seus relacionamentos de forma caprichada, envolvente e realista. A parte romântica da trama não é forçada, o oposto do que imaginei no começo. É muito natural e não ofusca os temas centrais. Ainda assim, poderia não existir.
Os destaques para mim foram Scottie e Tricia. Scottie é o irmão mais jovem de Meg e, embora tenha somente 10 anos, demonstra maturidade. Não deixa de ser criança, porém não é enganado pelos adultos, que acham que esconder coisas dele significa protegê-lo. Tricia é a mãe de Cody, embora elas nem sempre ajam dentro dos padrões dos papéis de mãe e filha. A relação das duas evolui e, mesmo não convencional, é muito bonita.
E o prêmio de personagem surpreendente vai para Meg. Ela não está mais na história, mas esteve. Não é personagem ativa na trama, porém está presente nas lembranças e nos corações de todos. Meg foi importante e é o motivo para tudo estar acontecendo, é a razão de tanto sofrimento. Será que se ela soubesse da dor em cada ente querido, teria mesmo se matado? Qual teria sido o verdadeiro motivo? Será possível sua melhor amiga descobrir a verdade? O final do livro é lindo, do tipo memorável.
Cody ficou; Meg se foi porque tirou a própria vida. Em busca das respostas sobre Meg, Cody enfrenta desafios e a si mesma. Cody procura respostas para Meg e encontra perguntas sobre si mesma. Ela ficou e precisa mais que aceitar. Precisa compreender e a se perdoar; precisa dizer a si mesma: "Eu Continuo Aqui".


A autora:
Gayle Forman começou sua carreira escrevendo para a revista Seventeen com a maioria de seus artigos centrada nos jovens e preocupações sociais. Mais tarde ela se tornou uma jornalista freelancer para publicações como a revista Details, Jane Magazine, Glamour Magazine, The Nation, Elle Magazine e Cosmopolitan Magazine.
Em 2002, ela e seu marido Nick fizeram uma viagem ao redor do mundo. Acumulou uma riqueza de experiências e de informações que mais tarde serviu como base para seu primeiro livro. Em 2007 ela publicou seu primeiro romance para jovens adultos, intitulado de Sisters In Sanity, onde ela se baseia em um artigo que tinha escrito para a revista Seventeen. O romance Se Eu Ficar, fez Forman levar vários prêmios, entre eles o Indie Choice Award de 2010.
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